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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

O tempo dos 28.


M*

08.07.16

Começo a dar-me conta, por intermédio de conversas à hora do almoço com algumas colegas de trabalho, de que estou a ficar velha quando me dizem que aos 26 anos já planeiam o casamento ou, com a mesma idade, mantêm um relacionamento de dez anos. Eu, aos 28, tenho dificuldade em fazer nascer laços de amizade... quanto mais conquistar alguém. É um triste sentir-se sozinha. Dizem-me, com frequência, que é tudo uma questão de tempo, para toda e qualquer conquista - e eu bem o sei -. O problema não reside no tempo, reside em saber quanto tempo demora o tempo... uma semana, um mês, um ano? 

 

28 anos.jpg

 

Conto tão pouco do alto dos meus 28... e ainda não aprendi a lidar com a impaciência e ansiedade. 

Portanto,


M*

09.06.15

... prometeram-me chuva para hoje, trovoada, descida da temperatura, o distrito pintado de amarelo e o diabo a sete e, o único que realmente vi acontecer e cheirar foi, um maldito incêndio florestal.

 

Oh, gente! Oh raio dos meteorologistas, porque é que nunca acertais com o Norte, hum? Que embirração é essa, expliquem-me... é que, definitivamente, nunca acertam. Desisto. E eu aqui, tola, aguardava a tão prometida e ansiada chuva e, bolas, nem uma amostra!

 

EU PRECISO DE CHUVA, estou a morrer de calor... sou nortenha!

 

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Levo-te comigo.


M*

25.02.15

Presente em cada sonho. Nos dias que vivo, nos sons que escuto, nas cores que me rodeiam e pintam os meus olhos. Levo-te comigo. Na tristeza dos dias, nos sorrisos sinceros do presente, nos sonhos do amanhã. Levo-te comigo. Nos livros que partilho contigo, nos passos pelas ruas da vila, na ausência que sinto de ti. Sinto-te comigo. No frio que me barre a alma e o corpo, quando mergulho nos pensamentos do amanhã e te sinto num livro. Sinto-te comigo. Quando fecho os olhos invades sempre os meus sonhos, abraçando-me e sussurrando as palavras que ansiamos ouvir dos lábios um do outro.

 

Levo-te comigo. Sinto-te comigo. Que coisa tão traiçoeira, a solidão. Faz-nos sentir a presença de quem não conhecemos, quiçá, nem exista. Amo-te. Sem saber se existes. Amo-te e não consigo ver o teu rosto no cinzento dos sonhos. E, no meio destas parvoíces que para aqui escrevo, sinto-te e levo-te comigo. Solidão, quiçá sejas esse o teu nome... e, agora escrevo ao desconhecido e à solidão e julgo que estou a ficar louca.

 

E, no dia em que o destino juntar os nossos caminhos, será que te vou conhecer e sentir nas cores dos dias... para lá de um sonho? 

Tempo... doce e cruel, tempo.


M*

20.02.15

E, a verdade é que, o tempo é o mais perverso no esquema da vida. Ora faz sentir que os dias avançam depressa, quase como que a correr, ora nos engana e nos deixa angustiados. Um ano parece tanto tempo e, quando damos por nós, trezentos e sessenta e cinco dias passaram a voar, quase que nem sentimos. O tempo é cruel quando somos para lá de felizes, fazendo-o passar sem que o notemos e amargo para quem aguarda ansiosamente por algo ou alguém... quanto mais os dias passam, desvanecesse a esperança. Mas, estupidamente, vivemos no tempo certo. Uns acreditam que os dias passam a voar, outros - como eu, às vezes - extremamente devagar e, no entanto, ele é igual a todos. Nem mais nem menos. 

 

O tempo é cruel e, na crueldade do tempo, creio que parte de mim se perdeu no decorrer do tempo, dos anos...

 

É doce e cruel, é saboroso, com sabor a chocolate e estúpido, uma ferida que moei e moei, sem querer sarar. Sou menina em corpo de mulher, conservo os sonhos de adolescente porque, vai-se lá entender, o tempo nunca quis que os vivesse naquele tempo e, porém, o tempo não parou... ontem tinha dezoito e dava os primeiros passos na universidade e numa nova cidade; hoje, aos vinte e seis aguardo ansiosamente por alcançar os planos de à um ano e, amanhã, quando der por mim, já estarei a completar os vinte e sete e nem sei se o tempo terá mudado para mim. Perdi-me nos tempos alegres, do nós e dos amigos e, ainda hoje, dou por mim a debater sobre o dia em que o tempo mudou. Dou por mim a pensar no ontem e a imaginar o amanhã e, nem sonhos consigo sonhar.

 

Perverso e duro é o tempo, não o destino, que brinca com a felicidade e a ansiedade e nos faz andar numa corda bamba, quais animadores do tempo. Estúpido! Passas a voar quando somos felizes e dolorosamente lento quando necessitamos de encontrar algo ou alguém para lá dos dias monótono. E, no tempo, não sei quando perdi a capacidade de sonhar com o amanhã...

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