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Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um livro para cada dia da semana.

Dias da semana em livros... parece estranho? Um livro para cada dia da semana... e, porque não? A ideia é muito simples: mediante as características definidas para cada dia da semana, seleccionar um livro... ou dois, três, os necessários! Vamos brincar com os livros? Uma nova book tag...

 

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Domingo: Um livro que não queres que termine ou não quiseste que terminasse.

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O Menino de Cabul é um dos meus livros favoritos. Na verdade, todos os livros de Khaled Hosseini são especiais, inesquecíveis, favoritos; cada um deles, à sua maneira, me marcou. Não queria que está história de amizade terminasse, embora me sentisse obrigada a ler todos os dias... sofria se não lesse um pouco mais. O meu livro de domingo. Um livro que recomendo mil vezes. Uma história que, um dia, pretendo reler.

 

Segunda-feira: Um livro que tens preguiça de começar.

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Quero muito ler Palmeras En La Nieve... apesar da preguiça. Decidi comprar o livro de Luz Gabás mal descobri que um dos meus actores espanhóis favoritos, Mario Casas, assumiria um papel principal na adaptação deste livro à tela do cinema. O livro é-me cativante: um romance histórico da Espanha colonial. Porém, existem dois nãos em contra este livro: é um livro de bolso, escrito em espanhol. O preço acessível e o facto de ainda não se encontrar traduzido a português precipitaram a comprar. Por outro lado, sentia necessidade de investir um pouco mais na língua espanhola, nomeadamente, na leitura. O filme estreia em Dezembro e apesar da minha enorme curiosidade para com o livro, a verdade é que tenho arrastado a sua leitura. Um dia acontecerá.

 

Terça-feira: Um livro que te custou a ler ou leste por obrigação.

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Custou-me imenso ler Glória Mortal. Não me cativou. Não gostei, apesar da escrita fluida e de todo o mistério associado às misteriosas e violentas mortes. Senti necessidade de o abandonar logo nas primeiras páginas. O género futurista não é, de todo, o meu género...

Li-o em leitura conjunta

 

Quarta-feira: Um livro que deixaste pela metade ou estás a ler no momento. 

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Orgulho e Preconceito As Meninas Proibidas de Cabul são as minhas leituras actuais. Estou a gostar imenso do primeiro, embora exija uma leitura atenta e cuidada. Iniciei recentemente o segundo, um livro recheado de relatos de vida de meninas afegãs.

Contabilizo, desde o início do ano, quatro livros que abandonei pela metade.

 

Quinta-feira: Um livro que não recomendas.

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Não recomendo A Rapariga Que Inventou Um Sonho. É um dos livros que tentei ler este ano e abandonei a meio da leitura. Era alguma a minha curiosidade em conhecer o aclamado escritor japonês mas, talvez, por se tratar de um livro recheado de contos não me senti cativada ou tentada a terminar. O título enganou-me: não julguei que se tratassem de contos diversos. Não li, confesso, com atenção a sinopse e deixei-me levar. Provavelmente, uma escolha polémica mas, desculpem, simplesmente não gostei...

Na altura em que comprei este livro, comprei também Sono. Li algures que Haruki Murakami aprendesse a gostar; talvez Sono me cative mais do que A Rapariga Que Inventou Um Sonho.

 

Sexta-feira: Um livro que queres que chegue já à tua estante (lançamento ou compra).

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Comprei, em segunda mão e através de um grupo no facebook, Jesus Cristo Bebia Cerveja e do qual tenho uma enorme curiosidade. A sinopse e as criticas a este livro cativaram-me. Nunca li Afonso Cruz. Será, certamente, uma próxima leitura.

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Recém lançado no mercado literário português, A Contadora de Histórias é outro dos livros que estou desejosa de comprar, ler e ter na minha estante. Gosto muito da Jodi Picoult e da forma como escreve, a sinopse cativou-me e, enfim, tenho de ter brevemente este livro.

No entanto, tenho tantos, imensos, montes de livros pelos quais estou desejosa de ler e ver na minha estante... 

 

Sábado: Um livro que quiseste começar novamente assim que terminou.

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Jane Eyre tornou-se um dos meus livros favoritos. Um clássico apaixonante. Uma história inesquecível. Um livro marcante. Senti-me um enorme vazio quando terminei este livro. Queria que não terminasse... queria recomeçar. Jane Eyre será, um dia, um dos livros a reler.

 

*(tag original de Pam Gonçalves)

Cidades de Papel.

Um livro, mil emoções.

