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Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

31 | Coisas de blogger... L de Livros.

Livros são uma parte de mim e, portanto, nunca é demais, cansativo ou aborrecido falar sobre eles. A curiosidade partiu da querida Just Smile, desafiando-me a responder a mais uma e bem-vinda tag sobre livros.

 

Estou a ler...

Travessuras da Menina Má de Mario Vargas Llosa.

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O meu livro favorito quando era pequena... 

A Bela e o Monstro foi, desde menina, uma das minhas histórias infantis favoritas. Na adolescência, O Principezinho.

 

Estou ansiosa por ler...

Todos os que tenho na estante por ler (e à qual ainda lhe falta um livro que adquiri em segunda mão, Viver Depois de Ti de Jojo Moyes),

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Porém, um livro que quero muito ler e que ainda não tenho na estante é Toda a Luz Que Não Podemos Ver de Anthony Doerr.

 

Um livro que mudou a minha vida...

Um livro, independentemente da temática, ensina sempre qualquer coisa, acrescenta algo de novo, muda pequenas coisas do dia-a-dia, muda pequenas visões do Mundo. No fundo, não consigo identificar apenas um livro que tenha mudado a minha vida... qualquer livro do que li, mudaram a minha vida. 

 

O meu livro favorito para dar como presente...

Oferecer um livro dependeria, acima de tudo, da pessoa a quem se destina o presente. Li muitos livros e, dos diversos que li e conclui, qualquer um seria o ideal... dependeria, obviamente, dos gostos das pessoas.

 

O que está na minha mesa...

O Retrato da Mãe de Hitler de Domingos Amaral. (diz que lhe tomou o gosto pela mesa de cabeceira... eu ainda não desisti dele, eu ainda o irei terminar)

 

A minha livraria preferida...

Grupos de vendas em segunda mão no facebook, Bibliofeira, Wook ou note.it/Continente.

 

Adoro ler porque...

Simplesmente, faz parte de mim. Abrir um livro, tocar e folhear, leva-me a desligar do mundo real, a viajar e a assumir segundas vidas. Um livro é um refúgio, que me devolve a esperança, ensina-me algo e enche de sonhos. Não ler é como não viver...

 

Um livro do qual nunca me vou separar...

Mil Sóis Resplandecentes de Khaled Hosseini ou, na verdade e no fundo, os três livros.

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Os livros de Khaled Hosseini transmitem mensagens poderosas de esperança, amor e amizade. Para mim, os três livros são tocantes e inesquecíveis mas, admito que este, Mil Sóis Resplandecentes, por ter sido o primeiro a dar-me a conhecer o escritor, está recheado de um significado especial. O livro é duro, um murro no estômago sobre ser mulher numa sociedade intolerante porém, é um livro recheado de esperança e fé, a força do amor e da amizade. 

 

Se pudesses entrar num livro, que livro escolherias? Serias a personagem principal?

Não consigo escolher apenas um livro... escolheria vários. Gostaria de entrar no universo mágico da saga Harry Potter ou nos mistérios que encerra o Cemitério dos Livros Esquecidos (fazem parte desta saga A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo O Prisioneiro do Céu) de Carlos Ruiz Zafón. Gostava de ser uma personagem de D. Maria II (de Isabel Stilwell)  e entrar no Portugal dos reis e rainhas ou viajar para a ex-colónia de S. Tomé e Príncipe, na companhia do governador Luís Bernardo Valença do livro Equador (de Miguel Sousa Tavares). Queria ser uma espia como Sira, a costureira d' O Tempo Entre Costuras (de María Duenãs) ou uma viajante no tempo, como no livro A Mulher do Viajante no Tempo. Viajar a Istambul (livro A Bastarda de Istambul), conhecer elefantes em África (livro Tempo de Partir de Jodi Picoult) e embarcar até EUA com a cigana d' A Melodia do Amor, de Lesley Pearse. Seria mil e uma personagens, uma Rapariga de Papel (de Guillaume Musso), em mil e um locais, viagens, sonhos. 

 

 

Livros... é impossível resistir a livros. Livros são como drogas, viciantes e impossíveis de resistir, para alma. 

A ousadia de lutar pela vida... é fácil falar quando não somos nós.

É fácil falar quando, um dia atrás do outro, um tecto nos protege das intempéries da vida. Um tecto que protege os nossos dias recheados de pequenos nadas aos quais pouco valor lhe atribuímos, um tecto onde abrigamos os pequenos nadas que recheiam as nossas vidas, um tecto repleto de coisas singulares e rotineiras. 

