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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

19
Fev19

4 | O Tatuador de Auschwitz de Heather Morris.

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O Tatuador de Auschwitz de Heather Morris é baseado no testemunho vivido de Lale Sokolov, uma história de sobrevivência e amor inspiradora e marcante.

 

O ano é o de 1942 e Lale chega ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Sonhador, sedutor e de personalidade cativante, o jovem judeu é incumbido, por forma a sobreviver, de marcar no braço de outras vítimas, com uma tinta indelével, uma sequência de números: o número pelo qual os prisioneiros serão identificado. A marca que permanecerá marcada na pele de milhares de judeus e outras vítimas do Holocausto, um dos símbolos mais poderosos dos campos de concentração alemães. É na fila dos recém-chegados que Lale conhece a aterrorizada Gita. O ambiente é de medo mas, ainda assim, um amor à primeira vista nasce naquele ambiente de terror: o de Lale pela jovem Gita. Determinado a sobreviver e a conquistar o amor de Gita, Lale tudo fará para o conseguir, abraçando sonhos de um futuro a dois para quando a Guerra terminar. 

 

Nos três anos em que Lale vive naquele campo de concentração, o tatuador conquista uma posição privilegiada através de uma série de "acasos felizes", usando essa posição para ajudar outros prisioneiros amigos, através de alimentos e medicamentos. Nascido na Checoslováquia, de seu nome Ludwig Sokolov, posteriormente Lale, a narrativa de Heather Morris mostra-nos que, no meio de uma das tragédias mais marcantes e negras da História, o amor pode nascer. 

 

Com pouco menos de 250 páginas, O Tatuador de Auschwitz é um daqueles livros que se lê em dois ou três dias, tal é a envolvência com que a narrativa nos cativa. Uma história real, onde o amor e a sobrevivência assumem o protagonismo, num cenário em que o medo e o terror predominam. Valores como a amizade, a compaixão e o espírito de entre-ajuda também marcam esta história. Uma leitura inspiradora, inesquecível e marcante! 

 

Uma nota de destaque para este livro por ser um dos poucos que li sobre a temática onde se falem de outros prisioneiros que não judeus: a narrativa também nos dá a conhecer o drama dos ciganos, em menor número, que a II Guerra encaminhou para campos de concentração. 

 

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Lale, Gita e o filho de ambos.

 

A tatuagem foi-lhe feita em segundos, mas, para Lale, o choque é tal que o tempo parece ter parado. Segura o braço e fica a olhar o número. Como pode alguém fazer isto a outro ser humano? Pergunta-se se, pelo resto da sua vida, seja ela curta ou longa, será definido por aquele momento, por aquele número mal desenhado: 32407. (p. 19)

 

- Bom, Lale, um homem que ensina a respeito de impostos e de taxas de juro acaba por se envolver na política do seu país. A política ajuda-nos a entender o mundo até deixarmos de o entender e, nessa altura, atiram connosco para um campo prisional. O mesmo acontece com a religião. (p. 34)

 

- O que faz dela uma heroína. Tu também és, querida. As duas escolheram sobreviver; isso já é resistir a estes malvados nazis. Escolher viver é um ato de desafio, é uma forma de heroísmo. (p. 131)

 

Avaliação (de 0 a 5): 5*

 

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O Tatuador de Auschwitz de Heather Morris 
ISBN: 9789722361668
Edição ou reimpressão: 02-2018
Editor: Editorial Presença
Idioma: Português
Páginas: 232
 
SINOPSE

História verídica de um amor em tempo de guerra!

Esta é a história assombrosa do tatuador de Auschwitz e da mulher que conquistou o seu coração - um dos episódios mais extraordinários e inesquecíveis do Holocausto.

Em 1942, Lale Sokolov chega a Auschwitz-Birkenau. Ali é incumbido da tarefa de tatuar os prisioneiros marcados para sobreviver - gravando uma sequência de números no braço de outras vítimas como ele - com uma tinta indelével. Era assim o processo de criação daquele que veio a tornar -se um dos símbolos mais poderosos do Holocausto.
À espera na fila pela sua vez de ser tatuada, aterrorizada e a tremer, encontra-se Gita. Para Lale, um sedutor, foi amor à primeira vista. Ele está determinado não só a lutar pela sua própria sobrevivência mas também pela desta jovem.

