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Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

24 | Na minha estante... De Amor e Sangue.

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 De Amor e Sangue, o mais recente livro traduzido para português de Lesley Pearse, transporta-nos para Inglaterra do século XIX e os mais diversos preconceitos da época. 

 

A recém-nascida Hope é a prova viva do adultério da mãe, uma aristocrata bela mas desprovida de sentimentos, egoísta, preocupada em manter a fachada de um casamento rico mas infeliz. A pequena Hope é entregue aos cuidados dos Renton, uma família pobre de camponês mas acolhedora, humilde e trabalhadora. Hope cresce sem conhecer as suas verdadeiras origens, recheada de amor, apesar das privações e obstáculos que a vida lhe coloca. Porém, tal como os restantes membros da família Renton, chega o dia em que Hope se vê forçada a trabalhar, contribuindo para o sustento da família e, com pouco mais de doze anos, começa a servir em casa da família onde nasceu. Longe do brilhos e dos pomposos jantares e bailes que a família oferece aos membros da aristocracia inglesa, Hope conhece a dureza do trabalho e os segredos mais negros da própria família, que desconhece. É, contudo, a morte dos progenitores Renton, com tifo, e de quem a jovem Hope cuidará, que abalará os alicerces da sua vida. Nell receber-la-à na casa que partilha com o cruel marido Alex, um homem que se viu obrigado a casar com a ingénua irmã mais velha de Hope para esconder a verdadeira natureza. A vida de Hope e Nell é marcada pela violência física e psicológica de Alex. No entanto, a descoberta de terríveis segredos  levará a jovem Hope a abandonar precipitadamente a casa de Nell, deixando uma breve nota. Os trilhos da vida de Hope, sem dinheiro ou trabalho, levam-na aos bairros mais degrados e pobres de Bristol, obrigando-a a crescer e lutar. É, no meio da miséria e da pagra da cólera, que Hope conhece o jovem dr. Bennett. A coragem, força e bondade de Hope levam-na, na companhia de Bennett, à guerra da Crimeia para tratar dos feridos, como enfermeira. Mas, os segredos do passado teimam em perseguir os passos de Hope, obrigando-a a percorrer um doloroso caminho pelas descobertas das suas origens. 

 

Por vezes, os animais demoravam três dias a morrer, a agonizar caídos no chão, porque ninguém ousava desafiar as ordens de Cardigan e arriscar o chicote. E no entanto as pessoas em Inglaterra pensavam que aquele cretino pomposo, cruel e egocêntrico era um herói.

Hope sabia que os verdadeiros heróis daquela guerra ainda ali estavam, infestados de piolhos, magros e exaustos, a combater nas trincheiras ou estendidos na vasta enfermaria do hospital Scutari com membros a menos.

(p.544)

 

Ler Lesley Pearse é descobrir uma nova e inesquecível história de coragem... a de mulheres dotadas de uma capacidade invejável para ultrapassar todos as adversidades e obstáculos da vida. Mais do que mulheres, ler Lesley Pearse é aventurar-se em pequenos pedaços de História, relatados de forma simples e acessíveis. Ler Lesley Pearse é deixar-se envolver pelas palavras e vestir a pele da heróica protagonista.

 

Li Nunca Me Esqueças, Nunca Digas Adeus, A Melodia do Amor e Nunca Olhes Para Trás e, embora adore os seus livros, todos eles se caracterizam por personagens principais heróicas e bondosas a quem, depois de diversas privações, reviravoltas e dificuldades, a vida compensa e, de personagens secundárias desprovidas de bondade ou valor moral, a quem a vida acaba sempre por castigar... os típicos clichés. Lesley Pearse encontrou a fórmula do sucesso literário: escrever simplesmente, sobre pedaços de História, assumindo a Mulher como protagonista principal, lutando contra preconceitos. E é, resumindo, está a fórmula que me faz adorar os seus livros!

 

O seu desejo era que um dia os hospitais fossem lugares melhores, que os soldados fossem tratados de uma forma humana, que a enfermagem se tornasse uma profissão respeitada. 

