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Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Podemos saltar para Setembro?

Podem odiar-me por isto, eu deixo, mas...

 

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Não gosto do Verão. Nunca gostei do Verão. No meu mundo perfeito, o Verão era estação que não existiria. Não odeio, simplesmente, não aprecio. E, podemos, se possível, saltar o mês de Agosto... preciso urgentemente do meu querido mês de Setembro. 

 

   Calor. Não suporto o calor. Não me dou bem com ele. Faz-me, com alguma frequência, doer a cabeça. Deixa-me mole. E, qualquer coisa que use, mesmo o vestido de tecido mais leve, parece inadequado ao calor. Por isso, quando o tempo muda e lhe dá para dias mais frescos ou até chuvosos, sinto-os como uma bênção...

 

   Suor. Não gosto de sentir o suor escorrer-me pelas costas ou pernas. Provavelmente, ninguém acha graça. Mas, para mim, o pior é acabar de tomar banho e sentir que preciso de um novo banho. E, quando somos obrigados a entrar num autocarro apinhado de gente em que uma ou várias almas transpiram e emanam cheiros estranhos?

 

   Praia. Com a chegada do calor, sou obrigada a abandonar a minha querida praia. Não gosto de frequentar praias precisamente porque não suporto o calor e o suor, porque me amolece e não gosto do barulho de crianças e adultos em jogos e embirrações, nem de miúdos a correr sem qualquer cuidado com quem está deitado. Abandono a minha praia para regressar em Setembro ou Outubro, ao abrigo do frio e do silêncio, para reencontrar paz e tranquilidade. Não frequento praias porque, a única coisa que lhe acho piada é estar dentro de água ou ler um livro. 

 

   Turistas. A vila onde moro é a parvalandia o ano todo. Não se passa nada mas, no fundo, eu prefiro a parvalandia do ano todo do que a confusão de turistas... sejam eles turistas portugueses fugidos de Lisboa, sejam eles i(e)migrantes franceses, sejam eles ingleses e alemães a conhecer o Norte português - os espanhóis, esses, ficam de fora do pacote porque é como se fizessem parte da vila, andam por cá o ano todo. E, sim, eu tenho família no estrangeiro, à qual gosto sempre de rever mas, mesmo assim, gosto do sossego e da calma.  

 

   Festas. A terriola vive de festas apenas dois meses por ano. É curioso porque, no resto do ano, as festas são raras... é como se, o pessoal que mora na vila não precisasse de uma festarola para desanuviar e descomprimir. E, se por um lado, é bem verdade que nestes dois meses as festas são quase todas de cariz religioso, também não é menos verdade que, no Inverno, as festas que se realizam não fogem à componente religiosa. Compreendo que, quiçá, o retorno económico destas festas em época de turistas e imigrantes seja vantajoso mas, a vila não vive apenas dois meses...

 

Cinco motivos que, para mim, fazem com que a estação do Verão e mais especificamente os meses de Julho e Agosto sejam meses chatos. E, sim, contrariamente à grande maioria do país, eu trabalho nestes meses. Podem dizer que tal se deve, o meu não gostar, a esse facto mas, a verdade é que eu também já fiz férias. No ano passado, passei a segunda quinzena de Agosto no Algarve e, sabem que mais? Não gostei. Não achei o Algarve nada de extraordinário embora, tenha ficado maravilhada com as águas quentes em oposição às geladas do Norte. Imaginei como seria viver no Algarve o ano todo... e, imaginei um cenário triste e desolador, aquelas casas habitadas e movimentadas no Verão, fechadas e abandonadas no Inverno. Na minha pequena vila também existe disto mas ao contrário: são casas de primeira habitação, de quem vive o ano todo e as abandona apenas em férias; a dificuldade maior é para quem aqui deseja passar férias e cujas poucas casas alugáveis são caras. 

