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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

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12
Mar19

7 | A Última Ceia de Nuno Nepomuceno.

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A Última Ceia é o meu livro de estreia do escritor português Nuno Nepomuceno. Centrado na famosa obra de Leonardo DaVinci, o quadro A última ceia, o policial passa-se entre Lisboa, Londres e Milão e dá-nos a conhecer diversas personagens que contribuem para o desenrolar e desfecho da narrativa. O livro é inspirado nos mais famosos roubos a obras de artes ocorridos ao longo da História.

 

Sofia, uma jovem e bela mulher, conhece o milionário Giancarlo, numa visita à Igreja de Santa Maria delle Gazie, em Milão, onde é possível contemplar uma réplica do famoso quadro. O relacionamento desenvolvesse com altos e baixos, mostrando o lado excêntrico de Giancarlo e arrastando Sofia para um relacionamento tóxico. Porém, o que inicialmente parecia ser um conto de fadas, rapidamente se transforma num inferno quando o Afonso, professor e agente dos serviços secretos portugueses, contacta Sofia para lhe contar a teia de mentiras em que a namorado a mergulhou e, assim, com a ajuda dela, desmascarar Giancarlo que acreditam ser o responsável pelo roubo dos famosos quadros de Leonardo DaVinci. Sofia sente-se dividida, entre o amor e o medo que sente de Giancarlo, mas a personalidade obsessiva e controladora do namorado, levam-na a ajudar Afonso e as restantes policiais internacionais. E à medida que novas pistas são reveladas, um jogo de rato e gato, de vida e morte, se desenrola...

 

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(o autor com a obra que inspirou o livro)

 

O nome de Nuno Nepomuceno não me era estranho. Li críticas muito positivas ao seu trabalho o que contribuiu para que eu alimentasse a curiosidade literária em ler os seus livros. De facto, as críticas ao seu trabalho não são exageradas: a sua escrita é simples mas cativante, um policial que nos prende desde a primeira página à última, deixando a duvida de quem será o responsável pelos roubos das artes permanecer até aos últimos capítulos. Resumindo, não sei como não li mais cedo Nuno Nepomuceno. A Última Ceia é uma narrativa que se lê muito bem, deixando cada capítulo em suspense, obrigando o leitor a querer retomar a leitura num breve espaço de tempo. É um livro bem estruturado e documentado, mostrando o excelente trabalho de pesquisa desenvolvido pelo autor. Por outro lado, o livro faz referência a outros livros do autor, reaproveitando a personagem de Afonso e de outra personagem (e, julgo que igualmente de Sofia), o que acalentou o desejo de voltar a ler mais livros destes autor.

 

- O amor é um sentimento poderoso. Pode levar-nos a fazer coisas das quais nunca julgámos ser capazes. (p. 39)

 

- Então, e o passado? - perguntou-lhe. - Como é que o enterro?
(...)

- Olha para o presente, meu filho - aconselhou-o ele, envolvendo-lhe novamente as mãos. - E aproveita todas as oportunidades de redenção que ele te der. (p. 92)

 

- As mulheres sabem mentir com maior naturalidade porque têm de fazê-lo desde muito cedo, seja para protegerem os filhos, agradar os maridos ou singrar profissionalmente. É um ato de sobrevivência num mundo que ainda é dominado pelos homens. Privadas de força, usam a inteligência para obterem o que querem. (p. 183)

 

Avaliação (de um a cinco): 3.5*

 

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---

 

A Última Ceia de Nuno Nepomuceno 
ISBN: 9789898886385
Edição ou reimpressão: 01-2019
Editor: Cultura Editora
 
SINOPSE

Uma nota enigmática é encontrada junto a lascas de tinta e tela, e à moldura vazia de um quadro famoso. O ladrão deixou um recado. Promete repetir a façanha dentro de um ano. De visita à igreja de Santa Maria delle Grazie em Milão, uma jovem mulher apaixona-se por um carismático milionário. Mas quando alguns meses depois é abordada por um antigo professor, Sofia é colocada inesperadamente perante um dilema. Deverá denunciar o homem com quem vai casar-se, ou permitir tornar-se cúmplice deste ladrão de arte irresistível?