(p. 566)

 

De Amor e Sangue, para lá da história da dramática e sangrenta Guerra da Crimeia - envolvendo, de um lado, o Império Russo e, do outro, a Inglaterra, França, Reino da Sardanha e Império Otomano, pretendendo evitar a política expansionista dos primeiros - relata o pesadelo da cólera nos estratos mais pobres e desfavorecidos da sociedade inglesa, abordando os preconceitos morais de uma Inglaterra religiosa e da luta contra a homossexualidade daqueles que se sentiam diferentes. Hope é, por outro lado, o rosto da luta das mulheres pelo direito a exercer enfermagem, numa sociedade claramente masculina, e Bennett, por seu turno, assume um notável papel pelo reconhecimento e importância da medicina nos campos de batalha. 

 

Um romance histórico impressionante, marcante e inesquecível. Hope, personagem ficcional de Lesley Pearse, pode muito bem, num passado, ter sido uma mulher real...

 

- De um modo geral, só vemos aquilo que queremos ver.

(p. 652)

 

Lesley Pearse

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Nasceu em Rochester, Inglaterra, em 1945. É uma das escritoras de romances mais vendidas e de sucesso em Inglaterra, com obras traduzidas em mais de trinta países. Dos cerca de vinte livros publicados em Inglaterra, apenas dez se encontram traduzidos a português.

 

A vida da própria escritora é uma grande fonte de inspiração para os seus livros, onde os sentimentos e as suas experiências de vida transformam as personagens mais vivas e humanas: quer esteja a escrever sobre a dor do primeiro amor, crianças indesejadas e maltratadas, adopção, rejeição, pobreza ou vingança, uma vez que conheceu tudo isto em primeira mão. É uma lutadora, e a estabilidade e sucesso que atingiu na sua vida deve-os à escrita. As suas três filhas, os netos, os cães e a jardinagem trouxeram-lhe uma grande felicidade.

 

A morte da mãe, com apenas três anos, em circunstâncias trágicas, opera a primeira grande mudança na vida de Lesley: ela e o irmão mais velho são colocados separadamente em sombrios orfanatos, uma vez que o pai se encontrava em serviço militar. Três anos mais tarde, o pai regressa, casado com uma ex-enfermeira, reunindo os irmãos e, acrescentando-lhes mais dois novos irmãos adoptivos. A família torna-se família de acolhimento. Lesley abandona a casa da família aos dezasseis anos para se tornar ama e viver em estúdios cheios de humidade. Consequência da falta de afecto e necessidade constante de procura por amor, leva-a a escolhas e decisões erradas em relação ao sexo oposto: com apenas vinte anos casa-se, um casamento de curta duração. Conhece o segundo marido, um músico e escreve o primeiro romance, Georgia, inspirado na vida do segundo marido, nas discotecas e no estilo de vida da época. A primeira filha de Lesley nasce nesta altura mas, graças à vida de ambos, o segundo casamento termina quando a criança tinha quatro anos. Do terceiro casamento nascem mais duas meninas e uma vida feliz: Lesley toma conta das crianças, escreve contos e gere uma loja de presentes. Porém, a recessão dos anos 90, fecha-lhe a loja, deixando-a atolada em dívidas, o orgulho ferido e um casamento de dezoito anos terminado.

 

A escrita foi a minha salvação, afirma a Pearse. Tara, o meu segundo livro, foi finalista do Romantic Novel of the Year Award. Com o apoio da editora Penguin, criou o Women of Courage Award para distinguir mulheres comuns dotadas de uma coragem extraordinária. 

23 | Na minha estante... Jane Eyre.

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 Jane Eyre, a protagonista deste intenso romance da literatura clássica inglesa, é uma viagem bibliográfica apaixonante.

 

Orfã de mãe e pai, Jane Eyre, recebe uma educação severa da tia Reed, onde os abusos físicos e psicológicos, tanto da tia como de primos, marcam a alma da jovem menina. Porém, aos 10 anos de idade é afastada de casa da família Reed e colocada num colégio interno de Lowood. Jane acredita num novo recomeço em Lowood, porém, as privações e educação rígida do colégio teimam em não a abandonar. A infância e adolescência solitária, severa e infeliz fortalecem-lhe o espírito de justiça, nascendo o desejo de independência. É, aos 18 anos, que a vida de Jane sofre a desejada reviravolta, levando-a à casa de Thornfield Hall, testemunho da paixão que unirá Jane, como preceptora da menina Adèle, a Mr. Edward Rochester, o proprietário. No entanto, um terrível segredo separa-os, obrigando Jane a tomar uma decisão difícil, revelando o carácter e personalidade marcante.