Um romance baseado em entrevistas que Heather Morris fez ao longo de diversos anos a Ludwig (Lale) Sokolov, vítima do Holocausto e tatuador em Auschwitz-Birkenau. Uma história de amor e sobrevivência no meio dos horrores de um campo de concentração, que agradará a um vasto universo de leitores, em especial aos que leram A Lista de Schindler e O Rapaz do Pijama às Riscas, e que nos mostra de forma pungente e emocionante como o melhor da natureza humana se revela por vezes nas mais terríveis circunstâncias.

29
Jan19

3 | A Grande Solidão de Kristin Hannah.

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Quando a escritora portuguesa Helena Magalhães anunciou, no seu instagram, o lançamento pela Editora Bertrand de um livro de Kristin Hannah não resisti à tentação de o adquirir. A escritora americana não me é uma total desconhecida: os dois livros que já li dela, Estrada da Noite e O Rouxinol, são dos meus favoritos da vida. Estrada da Noite, que reli por duas vezes, levou-me sempre às lágrimas, tal como O Rouxinol. Tenho, na estante e em lista de espera, mais dois desta autora: Entre Irmãs e A Hora Mágica. Portanto, eu já esperava um livro e uma escrita arrebatadoras, capazes de me levar às lágrimas... Confesso que, numa fase inicial, talvez porque o lê-se aos bocadinhos, talvez porque não estivesse totalmente preparada para o ler, A Grande Solidão não me cativou nas primeiras cem a cento e cinquenta páginas. 

 

A imensidão e magnitude do Alasca como cenário de fundo, A Grande Solidão de Kristin Hannah, relata-nos o percurso de vida de Leni, uma jovem de treze anos, que chega àquelas terras selvagens com a família em 1974. Ernest, o pai de Leni, é um homem destroçado e marcado pela Guerra do Vietname que procura, com a família, viver fora do sistema. Incapaz de manter um emprego e de sustentar a família, decide encontrar na vida selvagem do Alasca uma nova oportunidade de recomeçar. Cora, a esposa de Ernest e mãe de Leni, está disposta a tudo pelo homem que ama e assim deixa-se arrastar para uma vida desconhecida. Inicialmente, a família Allbright parece adaptar-se ao Alasca e ao seu lado selvagem e sem sistema, numa comunidade de homens e mulheres fortes, onde a entreajuda e a troca são o modo de pagamento. Porém, a chegada dos dias longos e frios de Inverno, revelam as fragilidades da família: o estado mental de Ernest agrava-se, revelando a Leni segredos que Cora procurava esconder... mãe e filha rapidamente compreendem que, para lá da vida selvagem externa, é com as ameaças internas que precisam de se preocupar e lutar. Uma terrivel verdade que mudará as vidas de Leni e Cora. 

 

Kristin Hannah aborda, com mestria e talento, a fragilidade mental, a resiliência e a violência doméstica. Um livro que é um verdadeiro murro no estômago e uma lição de vida. Cora é o exemplo de milhares de mulheres vitimas de violência doméstica que acredita no poder do amor; com ela, compreendemos alguns dos motivos que levam a que muitas mulheres se "acomodem". Os traumas de guerra e a falta de acompanhamento mental, moldam a personalidade de Ernest, transformando-o num homem fechado, instável, resistente à mudança e violento. A filha do casal, Leni, revela-se uma jovem lutadora, embora o cenário de violência doméstica a tornem insegura, sempre com medo de desagradar ou de contrariar o pai. Leni é o exemplo do que relações toxicas como as tão bem descritas por Kristin Hannah podem significar e marcar uma criança. Revi-me nesta história, na personagem da Cora e nos medos de Leni. No passado vivi uma relação tóxica, marcada maioritariamente pela violência psicológica e senti que, se não tivesse detectado os sinais, que só compreendi muito depois da primeira tentativa de violência física, poderia ser como Cora. 

 

No goodreads atribuí a este livro quatro estrelas. Não me perguntem onde estava com a cabeça quando fiz. A Grande Solidão é um grande cinco estrelas. Não me roubou lágrimas mas é mais um dos meus livros favoritos do ano de dois mil e dezanove e da vida. Kristin nunca desilude!

 

Ele ensinou-lhe uma coisa nova sobre a amizade: retomava no sítio onde a haviam deixado, como se não tivessem estado separados. 

 

Conseguia compreender o medo e a vergonha. O medo fazia-nos fugir e a vergonha fazia-nos ficar quietos, mas aquela raiva pedia outra coisa: Libertação.

