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Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Filmes do mês de Janeiro.

Nunca fui de ver muitos filmes. Porque não gosto de filmes de terror, nem violentos, nem extremamente fantasiados. Sou, aliás, como em vários aspectos de mim e dos meus dias, muito esquisita. E, verdade seja dita, não sei apreciar filmes. Sou, como dizia o meu ex-namorado quando se referia ao meu gosto musical, um tanto ou quanto comercial... quanto maior a publicidade em redor de um filme, tanto melhor e é certo que, cedo ou tarde, o irei ver. Por outro lado, não sei ver quando os filmes são de péssima produção. Quase nunca lhes noto grandes falhas. Um filme, para mim, é sempre bom desde que a história seja boa. O resto, aquelas coisas que todos notam mas que eu nunca vejo, não me interessam. Por exemplo, já li que o filme A Teoria de Tudo possui uma série de falhas mas, para mim e na minha opinião, o filme é lindo e não lhe encontro falhas nenhumas.

 

Contrariamente aos livros, os filmes nunca foram presença constante nos meus dias... e, de facto, desde que terminaram as minhas longas viagens de autocarro entre a vila onde moro e a cidade onde estudei, à um ano e alguns meses, que poucos ou nenhuns filmes vi. E, se a tudo isto acrescentarmos os factores preço e distância, por mais que me interesse um filme, não me posso dar ao luxo de o assistir numa sala de cinema... e, portanto, ou são colocados em sites online, como o warestuga, ou não os vejo - isto, é claro, se o meu interesse pelo filme não desaparecer e me lembrar do dito. 

 

Por isso, propôs-me a ver, no mínimo, cinco filmes por mês. A ideia surgiu-me depois de ver Se Eu Ficar, na noite de passagem de ano e, findado o mês de Janeiro, contei com seis filmes...  

 

Se Eu Ficar

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(avaliação: muito bom)

 

Gone Girl

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(avaliação: bom)

 

A Teoria de Tudo

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(avaliação: excelente)

 

The Grand Budapest Hotel

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(avaliação: razoável)

 

Invencível

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(avaliação: excelente)

 

 Sex Tape

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(avaliação: bom) 

 

Se Eu Ficar, A Teoria de Tudo e Invencível foram, de facto, os mais marcantes. Histórias distintas mas marcantes, cada um de um jeito diferente.

 

A história de Stephen William Hawking, em A Teoria de Tudo, sensibilizou-me e será jamais esquecida. A doença, esclerose lateral amiotrófica, é-me familiar. Conheci e convivi com uma Mulher, com um enorme M, que sofria com a doença. Apesar de tudo e tal como é retratado no filme, encarava a vida de uma forma surpreendente, mesmo nos piores momentos da doença. Nunca, perante os filhos ou os demais, demonstrou fraqueza ou tristeza... sei que escondia o que sentia pelos filhos, porque sabia que sofriam por ela e pela cada vez mais limitada condição. Junto dela, os problemas nada significavam, fazia-nos sentir pequeninos perante a imensidão da alegria e boa-disposição com que nos recebia, disposta a ouvir o que nos entristecia. 

 

Enquanto há vida, há esperança.

A Teoria de Tudo

*Leituras do mês de Janeiro.

O mês de Janeiro terminou e, com ele, cinco livros. Na verdade, entre o final de Janeiro e o presente dia nove, já li mais dois, mas estes não contam para a estatística de Janeiro - um comecei-o a ler no final do mês, terminando-o a dois de Fevereiro, portanto, ficou de fora. Cinco, julgo que é um bom número, sem pressas nem exageros. E, assim sendo, aqui ficam os meus livros de Janeiro,

 

Quando Estiveres Triste, Sonha

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Elisabeth Berg

 

Um livro sobre mulheres unidas pelo sangue, amor e guerra. O romance gira em torno de três irmãs de uma família norte-americana, diferentes entre si, nas personalidades, nos sonhos e nas esperanças e nas cartas que trocam com aqueles que partiram para combater na II Guerra Mundial. Sentadas à mesa da cozinha, Louise escreve ao noivo, Kitty ao homem por quem anseia receber um pedido de casamento e Tish aos homens que conhece nos bailes. Não é mais um livro sobre relatos da guerra é, acima de tudo, uma história sobre os que ficam.

