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Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

E tu? Quando a vítima é um homem.

Associamos, quase sempre, violência doméstica ao sexo feminino (inclusive, partilhei um vídeo sobre a forma como reagimos a uma cena de violência doméstica numa rua) Mas, e quando a vítima é um homem? Como reagíamos?

Primeiro, o homem no papel de agressor; depois, no papel de vítima. 
O vídeo acima pretende alertar a sociedade para a violência doméstica contra homens. A iniciativa aconteceu nas ruas de Londres, pela fundação ManKind Initiative, que luta pelo fim da violência doméstica. 
Na faculdade cheguei a abordar a temática da violência doméstica contra homens. Sim, ela existe: em moldes distintos à violência sobre mulheres, mas igualmente preocupantes. A principal conclusão a que chegamos: por muito trabalhado e esculpido que seja o corpo de um homem, quando o psicológico não combina com o físico, qualquer um se torna vítima dos medos. A este propósito, fica uma das reportagem sobre a temática, de vítimas masculinas em Portugal.
Porque ninguém sabe os medos e pânicos que carregamos dentro de nós e como reagiremos quando alguém os aprende e sabe como jogar com eles. Seja homem ou mulher. 
PS: no Reino Unido, 40% das vítimas de violência doméstica são homens.

3 comentários

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    M* 26.05.2014 15:18

    Realmente, grande testamento :) mas gostei do que li e também me deixaste a reflectir sobre o que escreveste. 
    É bastante interessante o que escreveste e, embora não entenda lá grande coisa de inglês, consegui entender o essencial. Porém, à uma coisa que eu não podia deixar de referir e com a qual não sou totalmente a favor. Referes que "os homens têm mais tendência para a denúncia e para iem com a mesma até ao fim. Como é sabido, muitas das mulheres vítimas de violência (de qualquer tipo) são bem capazes de desistir do processo a meio, sucumbindo ao medo." com a qual não sou totalmente a favor. De facto, elas tendem a denunciar mais, embora nem sempre levem o processo até ao fim; porém, considero que os homens não tendem a denunciar. Primeiro porque é-lhes difícil para eles mesmos compreenderem que são vitimas de violência doméstica (porque, considero que as mulheres usam e abusam da força psicológica e das palavras para diminuir um homem); segundo, porque receiam a forma como a sociedade os vai avaliar e olhar. É difícil numa sociedade ainda predominante dominada pela ideologia masculina, aceitar que um homem é vítima de violência doméstica. 
    Moro na zona Norte e a propósito do caso do Manuel Baltazar, ouvi um senhor dizer que tinha pena dele porque, vai na volta, a mulher era uma grande p*** e que ele só fez aquilo para preservar a sua honra. O senhor que proferiu tais palavras não tinha mais de 40 anos. Esta é a mesma pessoa que diz que um homem que apanha de uma mulher é uma 'florzinha', um 'maricas', porque se deixa apanhar de uma mulher. Como este senhor, existem vários mais neste país. Nem falemos da forma como poderão ser tratados aquando da denúncia numa esquadra da polícia.
    O vídeo mostra esse mesmo pensamento. Riem-se, olham, comentam mas ninguém se mete. Porque um homem tem força física, porque supostamente o homem deve ser aquele quem impõem as regras; porque supostamente as mulheres são mais frágeis e inseguras e precisam de alguém que as proteja. Porque é difícil para a sociedade entender que nem todos os homens são psicologicamente fortes, porque acha-se que os homens também não tem traumas e medos. 
    Não me vou alongar muito mais. Infelizmente é uma realidade que precisa de ser mais trabalhada. Quer seja sobre a violência sobre as mulheres, quer seja sobre homens. 
    Obrigado pela tua partilha. Conheci mais sobre o que desconhecia. 
    Um beijinho*


    (ps.: Desculpa o texto em duas cores, ainda não descobri a forma de mudar isto para uma só cor :P)
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    blackened 26.05.2014 23:52

    Admito que também desconfiei da parte que tu mesma destaques. Mas a verdade é que há provas empíricas (mencionadas no tal relatório. Para facilitar, pág. 12, 2º parágrafo), de que a verdade é mesmo essa. Os homens, ao contrário do que se pensa, têm mesmo mais tendência para a denúncia e para irem com ela até ao final, devido ao tal factor psicológico que os diferencia das mulheres no que diz respeito à forma como lidam com situações de violência: eles, geralmente, sobrestimam episódios de violência em que são eles as vítimas. Elas têm mais tendência a perdoar, a normalizar.
    Esta ideia que temos de que o homem teria muitas dificuldades em denunciar a sua ataque, pelos vistos, está certa, mas não é assim tão comum. É obviamente mais comum entre os homens que realmente sofrem de violência doméstica, no verdadeiro sentido da palavra. Estou a pensar nos mais idosos, por exemplo. Um senhor incapacitado aos cuidados da sua esposa. Acontece. Às vezes, são os próprios filhos que maltratam os pais, como bem sabemos. E isso também é violência doméstica. Estes são os casos extremos, casos que temos de prevenir e lutar para que acabem, quer sejam as vítimas homens e mulheres.
    A cena é que a violência que esses 40% de homens diz sofrer não é violência considerada criminal. De certa forma, eles sentem-se oprimidos na sua relação, não se sentem plenamente livres e saudáveis. A violência psicológica é crime, não sendo. Ninguém merece, ninguém deverá sentir-se obrigado a estar numa relação que o aprisiona, que não o deixa ser quem é. É preciso saber dizer não e essa mensagem é a que temos de passar uns aos outros. :) A vítima tem de saber dizer não e os que estão em seu redor, também (o que não aconteceu no vídeo). Temos que abolir a violência dos nossos relacionamentos, que sejam de amizade ou de intimidade ou outra coisa qualquer. Temos que ser seguros o suficiente para isso.

    Beijinhos!
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