 

O amor não esmorece nem morre, fofinha.

 

Avaliação (de zero a cinco): 5*

 

___

A Grande Solidão de Kristin Hannah 
ISBN: 9789722535991
Edição ou reimpressão: 01-2019
Editor: Bertrand Editora
Idioma: Português
Páginas: 456
 
SINOPSE

1974, Alasca. Indómito. Imprevisível. E para uma família em crise, a prova definitiva. Ernt Allbright regressa da Guerra do Vietname transformado num homem diferente e vulnerável. Incapaz de manter um emprego, toma uma decisão impulsiva: toda a família deverá encetar uma nova vida no selvagem Alasca, a última fronteira, onde viverão fora do sistema. Com apenas 13 anos, a filha Leni é apanhada na apaixonada e tumultuosa relação dos pais, mas tem esperança de que uma nova terra proporcione um futuro melhor à sua família. Está ansiosa por encontrar o seu lugar no mundo. A mãe, Cora, está disposta a tudo pelo homem que ama, mesmo que isso signifique segui-lo numa aventura no desconhecido. Inicialmente, o Alasca parece ser uma boa opção. Num recanto selvagem e remoto, encontram uma comunidade autónoma, constituída por homens fortes e mulheres ainda mais fortes. Os longos dias de verão e a generosidade dos habitantes locais compensam a inexperiência e os recursos cada vez mais limitados dos Allbright. 

À medida que o inverno se aproxima e que a escuridão cai sobre o Alasca, o frágil estado mental de Ernt deteriora-se e a família começa a quebrar. Os perigos exteriores rapidamente se desvanecem quando comparados com as ameaças internas. Na sua pequena cabana, coberta de neve, Leni e a mãe aprendem uma verdade terrível: estão sozinhas. Na natureza, não há ninguém que as possa salvar, a não ser elas mesmas. Neste retrato inesquecível da fragilidade e da resiliência humana, Kristin Hannah revela o carácter indomável do moderno pioneiro americano e o espírito de um Alasca que se dissipa - um lugar de beleza e perigo incomparáveis. A Grande Solidão é uma história ousada e magnífica sobre o amor e a perda, a luta pela sobrevivência e a rudeza que existe tanto no homem como na natureza.

17
Jan19

2 | A Imperatriz Romanov de C. W. Gortner

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A Imperatriz Romanov do escritor C. W. Gortner foi o único livro que recebi como presente de Natal, do meu namorado, cuja leitura iniciei a 8 de Janeiro e terminei a 14 do mesmo mês. Este era um dos muitos livros que constava de uma revista literária que o M. me pediu para assinalar. Sempre tive muita curiosidade por ler romances inspirados na família Romanov, embora tal nunca se tenha proporcionado antes, e este romance histórico foi, sem dúvidas, um excelente começo que me aguçou a curiosidade para outros livros sobre a última família imperial russa e o seu trágico fim. 

 

A Imperatriz Romanov baseia-se nos relatos históricos sobre a mãe do último czar russo, a Imperatriz Maria Feodorovna, conhecida pela família, amigos e na corte por Minnie - Dagmar da Dinamarca. Nascida na Dinamarca, no seio de família humilde e sem grandes recursos financeiros que, inesperadamente, assume os destinos do país, Minnie sabe que o seu destino será o de casar com um príncipe desconhecido, tal como aconteceu com a sua irmã. Apesar da sua relutância, Minnie aceita casar-se com Alexandre, herdeiro dos Romanov e do império russo. A morte trágica do pai de Alexandre, dita que ambos assumam o trono e Minnie herda o título de Imperatriz. Por entre bailes e jantares, Minnie assume um papel de relevo: astuta e inteligente, a jovem aconselha o esposo sobre os destinos do império, procurando consiliar os interesses dos Romanov com os primeiros sinais de uma revolução. 

 

A morte prematura de Alexandre, eleva o jovem e pouco preparado Nicolau II a czar e, com ele, a sua esposa. A esposa de Nicolau, a Imperatriz Alexandra, é uma mulher fechada e fria, cujo os seus interesses se sobrepõem aos interesses dos Romanov e do império. Minnie procura, por todos os meios, levar Nicolau a atender aos interesses do povo faminto e do império porém, o poder de Alexandra fortemente influenciada pelo místico Rasputine, conduzem a um trágico final. A Revolução, que anos antes dera os primeiros sinais assume, por fim, proporções catastróficas, cujos vários eventos inflamam a vontade de mudar e levaram à queda dos Romanov. 

