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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Quebrando tabus,


M*

13.04.15

preconceitos e medos. Desmitificando as questões do género e da igualdade. Quebrar, desmitificar, lutar, questionar. Afinal, para nós, adultos - pais e mães, irmãos e irmãs - o que importa mais: os valores da sociedade, o olhar alheios e o julgamentos dos desconhecidos ou a felicidade das nossas crianças - filho e filha, irmã e irmão? Cabe, a cada um de nós, conhecer o grau de importância que a sociedade e os outros assumem nas nossas vidas e o grau de felicidade, realização e auto-estima que transmitimos aos mais pequenos. Um pequeno e poderoso filme que vale a pena reflectir e partilhar. 

 

Restaurantes: crianças, pais e a impaciência.


M*

09.04.15

Recentemente, num restaurante da zona, assisti a uma cena que, para mim, foi no mínimo caricata: um homem para lá dos seus trinta anos grita (e a bem grita) com o empregado, na casa dos vinte, porque o seu almoço ainda não tinha sido servido e a criança de sete anos estava cheia de fome. De facto, o serviço estava atrasado e, nesse aspecto, dou razão ao senhor, embora também saiba que não situação recorrente naquele restaurante, visto que conheço o emprego - obviamente que o senhor não sabe nem tinha como saber desse aspecto. Porém, para mim, perde razão quando berra em pleno restaurante com o empregado, dizendo que a criança não aguenta mais, não dando oportunidade ao jovem empregado para argumentar. 

 

Levar a família a almoçar fora significa, por vezes, ter de esperar pela refeição. Ou seja, esperar que a mesma seja confeccionada, empratada e colocada à frente do cliente. Tudo isto demora o seu tempo. Por isso, pergunto-me, qual a necessidade, em primeiro lugar, de o homem em pleno restaurante desatar aos berros com o empregado? Não seria mais educado chamá-lo à mesa e perguntar o que se passava? Ou, em alternativa, falar, por exemplo, no exterior e averiguar o porquê da demora? A maioria é leiga nesta temática mas, quem já trabalhou ou geriu um restaurante sabe que, quando a comida é preparada na hora, as coisas demoraram... especialmente se a casa enche e ninguém possui uma bola de cristal para adivinhar que, naquele preciso dia, a maioria se vai inclinar para o peixe ou para a carne. É difícil gerir a dualidade de interesses e a dificuldade em ambas as partes lidar com o problema. 

 

O serviço estava atrasado e o senhor tinha todo o direito de manifestar a sua revolta mas...

 

Pergunto-me sobre o exemplo que terá dado aquela pai ao seu filho de sete anos. A fonte do problema foi a criança mostrar impaciência perante a falta de comida. Não tenho filhos mas embora não seja exactamente o mesmo, já trabalhei em cafés durante o verão e vejo o quão impaciente as crianças podem ser... em vários casos, tive de servir primeiro a criança antes dos restantes membros, a pedido dos mesmos, porque o menino ou menina não podiam esperar que eu chegasse à mesa com o bolo ou o ovo kinder e o restante pedido. Bom, vejo demasiadas crianças com sete anos, mais nova e mais velhas, demasiado impacientes para esperar... Todos sabemos que são os pais e, quando os existem, os irmãos mais velhos quem influenciam o comportamentos dos mais novos. O que um adulto fizer, cedo ou tarde, se reflectirá na criança. Portanto, não me admiraria que, um dia mais tarde, aquela criança de sete anos tomasse exactamente o mesmo comportamento do pai num qualquer restaurante. Estamos a criar crianças demasiado impacientes para esperar. Para esperar pelo prato da comida ou pelo simples gelado num café. Exigem-no imediatamente, na hora, mal o pedem. Seria conveniente que muitos destes pais e mães explicassem aos seus filhos e filhas que as refeições demoram o seu tempo e que ir a um restaurante não exactamente a mesma coisa que a mãe ou o pai a tratarem da refeição lá em casa para três ou quatro pessoas. Por isso, pergunto-me que imagem terá este pai passado ao filho. Que criança será está no presente e futuro? Em vez de lhe explicar que a comida demora a confeccionar, leva o seu tempo e que não está num restaurante da MacDonald's, em que cinco minutos depois - ou nem isso - está sentado a comer a bela da hambúrguer, não, optou por desatar aos berros com o empregado, à frente do miúdo. 

 

Bem sei que não é fácil manter uma criança de sete anos, a comer pão com manteiga e beber água com groselha, quieta no seu lugar, sem mais nada com que se entreter - curiosamente, a maioria dos pais já vi que opta por pegar num tablet ou no telemóvel xpto e espetar à frente da criança mas, esse é outro tema. Não o é e eu, que um dia espero vir a ter as minhas próprias crianças, talvez chegue a passar pelo mesmo. Mas, quando esse dia chegar, espero ser mãe consciente e não fazer escândalos como os que presenciei e ter sido capaz de ensinar aos meus filhos e/ou filhas a virtude da espera e paciência e a diferença entre um restaurante tradicional e um restaurante de comida rápida. 

