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Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Livros na mesa de cabeceira.

Três. O verão é, para muitos, tempo de férias, descanso e calma. Para mim, que trabalho nesta altura num café, é tempo de confusão, cansaço e cabeça feita num oito. Isto reflecte-se e provoca moças na leitura... acabam por ficar um bocadinho arrumadas. A verdade é que vou lendo mas procuro evitar todo o género de livros grandes, com conteúdo histórico ou histórias pesadas. No fundo, aproveito para ler exactamente aquilo que o verão das mil confusões me pede: leituras leves. Porém, comigo não foi isso que acontece, simplesmente porque a ansia e a curiosidade sobre um determinado livro é elevada ou a desilução com outro nos obriga a parar, e neste momento tenho três livros na minha mesa de cabeceira...

 

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Três livros na minha mesa de cabeceira é, segundo dizem na minha terra, a conta que deus fez. Ou, no fundo, sejam apenas dois livros. O primeiro livro que se encontra à semanas a requerer a minha atenção é O Retrato da Mãe de Hitler do escritor português Domingos Amaral.

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O livro foi-me emprestado pela Magda, do blogue StoneArt. Tenho como política ler o que não é meu e devolver assim que a leitura termine mas, porém, o certo é que o livro anda à dias, semanas, na mesa de cabeceira sem que lhe toque. O Retrato da Mãe de Hitler tinha tudo para ser um belo romance histórico, clarificando a posição de Portugal de Salazar face ao fim da II Grande Guerra e dos nazis alemães que usaram o país como rota de fuga. Todavia, o livro fica aquém das expectativas: diálogos pobres e improváveis entre neto e avô, abundância de relatos sobre sexo e abordagem fraca às aventuras e desventuras do nazi que guardava os tesouros de Hitler, incluindo o retrato de Klare, a mãe de Adolf. Li, de Domingos Amaral, Quando Lisboa Tremeu, romance histórico sobre o terramoto de 1755, e na época gostei da forma simples, clara e fluida como escrevia, bem como no que considerei tratar-se de um excelente trabalho de pesquisa. Porém, este segundo livro que leio dele revelou-se uma total desilusão... e, no entanto, poderia dar-se o caso de a desilusão se dar em virtude de não ter lido o primeiro volume Enquanto Salazar Dormia, mas o segundo livro claramente, pela prodigiosa capacidade de recordação do avô Jack, dispensa a leitura do primeiro. Não gosto de deixar livros inacabados mas, quando sinto necessidade de saltar frases ou páginas à frente, dificilmente conseguirei terminar o livro. Iniciei a leitura a dezasseis de julho e, todavia, até à presente data, não o voltei a folhear, lendo e vivendo outras aventuras literárias... sinceramente, nem sei se o voltarei a esta leitura nem sinto necessidade de o fazer. 

 

Na semana passada, a dia treze, comecei a ler O Tempo Entre Costuras da espanhola María Dueñas.

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É, tal como o anterior mencionado, um romance histórico passado entre terras espanholas, marroquinas e portuguesas, costurado sob o pano da Guerra Civil Espanhola e de uma Madrid que apoia a Alemanha Nazi da II Grande Guerra, dos enclaves de Tânger e Tetuán, e uma Lisboa que ainda não conheci. O Tempo Entre Costuras era daqueles livros que queria ler à muito tempo... mais ou menos desde que o meu irmão me falou na série que ele gostava de acompanhar. O livro foi adaptado a série por um canal espanhol, em 2013, e o meu irmão foi-lhe fiel seguidor. Portanto, desde essa altura que desejava ler o livro... e o entusiasmo cresceu quando li criticas positivas noutros blogues, e de entre elas a da JustSmile, sobre o livro. Não se trata, todavia e na minha  opinião, de um livro carregado de aspectos históricos. O Tempo Entre Costuras conta com o seu qb de detalhes históricos, não se tornando maçudo, numa escrita cuidada mas clara e fluida. Acabei por abandona-lo um pouco, essencialmente, porque me sinto cansada e sem me conseguir entregar devidamente à sua leitura. É uma leitura que merece tempo e dedicação e enquanto os dias cansativos se mantiverem, dificilmente serei capaz de me lhe dedicar o tempo que realmente merece. A curiosidade sobre o livro levou a melhor, à muito que o ansiava ler e o inevitável aconteceu... não consegui deixar para uma altura mais calma, sendo obrigada a uma pequena pausa. O Tempo Entre Costuras é, sem dúvidas, um romance histórico que vale a pena ser lido.

 

Por fim, recentemente, a catorze, optei por dar inicio à leitura de Arroz de Palma do brasileiro Francisco Azevedo.

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É, um livro pequeno, com cerca de trezentas páginas, capítulos pequenos e fáceis de ler, duas a três páginas, escritas numa mistura entre o português de Portugal e o português do Brasil. Arroz de Palma fala sobre família, a complexidade de um século na vida de uma família brasileira com sangue português, um prato de elaboração complexa... sim, Arroz de Palma é daqueles livros com sabores e cheiros, misturando culinária com sentimentos diversos. Não posso dizer que estou a adorar, uma vez que ainda estou muito no início, não ultrapassei as primeiras cinquenta páginas mas, posso afirmar que já me ri com as personagens e desentendimentos... 

19 | Na minha estante... A Mulher do Viajante no Tempo.