 

O livro é de leitura leve e simples embora, lá para meio do livro, se torne repetitivo. Centrando-se nas cartas, cada carta torna-se mais do mesmo, sem acrescentar movimento ou novidade. Poderia acrescentar o excesso de patriotismo - algo que me desagrada -, mas tendo em conta o país, EUA, e a época, não o posso definir como algo negativo. Acaba por mostrar a máquina de propaganda empreendida pelo governo da altura para convencer milhares de jovens a entrar nas fileiras do exercito e manter o espírito de esperança nos que ficam. O final e a reviravolta que a vida das irmãs sofre acaba por ser inesperado e surpreendente. 

 

Um Mundo Sem Fim II

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 Ken Follet

 

Li, o primeiro volume, em meados de Novembro e aguardava ansiosamento pelo segundo volume. Incentivada pela Magda, que maravilhosamente falava deste autor e movida pela minha própria curiosidade, descobri em Um Mundo Sem Fim, uma leitura intensa e envolvente. Recheado de surpresas e reviravoltas, no segundo volume, encontrei os protagonistas, Caris e Merthin, por quem facilmente nos identifamos e nutrimos carinho e uma Inglaterra do século XIV abraços com a Peste Negra. Ken Follet trabalhou profundamente na história, não descurando nada e abordando temas como a Igreja e as relações entre os seus elementos, a sexualidade, o casamento, apimentado por intrigas, ódios e mortes. 

 

No Seu Mundo

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 Jodi Picoult

 

Um jovem com síndrome de Asperg. Um crime. Uma mãe desesperada. Um irmão esquecido.  Um dos livros que mais gostei do mês de Janeiro e que dele falei aqui... por me levar a conhecer mais a doença e porque Jodi Picoult é absorvente e cativante. 

 

A Menina Que Fazia Nevar

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 Grace McCleen

 

Fanatismo religioso, bullying, solidão, imaginação, amor, e esperança são alguns dos ingredientes que tornam este livro um dos mais especiais e inesquecíveis que li. Uma leitura intensa, uma viagem na montanha russa dos sentimentos, onde choramos e sorrimos com a doce inocência de uma criança. Uma leitura que recomendo àqueles que acreditam e aos que não acreditam; aos judeus, cristãos, muçulmanos, ateus ou agnósticos.

 

Mais sobre a minha opinião, aqui.

 

O Menino de Cabul

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Khaled Hosseini

 

O escritor afegão possui o dom da escrita e de nos levar numa viagem pelos sentimentos. Uma leitura marcante sobre a amizade, a lealdade e o perdão. O Menino de Cabul é, tal como o anterior, um dos livros mais interessantes que do mês de Janeiro e, provavelmente, do ano.

 

O autor escreve um livro sensível, tendo partilhado a minha opinião sobre o livro aqui

 

* (com alguns dias de atraso, é verdade, mas é algo que pretendo fazer todos os meses... mesmo com atraso.)

** (acho que vou tentar fazer o mesmo com os filmes, se me recordar dos que vi...)

Mudei (devaneios de uma mudança).

Gosto de mudar. Não gosto de certas rotinas. Gosto de mudar um pouco, mesmo que não seja significativo. Na verdade, eu até gosto da rotina desde que saboreada com cores. Contraditório? Talvez. Não gosto de surpresas. Gosto de ter tudo sobre controlo. Gosto de mudar, de variar e de colorir os dias. Ninguém disse que era fácil de entender. 