 

Jane Eyre é uma história de amor inesquecível. Publicado, pela primeira vez, em 1847, a paixão de Jane e Edward revelam os preconceitos da época, questionando questões sociais e morais, tais o papel da mulher na sociedade e o peso da Igreja. Os protagonistas do romance de Charlotte Brontë revelam personalidades distintas mas cativantes, numa Jane insubmissa, determinada, corajosa, mas desejosa de amar e ser amada e num Rochester misterioso, inteligente, temperamental, mas próximo dos seus criados. Relatado na primeira pessoa pela protagonista, Brontë mistura paixão com ingredientes da literatura gótica, mistério e suspense. Numa escrita acessível, sem uso excessivo recurso a expressões pomposas, Jane Eyre tornou-se um dos meus clássicos preferidos. Adorei o mistério em torno do segredo de Edward e da forma como a paixão nasce entre os protagonistas, embora considere que seja um livro de acção lenta. 

 

- Eu não sou nenhuma ave, nem estou presa em rede alguma. Sou um ser humano livre e com vontade independente, de que agora faço uso para me soltar de si.

(palavras de Jane a Mr. Rochester, p. 306)

 

Li, recentemente, O Monte dos Vendavais de Emily Brontë, do qual gostei. Porém, comparando-o a Jane Eyre, confesso-me verdadeiramente rendida. O primeiro romance que li das irmãs Brontë é uma história triste, onde senti dificuldades em entrar, no entanto, em Jane Eyre rapidamente mergulhei... e adorei! Atrevo-me a escrever que se trata de um dos meus livros favoritos, o meu clássico favorito!

 

- (...) Nunca se ri, Miss Eyre? Não se incomode a responder, eu bem vejo que ri pouco. Mas é capaz de se rir alegremente. Acredite-me, a sua natureza é tão pouco austera como a minha é corrompida.

(palavras de Mr. Rochester a Jane, p. 176)

 

Jane Eyre, de Charlotte Brontë, foi leitura realizada em conjunto com a Nathy (a publicar em breve), Sofia e Magda, do Clube das Pistogas Que Lêem.

 

Charlotte Brontë

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A mais velha das três famosas irmãs Brontë, Charlotte nasceu em Abril de 1816, em Thornton, Inglaterra. Mudou-se, muito nova e juntamente com a família, para Yorkshire. Órfã de mãe aos cinco anos, Charlotte, as quatro irmãs e o único irmão Brontë ficaram aos cuidados de uma tia, desprovida de quaisquer qualidades e sentimentos de mãe. Charlotte, tal como as irmãs e irmão, não tiveram uma vida fácil. 

Jane Eyre é, para muitos, fruto da própria experiencia de vida de Charlotte Brontë, que tal como a personagem do seu romance mais conhecido, foi professora e preceptora, tendo igualmente vivido em condições de internamento, fatal para duas das suas irmãs. Escreveu, sob pseudónimo masculino de Currer Bell, O Professor, Shirley, Villette e Jane Eyre

Morreu, aos 38 anos de idade, em Março de 1855, juntamente com o filho que esperava. O seu corpo encontra-se sepultado na igreja de St. Michael and All Angels Cemetery, em Haworth, no oeste de Yorkshire, Inglaterra.

Os livros do mês de Julho e Agosto.

Era, a cada novo início de mês, meu hábito escrever sobre as leituras do mês finalizado. O mês de Junho foi o último que lhe dediquei. Julho e Agosto foram meses duros, complicados e de trabalho, contrariando a ideia tendencial de Verão, férias e descanso, complicando a minha escrita. Foram meses onde a escrita se afigurou escassa, tal como a minha vontade de escrever, consequentemente, o projecto leituras do mês ficou parado. Retomo-o em Outubro, auxiliando-me da minha conta goodreads. É hora de conhecerem as leituras que me fizeram viajar, sonhar, amar e chorar nos meses de Julho e Agosto. As leituras de Setembro publicarei em breve.

 

Diz-me Quem Sou

Julia Navarro

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Como terá sido possível que uma nação inteira tenha enlouquecido ao ponto de ter assassinado em massa milhões de pessoas, pela simples razão de serem de raça diferente ou de professarem outra religião? Por que motivo não se tinha o povo alemão rebelado? Recordei-me de Max von Schumann e dos seus amigos; eles não concordavam com Hitler (…) Quantos alemães terão realmente colocado a vida em risco ousando lutar contra Hitler?