Enquanto a intimidade entre o casal aumenta, um jogo de morte, do gato e do rato, começa. E aquilo que ao início aparentava ser um conto de fadas, transforma-se rapidamente num pesadelo, enquanto um plano ousado e meticuloso é urdido para roubar a obra-prima de Leonardo da Vinci. Requintado, intimista, inspirado em acontecimentos verídicos, A Última Ceia transporta-nos até ao elitista mundo da arte. Passado entre Londres e Milão, habitado por uma coleção extraordinária de personagens, para as quais a ambição e fama sobrepõem-se a qualquer outro valor, este é um thriller sofisticado de leitura compulsiva. Uma viagem surpreendente ao centro de uma teia de intrigas, romances e traições.

04
Mar19

6 | Os Tambores de Outono de Diana Gabaldon.

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Comecei, a meio do ano passado, a ler a saga Outlander de Diana Gabaldon. Terminei, a dois de Março, o quarto volume da saga, Os Tambores de Outono, e devo dizer que não sei como não comecei mais cedo esta aventura literária. É extremamente viciante e envolvente e, correndo o risco de me repetir, nutro por esta escritora um fascínio e admiração imensa. Enquanto apreciadora e fã de romances históricos, arrisco-me a dizer que Outlander é um dos melhores do género, misturando História com fantasia, romance e aventura. Mas, sobre o quatro volume de Outlander...

 

Os Tambores de Outono inicia-se com Claire e Jaime a encontrarem um novo recomeço no Novo Mundo. Jaime não pode regressar à Escócia, onde seria condenado pelos ingleses pela sua participação e apoio à causa Stuart portanto, é nos EUA, na Carolina do Sul, que o casal procura um novo inicio de vida. O regresso de Claire, depois de atravessar o círculo de pedras Craigh na Dun, do século XX para o século XVIII, por duas vezes, dá-lhe extraordinários conhecimentos médicos e históricos sobre a época. Claire, acreditando que o pai da sua filha tinha morrido, regressa através do circulo de pedras na Escócia, onde durante vinte anos crê que Jaime terá morrido. A descoberta de que, afinal, Jaime está vivo leva-a a regressar ao século XVIII. O casal instala-se assim, juntamente com Ian, o sobrinho de Jaime, no topo de uma colina onde constroem uma cabana de madeira. O objectivo dos Fraser é conseguir atrair uma nova população, usando as terras produtivas e os conhecimentos para a produção de whisky um chamariz para novos aventureiros. Porém, no século XX, a jovem Brianna, a filha de Jaime e Claire, descobre que os pais correm grande perigo de vida. Por isso, na esperança de alterar o passado e acreditando possuir o mesmo poder que a sua mãe, a jovem atravessa o mesmo círculo de pedras. Contudo, a jovem não está preparada para os riscos daquele século, acabando por arriscar a própria vida.  

 

Neste quarto volume da saga Outlander, é nos dado a conhecer detalhes históricos sobre a colonização dos EUA, nomeadamente sobre a Carolina do Sul, mostrando os perigos que a população sofria na época na esperança de um futuro melhor para si e para os seus filhos, em viagens entre o Velho e o Novo Mundo, desumanas e trágicas. É um livro repleto de conhecimento histórico sobre a época que, para mim, de outra forma seriam totalmente desconhecidos. Acredito que todos os livros de Outlander são submetidos a um trabalho de investigação histórico minucioso e, por isso e para mim, são um dos melhores do género. As personagens são, modo geral, muito bem trabalhadas, com descrições físicas e psicológicas que nos levam, no decorrer da leitura, a imaginar e a senti-las.