 

A Imperatriz Romanov é uma viagem pela história da Europa, desde os finais do século XIX até meados do século XX: de São Pesterburgo aos campos de batalha da Primeira Grande Guerra, da corte da Rainha Vitória de Inglaterra até aos campos rurais da Rússia dominada pelos bolcheviques. Um romance histórico que nos dá a conhecer o poder e a importância da Rússia na era dos Czares e Czarinas e de como as decisões pouco ponderadas e suportadas pelo lado místico levaram ao trágico final da família Romanov de Nicolau e Alexandra. 

 

Numa escrita fluída e brilhante, C. W. Gortner dividiu A Imperatriz Romanov em sete partes, sendo a primeira sobre os primeiros anos de vida de Minnie e da sua família e o último sobre a sua fuga da Rússia, com mapas do Império Russo, as árvores genealógicas da família real da Dinamarca e dos Romanov e situando-nos no contexto social e político da época, que ajudam a compreender toda a narrativa. Um romance poderoso sobre uma das mulheres mais amadas da Rússia imperial: uma mulher que governou nos bastidores, de causas socais, que nunca esqueceu as suas origens humildes e amou a Rússia, o seu povo e tudo fez para evitar o trágico final da sua família. 

 

A Imperatriz Romanov é mais do que um romance histórico, é um livro que testemunha a força de uma mulher e que alimentou o meu interesse por conhecer mais sobre os Romanov e sobre a sua queda, em particular sobre Alexandra, que se tornou a Imperatriz mais odiada da Rússia. 

 

Ouve o teu coração, mas usa também a cabeça. O amor pode conquistar tudo em sonetos, mas não é necessariamente o que nos mantém seguras. (pág. 30)

 

Eu evitara visitá-lo tantas vezes como deveria, pois o seu sarcófago de mármore, tão sólido e impenetrável, era uma lembrança muito forte de que nunca mais o veria nesta vida. (...) Provava, como nada mais poderoso, o quanto o tempo era fugaz, o quanto atravessávamos os nossos dias sem saber que hora podia ser a última. (pág. 346)

 

Avaliação (de zero a cinco): 4*

___

 

A Imperatriz Romanov de C. W. Gortner 
ISBN: 9789898917492
Edição ou reimpressão: 11-2018
Editor: TopSeller
Idioma: Português
Páginas: 480
 
SINOPSE

Uma mulher governa sempre. 
Mesmo quando está nos bastidores do trono.

Um belíssimo romance, com vislumbres da história da Europa desde o final do século XIX até meados do século XX. Acompanhando a vida de Maria Feodorovna, a mãe do último czar da Rússia, viajamos dos opulentos palácios de São Petersburgo aos campos de batalha da Primeira Guerra Mundial. Desde a corte da Rainha Vitória até à ruralidade russa dominada pelos Bolcheviques.

Depois de Alix, a sua querida irmã mais velha, ter desposado um dos príncipes de Inglaterra, Minnie percebe que terá destino semelhante. Apesar da sua relutância, casa-se com Alexandre, o herdeiro do trono dos Romanov, ascendendo a imperatriz.

Com a morte do seu marido, o filho Nicolau torna-se czar da Rússia, e, com esse poder, chegam os conflitos. A mulher de Nicolau, fortemente influenciada por Rasputine, é apenas uma das ameaças que Minnie, agora Maria Feodorovna, tem de enfrentar para proteger o seu filho e o seu império.

Quando ecos da revolução começam a chegar ao palácio, a Imperatriz Romanov prepara-se para enfrentar o seu maior desafio.

CRÍTICAS DE IMPRENSA
«Uma narrativa com assassínios, desilusões, mentiras e traições em quantidades dignas de uma obra de Shakespeare.»
Kirkus Reviews

«Um romance cativante que nos mostra a vida extraordinária da mão do último czar da Rússia e um relato perspicaz da queda de uma dinastia.»
Publishers Weekly
08
Jan19

1 | Becoming - A Minha História de Michelle Obama.

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Becoming - A Minha História de Michelle Obama foi a minha primeira leitura de 2019. Iniciado a 29 do mês passado e concluído a 7 de Janeiro, resolvi comprar este livro pelo enorme sucesso de vendas que rapidamente alcançou, e alvoroço em seu redor, assim como pela admiração que nutro pela família Obama - a proximidade entre todos os membros e a amor que se sente entre o casal - desde que Barack se tornou o 44.º Presidente dos EUA.