 

Tenho o coração nas mãos. Não gosto de emprestar livros. As experiências negativas do passado ditam a minha postura. Invento desculpas. Um livro do qual gostei raramente abandona a minha estante. Porém, a regra não se aplica à família. Não posso, por mais que queira, negar ceder um livro à minha irmã mais nova. E, assim, vivo com o coração nas mãos... Ela não conhece o significado de um livro. Ela não compreende a importância que os livros assumem no meu dia-a-dia. Para ela, dos seus dezoito anos, um livro é isso mesmo, nada mais do que pedaços de papel. 

 

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A minha irmã não sabe que um livro é mais do que um livro. É um amigo que me acompanha. Nele, com ele, através dos livros, vivi mil e uma histórias, vesti a pele de mil e uma personagens, experimentei mil e um sentimentos distintos. Cada livro que guardo, carinhosamente na estante, são pedaços de emoções que vivi. Livros são pedaços de mim que ela não compreende. Quis explicar-lhe tudo isto mas, todavia, trata-se de um febre cujos sintomas são difíceis de explicar... só quem vive com a doença compreende a febre dos livros. E, agora, vivo com o coração na mãos e o receio de ver o meu livro regressar amargamente tratado.

 

Cidades de Papel, de John Green, o livro pelo qual sofrerei...

Marias há muitas...

O problema, porém, é que eu Maria não me identifico com o segundo nome e, portanto, nunca compreenderei a necessidade de usar o meu segundo nome. A verdade é que eu não gosto, nunca gostei, do nome que acompanha o primeiro mas, inevitavelmente, é sempre o segundo o preferido. Quem me conhece já o sabe. Repito-me, em consultas de dentista, medicina ou noutra qualquer área, o pedido para me tratarem somente por Maria. Um nome simples, giro e comum. 

 

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Se as Anas e Joãos não são tratados pelos segundos nomes, apesar da vulgaridade, qual a necessidade de fazer o mesmo com as Marias? 

 

Isto tira-me do sério. Marias há muitas... e eu adoro ser Maria. 

24 | Na minha estante... De Amor e Sangue.

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 De Amor e Sangue, o mais recente livro traduzido para português de Lesley Pearse, transporta-nos para Inglaterra do século XIX e os mais diversos preconceitos da época. 

 

A recém-nascida Hope é a prova viva do adultério da mãe, uma aristocrata bela mas desprovida de sentimentos, egoísta, preocupada em manter a fachada de um casamento rico mas infeliz. A pequena Hope é entregue aos cuidados dos Renton, uma família pobre de camponês mas acolhedora, humilde e trabalhadora. Hope cresce sem conhecer as suas verdadeiras origens, recheada de amor, apesar das privações e obstáculos que a vida lhe coloca. Porém, tal como os restantes membros da família Renton, chega o dia em que Hope se vê forçada a trabalhar, contribuindo para o sustento da família e, com pouco mais de doze anos, começa a servir em casa da família onde nasceu. Longe do brilhos e dos pomposos jantares e bailes que a família oferece aos membros da aristocracia inglesa, Hope conhece a dureza do trabalho e os segredos mais negros da própria família, que desconhece. É, contudo, a morte dos progenitores Renton, com tifo, e de quem a jovem Hope cuidará, que abalará os alicerces da sua vida. Nell receber-la-à na casa que partilha com o cruel marido Alex, um homem que se viu obrigado a casar com a ingénua irmã mais velha de Hope para esconder a verdadeira natureza. A vida de Hope e Nell é marcada pela violência física e psicológica de Alex. No entanto, a descoberta de terríveis segredos  levará a jovem Hope a abandonar precipitadamente a casa de Nell, deixando uma breve nota. Os trilhos da vida de Hope, sem dinheiro ou trabalho, levam-na aos bairros mais degrados e pobres de Bristol, obrigando-a a crescer e lutar. É, no meio da miséria e da pagra da cólera, que Hope conhece o jovem dr. Bennett. A coragem, força e bondade de Hope levam-na, na companhia de Bennett, à guerra da Crimeia para tratar dos feridos, como enfermeira. Mas, os segredos do passado teimam em perseguir os passos de Hope, obrigando-a a percorrer um doloroso caminho pelas descobertas das suas origens. 

 

Por vezes, os animais demoravam três dias a morrer, a agonizar caídos no chão, porque ninguém ousava desafiar as ordens de Cardigan e arriscar o chicote. E no entanto as pessoas em Inglaterra pensavam que aquele cretino pomposo, cruel e egocêntrico era um herói.

Hope sabia que os verdadeiros heróis daquela guerra ainda ali estavam, infestados de piolhos, magros e exaustos, a combater nas trincheiras ou estendidos na vasta enfermaria do hospital Scutari com membros a menos.