 

Finalizo com um dos melhores vídeos sobre o tema,

 

O facebook, as relações e o lavar de roupa suja.


M*

27.10.14

Gosto imenso de um bom lavar de roupa suja. Desculpem, sim, gosto muito de um lavar de roupa suja. Apelidem-me do que quiser mas acho graça.

Existem dois tipos de lavar de roupa suja no facebook: o das alminhas que comentam noticiais (sobretudo aquelas notícias alegres e bem-dispostas em que, do nada, aparece um brilhante génio a falar do oposto, debitando sobre o estado do país ou do mundo) e o dos casais (pode ser de amigos, namorados, casados, irmãos...). Os primeiros são, de facto, os meus preferidos. Vou sempre cuscar os comentários às notícias estrondosas, procurando as sábias desse génio perdido no facebook (e, confesso, acabo também por ver o facebook da pessoa). Quanto aos segundos, só acho graça. Não fico contente por conhecer a desgraça alheia mas, confesso, que acho piada.

Passo a explicar...

Uma amiga decidiu, ontem, em pleno facebook, lavar a roupa suja do final de uma relação com o marido/namorado - a moçoila, durante muito tempo, apelidava-o de o meu marido mas, desde que as coisas começaram a tremer, o moço passou a ser namorado e, agora que a coisa não têm jeito, é somente o pai dos filhos dela. A relação à muito que treme, mergulhado em sucessivas discussões, ciúmes e desentendimentos, em que os dois acham que são donos da verdade e nenhum diz a verdade. Eu conheço muito desta história - aliás, eu e metade da santa terra, visto que a moçoila faz questão de, vai-se lá perceber, contar a meio mundo -  e sei que se a relação chegou ao ponto degradante e triste que vive se deve aos dois e às mentiras que engendraram - resumindo, ela quer ser a vítima da história...

Bom, adiante...

Um dos problemas desta relação começou precisamente por culpa do facebook e é nele que este casal resolve os seus problemas, com palavras menos bonitas de ambas as partes. O lavar de roupa suja dura apenas um par de horas, em que a moçoila lá acaba por apagar os comentários, tempo em que meia santa terrinha teve tempo para visualizar as palavras carinhosas e mimos de ambos... mas nenhum se preocupa com isto. O importante é atacar-se mutuamente. Inclusive, a foto do filho de ambos foi motivo para ataques... e, acreditem, não foi pela foto do menor exposto numa rede social. Tudo serve para se atacarem, ameaçarem ou chantagearem-se.

A culpa não é minha que estas almas se lembrem de lavar e colocar os problemas assim, numa rede social e, como a minha veia de curiosa não se desliga do nada... deixo-me levar pelo conteúdo das mensagens. É quase inevitável. O facebook tornou-se uma rede destruidora de relações e local para lavar os problemas desse fim. Não basta a malta saber que o estado civil mudou, precisam de saber os motivos...

A diferença entre a curiosidade e a cusquice é que, na primeira situação, guardo o que vi e não espalho aos sete ventos e, no segundo, a coscuvilhice espalha-se. Quem nunca se deixou levar pela curiosidade? Mesmo que tente evitar, estas almas continuam... Em tempos, quando a relação ainda era uma relação, embora tremida, falei com a moçoila em causa sobre o tema. Disse-lhe que se um dos problemas estava no facebook, o melhor era desactivar e que não achava correcto a exposição dos filhos menores. Os meus conselhos e palavras surtiram efeito durante uns meses e, como nada melhorou, continuaram no mesmo. 

Felizmente e que tenha notado, são o único casal no meu facebook com este comportamento; embora, tenha reparado que é um mal geral das almas da minha santa terra (embora seja, maioritariamente, sobre questões de ordem política)... De resto, o meu feed de notícias no facebook é recheado de animais, música, férias, festas, frases inspiradoras, bijutaria, roupa, livros, notícias e afins. 

No meio do lavar de roupa suja deste dois, os meus pensamentos ficam-se nos filhos: duas crianças no meio de uma guerra de adultos, em que a mãe tenta virar os filhos contra o pai e o pai contra a mãe...

Impossível ficar indiferente a esta dor.


M*

25.07.14


Não quero saber quem começou a guerra. Não me interessa quem são os culpados. Pouco me importa como se acaba com o conflito. Mas ninguém se devia calar perante imagens como esta. Estas crianças choram a morte dos pais. Foram fotografadas por Mohammed Salem da Agencia Reuters e estão hoje nas páginas da Visão. A casa onde viviam foi bombardeada. Acham que vão ser adultos tolerantes? Que merda de mundo.