 

Não sendo o meu género literário favorito, a biografia de Michelle Obama - a segunda que leio depois de Malala Yousafzai - veio reforçar a minha admiração por ela, em particular, e a imagem que criará dela: a de uma mulher inspiradora e forte, com uma personalidade marcante e vibrante. Neste resumo escrito que é a sua vida, Michelle mostra-nos, sem qualquer pincelada de cor-de-rosa ou de flores, a infância no seio de uma família humilde e trabalhadora, o estigma do preconceito racial, o drama da doença que debilitava a cada ano o pai e a importância que a educação, assim como a arte e música, assumiram na sua vida e na do seu irmão. A incertezas quanto às escolhas académicas e o rumo da sua carreira profissional, o primeiro contacto com Barack Obama e a relação que nasce, bem como o amor que nutre pelas filhas e preocupações de mãe para com o futuro delas, ocupam grande parte de Becoming. Descobri, ao longo das muitas páginas deste livro, uma história que em pouco se assemelhava aos boates que corriam sobre o ex-casal presidencial: o pouco à-vontade e gosto pela política dela e o envolvimento desde cedo de Barack na política. Mais do que isto, e talvez a parte que mais gostei, foi compreender como é viver na Casa Branca e a pressão que a família viveu naqueles oito anos de presidência, tal como determinados acontecimentos que marcaram a presidência de BaracK Obama, tais como a morte de Osama Bin Landen ou o tiroteio na escola primária de Sandy Hook. Livre dessa pressão, e usando um pouco de humor e ironia, Michelle dá-nos a conhecer como foi viver junto de um dos homens mais poderosos e importantes do Mundo, como isso a afectou e às duas filhas do casal, bem como tudo os seus movimentos, falas e vestuários eram avaliados pelos meios de comunicação social. Sentindo o peso de tudo isto, tal como da cor, profissão e da necessidade de ser mais do que a mera esposa do Presidente dos EUA, a ex-primeira dama decide usar a sua figura e os meios de comunicação social em seu proveito e fazer mais para ajudar crianças e jovens, bem como a ex-militares e respectivas famílias.  

 

Becoming é uma biografia intima e reveladora que nos mostra como o preconceito racial, em pleno século XXI, pode influenciar o crescimento e a vida de uma criança, bem como o valor e importância de crescer no seio de uma família onde o diálogo e o amor são essenciais. Mais do que isto, Michelle Obama - tal como Malala - é um exemplo claro de como a educação é uma arma poderosa na luta contra o preconceito, a discriminação e o ódio. As lutas de Michelle, enquanto menina, adolescente, profissional e mãe são exemplos de que a vida, por mais rica e luxuosa que pareça, também precisa de esforços e muitas reviravoltas. 

 

Uma leitura sincera, leve e apaixonante, de uma mulher inspiradora e magnifica. Cativante desde a primeira à última página.

 

A nossa história é o que temos, é o que teremos sempre. É algo que devemos assumir como nosso.

 

Toda a gente neste mundo (...) carrega consigo uma história invisível, e isso basta para merecer alguma tolerância. 

 

A vida ensinava-me que o progresso e a mudança acontecem devagar. (...) Lançávamos sementes de mudanças, cujo fruto poderíamos nunca chegar a ver. Tinhamos de ser pacientes. 

 

Avaliação (de um a cinco): 4* 

 

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Becoming - A Minha História de Michelle Obama 
ISBN: 9789896656058
Edição ou reimpressão: 11-2018
Editor: Objectiva
Idioma: Português
Páginas: 400
 
SINOPSE

Nas suas memórias, uma obra de reflexão profunda e uma narrativa fascinante, Michelle Obama convida os leitores a entrar no seu mundo, relatando as experiências que a moldaram - desde a infância na zona sul de Chicago, passando pelos anos como executiva, equilibrando as exigências da maternidade e o trabalho, até ao tempo passado no endereço mais famoso do mundo..Terno, sábio e revelador, BECOMING é um relato íntimo de uma mulher de alma e substância que desafiou constantemente as expectativas - e cuja história nos inspira a fazer o mesmo.