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 A Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem à descoberta do poder do amor de um amor intemporal. Henry e Clare, os protagonistas, vivem um amor instável e envolto nos caprichos de uma particularidade que faz deles um casal especial. Henry conhece Clare quando ele tem 28 anos e ela 20. Porém, Clare conhece Henry desde menina... o primeiro encontro de ambos acontece quando ela tem 6 anos e Henry é um homem adulto de 36 anos. Os encontros de Henry na infância e adolescência de Clare tornam-se frequentes, levando-a a conhecer desde menina aquele que será o homem da sua vida. Confusos? Poderia ser, contudo, à medida que viajamos na história de Henry e Clare, compreendemos a particularidade e inevitabilidade que une o casal. É que, tal como o título da obra o indica, Henry é um viajante no tempo. 

 

A obra relata, por um lado, o amor de Clare por Henry mas, igualmente, os problemas que Henry sente enquanto viajante no tempo... trata-se de uma doença que se revelou vantajosa a um dado momento da sua vida porém, revelou-se perigosa e para a qual ele gostaria de encontrar a cura.

 

Numa obra descrita de forma leva e não maçuda, Audrey Niffenegger explica-nos, numa narrativa bem conseguida - quase que acreditamos que, de facto, existiu alguém com esta doença -, o porquê de Henry viajar no tempo. A escrita é fluida e cativante. Niffenegger inicia cada nova viajem de Henry contextualizando-a, no tempo e na idade. Porém, as viagens no tempo de Henry obrigaram-me a, por vezes, confusas e obrigando-me a folhear algumas páginas atrás para reavivar as idades de Henry e Clare. 

 

- Clare? 

- Sim? - A minha voz está baixa e amedrontada.

- Sabes que te amo. Queres casar comigo?

- Quero... Henry. - Tenho uma sensação avassaladora de déjà vu. - Mas, sabes, na realidade... já casei.

 

A história de amor de Henry e Clare cativou-me, por um lado, pelo título apelativo, por outro, pela própria sinopse e pelo trailler de adaptação à grande tela do livro. Adquiri a obra aquando de uma campanha da editorial Presença e é, sem dúvida, uma história de amor fascinante. As histórias que inicialmente parecem pequenos nadas sem sentido na vida de Henry, revelam-se essenciais na evolução do livro, justificando os caminhos estranhos da obra. 

 

A Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem inesquecível e brilhante, uma narrativa mágica, um amor belo e improvável.  

 

- Não quero mais ninguém.

- Óptimo.

- Henry, dá-me apenas uma pista. Onde moras? Onde nos conhecemos? Em que dia?

- Uma pista: Chicago.

- Mais.

- Tem fé. Está tudo ali, à tua frente. 

- Somos felizes?

- Somos, com frequência, loucamente felizes. E também somos muito infelizes por razões que nenhum de nós pode evitar. Como estarmos separados.

- Isso significa que todo o tempo que estás aqui, agora, não estás comigo, então?

- Bem, não é exactamente assim. Posso acabar por perder apenas dez minutos. Ou dez dias. Não existe nenhuma regra a esse respeito. É isso que torna as coisas difíceis, para ti. E às vezes também me encontro em situações perigosas e volto para ti maltratado e confuso, e tu preocupas-te por minha causa quando parto. É como seres casada com um polícia. 

 

Diálogos de Henry e Clare.

Falta-me ver o filme. Quero muito ver o filme. Preciso muito de ver como ficou a adaptação e de reencontrar as personagens deste romance que tanto gostei. Infelizmente, ainda não consegui assistir à adaptação do romance de Henry e Clare.

 

 

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Audrey Niffenegger

Nasceu nos EUA, em 1963. É artista plástica e escritora. Professora no Columbia College Chicago Center for Book and Paper Arts, onde ensina escrita criativa e técnicas de impressão e de encardenação de luxo. A Mulher do Viajante no Tempo é o seu primeiro romance, publicado em 2003 e vencedor dos prémios British Book Award e Exclusive Books Boeke Prize. Para além desta obra publicou, em 2009, Her Fearful Symmetry / Uma Inquietante Simetria - publicado pela Editorial Presença - e, em 2013, Raven Girl ainda sem tradução e publicação em Portugal.

Viver. Sonhar. Amar.

Viver custa. Há dias em que sinto a vida escapar-se pelos meus dedos como se de areia de praia se trata-se. A vida dói. 

 

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Sinto a tua falta. A falta dos teus abraços, gestos e beijos. Sinto a falta de ti, de nós. Consome-me. Penso em ti, em mim e no que fomos, no que queríamos ser, no que poderíamos ser e a tua ausência consome-me. A culpa é nossa, é tua e minha, por não lutarmos por quem dizemos amar. Ou, será que ainda lutaremos? Não sei se habitas no meu passado ou te encontrarei no futuro. Perdi a esperança. E, enquanto a vida passa nos outros, recheando-a de momentos felizes, em mim escapa-se-me. 

 

Vivo um dia de cada vezes, sem expectativas nem sonhos que mereçam ser sonhados ou vividos. Viver dói. A vida custa. Há dias em que me sinto cansada de viver, sonhar, esperar.

 

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 Eu sinto a tua falta... a falta de nós. Demoras muito?

Crónicas de Uma Empregada de Mesa: o saloio.

De facto, no Norte ou pelo menos para mim e na zona onde moro, a expressão saloio têm um significado pejorativo. Mas, pessoas, não é preciso ficarem ofendidas quando eu digo que o cacete se chama saloio... compreendo que, lá para Sul, o nome do cacete seja distinto mas, não é caso para me quererem bater. No fundo, sou uma simples empregada de café e padaria, não tenho dotes de adivinhação para saber de que zona chegam ou o nome que atribuem a cada pão ou bolo. Cada terra chama-lhes nomes distintos. Na minha zona, é baguete saloia. 

 

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E, afinal, quem são os saloios?