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Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Restaurantes: crianças, pais e a impaciência.

Recentemente, num restaurante da zona, assisti a uma cena que, para mim, foi no mínimo caricata: um homem para lá dos seus trinta anos grita (e a bem grita) com o empregado, na casa dos vinte, porque o seu almoço ainda não tinha sido servido e a criança de sete anos estava cheia de fome. De facto, o serviço estava atrasado e, nesse aspecto, dou razão ao senhor, embora também saiba que não situação recorrente naquele restaurante, visto que conheço o emprego - obviamente que o senhor não sabe nem tinha como saber desse aspecto. Porém, para mim, perde razão quando berra em pleno restaurante com o empregado, dizendo que a criança não aguenta mais, não dando oportunidade ao jovem empregado para argumentar. 

 

Levar a família a almoçar fora significa, por vezes, ter de esperar pela refeição. Ou seja, esperar que a mesma seja confeccionada, empratada e colocada à frente do cliente. Tudo isto demora o seu tempo. Por isso, pergunto-me, qual a necessidade, em primeiro lugar, de o homem em pleno restaurante desatar aos berros com o empregado? Não seria mais educado chamá-lo à mesa e perguntar o que se passava? Ou, em alternativa, falar, por exemplo, no exterior e averiguar o porquê da demora? A maioria é leiga nesta temática mas, quem já trabalhou ou geriu um restaurante sabe que, quando a comida é preparada na hora, as coisas demoraram... especialmente se a casa enche e ninguém possui uma bola de cristal para adivinhar que, naquele preciso dia, a maioria se vai inclinar para o peixe ou para a carne. É difícil gerir a dualidade de interesses e a dificuldade em ambas as partes lidar com o problema. 

 

O serviço estava atrasado e o senhor tinha todo o direito de manifestar a sua revolta mas...

 

Pergunto-me sobre o exemplo que terá dado aquela pai ao seu filho de sete anos. A fonte do problema foi a criança mostrar impaciência perante a falta de comida. Não tenho filhos mas embora não seja exactamente o mesmo, já trabalhei em cafés durante o verão e vejo o quão impaciente as crianças podem ser... em vários casos, tive de servir primeiro a criança antes dos restantes membros, a pedido dos mesmos, porque o menino ou menina não podiam esperar que eu chegasse à mesa com o bolo ou o ovo kinder e o restante pedido. Bom, vejo demasiadas crianças com sete anos, mais nova e mais velhas, demasiado impacientes para esperar... Todos sabemos que são os pais e, quando os existem, os irmãos mais velhos quem influenciam o comportamentos dos mais novos. O que um adulto fizer, cedo ou tarde, se reflectirá na criança. Portanto, não me admiraria que, um dia mais tarde, aquela criança de sete anos tomasse exactamente o mesmo comportamento do pai num qualquer restaurante. Estamos a criar crianças demasiado impacientes para esperar. Para esperar pelo prato da comida ou pelo simples gelado num café. Exigem-no imediatamente, na hora, mal o pedem. Seria conveniente que muitos destes pais e mães explicassem aos seus filhos e filhas que as refeições demoram o seu tempo e que ir a um restaurante não exactamente a mesma coisa que a mãe ou o pai a tratarem da refeição lá em casa para três ou quatro pessoas. Por isso, pergunto-me que imagem terá este pai passado ao filho. Que criança será está no presente e futuro? Em vez de lhe explicar que a comida demora a confeccionar, leva o seu tempo e que não está num restaurante da MacDonald's, em que cinco minutos depois - ou nem isso - está sentado a comer a bela da hambúrguer, não, optou por desatar aos berros com o empregado, à frente do miúdo. 