 

E, por gostar de mudar mas não gostar de certas rotinas, mudei. Mudei o estaminé. Mas não muito, porque não gosto de radicalismos. O fundo mantêm-se branco porque gosto do branco. Um blog de fundo branco é, para mim, mais fácil de ler. Nunca gostei de fundos escuros. Mantive o cinzento para condizer com o tempo lá fora. Não chove mas faz frio. Um dia radioso de Inverno, tal como a vida, feita de tempos cinzentos e chuvosos, de dias coloridos e solarengos. O que mudei, então?

 

Mudei o desenho da menina. Continua a fazer jus ao tempo frio, mas usa cores garridas. O Inverno não necessita de ser sempre triste. E gosto de gorros. Gosto dos desenhos que vou encontrando pela internet. Quem me dera desenhar assim, mas não desenho e, como tal, procuro sempre um desenho com o qual me identifique. Gosto de gorros, de malas, do azul e do vermelho. Alterei o formato do estaminé. Quer-me parecer que ficou mais simples do que o anterior. Gosto da simplicidade das coisas, dos dias e da rotina.

 

Gosto da rotina. Sou capaz de manter o sítio, assim, nesta apresentação, durante meses. Depois canso-me. Deixo de gostar. E não gosto da rotina. Mudo. Pinto-o com novas cores. E, uns meses depois, novamente a rotina... em um ano e uns meses de existência, mudei-o umas quatro vezes. 

 

Sou assim. Meia confusa. Nem eu me entendo na confusão. Ninguém disse que eu era fácil de entender, pois não?

 

Era só para dizer que mudei o blog, caso não seja vísivel.

 

* (e, se alguém não compreendeu este post, não faz mal... acho que nem eu me compreendi.)

Postcrossing: as histórias escondidas nas imagens.

Três novos postcrossing, três histórias escondidas nas imagens.

 

Nos últimos dias, chegaram à minha caixa de correio, três novos postais. No total, desde que me iniciei na aventura de enviar e receber postais de qualquer parte do Mundo, conto com sete postais recebidos - da minha parte, são onze os enviados: dois ainda não chegaram ao destino (preocupa-me um que enviei para a Rússia no início do ano e, até agora, nada... ou se esqueceram de registar o postal no site ou nunca chegou; o segundo, para a Holanda, conta com quinze dias de envio), cinco já receberam e os restantes, foram enviados ao longo das últimas semanas.

 

Cada postal que recebo é diferente e especial, tal como diferentes são as suas origens e as mensagens por detrás das imagens. Umas mensagens são simples mas simpáticas, outros partilham gostos e bocadinhos de quem escreve, outros explicam as escolhas dos postais e as histórias que escondem. É o caso de dois dos três postais que recebi esta semana. E, como tal, não me limitei a partilhar os postais, mas a explorar as  palavras de quem me escreveu... ou seja, pegando no que me escreveram, fui investigar e partilhar o que descobri.

 

Igor,

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Estados Unidos da América.

O ouro, segundo o Igor, foi descoberto na Califórnia no decorrer do ano de 1848 e depois da guerra entre os EUA e o vizinho México. No postal, Igor, também menciona um nome totalmente desconhecido para mim e, quiçá para muitos de nós: o de João Rodrigues Cabrilho. Mas, o melhor é irmos por partes. Comecemos pela guerra e pelo ouro...

 

Entre 1846 e 1848, os EUA e o México combateram entre si, desde a Califórnia até à Cidade do México -  na zona oeste da América do Norte -, provocando alterações drásticas no futuro dos países envolvidos. Nos anos de 1835 a 1845, os EUA procuraram comprar, por uma quantia avultada, os território mexicanos da Califórnia e do Novo México. Os mexicanos recusaram e as relações políticas entre os países entraram numa espécie de permanente conflito e ameaças mutuas. No final de 1845, os EUA anexa ao seu território, a zona do Texas, até então considerado estado mexicano rebelde, despoletando o inicio do conflito armado entre os vizinhos. A guerra mexicano-americana saldou-se na derrota amarga para o México que, na época, vivia abraços com problemas de conflito interno e não união entre os mexicanos, perdendo 40% do seu território, destacando-se a Califórnia e o Texas. A fronteira entre os dois países ficou definida alguns meses mais tarde e as relações políticas entre ambos comprometida durante décadas.

