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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

"Perigosamente Humano"

Março 09, 2015

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

 

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

 

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

 

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.

 

É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

 

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

 

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

 

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

 

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.

 

Alem disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

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Guiomar de Grammont
in A Formação do Leitor: pontos de vista

(retirado de Lyani em Entre Aspas)

10 | Coisas de blogger... Tag 7 Coisa.

Março 09, 2015

A simpática Miss Ana, do blog De Repente Já Nos 40!!!, propôs-me a aventura de responder ao desafio Tag 7 Coisas. Portanto, sem mais demoras, sem qualquer ordem nas respostas, eis as minhas 7 Coisas,

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 7 Coisas a Fazer Antes de Morrer

- Regressar ao país que me viu nascer.

- Adoptar ou tornar-me família de acolhimento (e, aproveito para divulgar a associação Mundos de Vida... espreitem, por favor!).

- Voltar a estudar e tirar o curso de História, pela paixão que o passado me desperta e não para fazer carreira.

- Conhecer o tal e, com ele construir uma família.

- Ter uma casa (nem que seja de férias) na cidade pela qual sou apaixonada. 

- Alcançar o sucesso profissional na área para a qual estudei ou, numa paixão desconhecida.

- Descobrir o sentido da minha vida.

 

7 Coisas Que Mais Digo

- Mas tu julgas que sou tua criada ou quê? (para um dos meus irmãos, geralmente para a irmã mais nova que adoraaa deixar a roupa espalhada)

- Epah, mas que chata(o)!

- Estou a ler... não me chateeis!

- És uma peste chata! (e mais alguns nomes pomposos para os meus irmãos.)

- Oh F. não durmas, não... amanhã adormeces e perdes o autocarro, levas um sermão e eu ainda me ri-o! (quando a minha irmã decide andar às mensagens até tarde.)

- Eu cá não sei de nada...!

- Mas tu julgas que tenho cara de banco?! (mais uma vez, para a irmã.)

 

7 Coisas Que Faço Bem

- Dar o melhor de mim aos demais, sem exigir nada em troca, dedicando-me por inteiro.

- Paciência e calma na hora de explicar ou ajudar: durante meses e todos os dias, ensinava a minha mãe a trabalhar com o computador ou, na época de exames, procurava apoiar a minha irmã no estudo da História. Em ambos os casos, requer muita paciência e calma (para a minha irmã tudo é motivo para fugir aos estudos), embora não o seja no que toca aos meus desejos e a mim mesma.

- Arrumação e organização são palavras fundamentais e que consigo gerir bem.

- Sou visita regular no mundo dos sonhos.

- Escrever. Embora não seja grande "escritora", é nas palavras que encontro fluidez e facilidade para me expressar e, por isso, muitas vezes é difícil conseguir parar... quando começo, tenho de me obrigar a parar.

- Comer bolachas é outro dos meus vícios... metam-me um pacote de bolachas recheadas e é ver como desaparecem num abrir e fechar de olhos.

- Refilar. Confesso: sou e sempre fui bastante refilona. Tenho sempre uma resposta pronta para quando algo não me agrada e, quando as coisas fogem ao meu controlo, é ver-me refilar.

 

7 Coisas Que Não Faço Bem

- Poupar dinheiro. 

- É-me difícil falar sobre sentimentos - excepto quando escritos e, preferencialmente, sem estar presente.

- Dietas. Dura uma semana e, puf, adeus. Não consigo passar fome. 

- Maquilhar-me ou pintar/arranjar as unhas... sou caso perdido.

- Sou um caso perdido no que toca a argumentar. Num discussão, embora os sentimentos e pensamentos estejam todos presentes, custa-me expor e argumentar o que me vai na alma. 

- Fazer novas amizades.

- Mentir... sou, (quase) sempre, apanhada.

 

7 Coisas Que Me Encantam

- Ler, ler e ler.

- Cenários românticos.

- Ouvir música latina é algo adoro e me relaxa..

- Um final de tarde, em tons fortes e vivos, o luar... existe cenário mais romântico para sonhar?

- Sorrir. É fácil sorrir e rir-me com pequenos nadas embora, admita que, num primeiro conhecimento, a ideia sobre mim não seja essa.

- Postcrossing: postais e selos, contemplar as letras de quem me escreve e vezes sem conta os postais que recebo.

- Fazer sexo.

 

7 Coisas Que Eu Amo

- O cheiro de um novo livro.

- Chocolates!!!

- A irmã, o irmão e os pais (embora, os dois primeiros sejam chatos!)

- Natureza: o verde das árvores, o cheiro da terra molhada, as folhas secas...

- Vestidos, peça abundante no meu armário, simples, elegante e que cai fica sempre bem.

- Aquela cidade que tanto amo...

- O som do mar.

 

7 Coisas Que Eu Não Gosto

- Não sei nem gosto de cozinhar. Por mais que tente e, acreditem, tentei, cozinhar é algo que não me assiste (talvez a coisa mude num futuro). 

- Não suporto mentiras, falsidades e hipocrisia.

- Dias de calor excessivo: prefiro dias de muito frio.

- Discriminação, racismo e preconceito.

- Desarrumação e desordem.

- Pessoas que "não trabalham" mas querem tudo bem feito e para ontem.

- Dor e sofrimento

 

7 Blogs Que Eu Indico *

Desabafos da Nathy

Magda Pais

Sofia Margarida

Just Mon

Just Smile

- Babidibupi

Diário de Uma Alma

 

* (infelizmente, não dá para indicar todos os que gostaria, portanto, aqui fica o meu pedido de desculpas)

companhia literária...

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