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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

09
Out18

Desabafo profissional.

Não sei o que me reserva o amanhã mas, se de facto for mudar de área profissional, a única coisa que realmente sentirei falta é o de viajar por aldeias e locais que, noutro contexto, dificilmente conheceria. É este aspecto, aliado ao facto de não ter um chefe que me vigie diariamente - porque tudo é feito via chamada telefónica ou e-mail e só quando as coisas não andam como se deseja, é que aparecem - que me fará sentir saudades deste trabalho... não sentirei, em contrapartida, falta de solidão em que se traduz o presente trabalho ou dos infindáveis e-mails a enviar e outras cenas semelhantes ou e ainda das horas longas passadas num automóvel, apesar do que inicialmente escrevi.

13
Ago18

Experiência profissional.

Não é a primeira vez que escrevo sobre este tema mas preciso de o voltar a fazer porque, quem sabe, não consensualize alguém desse lado do ecrã ou simplesmente porque é algo que me revolta e irrita profundamente.  

 

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Candidatei-me, recentemente, a uma vaga para a área de Recursos Humanos e à qual, mais uma vez, não fui aceite. Não sendo licenciada na área dos Recursos Humanos, a minha área de formação não me desqualificava para a vaga a que me candidatava e, embora nunca tenha trabalhado quer na minha quer naquela à qual apresentei CV, realizei estágios de três meses em ambas, o que me dá alguma noção sobre as duas. Bem sei que os Recursos Humanos são muito mais do que seleccionar e recrutar, entrevistar e realizar processamentos de salários, são necessários outros conhecimentos que nem a minha formação académica nem a minha experiência profissional traduzem mas se a oportunidade nunca surgir dificilmente conseguirei envergar pela área... Irrita-me saber que passei os meus últimos sete anos a tentar candidatar-me a vagas de estágio/emprego na minha área ou similares, como os Recursos Humanos, e jamais me tenha sido dada a oportunidade de mostrar quem sou e o que valho. Como é que alguém pode dizer se possui ou não o perfil indicado para a vaga se aquela pessoa nunca teve a oportunidade de aprender e viver aquela profissão? Ou, como quando se exige experiência para uma vaga que deveria ser de aprendizagem, como é o caso dos estágio... e eu só precisava da oportunidade e de alguém que me ensinasse e me deixasse aprender. 

 

Recordo-me da técnica de Recursos Humanos com quem realizei estágio: ela não tinha qualquer formação académica, possuía o 12.º ano e, no entanto, os mais de dez anos em que trabalhava na área e o primeiro emprego nos Ctt davam-lhe o poder que eu ou qualquer outro candidato não possuíamos... mesmo com licenciatura ou mestrado. E tudo porque alguém, no passado, acreditou que ela tinha competências para fazer aquilo ou simplesmente porque o diploma não lhe era exigido. Parece que, hoje em dia, quem recruta se esquece de que também eles começaram do zero, entre erros e tentativas, porque alguém acreditou neles. 

 

Os sete anos que separam o fim do meu mestrado do presente talvez sejam o indicador de que chegou a altura de pensar em mudar: em, quem sabe, estudar novamente noutra qualquer área ou simplesmente desistir de continuar a tentar. Já não tenho idade para as incertezas de um estágio e parece que as empresas cada vez menos querem ensinar quem nunca teve oportunidade de aprender. 

18
Jan17

Retomar.

Vou, ou na verdade já algum tempo que o fazia, retomar a saga pela busca de um emprego. Não me sinto totalmente satisfeita no meu trabalho de operadora de loja, embora não o desgoste ou me sinta mal, mas a pressão imposta, a possibilidade de não renovação do contracto e a necessidade de novos voos ditam a que arrisque uma nova aventura. Estou, presentemente, no meu último contracto de trabalho e, aproveitando as minha actual situação de férias, ando a pesquisar trabalhos na zona e arredores. A saga é retornar às pesquisas quase diárias nos motores de busca, aos emails, às entregas em mão do currículo, às impressões, à necessidade de reactivar a minha inscrição no centro de emprego... e manter a esperança de um amanhã diferente.