 

Outra coisa que, confesso, não compreendo do Verão é a necessidade de peles bronzeadas. Algumas mulheres e homens ficam tão estupidamente feios bronzeados... dizem que é saudável mas, no fundo, não vejo nada disso em pessoas que parecem passar vinte e quatro sob vinte e quatro horas na praia. Gosto tanto de ser uma copinho de leite - embora, não ache piada alguma quando me perguntam se estou doente por estar tão branca e pálida no Verão.

 

Reconheço que, para muitos, sobretudo famílias, estes meses sejam a altura ideal para estarem em conjunto. Provavelmente, no meu futuro, algo semelhante me irá acontecer e, inclusive, altere a minha maneira de ver. Mas, no fundo, sou mulher que prefere o silêncio, a paz e a calma à confusão e agitação do Verão... e ao calor. Já disse que odeio o calor? Não? Pois odeio verdadeiramente o calor! 

 

Nem tudo é, ainda assim, necessariamente mau. Gosto de uma coisa que só os meses quentes podem fazer por mim... vestidos. Gosto de usar vestidos leves e coloridos e, ah não podia esquecer, de sandálias e pés cuidados à mostra. É, resumidamente, a única vantagem que vejo na estação do Verão. 

 

Podemos saltar para Setembro? 

 

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*(pode argumentar que tal se deve ao mês em que nasci. nasci em Junho, aqui... precisamente na estação das chuvas.)

9 comentários

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    M* 03.08.2015 11:14

    claro! és o membro número dois do clube :)


    por aqui, nem concertos de qualidade duvidosa se fazem. e, quando os há, cobram preços elevados. 
    nesta altura do ano, simplesmente não vou à praia. não dá. sempre cheio de gente. começa logo pela manhãzinha, tipo 8 da manhã e abandonam quando o sol se põem (ou, quando a nortada não faz das suas). às vezes, confesso, tenho vontade de ir molhar os pés ou passar uma hora a ler na areia mas, sei que com o barulho e a correria dos miúdos, não me vou sentir confortável... o que vale é que, a trabalhar, quando dou por ela, já o agosto passou :)
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    Andy Bloig 03.08.2015 15:24

    Sempre gostei da praia para passear. Quando era novito , ainda era engraçado ir com os colegas jogar à bola, diversão pela manhã (e aulas à tarde...) mas, nunca era adepto e, sempre que possível, arranjava desculpas para não ir. 
    Tinha uma amiga com que também não gostava de estar na praia, foi com ela que descobri que a mata sobranceira à praia é um belo local para esticar as pernas sem ter pessoas a gritar, pessoal a imitar certas coisas sem descrição e pessoas a correr para tudo quanto é sítio. Tudo por culpa dela andar chateada com a vida e eu a ter levado para o sítio mais perto... e mais longe, do resto do pessoal. (quando somos mais novos, dizem-se coisas terríveis sem pensar em quem as ouve) Era o nosso refúgio da confusão. Muitas vezes íamos no autocarro antes do que o resto do pessoal da turma apanhava e aparecíamos lá... pouco antes da hora de vir embora. (meras coincidências que levantavam tanta pergunta... e achavam que os visitantes andavam a mentir, porque não acreditavam nas nossas respostas). Eram engraçado andar por lá a passear, comer uma sandes e beber uma lata de refrigerantes lá no alto, bem longe da confusão... ao mesmo tempo que se estava lá. 
    Depois de entrar para a universidade, o pouco interesse que tinha perdi-o. Só mesmo para ir esticar as pernas quando há pouca gente... quanto menos melhor. 
    O Verão é a pior parte do ano... Venha mas é o Outono e o Inverno que são as que mais gosto. 
    Image Agradeço teres aceite a inscrição. Image
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    M* 03.08.2015 23:41

    não tenho, confesso, aventuras desse género e, as que tenho, são um bocadinho assustadoras. nunca conheci ninguém que não gostasse de praia como eu, excepto o meu ex-namorado que tinha fobia à água e, por isso, evitava praias...
    por acaso, das coisas que mais sentia falta quando estava na universidade, era de caminhar em direcção à praia numa tarde de Inverno. na zona onde moro, se me der na telha, alguns km a pé e estou na praia mas, na universidade, a praia mais próxima ficava a km's de distância. foi, sem dúvida, das coisas que mais falta senti... e, admito que, ainda assim, não a frequento com regularidade, apenas quando bate aquele sentimento de tristeza e melancolia. 
    gosto de todas as estações, menos do Verão. no Outono adoro as folhas a cair e os tons laranjas. no Inverno o som da chuva e o sol numa tarde fria. na Primavera a beleza do renascer e a chegada das belas aves. mas, no Verão, enfim, não lhe vejo qualquer beleza... Image
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    Andy Bloig 04.08.2015 09:39