 

 Julho. É um livro recheado de conteúdo histórico, um olhar sobre a História do século XX, nomeadamente a Guerra Civil Espanhola, as ideias comunistas, II Guerra Mundial e a queda do Muro de Berlim. Diz-me Quem Sou conta-nos a história de um jovem jornalista precário, Guillermo, contratado pela tia para investigar a vida da sua desaparecida bisavó Amelia. A autora opta por contar a história através de personagens distintas - o que me levou, a um dado momento, a saltar estas partes... como se se tratassem de uma espécie de introdução -, aos poucos e poucos, levando-nos a viajar por cidades como Madrid, Paris, Berlim, Buenos Aires, Moscovo ou Cairo. Uma leitura recomendada aos amantes da História do século XX.

 

Índice Médio de Felicidade

David Machado

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Só que não deveria ser assim, Almodôvar, não deveríamos precisar de dias maus para dar valor aos bons, essa alegria deveria existir sempre, não apenas nos momentos de alívio. Mas estamos condenados por esta obsessão em relativazar tudo. Aqui e agora nunca são suficientes, travamos uma luta contínua, impossível de resolver, porque não aceitamos menos, porque queremos sempre mais. 

 

 Julho. Opinião aqui. David Machado aborda a infelicidade e a felicidade, o optimismo e a frustração, a persistência e o desânimo de quem, um dia, vê os pilares da sua vida serem abalados. Usando de um tema sensível, a crise e as suas consequências, Índice Médio de Felicidade leva-nos a reflectir sobre o nosso papel e valor na sociedade, a importância da família e da carreira nos tempos presentes, o valor e significado de felicidade no dia-a-dia ou o que somos capaz de fazer para alcançar um objectivo. 

 

O Monte dos Vendavais

Emily Brontë

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Os orgulhosos arranjam desgostos às suas próprias mãos.

 

 Julho. Opinião aqui. A história começa quando o patriarca da família Earnshaw, após uma viagem a Londres, regressa com o pequeno Heathcliff. É ele o elo de amor e desgraças que se abaterá sobre as vidas que toca. Os filhos de Earnshaw, Catherine e Hindley, sentem-se colocados de parte pelo pai que, parece nutri mais carinho e atenção pelo novo filho. Porém, a morte de Earnshaw levará Hindley a assumir a posição de patriarca da família e, assim, a vingar-se de Heathcliff. A irmã Catherine, todavia, não compartilha do pensamento do irmão e encontra em Heathcliff um parceiro. Nasce, assim, entre ambos algo mais do que uma simples amizade ou carinho de irmãos. A história sofre uma reviravolta com a partida d' O Monte dos Vendavais de Heathcliff, levado a acreditar que Catherine não corresponde aos sentimentos e pela atracção da jovem Catherine aos luxos e riquezas que um casamento podem proporcionar. O regresso, anos mais tarde, de Heatchcliff marcará a vida de das famílias de ódio e vingança. 

 

Segue o Coração

Lesley Pearse

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Mas, acima de tudo, quero ter feito uma diferença na vida de outras pessoas.

 

 Julho. Opinião aqui. Lesley Pearse, pela vida de Matilda Jennings, dá-nos a conhecer partes interessantes da História dos Estados Unidos da América, dos finais do século XIX e dos inícios do século XX. Nas mais de setecentas páginas de Segue O Coração somos convidados a conhecer os primórdios da cidade de Nova Iorque, a conquista do Oeste Selvagem, a loucura da corrida ao ouro, o nascimento de São Francisco e a guerra pelo fim da escravatura nos estados do Sul. Os relatos são vivos e marcantes como se de facto os tivéssemos vividos. Aliás, ao longo do livro, Pearse relata-nos histórias baseadas em vidas reais trágicas  que constituem verdadeiros murros. Foi e é de vidas miseráveis e cruéis de ingleses, chineses, irlandeses, mexicanos, alemães e tantas outras nacionalidades, que se fez e vestiu a história dos EUA. Segue O Coração é a minha quarta leitura de Lesley Pearse. É, seguramente, uma das minhas escritoras favoritas no género romance histórico. Os livros de Pearse enganam. Refugiando-se num título e capas femininas e cor-de-rosa, traduzem a ideia de tratarem-se de romances lamechas, demasiados melosos. Porém, a verdade é que são livros que ficam aquém do romance, constituindo importantes lições históricas. 

 

A Mulher do Viajante no Tempo

Audrey Niffenegger

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- Clare? 

- Sim? - A minha voz está baixa e amedrontada.

- Sabes que te amo. Queres casar comigo?

