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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

O tempo dos 28.


M*

08.07.16

Começo a dar-me conta, por intermédio de conversas à hora do almoço com algumas colegas de trabalho, de que estou a ficar velha quando me dizem que aos 26 anos já planeiam o casamento ou, com a mesma idade, mantêm um relacionamento de dez anos. Eu, aos 28, tenho dificuldade em fazer nascer laços de amizade... quanto mais conquistar alguém. É um triste sentir-se sozinha. Dizem-me, com frequência, que é tudo uma questão de tempo, para toda e qualquer conquista - e eu bem o sei -. O problema não reside no tempo, reside em saber quanto tempo demora o tempo... uma semana, um mês, um ano? 

 

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Conto tão pouco do alto dos meus 28... e ainda não aprendi a lidar com a impaciência e ansiedade. 

É estranho, Vida.


M*

12.01.16

A vida é um caminho estranho. Dou comigo, sem o desejar, a imaginar como seria a minha vida presente se nas pequenas escolhas do dia-a-dia de um passado tivesse optado por outro caminho. Os tais E Se... da vida.

 

Lembro-me, em menina, de desejar nunca crescer. O mundo dos adultos era assustador, chato, aborrecido. Queria permanecer menina. Não me imaginava mulher carregada de responsabilidades. Não tinha presa em crescer. Não queria, nunca quis, ter dezoito anos para tirar a carta de condução e fazer as coisas de adolescentes. 

 

Pergunto-me... e se tivesse desejado crescer como ansiavam os meus amigos de infância? 

 

A vida é um caminho estranho. Imagino-me com dezoito anos. Não passava de uma menina grande, a fingir ser adulta, receando os novos caminhos da vida. Considerava-me decidida. Hoje sei-o... nunca consegui assumir verdadeiramente o controlo da minha vida. Na verdade, desconfio que não conseguimos controlar os estranhos caminhos que seguimos... por mil voltas que tomemos.

 

E se, naquele dia de menina-mulher, me tivesse negado a tirar a carta de condução? E se, naquela candidatura à Universidade tivesse optado por seguir o sonho que, tal como hoje, terminaria no desemprego? E se, em vez de um mestrado, tivesse optado por me aventurar no universo do trabalho? E se, em vez de ti, tivesse optado por me manter na solidão? E se... malditos. E, no entanto, talvez o maior E Se de mim, do meu eu, da minha vida seja aquele que se relaciona com as mudanças bruscas da infância... talvez o presente não fosse este. 

 

É estranho. Confio em que tudo acontece por um motivo forte que, cedo ou tarde, descobriremos as razões. Acredito que à vida e aos caminhos por ela traçados, é impossível fugir, por mais voltas que lhe tomemos, haverá sempre de tomar forma para acontecer. O que tiver de ser, será... dizem. E, no entanto, os malditos Se perseguem-me como se desejassem roubar-me algo.

 

No fundo, Vida, continuo sem entender porque decides fazer-me perder anos no mesmo patamar de nadas... sinto-me como um ser esquecido num qualquer caminho do mundo e era hora de me reencontrares. 

 

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Malditos Se...  

É pedir muito?


M*

03.03.15

Não sei se sou eu que sonho demais, que exijo demais, que quero demais mas, às vezes, gostava que os dias fossem mais simples, mais coloridos, mais próximos daquilo que imaginei para os vinte e seis. Não estou a pedir muito, creio eu, bastava que algo de bom tomasse conta dos dias... uma viagem, uma amizade, um trabalho, um amor ou qualquer outra coisa que mudasse os dias de monotonia. É pedir muito?

Desabafo natalício...


M*

03.12.14

Como explicar isto? A verdade é que, para mim, o Natal pouco me diz. Começa cedo demais. Farto-me cedo dele.

Não me interpretem mal,existe sempre explicação para qualquer coisa e este não é um caso distinto (pode é não agradar mas, enfim, nada posso fazer),

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Cá por casa, o Natal não possui o mesmo significado que, quiçá, a maioria lhe atribui: um dia em que a família se reúne em torno de uma mesa farta e recheada de iguarias e doces, árvores repletas de presentes, crianças felizes no universo dos novos brinquedos e mais qualquer coisa. A verdade é que desconheço qual o verdadeiro significado do Natal. Não me recordo de festejar o Natal. Não me recordo de Natais com a família reunida e mesa recheada. Não me recordo de presentes. Em toda a vida, recebi apenas dois presentes dos meus pais: quando tinha uns sete anos, presentearam-me com uma boneca gigante que contemplava durante horas à porta da loja e, uns anos mais tarde, com uns quinze anos, com dinheiro que regressou à carteira dos meus pais.