 

Bem sei que não é fácil manter uma criança de sete anos, a comer pão com manteiga e beber água com groselha, quieta no seu lugar, sem mais nada com que se entreter - curiosamente, a maioria dos pais já vi que opta por pegar num tablet ou no telemóvel xpto e espetar à frente da criança mas, esse é outro tema. Não o é e eu, que um dia espero vir a ter as minhas próprias crianças, talvez chegue a passar pelo mesmo. Mas, quando esse dia chegar, espero ser mãe consciente e não fazer escândalos como os que presenciei e ter sido capaz de ensinar aos meus filhos e/ou filhas a virtude da espera e paciência e a diferença entre um restaurante tradicional e um restaurante de comida rápida. 

 

Finalizo com um dos melhores vídeos sobre o tema,

 

A doce verdade de uma criança.

Um pestinha ou, na verdade, uma criança dos seus sete anos, entre no local de trabalho do meu pai com uma nota de vinte euros na mão e, dirigindo-se a mim, porque não viu mais ninguém, diz-me:

 

- Olá! Queria que me trocasse a nota.

- Olá pestinha! E queres moedas e notas ou só notas? - pestinha porque o conheço e, porque, antes da entrada na escola primária era, de facto, uma verdadeira peste irrequieta.

- Quero duas notas de cinco euros.

- Só queres duas notas de cinco euros, é?

- Sim, só quero duas notas de cinco euros.

- Então, sendo assim, posso ficar com a outra nota... a de dez! É para mim? - encolhendo-me os ombros e responde,

- Podes! Eu só quero duas notas de cinco euros.

- E o que é que tu dizes ao teu pai quando ele te perguntar pelo resto?

- Olha, que ele só me pediu duas notas de cinco... é verdade! - escondendo a vontade de me desmanchar a rir, remato a conversa,

- Oh pestinha... aqui tens as tuas notas, duas de cinco euros e uma de dez.

 

Agradece-me e segue destino. A doce verdade de uma criança.

Postcrossing: dos postais e das estatísticas.

Postcrossing... em cinco meses de viagens, reuni vinte e dois postais de diferentes partes do Mundo e tantos outros foram enviados. Portanto, tal viagem traduz-se em muitos quilómetros,

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A cada nova visita à caixa de correio é uma aventura recheada de expectativas quando descubro um, dois, três ou mais postais e, de desilusão, quando se passam dias sem receber nada. Roubei as chaves à minha mãe e ganhei o hábito de todos os dias, religiosamente, ir à caixa do correio... e, embora saiba que é impossível receber um postal ao fim-de-semana, dou por mim a cair no erro. 

 

Os meus pais perguntam-me qual a piada de enviar e receber postais, de gastar dinheiro em pedaços de papel e, embora lhes tente explicar, não conseguem entender a alegria de ver algo estranho, diferente e inesperado no meio da pilha de contas para pagar e publicidade. Não compreendem nem entendem que é sempre possível aprender algo novo num simples pedaço de cartão, mesmo quando esse postal contêm breves palavras, descobrir uma nova cidade, um bocadinho do Mundo. 

 

E, desde a última publicação, a vinte e quatro de março, eis os mais recentes membros da colecção,

 

Alemanha

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Bielorrússia

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 Polónia

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 Da Vinci Cat enviado por um menino de onze anos.

 

Holanda

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 um cartão trabalhado pela Lilian e que me levou a conhecer Anton Franciscus Pieck.

 

Rússia

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e, porque merece ser partilhado,

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 um bilhete de autocarro!

 

Canadá

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de uma apaixonada pelos livros e pela cidade do Porto.

 

E, para finalizar, porque não partilhar as minhas estatísticas? A plataforma vai contabilizando o total de postais desde a minha data de inscrição, a onze de novembro de dois mil e catorze, até ao presente mês. A linha vermelha representa os postais enviados e a azul, os postais recebidos; já o gráfico circular mostra qual a origem dos postais que recebi, destacando-se a Alemanha, seguido dos EUA e da Rússia.

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Por fim, a tabela geral onde constam todos países com quem troquei postais, tanto enviados como recebidos, e o  tempo dos mesmos. 

