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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Quebrando tabus,

preconceitos e medos. Desmitificando as questões do género e da igualdade. Quebrar, desmitificar, lutar, questionar. Afinal, para nós, adultos - pais e mães, irmãos e irmãs - o que importa mais: os valores da sociedade, o olhar alheios e o julgamentos dos desconhecidos ou a felicidade das nossas crianças - filho e filha, irmã e irmão? Cabe, a cada um de nós, conhecer o grau de importância que a sociedade e os outros assumem nas nossas vidas e o grau de felicidade, realização e auto-estima que transmitimos aos mais pequenos. Um pequeno e poderoso filme que vale a pena reflectir e partilhar. 

 

Restaurantes: crianças, pais e a impaciência.

Recentemente, num restaurante da zona, assisti a uma cena que, para mim, foi no mínimo caricata: um homem para lá dos seus trinta anos grita (e a bem grita) com o empregado, na casa dos vinte, porque o seu almoço ainda não tinha sido servido e a criança de sete anos estava cheia de fome. De facto, o serviço estava atrasado e, nesse aspecto, dou razão ao senhor, embora também saiba que não situação recorrente naquele restaurante, visto que conheço o emprego - obviamente que o senhor não sabe nem tinha como saber desse aspecto. Porém, para mim, perde razão quando berra em pleno restaurante com o empregado, dizendo que a criança não aguenta mais, não dando oportunidade ao jovem empregado para argumentar. 

 

Levar a família a almoçar fora significa, por vezes, ter de esperar pela refeição. Ou seja, esperar que a mesma seja confeccionada, empratada e colocada à frente do cliente. Tudo isto demora o seu tempo. Por isso, pergunto-me, qual a necessidade, em primeiro lugar, de o homem em pleno restaurante desatar aos berros com o empregado? Não seria mais educado chamá-lo à mesa e perguntar o que se passava? Ou, em alternativa, falar, por exemplo, no exterior e averiguar o porquê da demora? A maioria é leiga nesta temática mas, quem já trabalhou ou geriu um restaurante sabe que, quando a comida é preparada na hora, as coisas demoraram... especialmente se a casa enche e ninguém possui uma bola de cristal para adivinhar que, naquele preciso dia, a maioria se vai inclinar para o peixe ou para a carne. É difícil gerir a dualidade de interesses e a dificuldade em ambas as partes lidar com o problema. 

 

O serviço estava atrasado e o senhor tinha todo o direito de manifestar a sua revolta mas...

 

Pergunto-me sobre o exemplo que terá dado aquela pai ao seu filho de sete anos. A fonte do problema foi a criança mostrar impaciência perante a falta de comida. Não tenho filhos mas embora não seja exactamente o mesmo, já trabalhei em cafés durante o verão e vejo o quão impaciente as crianças podem ser... em vários casos, tive de servir primeiro a criança antes dos restantes membros, a pedido dos mesmos, porque o menino ou menina não podiam esperar que eu chegasse à mesa com o bolo ou o ovo kinder e o restante pedido. Bom, vejo demasiadas crianças com sete anos, mais nova e mais velhas, demasiado impacientes para esperar... Todos sabemos que são os pais e, quando os existem, os irmãos mais velhos quem influenciam o comportamentos dos mais novos. O que um adulto fizer, cedo ou tarde, se reflectirá na criança. Portanto, não me admiraria que, um dia mais tarde, aquela criança de sete anos tomasse exactamente o mesmo comportamento do pai num qualquer restaurante. Estamos a criar crianças demasiado impacientes para esperar. Para esperar pelo prato da comida ou pelo simples gelado num café. Exigem-no imediatamente, na hora, mal o pedem. Seria conveniente que muitos destes pais e mães explicassem aos seus filhos e filhas que as refeições demoram o seu tempo e que ir a um restaurante não exactamente a mesma coisa que a mãe ou o pai a tratarem da refeição lá em casa para três ou quatro pessoas. Por isso, pergunto-me que imagem terá este pai passado ao filho. Que criança será está no presente e futuro? Em vez de lhe explicar que a comida demora a confeccionar, leva o seu tempo e que não está num restaurante da MacDonald's, em que cinco minutos depois - ou nem isso - está sentado a comer a bela da hambúrguer, não, optou por desatar aos berros com o empregado, à frente do miúdo. 