 

Porém, Os Tambores de Outono, de entre os quatro volumes que já li, foi aquele que mais me surpreendeu pela negativa. Quando terminei A Viajante, o terceiro livro, tinha grandes expectativas para este livro que ficaram muito aquém. Em primeiro lugar, senti que os primeiros capítulos, avançavam a um ritmo lento e com demasiados detalhes. Senti que havia uma espécie de reciclagem de acontecimentos entre personagens, contrariamente ao que aconteceu nos primeiros três livros. Em segundo lugar, esperava que a autora atribui-se à personagem de Brianna um outro ênfase: senti que a personagem foi quase atirada para aventura sem qualquer contexto; julgava que uma parte significativa do livro seria sobre ela e os sentimentos que nutre sobre a descoberta dos poderes da mãe e a origem do seu pai biológico, mas tal ficou à quem do que eu previa. Ainda assim, gostei muito do encontro de Jaime e Brianna e da relação atribulada que pai e filha criaram. Ao ritmo lento da narrativa, juntam-se falhas na tradução, repetição de expressões e erros gráficos ou de impressão. Eu sei que não sou a pessoa mais adequada para falar sobre a temática, também eu dou erros e pontapés na gramática e não sou entendida na arte da tradução, mas senti que comecei a perder o ritmo de leitura quando tal se tornou repetitivo. Um livro com um preço tão elevado não pode, para mim, conter tantas falhas. 

 

Não sendo, o quarto volume o meu favorito e apesar dos aspectos negativos, é uma saga que faço questão de continuar a ler. Adoro as personagens de Jaime e Claire, da ligação profunda que nutrem, e de como a autora aborda a História num livro recheado de aventura, fantasia e mistério. 

 

Avaliação (de um a cinco): 3*

 

- Eu estava morto, minha Sassenach... mas durante todo aquele tempo, eu amei-te.

(...)

- Eu também te amei - sussurrei - E irei sempre amar-te.

(...)

- Enquanto o meu corpo viver, e o teu... seremos um só corpo - sussurou ele. (...) - E quando o meu corpo deixar de viver, a minha alma ainda será tua. Claire, eu juro pela minha fé no céu, não serei afastado de ti. (p. 317)

 

- Se tiveres de perguntar a ti mesmo se estás apaixonado, rapaz, então não estás - garantiu-lhe a sra. Graham (...)

- Quando estiveres apaixonado, Rog, vais saber sem precisares de pensar - dissera o reverendo (...) (p. 321)

 

- Não importa o que aconteça; não importa onde um filho vai, até onde ele vá. Ainda que seja para sempre. Nunca os perdemos. Não podemos. (p.714)

 

___

 

Outlander 4 - Tambores De Outono de Diana Gabaldon 
ISBN: 9789897415371
Edição ou reimpressão: 07-2016
Editor: Casa das Letras
 
SINOPSE

Os Tambores de Outono tem início na Escócia, num ancestral círculo de pedras de Craig na Dun. Ali, uma porta abre-se para um grupo restrito, podendo levá-los para o passado - ou para a sepultura. Claire Randall sobreviveu à passagem, não uma mas duas vezes. A sua primeira viagem no tempo levou-a para os braços de Jamie Fraser, um bravo guerreiro escocês do século xviii que tinha por ela um amor que se tornou lenda - um conto trágico de paixão que teve o seu fim quando Claire voltou ao presente carregando no ventre uma filha dele. A sua segunda viagem, duas décadas depois, voltou a uni-los na América colonial. Mas Claire deixou alguém para trás no século xx… a sua filha Brianna. 

Agora Brianna faz uma perturbadora descoberta que volta a levá-la para o círculo de pedras e para um aterrador salto para o desconhecido. Na busca da mãe e do pai que nunca conheceu, arrisca o seu próprio futuro ao tentar mudar a história… para salvar as suas vidas. Mas quando Brianna mergulha no desconhecido, um encontro inesperado pode amarrá-la para sempre no passado… ou levá-la para o lugar onde deveria estar, onde pertence o seu coração…

27
Fev19

5 | Filhos à Venda de Kristina McMorris.