(p.544)

 

Ler Lesley Pearse é descobrir uma nova e inesquecível história de coragem... a de mulheres dotadas de uma capacidade invejável para ultrapassar todos as adversidades e obstáculos da vida. Mais do que mulheres, ler Lesley Pearse é aventurar-se em pequenos pedaços de História, relatados de forma simples e acessíveis. Ler Lesley Pearse é deixar-se envolver pelas palavras e vestir a pele da heróica protagonista.

 

Li Nunca Me Esqueças, Nunca Digas Adeus, A Melodia do Amor e Nunca Olhes Para Trás e, embora adore os seus livros, todos eles se caracterizam por personagens principais heróicas e bondosas a quem, depois de diversas privações, reviravoltas e dificuldades, a vida compensa e, de personagens secundárias desprovidas de bondade ou valor moral, a quem a vida acaba sempre por castigar... os típicos clichés. Lesley Pearse encontrou a fórmula do sucesso literário: escrever simplesmente, sobre pedaços de História, assumindo a Mulher como protagonista principal, lutando contra preconceitos. E é, resumindo, está a fórmula que me faz adorar os seus livros!

 

O seu desejo era que um dia os hospitais fossem lugares melhores, que os soldados fossem tratados de uma forma humana, que a enfermagem se tornasse uma profissão respeitada. 

(p. 566)

 

De Amor e Sangue, para lá da história da dramática e sangrenta Guerra da Crimeia - envolvendo, de um lado, o Império Russo e, do outro, a Inglaterra, França, Reino da Sardanha e Império Otomano, pretendendo evitar a política expansionista dos primeiros - relata o pesadelo da cólera nos estratos mais pobres e desfavorecidos da sociedade inglesa, abordando os preconceitos morais de uma Inglaterra religiosa e da luta contra a homossexualidade daqueles que se sentiam diferentes. Hope é, por outro lado, o rosto da luta das mulheres pelo direito a exercer enfermagem, numa sociedade claramente masculina, e Bennett, por seu turno, assume um notável papel pelo reconhecimento e importância da medicina nos campos de batalha. 

 

Um romance histórico impressionante, marcante e inesquecível. Hope, personagem ficcional de Lesley Pearse, pode muito bem, num passado, ter sido uma mulher real...

 

- De um modo geral, só vemos aquilo que queremos ver.

(p. 652)

 

Lesley Pearse

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Nasceu em Rochester, Inglaterra, em 1945. É uma das escritoras de romances mais vendidas e de sucesso em Inglaterra, com obras traduzidas em mais de trinta países. Dos cerca de vinte livros publicados em Inglaterra, apenas dez se encontram traduzidos a português.

 

A vida da própria escritora é uma grande fonte de inspiração para os seus livros, onde os sentimentos e as suas experiências de vida transformam as personagens mais vivas e humanas: quer esteja a escrever sobre a dor do primeiro amor, crianças indesejadas e maltratadas, adopção, rejeição, pobreza ou vingança, uma vez que conheceu tudo isto em primeira mão. É uma lutadora, e a estabilidade e sucesso que atingiu na sua vida deve-os à escrita. As suas três filhas, os netos, os cães e a jardinagem trouxeram-lhe uma grande felicidade.

 

A morte da mãe, com apenas três anos, em circunstâncias trágicas, opera a primeira grande mudança na vida de Lesley: ela e o irmão mais velho são colocados separadamente em sombrios orfanatos, uma vez que o pai se encontrava em serviço militar. Três anos mais tarde, o pai regressa, casado com uma ex-enfermeira, reunindo os irmãos e, acrescentando-lhes mais dois novos irmãos adoptivos. A família torna-se família de acolhimento. Lesley abandona a casa da família aos dezasseis anos para se tornar ama e viver em estúdios cheios de humidade. Consequência da falta de afecto e necessidade constante de procura por amor, leva-a a escolhas e decisões erradas em relação ao sexo oposto: com apenas vinte anos casa-se, um casamento de curta duração. Conhece o segundo marido, um músico e escreve o primeiro romance, Georgia, inspirado na vida do segundo marido, nas discotecas e no estilo de vida da época. A primeira filha de Lesley nasce nesta altura mas, graças à vida de ambos, o segundo casamento termina quando a criança tinha quatro anos. Do terceiro casamento nascem mais duas meninas e uma vida feliz: Lesley toma conta das crianças, escreve contos e gere uma loja de presentes. Porém, a recessão dos anos 90, fecha-lhe a loja, deixando-a atolada em dívidas, o orgulho ferido e um casamento de dezoito anos terminado.

 

A escrita foi a minha salvação, afirma a Pearse. Tara, o meu segundo livro, foi finalista do Romantic Novel of the Year Award. Com o apoio da editora Penguin, criou o Women of Courage Award para distinguir mulheres comuns dotadas de uma coragem extraordinária.