 

Não será fácil porque a realidade dita que a zona e arredores onde vivo não é favorável a trabalhos mais qualificados mas é minha vontade não precisar de passar novamente pelo estatuto de desempregada... veremos o que me reserva o futuro.

15
Jul16

Comparações.

Odeio ser comparada a fulana P.

 

A P era mais velha do que tu e conseguia fazer muito mais do que tu. A P. também tinha o mesmo horário que tu e conseguia ver tudo no mesmo dia. A P. era mais organizada que tu e nunca deixava as coisas assim no armazém.

 

Eu não sou a P., sou a Maria e detesto que me comparem... 

01
Ago14

É por isto que não gosto de rever colegas.

Casei (...) Tenho um emprego estável e que me proporciona algum conforto (...) E vou ser papá de gémeos (...)

Parabéns, muitos parabéns.

 

Repito os parabéns à medida que me vai contando as boas novas dos anos em que perdemos o contacto. Aos vinte e cinco anos, o meu ex-colega de secundário, irradia felicidade e orgulho. Parece feliz, embora algo apreensivo com a chegada dos gémeos, prevista lá para outubro ou novembro... é a primeira vez e logo de dois, não será fácil mas, sei que será capaz; e é isso que lhe digo,

 

Tenho a certeza que te sairás muito bem nessa função.

 

Falamos mais um pouco sobre ele e a actual vida... mas será por pouco tempo.

A conversa volta-se, inevitavelmente, para mim. Chegamos à parte que menos gosto: falar de mim. Quer saber o que tenho para contar, se casei ou tenho namorado, se trabalho ou não... tal como ele falou sobre si. Olho o relógio na expectativa que entenda a minha (suposta) presa e não perceba que (subitamente) desejo fugir à conversa (e atirar-me a um rio, também)Fico feliz por ele, não lhe invejo o sucesso, mas também não quero que tenha pena de mim e do meu fracasso. Digo-lhe que não tenho nada de novo a contar e limito-me a um,

 

Terminei o mestrado e agora estou à de um procura de trabalho minimamente estável.

 

A conversa desenvolve-se em torno do habitual blablabla, 

 

Não és a única (...) A culpa é da crise (...) Na tua área é complicado (...) Abre-te a outras áreas de trabalho (...) Procura no estrangeiro (...) Tens de ter calma e paciência (...) Já colocaste alguma cunha num ou noutro sítio? (...).

 

Contenho-me. Apetece-me explodir a chorar e explicar que não é o primeiro a dar-me aquela espécie de sermão ao qual eu conheço bem demais. Respiro fundo. Escuto-o. Respondo-lhe às questões. Tento (ou convenço-me de que pareço) parecer serena e animada, com esperança de que amanhã conseguirei o meu desejado trabalho. Porém, volta à carga, parece não ter entendido os meus olhares sistemáticos para o relógio e depois do profissional, volta-se para o pessoal.

 

Mas tu não tinhas um namorado? Julguei que também já tinhas casado. (...) Mas o que aconteceu?

 

Tinha. Já não tenho. Limito-me a isto. Respondo-lhe à última questão com um simples e resumido não tinha porque dar certo. Responde-me com um,

 

Oh, que pena! Mas ainda és nova, vais encontrar alguém em breve.

 

Corto-lhe a palavra antes que lance outra questão. Justifico-me com outras tarefas a realizar e um pedido de desculpas por lhe interromper o pensamento. Fica a promessa de conhecer os gémeos e de relembrar memórias de secundário juntamente com a esposa. 

Entro no carro. Olho em redor. Certifico-me que ninguém me observa e deixo as lágrimas correr. É por isto que não gosto de rever colegas. Porque uma coisa leva a outra e eu não estou na melhor fase da minha vida... porque, como no passado, não quero que percebam que nada em mim e na minha vida mudou (a gordinha que será sempre um fracasso, como alguém me disse um dia... não quero dar-lhe razão).

companhia literária...

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| A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. Fernando Pessoa. |

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