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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Do IEFP,


M*

02.04.15

sobre caricata e absurda situação de renovar um cartão de cidadão... ou, a data do mesmo.

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Recentemente recebi uma convocatória por parte do centro de emprego onde constava a necessidade de actualizar os dados da minha ficha para, segundo eles, conseguirem satisfazer o meu pedido (ahahahahahahahaha, tão cómicos... em cinco anos, fui chamada uma vez para me falarem de um possível estágio na minha área - outra anedota para, um dia, contar - e zero vezes para formações, apesar de já ter várias vezes, manifestado o interesse). E, assim, numa manhã de Março, apanhei o autocarro com destino ao centro de emprego mais próximo. Pelo caminho e, embora, saiba que eles nunca o querem porque, é tudo informatizado - segundo eles -, parei numa papelaria para imprimir o currículo actualizado e o entregar - não fosse, alguma alma se lembrar. No centro de emprego entreguei a carta-convocatória ao recepcionista que, meia hora depois (era uma quinta-feira e, por norma, o centro de emprego onde estou inscrita é mais rápido do que às segundas-feiras, onde toda a gente, quer da cidade quer das aldeias e vilas, vai a correr), me mandou subir ao segundo piso, acompanhada de um outro senhor de muitos anos. Chegamos a uma pequena sala, onde fomos recebidos por uma senhora simpática mas quase sem vida (tão sem sal, tão cansada apesar de ainda nem ser meio-dia) e onde mal nos conseguíamos movimentar, pedindo-nos para nos sentarmos - o senhor ao meu lado, mais duas nas nossas costas. Vira-se para mim e diz-me,

 

   - Preciso do seu cartão de cidadão. 

 

Entrego-lhe e começa a debitar os meus dados pessoais: morada, telemóvel, email, nacionalidade e afins. Devolve-me o cartão de cidadão e diz,

 

   - Acabei. Chamei-a aqui porque o seu cartão de cidadão tinha caducado no ano anterior e precisávamos de saber a data do actual.

 

Como? Só podem estar a gozar! Viro-me para a senhora e digo-lhe,

 

   - E, já que estou aqui, não quer actualizar o resto da ficha ou vai-me chamar daqui a um mês para o fazer? 

 

Diz-me que sim e começo a disparar os pequenos trabalhos que fiz. Não mostra interesse em saber mais sobre eles, em desenvolver. Fica a saber o básico. Antes de abandonar a sala e o centro de emprego, pergunto-lhe o que devo fazer para me candidatar a estágios no âmbito do PEPAL e, no caso de conseguir algum, o que fazer a seguir.

 

   - Se a menina conseguir um estágio PEPAL basta enviar um email a dizer que está a fazer estágio.

 

Ahahahah! Desculpem? Eu ouvi bem? Para dizer que estou a fazer estágio, já posso enviar email mas, por uma data, tenho me deslocar ao centro de emprego quando, bastava um email ou uma mensagem a pedir uma fotocópia do cartão. Na era da informática, gastei cinco euros no autocarro - dinheiro dos meus pais porque, sendo recém-licenciada, não recebo qualquer apoio - e perdi uma manhã quando num minuto, poderia ter enviado uma fotocópia para email da senhora. E, para não comentar o facto de os meus dados ficarem expostos para quem quisesse ouvir... 

 

Malta do IEFP: há computadores e, nós, jovens, sabemos usar! Upa! Upa! Acordem! Modernizem-se! 

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