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Os romances baseados em acontecimentos históricos são o meu género literário favorito. Não resisto a título apelativo, aliado a uma cativante sinopse. Inclino-me preferencialmente para a temática das Grandes Guerras e do Holocausto, mas leio de tudo e é por meio destes romances históricos que aprendo um pouco mais sobre o passado mais diversos dos países do Mundo, sobre acontecimentos pouco conhecidos, detalhes que nem sempre são relatados nas aulas de História ou abordado nos meios televisivos. Filhos à Venda de Kristina McMorris é um desses livros. Um romance histórico tendo como pano de fundo a Grande Depressão e as consequências marcantes na vida da população americana. 

 

Imaginem-se num campo, a passear numa tarde de sol, quando se deparam com um cenário macabro: duas crianças sentadas no alpendre de uma casa modesta e rural acompanhadas por uma placa onde se pode ler "Vendem-se duas crianças". Que sentimentos desencadearia tal cenário no nosso interior? Como reagir? O que fazer? 

 

1931. Ellis Reed é foto-jornalista, na área cor-de-rosa e social de um jornal americano, em busca de uma  reportagem que lhe altere a posição e o faça elevar de posição. Numa tarde, depois de uma reportagem social, o jovem depara-se com o cenário que jamais esquecerá: o de duas crianças com uma placa que as colocava à venda. O anúncio, resultado das brutais dificuldades que as famílias americanas enfrentavam após a queda da bolsa em 1912, leva o jovem foto-jornalista a tirar uma fotografia ao cenário. Ellis não pretende publicar a imagem. Porém, quando Lilian Palmer, a sua colega de jornal, descobre a fotografia, sugere a sua publicação ao chefe de redacção e o jovem vê-se sem alternativa... Ellis procura evita-lo, mas sabe que aquela imagem pode mudar a sua carreira profissional. Todavia, acidentalmente, a fotografia é destruída e Ellis vê-se na necessidade de recriar o cenário, com novas crianças. A fotografia é publicada mas as consequências são devastadoras para as duas crianças que a protagonização. Ellis e Lilian compreender o grave erro cometido e, para o solucionarem, os dois embarcam numa arrisca aventura para reunir uma família fracturada. 

 

Baseado em factos reais, a narrativa mostra-nos não só as dificuldades que as famílias americanas sofreram na Grande Depressão, vem como as escolhas difíceis de uma mãe viúva na esperança de conseguir um futuro melhor para os seus filhos. Mais do que escolhas, Filhos à Venda é um livro que nos mostra os laços poderosos que unem mães e filhos, assim como o luto e a perda de um filho podem destruir uma família. É um livro delicado e inesquecível, onde as escolhas das personagens tomam proporções gigantescas, rico em detalhes históricos sobre a época. Um relato de pobreza e ambição inesquecível. 

 

Avaliação (de um a cinco): 5*

 

___

 

Filhos à Venda de Kristina McMorris 
ISBN: 9789898917621
Edição ou reimpressão: 01-2019
Editor: TopSeller
Idioma: Português
Páginas: 352
 
Sinopse:
Uma história comovente de perda e redenção, inspirada em impressionantes acontecimentos reais.

Em 1931, o repórter Ellis Reed depara-se com uma cena angustiante. Duas crianças encontram-se no alpendre de uma casa rural e ao seu lado está uma tabuleta onde se pode ler:

Vendem-se duas crianças

Aquele anúncio, um reflexo das dificuldades brutais que inúmeras famílias americanas enfrentaram após a queda da bolsa em 1929, leva Ellis a tirar uma fotografia à cena. Quando Lillian Palmer, sua colega no jornal, encontra a fotografia, sugere a sua publicação ao chefe de redação. Ellis revela-se contra, mas percebe que aquela imagem pode conduzir à sua grande oportunidade de progredir na carreira.