Hélder Silva, jornalista da RTP

Sobre religião.


M*

11.07.14

Sou baptizada. Frequentei os dez anos de catequese e, nesse percurso, participei em todas as actividades religiosas. Fui convidada para ser catequista, após os dez anos e quase aceitei. Quase. Acreditava que a religião católica era a mais verdadeira. Tinha 16 anos quando comecei a colocar tudo aquilo que ouvi durante anos em causa... porém, só anos depois, é que tive coragem de demonstrar a minha opinião.  

Por aqui, onde vivo, ser-se diferente é sinal de anormalidade. Onde vivo, demonstrar opiniões distantes à do geral é sinónimo de ter a mania que se é doutor. Onde vivo, todos devemos ser ovelhas e seguir o seu pastor, sem questionar... sobretudo, devemos engolir a opinião e manter a aparência. 

Portanto, quando à uns dias, numa conversa referi que se dependesse exclusivamente de mim, não iria baptizar um filho meu, caiu o carmo e a trindade. Quem ouviu ficou em choque, olhando-me como se eu tivesse dito que possuía uma doença altamente contagiosa. Passado o choque inicial da minha afirmação, uma senhora contra-argumenta e, de modo resumido, que se és católica o normal é que os teus futuros filhos também o sejam, portanto, tens de os baptizar.

Provavelmente, no passado, nem sequer tinha demonstrado a minha opinião depois da argumentação de uma senhora mais velha, mas não me contive e respondi-lhe:

Primeiro, podia-me chamar o que quisesse - católica, muçulmana, budista, etc. - mas que, para mim, a minha religião não tinha nome... ou melhor, sou agnóstica.

Segundo, acredito num Deus, sim. Mas não no nome ou forma que cada religião lhe dá. Acredito que, na vida, nada acontece por mero acaso e que tudo tem um propósito. É nisso que acredito, não no Alá, Jesus ou Buda.

Terceiro, o facto de ter frequentado actividades religiosas não faz de mim uma pessoa com mais ou menos fé. Não é por ir à missa todos os domingos que seja-quem-estiver-lá-em-cima me vai dar uma vida melhor ou vai ouvir todas as minhas rezas. A fé não se mede. Provavelmente tenho mais fé do que a senhora... (e, acreditem que ficou bastante ofendida e magoada com as minhas palavras sobre a sua fé)

Além disso, porque tenho que renegar as restantes religiões? Segundo ela, porque não estão correctas e são todos uns terroristas... retribuí-lhe com um tenho amigos muçulmanos e ainda não morri... aliás, são pessoas extremamente simpáticas e amigas. (sobre isto, apenas se limitou a olhar-me com desprezo)

Por fim, quem sou eu para impingir uma religião a um filho? Impingir não é educar e, embora tenha noção que às vezes seja necessário, no que toca à religião e exclusivamente dependendo de mim, não o será. Não vou obrigar a seguir uma religião, ponto. Porque é a ele quem cabe decidir no que quer acreditar... no Buda, no Alá, no Jesus, em ninguém ou em algum Deus que não sabemos nome ou forma. 

Terminada a minha explicação, a senhora em causa apenas me responde:

 

E se, imaginado, o teu filho morrer ainda pequeno, sabes que nenhum padre lhe vai realizar o funeral porque ele não foi baptizado, não sabes? É que, sabes, Deus às vezes, também é mauzinho com quem não acredita.

 

Naquele momento, o meu único pensamento foi a de a mandar a um determinado sítio (ela podia ficar magoada, mas eu não porque só me estava a avisar). Limitei-me a responder que esperava que esse dia nunca chegasse e que o Deus em que eu acredito não é uma pessoa vingativa nem mazinha com quem não acredita (imaginem a cara da senhora). Ainda tentou saber a minha opinião sobre o casamento mas não foi a tempo... limitei-me a responder que a minha forma de encarar a religião poderia não ser a mais correcta mas não a tentava impor, aceito e respeito qualquer religião (mesmo que não concorde). E, segui a minha vida deixeando-a falar mais umas quantas parvoíces.

Onde vivo, o hábito é antigo: achar que só eles sabem e são senhores da razão. Depois dessa conversa, para a senhora sou vista como alguém que não sabe o que quer da vida, uma perdida, cujo Deus castigou com o desemprego e que há-de ver solteirona... alguém com a mania da superioridade, a quem a universidade fez mal.

 

Como certa vez li algures, 

muitos dos males dos mundos devem-se, em parte, às religiões

e, não consigo discordar.

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