    Image Se te disser que aquelas mata, nas arribas, se chama Mata dos Medos, já a torna assustadora? Image



    Ainda existem pessoas que não gostam de praia, somos poucos... Depois há os que vão à praia por outras razões, cada vez são mais. A praia tornou-se no ponto social barato do Verão. Existem pessoas que não gostam de lá estar mas, vão lá porque todos os amigos vão. 
    Têm paisagens lindas que se podem apreciar só que, já pouca gente liga a isso. És capaz de saber mais sobre a praia que tens aí perto de ti, do que muita gente que lá passa os meses de Verão. 
    Por isso, não aches estranho Image não gostares. 
    Já viste se todos gostássemos do azul, o que seria do cor de rosa? 
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    M* 04.08.2015 10:30

    na minha zona, dizem que zona da praia é desaconselhável a mulher sozinhas no Inverno porque à anos que se sucedem relatos menos agradáveis do que acontece a quem se aventura sozinha. eu, todavia, admito que nunca vi nada de estranho, embora já me tenham relatado umas três histórias que dizem ser reais (embora nunca se tenha ouvido falar em queixas). a praia, apesar de próxima da civilização, é isolada e rodeada de árvores e vegetação. creio que compreenderás a que me refiro, Image


    sim, é verdade. a maioria dos jovens que frequenta a praia faz-o por questões sociais... e, inclusive, os adultos. quando se encontra alguém, jovem, que diz não gostar de praia é como se encontrassem um e.t. Image pelo menos é como eu me sinto quando digo que não gosto do verão nem de praia. Image
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    Andy Bloig 04.08.2015 21:18

    Infelizmente essas situações acontecem. É um dos problemas da cobardia dos homens... então quando são miúdos em grupo, uma mulher sozinha é como se fosse um ataque de lobos contra um cordeiro. É algo que ainda não mudou em tantos séculos... então quando estão a coberto de olhares indiscretos. Nisso é um bom conselho evitares essas regiões, mesmo que nunca tenhas visto nada, a não serem histórias que já passaram por 1001 bocas até chegarem a ti.
    A vantagem de ser um homem "grande" safa-me da maioria dos perigos que possam aparecer por ali.
    Há 25 anos atrás, tive alguns encontros com as forças da NATO que protegiam ali uma base "secreta". Algumas vezes fui "aconselhado a desaparecer dali para fora ou prendiam-me e levavam-me aos meus pais" pelos soldados que defendiam aquilo. Até cheguei a vir à boleia do jipe para me deixarem ao pé da estrada que dá acesso à praia. Agora, já se pode andar lá ao lado do radar, o heliporto foi destruído, a caserna onde guardavam o tanque e os jipes também se foi. Só resta mesmo a cúpula do radar protegida por uma rede (para além de câmaras de segurança).
    Coisas daqueles tempos... Um miúdo de 12 anos devia ser suspeito de ser espião ou coisa do género, sozinho a andar por uma "mata dos medos".
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    M* 06.08.2015 11:55

    é. nesse aspecto, infelizmente, é uma enorme cobardia. de um modo geral, tomo alguns cuidados e evito os locais onde já ouvi histórias medonhas...

    parece-me que foi uma história curiosa :)
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    Andy Bloig 06.08.2015 15:58

    Curiosa... nem por isso. 
    Ter 3 marmanjos a apontar espingardas e a gritar comigo, não é coisa que um piolho de 12 anos gostasse. Image
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