Nas palavras de Michelle Obama:
«Escrever BECOMING tem sido uma experiência profundamente pessoal. Permitiu-me, pela primeira vez, o espaço para reflectir honestamente sobre a trajectória inesperada da minha vida. Neste livro, falo sobre as minhas raízes e como uma menina da zona sul de Chicago encontrou a sua voz e desenvolveu a força, de forma a usá-la para capacitar os outros. Espero que o meu percurso inspire os leitores a encontrar a coragem necessária para se tornarem quem quer que desejem ser. Mal posso esperar para partilhar a minha história.»

02
Jan19

Os melhores livros do meu 2018.

O ano de dois mil e dezoito foi um ano, a nível literário, estranho e imprevisível. Iniciei o ano a ler uma oferta natalícia - de uma ex-colega de trabalho - que consta no meu bolo de leituras favoritas do ano que terminou: Para Lá do Inverno de Isabel Allende. A escritora chilena já era a autora de um dos meus romances históricos favoritos de sempre, Inés da Minha Alma, e com este Para Lá do Inverno conquistou um lugar especial na tribuna das escritoras mais apreciadas. 

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Para Lá do Inverno mistura drama e romance, com temas marcantes e actuais, como o racismo, a imigração e a busca de um futuro melhor dos povos da América Latina e do Sul no sonho americano, drogas e o drama do tráfico de seres humanos, crime e vidas agitadas. Foi uma narrativa que me tocou particularmente porque, e talvez poucos saibam, nasci num país da América do Sul, a Venezuela, conhecida pela significativa violência e crescente instabilidade social e económica, e senti que este livro poderia ser um bocadinho a minha história se, algures no meu destino, os meus pais não tivessem interpretado os sinais. É um romance que pode, e acredito que, seja mais real e verdadeiro do que ficcional, inspirado nos diversos relatos de quem procura noutros países um futuro melhor... porque ninguém abandona o país onde nasceu do simples nada quando ele nos proporciona segurança, trabalho e estabilidade social. Para Lá do Inverno é, definitivamente, um dos melhores livros de dois mil e dezoito e uma leitura que eu recomendo a qualquer amante da leitura. 

 

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Diana Gabaldon ganhou a minha admiração e a saga Outlander tornou-se a minha favorita de todo o sempre - excepto Harry Potter. A minha irmã ofereceu-me, pelo meu aniversário, um dos livros da saga e eu senti-me na obrigação de ler o primeiro volume. Confesso que, numa primeira fase, sentia receio pelo número de páginas do livro Nas Asas do Tempo mas, também, pela quantidade de livros já editados, salvo erro, oito volumes. Porém, as cerca de oitocentas páginas que compõem o primeiro volume de Outlander, Nas Asas do Tempo, senti-as voar tal era a minha avidez e curiosidade em conhecer a história de Jaime e Claire... provavelmente, uma das mais belas histórias de amor literária. Li, ao longo do ano que terminou, os três primeiros volumes e tenho mais dois na minha estante para ler em dois mil e dezanove. Outlander foi uma magnífica surpresa, um saga cativante e impossível de resistir. Invejo Diana Gabaldon pela incrível mestria com que mistura o presente com a importantes acontecimentos da História do século XVIII. 

 

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No País da Nuvem Branca de Sarah Lark, uma das últimas leituras do ano, entrou directamente para o meu top literário pela escrita agradável e cativante da escritora, assim como pela própria narrativa. Trata-se de um romance histórico, cujo cenário de fundo é o "nascimento" e colonização da Nova Zelândia, no ano de mil oitocentos e cinquenta e dois. Gwyneira, nasceu numa família nobre e rica mas, cuja personalidade rebelde e à frente dos costumes da época, a coloca em situações desagradáveis e perigosas; Helen é uma jovem preceptora que sonha casar e constituir família mas que, aos vinte oito anos sente que jamais o conseguira. Duas mulheres fortes e marcantes que procuram num país desconhecido, que promete ser o paraíso, o caminho para a felicidade. É, este No País da Nuvem Branca, um romance sobre amor e ódio, o poder da amizade e os laços fortes da família.

 

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As Flores Perdidas de Alice Hart de Holly Ringland destaca-se nas minhas melhores leituras de dois mil e dezoito por ser um romance forte sobre, mais do que flores, o perdão e o saber seguir em frente. O romance de estreia de Holly Ringland tornou-se um dos meus livros preferidos e um dos melhores romances que já li. Poderoso e marcante, As Flores Perdidas de Alice Hart é mais do que um livro, é um pedacinho de vidas tão reais. Holly Ringland surpreendeu-me muito pela forma profundamente trabalhada da personagem principal, assim como pelas restantes mulheres, que se interligam tão perfeitamente.