- Quero... Henry. - Tenho uma sensação avassaladora de déjà vu. - Mas, sabes, na realidade... já casei.

 

 Agosto. Opinião aquiA Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem à descoberta do poder do amor de um amor intemporal. Henry e Clare, os protagonistas, vivem um amor instável e envolto nos caprichos de uma particularidade que faz deles um casal especial. Henry conhece Clare quando ele tem 28 anos e ela 20. Porém, Clare conhece Henry desde menina... o primeiro encontro de ambos acontece quando ela tem 6 anos e Henry é um homem adulto de 36 anos. Os encontros de Henry na infância e adolescência de Clare tornam-se frequentes, levando-a a conhecer desde menina aquele que será o homem da sua vida. Confusos? Poderia ser, contudo, à medida que viajamos na história de Henry e Clare, compreendemos a particularidade e inevitabilidade que une o casal. É que, tal como o título da obra o indica, Henry é um viajante no tempo. 

 

A Bibliotecária de Auschwitz

Antonio G. Iturbe

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 Ao longo da História, todos os ditadores, tiranos e opressores, fossem arianos, negros, orientais, árabes ou eslavos, fosse qual fosse a cor da sua pele, quer defendessem a revolução popular, os privilégios dos ricos, o primado de Deus ou a disciplina sumária dos militares, fosse qual fosse a sua ideologia, tiveram uma coisa em comum: todos, sem excepção, perseguiram os livros com uma sanha feroz. Os livros são perigosos, fazem pensar. 

 

 Agosto. Opinião aquiA Bibliotecária de Auschwitz inspirado na história de vida de Dita Kraus, sobrevivente de Auschwitz, remete-nos para o horror sofrido por milhares de judeus nos campos de concentração mas, acima de tudo, o poder e a força que os livros podem exercer naqueles que vivem rodeados do horror. Dita Adlerova não é mais do que uma jovem adolescente porém, é ela a portadora e testemunha de um segredo marcante, proibido no campo de Auschwitz-Birkenau. Dita, juntamente com Fredy Hirsch, que conseguiu erguer uma escola num campo de concentração, é a guardiã de oito poderosos livros. Cabe-lhe a ela, enquanto bibliotecária, a protecção e cuidado dos livros estritamente proibidos pelos nazis. Dita sabe que, cada livro que esconde, pode significar o seu fim e, no entanto, dona de uma coragem extraordinária, a jovem cuida aqueles oito preciosos livros como se de alimento se tratasse. No fundo é disso que se trata... 

 

A Rapariga de Papel

Guillaume Musso

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A nossa liberdade constrói-se sobre aquilo que os outros ignoram da nossa existência.

 

 Agosto. Opinião aquiA Rapariga de Papel foi a minha primeira leitura de Guillaume Musso e, confesso, adorei... para dizer a verdade, nem sei como explicar os motivos que me levaram a gostar tanto deste livro! É simplesmente delicioso e faz-nos desejar entrar pelas páginas do livro. Uma agradável surpresa. No fundo, a história de Musso não é invulgar, pelo contrário mas, a forma como está estruturada e o pequeno toque de magia, conferem ao romance a diferença que me apaixonou. Confesso que fazia algum tempo que não lia uma história simples, enternecedora e que me deixa-se visivelmente apaixonada. 

 

O Tempo Entre Costuras

María Dueñas

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Uma máquina de escrever arruinou o meu destino. Foi uma Hispano-Olivetti, da qual me separou durante semanas o vidro de uma montra. Visto de hoje, a partir do parapeito dos anos passados, custa a crer que um simples objecto mecânico pudesse ter potencial suficiente para quebrar o ruma de uma vida e fazer explodir em quatro dias todos os planos traçados para a sustentar. Assim foi, no entanto, e nada pude fazer para o impedir. 

 

 Agosto. Sira é uma jovem e simples aprendiz de costureira, ingénua mas bonita, de quem a vida tornará uma determinada espiã. Numa Espanha em pré-guerra civil, a jovem Sira facilmente se deixa apaixonar por um galante homem, trocando o país natal por Marrocos, onde a sua vida sofrerá uma enorme reviravola. Traida e abandonada, Sira vê-se obrigada a contrariar o trágico destino, colocando os seus talentos como costureira em prática ao serviço da alta sociedade de Marrocos. O Tempo Entre Costuras, romance cativante e viciante, leva-nos a conhecer a Espanha da Guerra Civil, as acções alemãs em terras estrangeiras o papel do governo fascista de Franco na II Guerra Mundial, com um cheirinho de Lisboa de Salazar. Um livro recheado de traições, amores, desgostos e reviravoltas. 