Acidentalmente, a fotografia é destruída, e Ellis tem de regressar à casa para voltar a fotografar a cena. Ao encontrar a casa vazia, toma uma decisão: recria uma cena semelhante numa casa vizinha, com novas crianças, e tira outra fotografia.

A imagem acaba por ser publicada, e as consequências são devastadoras. Ellis e Lillian sabem que um grande erro foi cometido, e vão ter de decidir quanto estão dispostos a arriscar para salvar uma família fraturada.
19
Fev19

4 | O Tatuador de Auschwitz de Heather Morris.

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O Tatuador de Auschwitz de Heather Morris é baseado no testemunho vivido de Lale Sokolov, uma história de sobrevivência e amor inspiradora e marcante.

 

O ano é o de 1942 e Lale chega ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Sonhador, sedutor e de personalidade cativante, o jovem judeu é incumbido, por forma a sobreviver, de marcar no braço de outras vítimas, com uma tinta indelével, uma sequência de números: o número pelo qual os prisioneiros serão identificado. A marca que permanecerá marcada na pele de milhares de judeus e outras vítimas do Holocausto, um dos símbolos mais poderosos dos campos de concentração alemães. É na fila dos recém-chegados que Lale conhece a aterrorizada Gita. O ambiente é de medo mas, ainda assim, um amor à primeira vista nasce naquele ambiente de terror: o de Lale pela jovem Gita. Determinado a sobreviver e a conquistar o amor de Gita, Lale tudo fará para o conseguir, abraçando sonhos de um futuro a dois para quando a Guerra terminar. 

 

Nos três anos em que Lale vive naquele campo de concentração, o tatuador conquista uma posição privilegiada através de uma série de "acasos felizes", usando essa posição para ajudar outros prisioneiros amigos, através de alimentos e medicamentos. Nascido na Checoslováquia, de seu nome Ludwig Sokolov, posteriormente Lale, a narrativa de Heather Morris mostra-nos que, no meio de uma das tragédias mais marcantes e negras da História, o amor pode nascer. 

 

Com pouco menos de 250 páginas, O Tatuador de Auschwitz é um daqueles livros que se lê em dois ou três dias, tal é a envolvência com que a narrativa nos cativa. Uma história real, onde o amor e a sobrevivência assumem o protagonismo, num cenário em que o medo e o terror predominam. Valores como a amizade, a compaixão e o espírito de entre-ajuda também marcam esta história. Uma leitura inspiradora, inesquecível e marcante! 

 

Uma nota de destaque para este livro por ser um dos poucos que li sobre a temática onde se falem de outros prisioneiros que não judeus: a narrativa também nos dá a conhecer o drama dos ciganos, em menor número, que a II Guerra encaminhou para campos de concentração. 

 

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Lale, Gita e o filho de ambos.

 

A tatuagem foi-lhe feita em segundos, mas, para Lale, o choque é tal que o tempo parece ter parado. Segura o braço e fica a olhar o número. Como pode alguém fazer isto a outro ser humano? Pergunta-se se, pelo resto da sua vida, seja ela curta ou longa, será definido por aquele momento, por aquele número mal desenhado: 32407. (p. 19)

 

- Bom, Lale, um homem que ensina a respeito de impostos e de taxas de juro acaba por se envolver na política do seu país. A política ajuda-nos a entender o mundo até deixarmos de o entender e, nessa altura, atiram connosco para um campo prisional. O mesmo acontece com a religião. (p. 34)

 

- O que faz dela uma heroína. Tu também és, querida. As duas escolheram sobreviver; isso já é resistir a estes malvados nazis. Escolher viver é um ato de desafio, é uma forma de heroísmo. (p. 131)

 

Avaliação (de 0 a 5): 5*

 

---

 

O Tatuador de Auschwitz de Heather Morris 
ISBN: 9789722361668
Edição ou reimpressão: 02-2018
Editor: Editorial Presença
Idioma: Português
Páginas: 232
 
SINOPSE

História verídica de um amor em tempo de guerra!

