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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Mudar...


M*

04.10.17

A minha superior, ou chefe de equipa, perguntou-me se continuava a responder a ofertas de emprego. Ela sabe que tenho mais do que a licenciatura e que, embora até goste do que faça, não me encontro totalmente feliz. Obviamente que sim, respondi-lhe. Apesar de já me encontrar efectiva à empresa, disse-lhe, não tencionava fazer da minha vida profissional a reposição como operadora de loja de um supermercado. A minha colega, licenciada em Educação Básica e mãe de um menino, deixou-se acomodar pela idade, pelo gosto que acabou por adquirir ao trabalho e pela segurança que o situação lhe dá. Mas eu não, admito.

 

A cada dia que passa, cresce a necessidade de mudar. Continuo a responder a ofertas diversas de emprego mas, dentro ou fora da minha área de formação, me recuso a trocar uma situação de certeza pela incerteza. Não procuro estágios ou recibos verdes mas algo que me dê estabilidade financeira. Não tenho filhos mas tenho projectos a nível pessoal que desejo concretizar e que na incerteza dificilmente me aventurarei.

 

É esta dualidade de sentimentos, a vontade de mudar com o receio de cair na instabilidade financeira que me assusta na hora de enviar o currículo. Se, a isto aliarmos o facto de morar numa zona onde o factor C é poderoso e as ofertas de emprego são quase limitadas à restauração, hipermercados ou industrias, sinto que dificilmente - para não ser totalmente pessimista - conseguirei mudar... 

 

De tudo isto, quiçá, o que me entristeça mais foi nunca ter tido a oportunidade de trabalhar na minha área de formação... e é revoltante tantos anos em redor de livros para acabar a repor produtos alimentares. 

 

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Como diz a música de António Variações, 

 

Muda de vida se tu não vives satisfeito.

Voltei porque sentia saudades de,


M*

18.09.17

escrever,

partilhar a minha opinião sobre livros,

desabafar,

partilhar opiniões de tudo ou nada,

ler-vos.

Voltei porque sentia saudades de tudo isto e destes espaço que me diz tanto. Voltei e espero, na verdade, procuro não desaparecer... Gosto deste cantinho: do nome, do que escrevo, de quem me voltou a ler. Não é um recomeço, trata-se de continuar...

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Sobre o que foi feito de mim nos últimos meses pouco ou nada existe à acrescentar. Mantenho o mesmo trabalho como operadora de loja num hipermercado, o mesmo horário, funções e responsabilidades. Continua a não ser o meu emprego de sonho e definitivamente não será a minha escolha de vida, mesmo que me permita crescer profissionalmente, mas foi o que se arranjou. Obviamente que não desisti de lutar por mais e quase todos os dias consulto diversas ofertas de emprego e acredito que novas oportunidades surgiram.

 

 

Se a nível profissional nada parece ter mudado, o mesmo não posso escrever sobre o amoroso. Conhecia uma pessoa maravilhosa, por dentro e por fora, que tanto tem feito por mim. É o meu porto de abrigo, o meu apoio, alguém que não me deixa desistir dos meus sonhos e me aceita como sou, motivando-me a lutar e a acreditar em mim. Continuo a lutar contra os meus medos e fantasmas mas, ao lado dele, as coisas parecem mais fáceis... ele consegue sempre acalmar-me e ver o outro lado de tudo. A melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos... um ano e dois meses muito felizes.

 

A leitura, a minha outra paixão, ficou um pouco penalizada pelo meu trabalho. É verdade que o meu dia laboral termina cedo mas, também se inicia de madrugada, reflectindo-se na minha capacidade de leitura... demoro mais tempo a ler do que outrora. Não leio quatro ou cinco livros por mês mas sinto-me feliz por, quase todos os dias, me dedicar um pouco à leitura, antes de me deitar, e conseguir concluir um a dois livros por mês. Continuo, apesar das minha condicionantes, a ter muitos livros por ler e a não desistir de adquirir novos livros... é estúpido, bem sei, mas a paixão fala mais alto. 

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Por fim, para quem ainda se lembra, a minha irmã mais nova entrou no ensino superior o que me levou a mergulhar numa onda de nostalgia e saudades da minha vida académica.

 

E, agora sim para concluir, vou pintar o cabelo... 

Não chegamos ao Inverno,


M*

17.09.17

mas para mim é como se já estivéssemos em pleno Inverno. Durmo de pijama polar, trabalho de manga comprida - apesar do esforço físico que exige - e não consigo sair de casa sem um casaco... só me faltam as meias grossas e trocar as roupas.

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Concluindo: sou uma velha friorenta. 

O drama de acordar cedo,


M*

16.09.17

é que chegamos às oito da noite e parece que fomos atropelados por um comboio. Contextualizando: eu sou daquelas que acorda com as galinhas, às cinco para entrar uma hora depois e, embora já siga este horário já vai a caminho de dois anos, continuo sempre a sentir que nunca me irei habituar. 

Comparações.


M*

15.07.16

Odeio ser comparada a fulana P.

 

A P era mais velha do que tu e conseguia fazer muito mais do que tu. A P. também tinha o mesmo horário que tu e conseguia ver tudo no mesmo dia. A P. era mais organizada que tu e nunca deixava as coisas assim no armazém.

 

Eu não sou a P., sou a Maria e detesto que me comparem... 

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