 

Numa manhã de Janeiro de 1848, uma semana antes do final da guerra entre os EUA e o México, o carpinteiro James Wilson Marshall, que trabalhava na construção de uma serraria num rancho no centro da Califórnia, descobriu no leito de um riacho, algo que lhe chamou a atenção quando reluzido à luz do sol: ouro. A descoberta do ouro na Califórnia atraiu, no período de 1848 a 1855 - ano em que o metal começou a escassear -, dezenas de milhares de pessoas provenientes dos mais diversos estados da América, América Latina, Europa, Austrália e Ásia. Todavia, apesar da riqueza do material, a maioria dos aventureiros não ficou rico: muitos, inclusive, passaram a viver na Califórnia por não terem dinheiro para regressarem a casa. A riqueza chegou a muito poucos, essencialmente àqueles que exploravam os trabalhadores, como os comerciantes. A Corrida do Ouro - como ficou conhecida - desenvolveu San Francisco e Califórnia, transformam-as em cidades prosperas, com igrejas, escolas e estradas. Mas, não só. O desenvolvimento das cidades desenvolveu sistemas de leis, da agricultura e de governos locais, bem como de novos métodos de transporte, tal como o navio a vapor e os caminhos de ferro. O impacto negativo do ouro levou ao ataque e consequente expulsão de nativos americanos, assim como impactos no ambiente. Um aspecto curioso: o responsável pela descoberta do ouro californiano, o carpinteiro Marshall morreu, em 1885, na miséria.

 

João Rodrigues Cabrilho, o navegador português esquecido, nasceu em Montalegre, a 13 de Março de 1499. Conhecido, também, por Juan Rodríguez Cabrilho, o navegador português realizou importantes explorações marítimas ao serviço da Coroa Real Espanhola. Em 1521, Cabrilho participou na conquista da Capital Azteca de Tenochtitlan, ao lado do espanhol Hernán Cortés. Entre 1523 e 1535, juntamente Pedro de Alvarado e outros europeus, conquistou os territórios que hoje compreendem às Honduras, Guatemala e San Salvador. A 28 de Setembro de 1542, ao serviço da coroa espanhola, João Rodrigues Cabrilho desembarcar no território onde hoje está localizado o estado da Califórnia. Aliás, Cabrilho é o primeiro português e europeu a navegar e explorar a costa californiana. João Rodrigues Cabrilho ou Juan Rodríguez Cabrilho morreu a 3 de Janeiro de 1543, no actual estado da Califórnia, desconhecendo-se o local onde foi sepultado. Na freguesia de Cabril - e, daqui a origem Cabrilho -, de onde era natural, existe a Casa do Galego, onde se diz ter nascido o navegador. 

 

 Marion,

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 Alemanha.

Na região do Ruhr - a maior região industrial da Europa -, diz Marion, existiam inúmeras minas de carvão. Presentemente desactivadas, o Complexo Industrial da Mina de Carvão de Zeche Zollverein é património da Humanidade Unesco, desde 2001. A primeira mina de carvão nasceu em 1847 e, consequente expansão, tornaram o complexo um dos maiores do género. O Poço 12, que ilustra o postal, foi aberto em 1982, sendo considerada uma obra mestre pela arquitectura e técnica, assim como uma das mais bonitas minas de carvão do Mundo.

 

Valérie,

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França

A Valérie foi a primeira menina a escrever-me em português e comigo partilhou o desejo de regressar a Portugal, onde um dia passou férias. Diz a Valérie, no seu português atrapalhado, que em França céu é cinza e está frio!

 

Não existe uma história para explicar sobre este último postal mas, considerei que a Valérie não merecia aparecer em branco, mas partilhar um bocadinho dela. 

 

O postcrossing é mais do que a alegria em encontrar um postal no meio das contas para pagar. É sonhar, partilhar, aprender e viajar.