Esta é a história assombrosa do tatuador de Auschwitz e da mulher que conquistou o seu coração - um dos episódios mais extraordinários e inesquecíveis do Holocausto.

Em 1942, Lale Sokolov chega a Auschwitz-Birkenau. Ali é incumbido da tarefa de tatuar os prisioneiros marcados para sobreviver - gravando uma sequência de números no braço de outras vítimas como ele - com uma tinta indelével. Era assim o processo de criação daquele que veio a tornar -se um dos símbolos mais poderosos do Holocausto.
À espera na fila pela sua vez de ser tatuada, aterrorizada e a tremer, encontra-se Gita. Para Lale, um sedutor, foi amor à primeira vista. Ele está determinado não só a lutar pela sua própria sobrevivência mas também pela desta jovem.

Um romance baseado em entrevistas que Heather Morris fez ao longo de diversos anos a Ludwig (Lale) Sokolov, vítima do Holocausto e tatuador em Auschwitz-Birkenau. Uma história de amor e sobrevivência no meio dos horrores de um campo de concentração, que agradará a um vasto universo de leitores, em especial aos que leram A Lista de Schindler e O Rapaz do Pijama às Riscas, e que nos mostra de forma pungente e emocionante como o melhor da natureza humana se revela por vezes nas mais terríveis circunstâncias.

29
Jan19

3 | A Grande Solidão de Kristin Hannah.

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Quando a escritora portuguesa Helena Magalhães anunciou, no seu instagram, o lançamento pela Editora Bertrand de um livro de Kristin Hannah não resisti à tentação de o adquirir. A escritora americana não me é uma total desconhecida: os dois livros que já li dela, Estrada da Noite e O Rouxinol, são dos meus favoritos da vida. Estrada da Noite, que reli por duas vezes, levou-me sempre às lágrimas, tal como O Rouxinol. Tenho, na estante e em lista de espera, mais dois desta autora: Entre Irmãs e A Hora Mágica. Portanto, eu já esperava um livro e uma escrita arrebatadoras, capazes de me levar às lágrimas... Confesso que, numa fase inicial, talvez porque o lê-se aos bocadinhos, talvez porque não estivesse totalmente preparada para o ler, A Grande Solidão não me cativou nas primeiras cem a cento e cinquenta páginas. 

 

A imensidão e magnitude do Alasca como cenário de fundo, A Grande Solidão de Kristin Hannah, relata-nos o percurso de vida de Leni, uma jovem de treze anos, que chega àquelas terras selvagens com a família em 1974. Ernest, o pai de Leni, é um homem destroçado e marcado pela Guerra do Vietname que procura, com a família, viver fora do sistema. Incapaz de manter um emprego e de sustentar a família, decide encontrar na vida selvagem do Alasca uma nova oportunidade de recomeçar. Cora, a esposa de Ernest e mãe de Leni, está disposta a tudo pelo homem que ama e assim deixa-se arrastar para uma vida desconhecida. Inicialmente, a família Allbright parece adaptar-se ao Alasca e ao seu lado selvagem e sem sistema, numa comunidade de homens e mulheres fortes, onde a entreajuda e a troca são o modo de pagamento. Porém, a chegada dos dias longos e frios de Inverno, revelam as fragilidades da família: o estado mental de Ernest agrava-se, revelando a Leni segredos que Cora procurava esconder... mãe e filha rapidamente compreendem que, para lá da vida selvagem externa, é com as ameaças internas que precisam de se preocupar e lutar. Uma terrivel verdade que mudará as vidas de Leni e Cora. 

