Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Um Mar de Pensamentos

... nasce do desejo inconstante de partilhar um pouco de mim e do que sou numa espécie de diário. Resumo-me em: Maria, 32 anos, signo gémeos, amante de livros, sonhadora, romântica, dramática q.b., viciada em chocolates.

Volta e meia alguém me diz...

Tens umas pernas jeitosas, embora gordinhas, mas são umas pernas boas!

 

Detesto quando alguém me diz isto. Eu já o sei, não necessito de uma alminha a relembrar-me do mesmo. Basta começarem a falar nas minhas pernas para eu desejar um cantinho onde me esconder.

Porém, à uns dias na estação do comboio, um casal de idosos meteu conversa comigo usando as minhas pernas como um dos argumentos. Sim, um dos motivos foi as minhas pernas e algo do género:

 

Oh menina, desculpe mas a não entrou em X? É que eu lembro-me de si porque até comentei com o meu marido que tinha umas belas pernas embora gordinhas.

 

Simpáticos... amorosos... e eu desejando atirar-me à linha do comboio! Respondi educadamente que não, que tinha entrado um pouco antes mas que era engraçado o comentário porque passava a vida a ouvir isso. O senhor, embora não parasse quieto andando de um lado para o outro, prestava atenção à conversa ao qual me diz:

 

Mas uma menina tão bonita, simpática e jeitosa certamente que têm namorado! Onde é que ele está agora?

 

Confesso, adorei-os! Disse-lhe a verdade, que não tinha namorado, ao qual a idosa esposa me responde algo como:

 

Os jovens de hoje em dia andam todos muito cegos! No meu tempo a menina já estava casada e muito bem casada... Deixe lá menina, um dia há-de o encontrar!

 

 

Geralmente, comentários sobre as minhas pernas deixam-me muito mal disposta mas, naquela tarde, aquele casal amoroso de velhotes deixou-me incrivelmente alegre e confiante. Acredito na verdade de quem já viveu anos, na maturidade e serenidade que a vida lhes ensina. Acredito nas palavras humildes e sincera daquela divertido e descontraído casal.

Um dia, quando for grande, quero ser assim... quero que sejamos assim... porque acredito nas palavras daquela idosa senhora.

Gosto imenso destes miúdos!

Aliás, eu não só gosto, como os adoro! Poucas foram as covers destes irmãos que eu não gostei.

 

 

Obrigado Boyce Avenue por mais uma excelente interpretação. Fico indecisa entre a música original e a cover... alguém consegue não gostar desta cover de Happy de Pharrel Williams?

 

No início nem reparei...

... concentrava-me na leitura e pouca importância dava ao ambiente em meu redor... porém, senti o olhar de alguém demasiado próximo de mim. Distingui o teu olhar, o constrangimento de quem fora apanhado. Não dei importância. Quis acreditar que era a curiosidade: uma rapariga solitária que se sentava todos os dias naquelas escadas a ler... o que andaria por ali a fazer?

Quando cruzamos olhares, quis conhecer-te. Queria saber quem era o anónimo que me observava e que, com o tempo, começou a procura formas de me ver chegar ao meu cantinho de sempre. É estranho como um olhar desencadeou uma onda de curiosidade sobre ti. Comecei estar mais atenta às vossas conversas e a sentir calor nesse olhar que me contemplava... e dos sorrisos que o tempo fez nascer. O tempo é um lugar estranho. Marcar as 12h50 e ansiar que aqueles minutos passassem rápidos e, no entanto, demorem eternidades. Sim, dia após dia ansiava a hora de almoço e ver-te novamente.

Um dia, nem sei muito bem como, falamos de longe. E, durante uma semana, falamos de longe. Quero acreditar que foram os outros, as tuas companhias, que nos impediram de aproximar mais, de falarmos mais de perto... quiçá, por medo ou algo mais. E, no entanto, o tempo não parava... desejava que as horas passassem, mas não desejava que aquele período terminasse. Ainda era cedo... precisava de, pelo menos, saber qual o teu nome. Decidi que tinha de conhecer o teu nome. Tinha de saber isso... e já faltava tão pouco tempo para o meu tempo terminar.

A vida é um mistério. Colocou-te no meu caminho, encheu-me de esperança e, do nada, fez-te desaparecer. Apenas me deu a oportunidade de dizer um "até amanhã" de um dia para a noite. A vida é um mistério que encheu a minha alma de certezas que algo mais poderia ter acontecido entre nós... e nem o teu nome me deixou conhecer.

Como eu desejava voltar a ter o teu olhar sobre mim. Sentir que me observavas. Falarmo-nos de longe. Ver-te sorrir. Saber o teu nome.

Queria ter seguido mais o coração do que a minha consciência. Queria ter arriscado mais e menos medo do que iriam pensar os outros. A incerteza da rejeição falou mais alto, o receio de que eras demasiado para mim. A minha estúpida e fraca auto-estima... e, a minha maldita consciência, que analisa sempre tudo.

A vida é um mistério e eu desejava voltar a ver-te... só mais uma vez.

 

 

Quero acreditar que as coisas não aconteceram porque não tinham de acontecer...

Estou no caminho certo!

Gosto de certos estudos... daqueles que depois de leitura ficamos com um sorriso de orelha a orelha. Gosto de estudos que, embora parvos e sem qualquer sentido, em que nos questionamos se não existe nada de mais interessante para investigar e gastar o dinheiro, demonstram que sempre tivemos razões. Gosto especialmente daqueles estudos que me dizem algo, sobre algo que adoro ou devoro, mas que existe sempre alguém me azucrina pelo excesso.

Gosto deste estudo e sei que estou no caminho certo: pessoas inteligentes comem muito chocolate.