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Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Do IEFP,

sobre caricata e absurda situação de renovar um cartão de cidadão... ou, a data do mesmo.

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Recentemente recebi uma convocatória por parte do centro de emprego onde constava a necessidade de actualizar os dados da minha ficha para, segundo eles, conseguirem satisfazer o meu pedido (ahahahahahahahaha, tão cómicos... em cinco anos, fui chamada uma vez para me falarem de um possível estágio na minha área - outra anedota para, um dia, contar - e zero vezes para formações, apesar de já ter várias vezes, manifestado o interesse). E, assim, numa manhã de Março, apanhei o autocarro com destino ao centro de emprego mais próximo. Pelo caminho e, embora, saiba que eles nunca o querem porque, é tudo informatizado - segundo eles -, parei numa papelaria para imprimir o currículo actualizado e o entregar - não fosse, alguma alma se lembrar. No centro de emprego entreguei a carta-convocatória ao recepcionista que, meia hora depois (era uma quinta-feira e, por norma, o centro de emprego onde estou inscrita é mais rápido do que às segundas-feiras, onde toda a gente, quer da cidade quer das aldeias e vilas, vai a correr), me mandou subir ao segundo piso, acompanhada de um outro senhor de muitos anos. Chegamos a uma pequena sala, onde fomos recebidos por uma senhora simpática mas quase sem vida (tão sem sal, tão cansada apesar de ainda nem ser meio-dia) e onde mal nos conseguíamos movimentar, pedindo-nos para nos sentarmos - o senhor ao meu lado, mais duas nas nossas costas. Vira-se para mim e diz-me,

 

   - Preciso do seu cartão de cidadão. 

 

Entrego-lhe e começa a debitar os meus dados pessoais: morada, telemóvel, email, nacionalidade e afins. Devolve-me o cartão de cidadão e diz,

 

   - Acabei. Chamei-a aqui porque o seu cartão de cidadão tinha caducado no ano anterior e precisávamos de saber a data do actual.

 

Como? Só podem estar a gozar! Viro-me para a senhora e digo-lhe,

 

   - E, já que estou aqui, não quer actualizar o resto da ficha ou vai-me chamar daqui a um mês para o fazer? 

 

Diz-me que sim e começo a disparar os pequenos trabalhos que fiz. Não mostra interesse em saber mais sobre eles, em desenvolver. Fica a saber o básico. Antes de abandonar a sala e o centro de emprego, pergunto-lhe o que devo fazer para me candidatar a estágios no âmbito do PEPAL e, no caso de conseguir algum, o que fazer a seguir.

 

   - Se a menina conseguir um estágio PEPAL basta enviar um email a dizer que está a fazer estágio.

 

Ahahahah! Desculpem? Eu ouvi bem? Para dizer que estou a fazer estágio, já posso enviar email mas, por uma data, tenho me deslocar ao centro de emprego quando, bastava um email ou uma mensagem a pedir uma fotocópia do cartão. Na era da informática, gastei cinco euros no autocarro - dinheiro dos meus pais porque, sendo recém-licenciada, não recebo qualquer apoio - e perdi uma manhã quando num minuto, poderia ter enviado uma fotocópia para email da senhora. E, para não comentar o facto de os meus dados ficarem expostos para quem quisesse ouvir... 

 

Malta do IEFP: há computadores e, nós, jovens, sabemos usar! Upa! Upa! Acordem! Modernizem-se! 

Obrigado!

Este é daqueles textos que eu preferia nunca ter escrito. Palavras que eu preferia não sentir. Um post que preferia nunca ter sido merecedor de destaque. Seria, seguramente, sinal de que estaria a trabalhar e não saberia o que é a vida de desempregada. Cada vez que falo da minha condição de desempregada é difícil evitar um ou outra lágrima. Infelizmente é a minha realidade... a minha e a de tantos mais. Momentos de revolta e tristeza. Por isso, aqui fica o meu enorme obrigado a todos aqueles que, de algum modo, se identificaram ou deixaram as suas palavras de apoio e à equipa do Sapo Blogs pelo destaque ao texto... a ver se, em breve, o destaque vai para o meu (finalmente) trabalho.

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Captura de ecrã 2014-10-8, às 10.49.25Como escrevi nos comentários, é uma fase. E, como todas as fases, começou e há-de terminar... o importante é manter a esperança e não deixar que a revolta ganhe, arregaçar as mangas e ir à luta. Nada é eterno. O desemprego não pode nem será eterno... porque na vida à coisas bem mais graves.

Vida de desempregada.

Ser desempregada é: receber convocatórias do IEFP, de três em três meses, para nos relembrar que, infelizmente, ainda não conseguiram satisfazer o nosso pedido. 

Ser desempregada é: estar inscrita em todo o género de apoios a licenciados desempregados e, volta e meia, ser convocada para uma actividade de ajuda e incentivo ao emprego.

Ser desempregada é: ir a essas actividades e ouvir pela milésima vez que precisamos de alterar o currículo porque aí e tal, ninguém quer saber disto

Ser desempregada é: alterar o CV pela milésima vez, eliminar os velhos e tentar não desorganizar a pasta nem dar em doida.

Ser desempregada é: imprimir pela milésima vez o CV, percebendo que se tornou uma actividade tão rotineira, quando a senhora da papelaria nos diz vamos imprimir mais currículos? *

Ser desempregada é: começar a duvidar das nossas capacidades e competências ou tentar culpa o universo pelas nossas escolhas.

Ser desempregada é: a cada pedaço de papel que entregamos, a cada email que enviamos, manter a esperança de que será o último.

 

* (dizem, os entendidos dos apoios, que devemos manter o foco nos nossos objectivos e ambições profissionais. assim deveria ser. mas quando vemos o tempo passar, como manter a esperança, sem começar a atirar para todos os lados?)

 

É difícil resistir à tentação...

... de mais um livro.
Chovem, quase diariamente, promoções na minha caixa de correio. Uma pessoa resiste e resiste à wook ou à bertrand mas, volta e meia, não se resiste e num impulso lá se manda vir mais um ou dois livritos.
Já pensei em desactivar os referidos emails mas, volta e meia, encontram-se promoções interessantes e o receio de perder as mesmas é elevado. Sorte ou azar, estou desempregada... de contrário, desconfio que a minha conta bancária não resistiria nem o tempo seria suficiente.