 

É fácil falar quando o estômago não reclama as longas horas sem o sabor dos alimentos (a não ser, claro, quando por puro capricho, impingimos dietas loucas). Alimentos que facilmente encontramos ao simples virar de esquina, numa rua mais longínqua, numa avenida movimentada. Reconfortamos o estômago rapidamente com um qualquer alimento para nós insignificante e banal (e, ao qual, muitas vezes nos damos ao luxo de desperdiçar): uma peça de fruta, uma fatia de pão, um pedaço de chocolate.

 

É fácil falar quando todos os dias caminhamos com a certeza de um mais um dia igual ao anterior. Sabemos para onde vamos, de onde vimos, o que iremos fazer. Um emprego, por mais chato que seja, é algo que preenche os dias e atribui conforto à vida mas, e quando isto falha?

 

É fácil falar quando nascemos e vivemos num cantinho de mar, terras verdes e clima ameno. Um pais onde ser-se mulher (apesar de diversos nãos) é fácil, onde ser-se criança é significado de liberdade, onde o somos livres para escrever e dizer o que quisermos sobre nós, os outros, o mundo. Um pais que não conhece a morte pela guerra, a tortura pela guerra, o medo pela guerra, a fome pela guerra... o tudo que a guerra envolve um pais. 

 

É fácil falar e alcunharmos quem ousa lutar pela vida de terrorista. Homens e mulheres a quem a religião, para lá de toda a desgraça das suas vidas, os rótulas de terroristas por ambicionarem fugir das almas fanáticos que lhes roubaram o vida, o pais, a fé. 

 

É fácil falar quando por entre goles de café (ou de outra coisa qualquer), no conforto do lar ou numa troca de opiniões, disparamos contra aqueles que ousam lutar pela vida. É simples falar quando, sem lhe atribuirmos valor, temos uma vida recheada de tudo. É fácil opinar sobre a vida alheia sem nunca pensarmos, vestimos a farda de privilegiados, sem assumir as dores alheias. 

 

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Somos, todos os dias, bombardeados com imagens negras de homens, mulheres, crianças e idosos que, na ânsia de viver, aventuram-se por terra e mar a caminho de uma nova vida. Enfrentam, com valentia, os perigos, acreditando que se trata de uma fase difícil que em breve ultrapassaram. Arriscam a vida, engolem os medos, mergulham nos sonhos de uma vida para si e para os seus um pouco melhor daquela que abandonaram. 

 

Criticamos. Julgamos. Falamos. Solucionamos. É fácil tudo isto quando não somos nós. É fácil erguer muros e barreiras, travar entradas, devolver às terras e esquecermos que as vidas por detrás das nacionalidades ou religiões. É fácil fecharmos os olhos aos problemas, esquecermos a História, desresponsabilizarmos. Quero eu, que escrevo no conforto da minha casa, do meu sofá, através de um privilegiado computador, não critico, não julgo, não soluciono... porque escrevo e falo sobre vidas. É urgente uma solução humana, para lá das estatísticas, nacionalidades, religiões... porque é de homens, crianças e mulheres que falamos. 

 

É fácil falar quando não somos nós, um amigo, um familiar, um vizinho, um conhecido a quem vemos lutar pela vida. Impõem-se a questão... se fossemos nós? E se fossemos nós?

 

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*(publicado a 27.08.2015 e novamente publicado)

O milagre dos livros.

Livros. Mil e umas histórias, mil e umas personagens, mil e umas vidas. A eles lhes devo a capacidade de sonhar, de acreditar, de viver. Mil e umas viagens, a ânsia de uma nova vida viver, a vida como páginas de um novo capítulo. 

 

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Livros. No passado, nos períodos mais tristes da minha infância e adolescência, foi nos livros que encontrei a capacidade de sonhar. Foi neles que, nesses períodos em que não encontrava um apoio capaz de me ajudar, sonhei, viajei e conheci mil personagens. No passado, quando a vida segue trilhos distintos daqueles que imaginávamos, quando a esperança deixa de correr nas veias e na alma, quando não sabemos que caminho seguir ou como lidar com algo, foi graças aos livros que me reencontrei e me permiti salvar... porque, um dia, desacreditei, deixei de amar e sonhar, permiti-me deixar de lutar. E foi, no meio das páginas dos livros, que sonhei, amei, viajei, vivi e é, confesso, a cada nova página que vou folheando que me salvo a cada novo dia. 