22 | Na minha estante... Perguntem a Sarah Gross.

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 Perguntem a Sarah Gross é um livro sensível, uma viagem pela História da Polónia e dos Judeus naquele país, um livro invulgar. 

 

1968. Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, procura num dos colégios mais elitistas dos EUA, o St. Oswald's, o refúgio para o esquecimento de um segredo terrível que marcará toda a sua existência. O colégio é dirigido pela carismática e misteriosa Sarah Gross, uma mulher de personalidade forte e sentido de justiça, por quem Kimberly nutrirá grande amizade e carinho. Porém, quando a pacatez do colégio é marcado pela tragédia, abalando a vida de todos, Kimberly embarcará na aventura ao passado, ao lado mais negro da História do século XX, à vida que Sarah Gross escondeu de todos. 

 

Perguntem a Sarah Gross é um livro com tanto de sensível como de invulgar. É um livro para quem, como eu, se sente atraído por um dos períodos mais negros e que tantos milhões de inocentes vitimou, contando a história da cidade de Oshpitzin, na Polónia, onde se instalou um dos piores campos de concentração, Auschwitz-Birkenau.

 

Há muito que a Grande Sinagoga e a Igreja da Virgem Maria se olhavam com complacência por cima dos telhados de Oshpitzin. Era ali que Sarah Gross aprendera a ser feliz. Mas eles chegaram e mudaram tudo. Até o nome da cidade. Auschwitz? Que raio era Auschwitz?

 

O livro de João Pinto Coelho é cativante difícil de abandonar. A cada nova página, a cada novo capítulo, mais desejava conhecer de Perguntem a Sarah Gross. É misterioso, numa escrita envolvente, imaginamos cenários distintos de vida para Kimberly e Sarah que, no final, ficam aquém do que imaginamos. O livro inicia-se lento e recheado de detalhes, quiçá o único aspecto negativo a apontar, mas rapidamente evoluí, dando-nos a conhecer o drama doloroso que envolve as personagens. Criativo e inesquecível, quem lê Perguntem a Sarah Gross dificilmente a esquecerá, ou abandonará o livro, um murro no estômago sobre a crueldade humano e a capacidade de perdoar.

 

E, depois, havia a fome...

Como se descreve a fome em Auschwitz?

Por palavras? Haveria que as inventar, primeiro.

 

A par d' A Bibliotecária de AuschwitzPerguntem a Sarah Gross tornou-se um dos meus livros preferidos sobre a temática do Holocausto Judeu e sem receio ou margem para dúvidas, são dois dos livros que recomendo a novos e velhos, mulheres e homens, ateus e crentes, ocidentais e orientais... pela forma tocante, inesquecível e sensível como um relata um pedaço da História cruel do Mundo. Setenta anos depois não podemos, simplesmente, deixar cair no esquecimento História tão negra e perturbante.

 

(...) mesmo após o relato detalhado que acabara de ouvir, continuaria sem saber como se sofria em Auschwitz. Como era o frio, a fome ou o medo. Talvez um dia o glossário da humanidade acrescentasse essas entradas novas. Até lá, restava a colecção de gestos como aquele; de alguém que nada tem e se agarra a uma colher ferrugenta como se da própria vida se tratasse. 

 

João Pinto Coelho

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João Pinto Coelho nasceu em Londres em 1967. Licenciou-se em Arquitetura em 1992 e viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Passou diversas temporadas nos Estados Unidos, onde chegou a trabalhar num teatro profissional perto de Nova Iorque e dos cenários que evoca neste romance. Em 2009 e 2011 integrou duas ações do Conselho da Europa que tiveram lugar em Auschwitz (Oswiécim), na Polónia, trabalhando de perto com diversos investigadores sobre o Holocausto. No mesmo período, concebeu e implementou o projeto Auschwitz in 1st Per-son/A Letter to Meir Berkovich, que juntou jovens portugueses e polacos e que o levou uma vez mais à Polónia, às ruas de Oswiécim e aos campos de concentração e extermínio. A esse propósito tem realizado diversas intervenções públicas, uma das quais, como orador, na conferência internacional Portugal e o Holocausto, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em 2012. Perguntem a Sarah Gross é o seu primeiro romance.