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Evidentemente que, para a contagem dos dados anteriores, não entraram este,

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dizem que Rússia e China são países cujos postais demoram mais tempo a chegar... curiosamente, o mesmo não se verifica no envio. Mas, tenho esperança que o postal chegue à menina chinesa de dezasseis anos... nem que passem mais de cem dias, como vim a descobrir por alguns elementos registados na plataforma e num grupo de facebook. Tal, segundo eles, devesse ao sistema de distribuição dos países, com zonas remontas e não à localização em si. 

 

Talvez algum dia me canse de fazer postcrossing mas, enquanto esse dia não chega, vou-me divertindo... enviar e receber, aprender e dar a conhecer. 

Do IEFP,

sobre caricata e absurda situação de renovar um cartão de cidadão... ou, a data do mesmo.

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Recentemente recebi uma convocatória por parte do centro de emprego onde constava a necessidade de actualizar os dados da minha ficha para, segundo eles, conseguirem satisfazer o meu pedido (ahahahahahahahaha, tão cómicos... em cinco anos, fui chamada uma vez para me falarem de um possível estágio na minha área - outra anedota para, um dia, contar - e zero vezes para formações, apesar de já ter várias vezes, manifestado o interesse). E, assim, numa manhã de Março, apanhei o autocarro com destino ao centro de emprego mais próximo. Pelo caminho e, embora, saiba que eles nunca o querem porque, é tudo informatizado - segundo eles -, parei numa papelaria para imprimir o currículo actualizado e o entregar - não fosse, alguma alma se lembrar. No centro de emprego entreguei a carta-convocatória ao recepcionista que, meia hora depois (era uma quinta-feira e, por norma, o centro de emprego onde estou inscrita é mais rápido do que às segundas-feiras, onde toda a gente, quer da cidade quer das aldeias e vilas, vai a correr), me mandou subir ao segundo piso, acompanhada de um outro senhor de muitos anos. Chegamos a uma pequena sala, onde fomos recebidos por uma senhora simpática mas quase sem vida (tão sem sal, tão cansada apesar de ainda nem ser meio-dia) e onde mal nos conseguíamos movimentar, pedindo-nos para nos sentarmos - o senhor ao meu lado, mais duas nas nossas costas. Vira-se para mim e diz-me,

 

   - Preciso do seu cartão de cidadão. 

 

Entrego-lhe e começa a debitar os meus dados pessoais: morada, telemóvel, email, nacionalidade e afins. Devolve-me o cartão de cidadão e diz,

 

   - Acabei. Chamei-a aqui porque o seu cartão de cidadão tinha caducado no ano anterior e precisávamos de saber a data do actual.

 

Como? Só podem estar a gozar! Viro-me para a senhora e digo-lhe,

 

   - E, já que estou aqui, não quer actualizar o resto da ficha ou vai-me chamar daqui a um mês para o fazer? 

 

Diz-me que sim e começo a disparar os pequenos trabalhos que fiz. Não mostra interesse em saber mais sobre eles, em desenvolver. Fica a saber o básico. Antes de abandonar a sala e o centro de emprego, pergunto-lhe o que devo fazer para me candidatar a estágios no âmbito do PEPAL e, no caso de conseguir algum, o que fazer a seguir.

 

   - Se a menina conseguir um estágio PEPAL basta enviar um email a dizer que está a fazer estágio.

 

Ahahahah! Desculpem? Eu ouvi bem? Para dizer que estou a fazer estágio, já posso enviar email mas, por uma data, tenho me deslocar ao centro de emprego quando, bastava um email ou uma mensagem a pedir uma fotocópia do cartão. Na era da informática, gastei cinco euros no autocarro - dinheiro dos meus pais porque, sendo recém-licenciada, não recebo qualquer apoio - e perdi uma manhã quando num minuto, poderia ter enviado uma fotocópia para email da senhora. E, para não comentar o facto de os meus dados ficarem expostos para quem quisesse ouvir... 

 

Malta do IEFP: há computadores e, nós, jovens, sabemos usar! Upa! Upa! Acordem! Modernizem-se!