Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Confesso-me. Confesso-te.

tumblr_lfuk4mLGb31qdcy2eo1_500.jpg

 

Tenho medo que não sejas mais do que um sonho. Um amor belo que desejei, sonhei, desenhei. O simples desejo de ti e de ti necessitar. Não existes, bem sei e culpo-me por alimentar o sonho do oposto. Afinal, quem serias tu? Quem seriamos nós? Quiçá, a culpa resida em mim, na necessidade de mergulhar no desejo de te ter, na minha carência... e, porque não aprendi a ser só, jamais existiremos. 

 

Não te procuro mais, não te desejo mais, não te sonho mais. E, porém, é-me impossível. Provavelmente, afastando os nossos caminhos, continuarei a escrever-te... até ao dia em que os nossos caminhos se entrelacem e nos fundamos num abraço. 

 

Porque existem amores que nos devolvem, nos valorizam, nos ensinam e nos amam... preciso de ti.

 

Confesso-me. Confesso-te. 

 

Demoras muito?

Loucura.

 Loucura... às vezes, sinto-me perto dela, de cometer uma qualquer loucura. Sinto-me cansada, aborrecida, farta. Preciso de respirar, de sentir que vivo, de coisas boas. Sinto que vou enlouquecer ou, provavelmente, já enlouqueci. Talvez, a realidade seja esta, a de tentar disfarçar a loucura em que sempre vive. E, não me digam que há quem viva pior do que eu... sei-o bem, não me esqueço mas, não posso nem quero carregar com o drama do mundo. Ou, por esta altura, não escreveria estas palavras...

 

Loucura... às vezes, sinto que não sei o que é viver na realidade. Quero o meu espaço, a minha casa, o meu mundo. Um trabalho e um amor e, porque não, viagens? Quero viver a vida que sonhei e não nesta permanente loucura que me leva às lágrimas. Um dia atrás do outro e sinto-me a afundar. E os sonhos que cancelei, congelei, apaguei porque, na verdade, nem sei o que quero... o tudo e o nada, o mundo, o céu e as estrelas. Abraços, beijos, sorrisos e um simples vai ficar tudo bem.

 

Loucura... um dia, esta loucura vai-me levar a mandar tudo e todos a outro mundo. Vou enlouquecer, sei-o disso, a menos que coisas boas comecem a acontecer... e, não me peçam para fazer sentido, quando nem eu mesma me entendo nesta loucura.

 

I094039.jpg

Levo-te comigo.

Presente em cada sonho. Nos dias que vivo, nos sons que escuto, nas cores que me rodeiam e pintam os meus olhos. Levo-te comigo. Na tristeza dos dias, nos sorrisos sinceros do presente, nos sonhos do amanhã. Levo-te comigo. Nos livros que partilho contigo, nos passos pelas ruas da vila, na ausência que sinto de ti. Sinto-te comigo. No frio que me barre a alma e o corpo, quando mergulho nos pensamentos do amanhã e te sinto num livro. Sinto-te comigo. Quando fecho os olhos invades sempre os meus sonhos, abraçando-me e sussurrando as palavras que ansiamos ouvir dos lábios um do outro.

 

Levo-te comigo. Sinto-te comigo. Que coisa tão traiçoeira, a solidão. Faz-nos sentir a presença de quem não conhecemos, quiçá, nem exista. Amo-te. Sem saber se existes. Amo-te e não consigo ver o teu rosto no cinzento dos sonhos. E, no meio destas parvoíces que para aqui escrevo, sinto-te e levo-te comigo. Solidão, quiçá sejas esse o teu nome... e, agora escrevo ao desconhecido e à solidão e julgo que estou a ficar louca.

 

E, no dia em que o destino juntar os nossos caminhos, será que te vou conhecer e sentir nas cores dos dias... para lá de um sonho? 

Dizem que,

quando não conseguimos dormir à noite, é porque estamos acordados no sonho de alguém. A ser verdade, tenho a dizer-te que és o meu ladrão mais descarado. Roubas-me o sono para me teres nos teus sonhos. E, depois, quando me recupero, invades o meu sonho sem pedir qualquer permissão. É em ti que descanso e recupero o sono que me roubaste, enquanto me aconchegas em ti e brincas com os meus cabelos. Noutras noites, entras com pés silenciosos, quase nem te sinto, e abraças-me num abraço apertado, sussurras-me algo ao ouvido e... foges, deixas-me sozinha, quase nem dou por isso, tão silenciosamente como entraste. É estranho. Nunca sonhei com as cores, é sempre um mundo demasiado cinzento e, tu, chegas e dá-lhes um brilho especial. 

 

Dizem que quando não conseguimos dormir à noite, é porque estamos acordados no sonho de alguém. A ser verdade, o que sonhas tu quando me levas para os teus sonhos? 

 

Dizem que... e, a ser verdade, quero-te aqui... abraçar, tocar, sentir e beijar todos os dias e não em meros sonhos. Não quero estar nos teus sonhos. Não te quero mais nos meus. Quero saber quem és, como és, de onde és e se sonhas com uma viagem de comboio pela Europa. Quero o sonho real, pintado pelos dias ao teu lado. Não quero mais sonhos cinzentos nem um rosto tão familiar que, verdadeiramente, desconheço. Quero-te aqui. Por quanto tempo ainda continuaremos a sonhar um com o outro?