 

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Dorothy Koomson com A Sereia de Brigthon aborda com mestria temas delicados como o racismo e o preconceito, a violência policial, a violência contra mulheres e as marcas que a violência na infância se traduzem num jovem adulto. É uma narrativa incrivelmente cativante, mergulhando rapidamente na história e no drama vivido por Nell, onde só queremos descobrir toda a verdade e justiça para quem lhe fez tanto mal. A capacidade com que mistura, nos seus livros, suspense, drama, amor, amizade e temas sensíveis e actuais é genial e invejável, sendo impossível ficar-lhe indiferente. Não considero este livro como um romance e creio que está longe de o ser, é mais um género de policial ou mistério. Independentemente da categoria atribuída a este livro, recomendo a leitura de A Sereia de Brighton... muito bom!

 

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A Casa das Meninas Indesejadas de Joanna Goodman tinha de figurar nesta categoria. Uma narrativa brilhante, à qual não lhe ficamos indiferentes, pela veracidade dos factos reais. É um confronto doloroso e chocante com uma realidade não muito distante que marcou negativamente a história do Canadá. Maggie Hughes tinha tudo para ser uma adolescente feliz e despreocupada: um pai que a amava, um negócio familiar que gostava e que herdaria, a possibilidade de estudar e uma beleza que não passava despercebida. Porém, quando aos dezasseis anos, Maggie engravida de Gabriel, o jovem vizinho de quem os pais não gostam, os sonhos da adolescente afundam-se e, com eles, a menina que dará à luz. Elodie, a menina que nasceu deste amor adolescente, é enviada para um orfanato miserável, onde não existe amor ou sem nunca conseguir ser adoptada por uma família. Mas, quando o o governo canadiano decide atribuir mais dinheiro aos hospitais psiquiátricos do que aos orfanatos geridos pela Igreja Católica, a vida da pequena Elodie também se altera. Declarada deficiente mental e enviada para um hospital, Elodie é o espelho das milhares de meninas e meninos que sofreram maus tratos e abusos sem apresentarem qualquer tipo de deficiência. Baseado em factos reais da sua própria família, Joanne mostra-nos os laços fortes e poderosos que unem mães e filhas.

 

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Para terminar a minha lista dos melhores livros de dois mil e dezoito, um clássico da literatura juvenil: Quando Hitler Roubou o Coelho Cor-de-Rosa. Inspirado na sua própria infância, Judith Kerr dá vida a Anna, uma menina judia que, um dia, se vê forçada a abandonar a casa, a escola, os amigos e o seu amado peluche coelho cor-de-rosa para encontrar refúgio noutro país, juntamente com a família. É um romance poderoso e incrivelmente tocante, sobre os laços de amor da família e o quão marcante e traumático para uma criança é tornar-se refugiado. Um livro que aconselho vivamente a crianças e jovens que dá a conhecer, de forma sensível, o significado de refugiado e o poder de Hitler sobre a comunidade judia num dos períodos mais negros da História da Humanidade. 

 

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O ano de dois mil e dezoito encerra-se com trinta e um livros lidos. Foi um ano, como já disse, de alto e baixos literários: se, por um lado, houve períodos em que mal li e demorava quase um mês para concluir uma leitura, senti que a meio do ano me voltei a agarrar à leitura com ânsia e desespero.... existiram meses em que nada li e meses em que li entre três a quatros livros. Fiz leituras enormes, como os livros da saga Outlander, e livros pequeninos como Uma Prece ao Mar e Uma Vida Muito Boa. Abandonei o livro Pássaros Feridos porque, mais de cem páginas depois, não consegui criar empatia com as personagens e considerei a narrativa demasiado monótona e lenta. Conclui leituras que não me aqueceram a alma. Li muito sobre a II Guerra Mundial e romances históricos diversos, narrativas inspiradoras e factos desconhecidos. Li livros maioritariamente escrito por mulheres e estrangeiras. Li à hora do almoço e nos pequenos intervalos que o trabalho me permitia. Li durante horas. Conheci histórias especiais e personagens que não esquecerei. Os livros, independentemente de tudo, andaram sempre comigo. Dois mil e dezoito foi um ano, a nível de leituras e de livros concluídos, um dos melhores anos... que dois mil e dezanove seja melhor, ainda. 

 

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