 

Kristin Hannah aborda, com mestria e talento, a fragilidade mental, a resiliência e a violência doméstica. Um livro que é um verdadeiro murro no estômago e uma lição de vida. Cora é o exemplo de milhares de mulheres vitimas de violência doméstica que acredita no poder do amor; com ela, compreendemos alguns dos motivos que levam a que muitas mulheres se "acomodem". Os traumas de guerra e a falta de acompanhamento mental, moldam a personalidade de Ernest, transformando-o num homem fechado, instável, resistente à mudança e violento. A filha do casal, Leni, revela-se uma jovem lutadora, embora o cenário de violência doméstica a tornem insegura, sempre com medo de desagradar ou de contrariar o pai. Leni é o exemplo do que relações toxicas como as tão bem descritas por Kristin Hannah podem significar e marcar uma criança. Revi-me nesta história, na personagem da Cora e nos medos de Leni. No passado vivi uma relação tóxica, marcada maioritariamente pela violência psicológica e senti que, se não tivesse detectado os sinais, que só compreendi muito depois da primeira tentativa de violência física, poderia ser como Cora. 

 

No goodreads atribuí a este livro quatro estrelas. Não me perguntem onde estava com a cabeça quando fiz. A Grande Solidão é um grande cinco estrelas. Não me roubou lágrimas mas é mais um dos meus livros favoritos do ano de dois mil e dezanove e da vida. Kristin nunca desilude!

 

Ele ensinou-lhe uma coisa nova sobre a amizade: retomava no sítio onde a haviam deixado, como se não tivessem estado separados. 

 

Conseguia compreender o medo e a vergonha. O medo fazia-nos fugir e a vergonha fazia-nos ficar quietos, mas aquela raiva pedia outra coisa: Libertação.

 

O amor não esmorece nem morre, fofinha.

 

Avaliação (de zero a cinco): 5*

 

___

A Grande Solidão de Kristin Hannah 
ISBN: 9789722535991
Edição ou reimpressão: 01-2019
Editor: Bertrand Editora
Idioma: Português
Páginas: 456
 
SINOPSE

1974, Alasca. Indómito. Imprevisível. E para uma família em crise, a prova definitiva. Ernt Allbright regressa da Guerra do Vietname transformado num homem diferente e vulnerável. Incapaz de manter um emprego, toma uma decisão impulsiva: toda a família deverá encetar uma nova vida no selvagem Alasca, a última fronteira, onde viverão fora do sistema. Com apenas 13 anos, a filha Leni é apanhada na apaixonada e tumultuosa relação dos pais, mas tem esperança de que uma nova terra proporcione um futuro melhor à sua família. Está ansiosa por encontrar o seu lugar no mundo. A mãe, Cora, está disposta a tudo pelo homem que ama, mesmo que isso signifique segui-lo numa aventura no desconhecido. Inicialmente, o Alasca parece ser uma boa opção. Num recanto selvagem e remoto, encontram uma comunidade autónoma, constituída por homens fortes e mulheres ainda mais fortes. Os longos dias de verão e a generosidade dos habitantes locais compensam a inexperiência e os recursos cada vez mais limitados dos Allbright. 

À medida que o inverno se aproxima e que a escuridão cai sobre o Alasca, o frágil estado mental de Ernt deteriora-se e a família começa a quebrar. Os perigos exteriores rapidamente se desvanecem quando comparados com as ameaças internas. Na sua pequena cabana, coberta de neve, Leni e a mãe aprendem uma verdade terrível: estão sozinhas. Na natureza, não há ninguém que as possa salvar, a não ser elas mesmas. Neste retrato inesquecível da fragilidade e da resiliência humana, Kristin Hannah revela o carácter indomável do moderno pioneiro americano e o espírito de um Alasca que se dissipa - um lugar de beleza e perigo incomparáveis. A Grande Solidão é uma história ousada e magnífica sobre o amor e a perda, a luta pela sobrevivência e a rudeza que existe tanto no homem como na natureza.

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