 

Bem sei que não é fácil manter uma criança de sete anos, a comer pão com manteiga e beber água com groselha, quieta no seu lugar, sem mais nada com que se entreter - curiosamente, a maioria dos pais já vi que opta por pegar num tablet ou no telemóvel xpto e espetar à frente da criança mas, esse é outro tema. Não o é e eu, que um dia espero vir a ter as minhas próprias crianças, talvez chegue a passar pelo mesmo. Mas, quando esse dia chegar, espero ser mãe consciente e não fazer escândalos como os que presenciei e ter sido capaz de ensinar aos meus filhos e/ou filhas a virtude da espera e paciência e a diferença entre um restaurante tradicional e um restaurante de comida rápida. 

 

Finalizo com um dos melhores vídeos sobre o tema,

 

O facebook, as relações e o lavar de roupa suja.

Gosto imenso de um bom lavar de roupa suja. Desculpem, sim, gosto muito de um lavar de roupa suja. Apelidem-me do que quiser mas acho graça.

Existem dois tipos de lavar de roupa suja no facebook: o das alminhas que comentam noticiais (sobretudo aquelas notícias alegres e bem-dispostas em que, do nada, aparece um brilhante génio a falar do oposto, debitando sobre o estado do país ou do mundo) e o dos casais (pode ser de amigos, namorados, casados, irmãos...). Os primeiros são, de facto, os meus preferidos. Vou sempre cuscar os comentários às notícias estrondosas, procurando as sábias desse génio perdido no facebook (e, confesso, acabo também por ver o facebook da pessoa). Quanto aos segundos, só acho graça. Não fico contente por conhecer a desgraça alheia mas, confesso, que acho piada.

Passo a explicar...

Uma amiga decidiu, ontem, em pleno facebook, lavar a roupa suja do final de uma relação com o marido/namorado - a moçoila, durante muito tempo, apelidava-o de o meu marido mas, desde que as coisas começaram a tremer, o moço passou a ser namorado e, agora que a coisa não têm jeito, é somente o pai dos filhos dela. A relação à muito que treme, mergulhado em sucessivas discussões, ciúmes e desentendimentos, em que os dois acham que são donos da verdade e nenhum diz a verdade. Eu conheço muito desta história - aliás, eu e metade da santa terra, visto que a moçoila faz questão de, vai-se lá perceber, contar a meio mundo -  e sei que se a relação chegou ao ponto degradante e triste que vive se deve aos dois e às mentiras que engendraram - resumindo, ela quer ser a vítima da história...

Bom, adiante...

Um dos problemas desta relação começou precisamente por culpa do facebook e é nele que este casal resolve os seus problemas, com palavras menos bonitas de ambas as partes. O lavar de roupa suja dura apenas um par de horas, em que a moçoila lá acaba por apagar os comentários, tempo em que meia santa terrinha teve tempo para visualizar as palavras carinhosas e mimos de ambos... mas nenhum se preocupa com isto. O importante é atacar-se mutuamente. Inclusive, a foto do filho de ambos foi motivo para ataques... e, acreditem, não foi pela foto do menor exposto numa rede social. Tudo serve para se atacarem, ameaçarem ou chantagearem-se.

A culpa não é minha que estas almas se lembrem de lavar e colocar os problemas assim, numa rede social e, como a minha veia de curiosa não se desliga do nada... deixo-me levar pelo conteúdo das mensagens. É quase inevitável. O facebook tornou-se uma rede destruidora de relações e local para lavar os problemas desse fim. Não basta a malta saber que o estado civil mudou, precisam de saber os motivos...

A diferença entre a curiosidade e a cusquice é que, na primeira situação, guardo o que vi e não espalho aos sete ventos e, no segundo, a coscuvilhice espalha-se. Quem nunca se deixou levar pela curiosidade? Mesmo que tente evitar, estas almas continuam... Em tempos, quando a relação ainda era uma relação, embora tremida, falei com a moçoila em causa sobre o tema. Disse-lhe que se um dos problemas estava no facebook, o melhor era desactivar e que não achava correcto a exposição dos filhos menores. Os meus conselhos e palavras surtiram efeito durante uns meses e, como nada melhorou, continuaram no mesmo. 

Felizmente e que tenha notado, são o único casal no meu facebook com este comportamento; embora, tenha reparado que é um mal geral das almas da minha santa terra (embora seja, maioritariamente, sobre questões de ordem política)... De resto, o meu feed de notícias no facebook é recheado de animais, música, férias, festas, frases inspiradoras, bijutaria, roupa, livros, notícias e afins. 

No meio do lavar de roupa suja deste dois, os meus pensamentos ficam-se nos filhos: duas crianças no meio de uma guerra de adultos, em que a mãe tenta virar os filhos contra o pai e o pai contra a mãe...

Um mar de livros... estou a ler,

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