 

De facto, para mim, o Natal não assume o mesmo valor que quase todos lhe atribuem... são poucas as pessoas que trabalham no dia de Natal e, por azar ou sorte, os meus pais são dessas pessoas. Cresci com o meu pai a valorizar o trabalho em lugar do lazer e, com a minha mãe a praticamente não descansar; sabem o que é crescer na miséria e, desde sempre, evitaram que os filhos sentissem o mesmo, ensinando-nos a importância do trabalho. Não são médicos ou bombeiros ou algo do género, mas pessoas que viveram para trabalhar. Portanto, para eles, esta época festiva é mais uma de trabalho e onde podem conseguir algum dinheiro extra para emergências (como problemas de saúde ou uma despesa extra inesperada;  e das quais não se encaixam férias em família). A verdade é que, para nós, o Natal é mais uma época como qualquer outra. Mesmo quando era miúda e refilava por não ter um dia de Natal como as outras crianças ou mais presentes, a resposta era sempre a mesma: o importante é que temos todos saúde ou eu quando tinha a tua idade não sabia o que eram presentes. E, se para a minha mãe, o mais importante nesta época é a celebração religiosa já, para o meu pai, o mais importante era e é passarmos a noite juntos e continuarmos com boa saúde... 

 

O meu sentimento natalício é completamente distinto daquele que hoje em dia existe. Gosto de receber presente, como qualquer outra pessoa, mas continuo a sonhar com uma enorme árvore de natal, com crianças e família reunidos, uma mesa enorme e recheada, filmes e jogos natalícios... essas coisas todas que sempre alimentei dos filmes. Hoje em dia é tal a nossa preocupação no que oferecer que mal nos lembramos do que realmente é o Natal. Não falo do sentimento religioso porque, na verdade, não sigo religiões. Falo das luzes, das árvores decoradas, do Pai Natal, das bolas e grinaldas, das renas e do ambiente nostálgico. É disso que gosto no Natal. Mas estou farta desta época... Das publicidades despropositadas, dos incentivos ao consumo e do consumismo louco, dos shoppings recheados de gentes num entra e saí desenfreado em lojas... Sinto-me cansada de ninguém se lembra do que realmente é importante no Natal e, sobretudo, de ninguém se lembrar de mostrar isso aos mais pequenos. O Natal é mais do que prendas ou do que religião (embora seja uma festa religiosa), é reunir a família. Quantas vezes reunimos pais, filhos e filhas, avós, netos e netas, tios e tias, primos e primas à volta da mesa? Eu falo por mim, apenas uma vez no ano... mas, talvez, noutras famílias seja distinto.

 

E aqueles seres que não se falam o ano todo mas, chegadas as festas natalícias é Feliz Natal e todas as prendas desejadas no sapatinho para aqui Feliz Natal e todas as prendas desejadas no sapatinho para acolá? Aquela gente falsa, que critica tudo e todas, fala mal de qualquer coisinha e, chegados a Dezembro, parecem que são assombrados pelo espírito bonzinho do Pai Natal ou da Mãe Natal (mediante a pessoa)? Sim, essas mesmas que, tanto podem ser da família como a vizinha do quinto esquerdo ou o senhor da papelaria... 

 

É um sentimento confuso, bem sei... talvez confuso demais para se explicar. Gosto do Natal e não gosto dele. Gosto do simples, mas detesto o consumismo que adquiriu o Natal. Começa cedo demais (em meados de Outubro já existe publicidade televisiva), espalha-se por todo o lado e torna-se cansativo... provavelmente, a culpa é de nunca ter conseguido viver o verdadeiro sentimento de Natal. E, o meu desânimo é tal com esta época que, pelo segundo ano, não me darei ao trabalho de montar a árvore de Natal...

 

Talvez um dia conheça o que é o Natal no seu verdadeiro significado.

Vida de desempregada.


M*

07.10.14

Ser desempregada é: receber convocatórias do IEFP, de três em três meses, para nos relembrar que, infelizmente, ainda não conseguiram satisfazer o nosso pedido. 

Ser desempregada é: estar inscrita em todo o género de apoios a licenciados desempregados e, volta e meia, ser convocada para uma actividade de ajuda e incentivo ao emprego.

Ser desempregada é: ir a essas actividades e ouvir pela milésima vez que precisamos de alterar o currículo porque aí e tal, ninguém quer saber disto

Ser desempregada é: alterar o CV pela milésima vez, eliminar os velhos e tentar não desorganizar a pasta nem dar em doida.

Ser desempregada é: imprimir pela milésima vez o CV, percebendo que se tornou uma actividade tão rotineira, quando a senhora da papelaria nos diz vamos imprimir mais currículos? *

Ser desempregada é: começar a duvidar das nossas capacidades e competências ou tentar culpa o universo pelas nossas escolhas.

Ser desempregada é: a cada pedaço de papel que entregamos, a cada email que enviamos, manter a esperança de que será o último.

 

* (dizem, os entendidos dos apoios, que devemos manter o foco nos nossos objectivos e ambições profissionais. assim deveria ser. mas quando vemos o tempo passar, como manter a esperança, sem começar a atirar para todos os lados?)

 

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