 

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Livros. O milagre da leitura, incompreensível aos olhos de quem não conhece o passado, de quem não conhece a história, aquela que tanto desejamos apagar, do eu presente. Para ti, que não compreendes a paixão pelos livros, explico-te: os livros devolveram-me à vida e deles necessito como se de um alimento se tratasse. Livros. A eles devo a capacidade de novamente sonhar e acreditar, a sanidade mental, a ânsia de ler mais e mais, de viver mais para ler mais. É esta a importância dos livros. Uma espécie de droga contra a depressão, o desânimo, o desacreditar e ir sem regresso. Livros. O milagre dos livros...

22 | Na minha estante... Perguntem a Sarah Gross.

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 Perguntem a Sarah Gross é um livro sensível, uma viagem pela História da Polónia e dos Judeus naquele país, um livro invulgar. 

 

1968. Kimberly Parker, uma jovem professora de Literatura, procura num dos colégios mais elitistas dos EUA, o St. Oswald's, o refúgio para o esquecimento de um segredo terrível que marcará toda a sua existência. O colégio é dirigido pela carismática e misteriosa Sarah Gross, uma mulher de personalidade forte e sentido de justiça, por quem Kimberly nutrirá grande amizade e carinho. Porém, quando a pacatez do colégio é marcado pela tragédia, abalando a vida de todos, Kimberly embarcará na aventura ao passado, ao lado mais negro da História do século XX, à vida que Sarah Gross escondeu de todos. 

 

Perguntem a Sarah Gross é um livro com tanto de sensível como de invulgar. É um livro para quem, como eu, se sente atraído por um dos períodos mais negros e que tantos milhões de inocentes vitimou, contando a história da cidade de Oshpitzin, na Polónia, onde se instalou um dos piores campos de concentração, Auschwitz-Birkenau.

 

Há muito que a Grande Sinagoga e a Igreja da Virgem Maria se olhavam com complacência por cima dos telhados de Oshpitzin. Era ali que Sarah Gross aprendera a ser feliz. Mas eles chegaram e mudaram tudo. Até o nome da cidade. Auschwitz? Que raio era Auschwitz?

 

O livro de João Pinto Coelho é cativante difícil de abandonar. A cada nova página, a cada novo capítulo, mais desejava conhecer de Perguntem a Sarah Gross. É misterioso, numa escrita envolvente, imaginamos cenários distintos de vida para Kimberly e Sarah que, no final, ficam aquém do que imaginamos. O livro inicia-se lento e recheado de detalhes, quiçá o único aspecto negativo a apontar, mas rapidamente evoluí, dando-nos a conhecer o drama doloroso que envolve as personagens. Criativo e inesquecível, quem lê Perguntem a Sarah Gross dificilmente a esquecerá, ou abandonará o livro, um murro no estômago sobre a crueldade humano e a capacidade de perdoar.

 

E, depois, havia a fome...

Como se descreve a fome em Auschwitz?

Por palavras? Haveria que as inventar, primeiro.

 

A par d' A Bibliotecária de AuschwitzPerguntem a Sarah Gross tornou-se um dos meus livros preferidos sobre a temática do Holocausto Judeu e sem receio ou margem para dúvidas, são dois dos livros que recomendo a novos e velhos, mulheres e homens, ateus e crentes, ocidentais e orientais... pela forma tocante, inesquecível e sensível como um relata um pedaço da História cruel do Mundo. Setenta anos depois não podemos, simplesmente, deixar cair no esquecimento História tão negra e perturbante.

 

(...) mesmo após o relato detalhado que acabara de ouvir, continuaria sem saber como se sofria em Auschwitz. Como era o frio, a fome ou o medo. Talvez um dia o glossário da humanidade acrescentasse essas entradas novas. Até lá, restava a colecção de gestos como aquele; de alguém que nada tem e se agarra a uma colher ferrugenta como se da própria vida se tratasse. 

 

João Pinto Coelho

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João Pinto Coelho nasceu em Londres em 1967. Licenciou-se em Arquitetura em 1992 e viveu a maior parte da sua vida em Lisboa. Passou diversas temporadas nos Estados Unidos, onde chegou a trabalhar num teatro profissional perto de Nova Iorque e dos cenários que evoca neste romance. Em 2009 e 2011 integrou duas ações do Conselho da Europa que tiveram lugar em Auschwitz (Oswiécim), na Polónia, trabalhando de perto com diversos investigadores sobre o Holocausto. No mesmo período, concebeu e implementou o projeto Auschwitz in 1st Per-son/A Letter to Meir Berkovich, que juntou jovens portugueses e polacos e que o levou uma vez mais à Polónia, às ruas de Oswiécim e aos campos de concentração e extermínio. A esse propósito tem realizado diversas intervenções públicas, uma das quais, como orador, na conferência internacional Portugal e o Holocausto, que teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, em 2012. Perguntem a Sarah Gross é o seu primeiro romance.