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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

A verdade das saudades de escrever.


M*

05.07.16

A verdade é que eu sinto saudades de escrever. A verdade é que, igualmente e tristemente, não tenho conseguido escrever. Falta-me o tempo; ou saber organizar-me. Falta-me a vontade; ou a paciência de quem sente o desgaste físico de um trabalho esgotante. Falta-me algo. Escrever. Sinto falta de escrever: sobre mim, sobre as minhas leituras, sobre os meus mil e uns pensamentos. Ler. Ler livros, partilhar leituras, ler quem se relê nas minhas palavras. A verdade é que regresso... ou procuro regressar àquilo de que tanto sinto falta. Amanhã escrevo sobre livros. Hoje escrevo sobre saudades.

 

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Dos medos, da saudade e da solidão.


M*

12.09.14

Perguntaram-me se tinha namorado e quando o arranjava, que uma jovem como eu à muito que deveria ter um. Perguntaram-me se alguma vez o tive, respondi que sim, um. Perguntaram-me porquê acabamos, respondi que não queria falar sobre o tema. Uma simples pergunta leva a outra e àquela que deveria ser proibida. É sempre assim. Como se chegar aos 26 solteira fosse um crime.

 

 

A verdade sobre mim é esta: nunca tive facilidade em estabelecer novas amizades, sobretudo quando as mesma envolvem o sexo oposto. Não me sinto uma pessoa interessante para se dar a conhecer ou se deixar descobrir. Não me sinto atraente nem bonita. Falta-me confiança, eu sei. Falta-me auto-estima. Falta-me tanta coisa que, aos 26, já não sei como alcançar ou melhorar.

O primeiro beijo chegou com os 21, aquando do primeiro namorado. Terminou poucos meses antes de completar os 23. Uma relação com altos e baixos, com bons e maus momentos, situações marcantes e que nada tinha para dar certo, desde o primeiro dia, mas que insisti em fazer durar. Dizem que o pior cego é aquele que não querer ver e eu deixei-me cegar pelo fascínio e brilho de um primeiro amor, mesmo percebendo que estava longe do que idealizei. A vida é assim, nunca é como a idealizamos. 

O outro lado inegável da verdade é que sinto saudades de uma companhia. Saudades dos abraços, dos beijos, dos passeios de mão dada. Saudades de dormir no peito, de sentir e saber que se preocupavam comigo, dos pequenos momentos. Por mais que o tente negar, sinto falta destes momentos, saudades que só vive com uma pessoa. 

Imaginava os meus 26 distintos da realidade. Uma casa, um trabalho, um namorado. Coisas que achava simples de concretizar. Não consigo imaginar para lá dos meus 26... não consigo imaginar uma casa, um trabalho, um namorado. 

E, como uma verdade leva sempre a mais verdades, a verdade é que tenho medo. No passado, o meu maior medo era o de ficar cega, de não voltar a olhar o arco-íris, o pôr-do-sol ou a chuva de Inverno. Medo de viver no que dizem ser escuridão e de não voltar a ver o rosto dos que mais amo. O medo da cegueira mantém-se, mas compreendia que é possível viver na escuridão das novas cores. Porém, cresceu em mim, um novo medo que, digam o que dizerem, não sei como se consegue viver: o da solidão. Tenho medo que a vida ou o destino (ou seja lá quem for) se tenham esquecido de mim ou me tenham abandonado, como se não tivesse outro remédio que a solidão. Receio de ver que aos demais, a vida ou o destino (ou seja lá quem for) apresenta o amor e me deixa de lado. Sim, porque até para se encontrar alguém é preciso sorte e eu nunca tive sorte nem ao jogo nem ao amor. Tenho um medo enorme à solidão... e acho que não sei viver com ela.

O que me faz viver?


M*

24.06.14

Faz cerca de uma semana que, através do feed de notícias no facebook, soube da partida prematura de um jovem. Não o conhecia mas fiquei chocada. Quando a morte chega excessivamente cedo e sem ser calculada, o coração treme e a alma questiona-se nos motivos. Durante alguns dia, li comentários e diversas reacções ao seu desaparecimento e mexeu, mexeu muito comigo.

Não é de agora que, volta e meia, dou por mim a questionar sobre o sentido da vida... e, confesso, já pensei que estar ou não estar aqui pouca ou nenhuma diferença fazia porque ninguém (ou quase ninguém) daria pela ausência. E, por uma ou duas vezes, julguei que desistir fosse mais fácil do que sobreviver. E, a quem nunca lhe passou este género de pensamentos? Quem? 

Mas, quando sou abalada por estes negativos pensamentos, procuro agarrar-me àqueles que me fazem viver... E, o que é que me faz viver?

O que me faz viver é o sol quente numa tarde fria de Inverno. O pisar das folhas secas no Outono e o florir da árvores na Primavera. É o sentir a areia nos pés numa manhã fria e o sentir a chuva fria no rosto... adoro andar à chuva. 

O que me faz viver é o sorriso genuíno e verdadeiro de uma criança. É saber que daqui a uns meses conhecerei a menina de uma grande amiga. É saber que ela, a minha grande amiga, amadureceu, cresceu, amou, casou, vive e vai dar à vida uma linda princesinha... e eu estou louca para a conhecer.

O que me faz viver são os livros que ainda não li. Quero descobrir aquele livro que será para sempre o mais importante, o que mudará a minha vida. Dizem que todos nós temos um livro que nos muda para sempre... eu tenho vários que me marcaram, mas ainda não descobri o tal.

O que me faz viver é a música e os filmes que ainda estão por nascer... e, tal como nos livros, quero descobrir o filme que mudará a minha vida, a música que será a da nossa história de amor.

O que me faz viver são as viagens que ainda não vive... e, aquela que será a nossa viagem. Qual será o nosso destino?

O que me faz viver é contribuir com o meu eu para ajudar alguém. São os amigos que ainda irei conhecer... as histórias e aventuras que viveremos.

O que me faz viver é a minha irmã. Vê-la tornar-se numa mulher casmurra e teimosa, mas persistente e batalhadora. São os meus pais, o meu irmão. Pelas lutas que ainda travaram, pelas batalhas que já superaram.

O que me faz viver são as palavras que ainda tenho para escrever. São os vestidos que ainda não tocaram no meu corpo.

O que me faz viver é o meu futuro profissional. Voltarei a ser formadora? Trabalharei na minha área ou em algo similar? É tentar imaginar se, no amanhã próximo, continuarei pelo norte ou rumarei a sul... ou viverei no interior... ou, quiçá no estrangeiro?

O que me faz viver és tu. Imaginar como serás, como nos conheceremos, como seremos juntos. O que me faz viver és tu e o nosso futuro juntos, imaginar-me grávida... e um futuro pela frente. O que me faz viver é sonhar que seremos um do outro até aos 100 anos. 

O que me faz viver são as coisas simples e surpreendentes da vida. Uma flor que floresce por entre traves de madeira. O arco-íris depois da tempestade. O som da chuva na janela. Os sonhos que tenho por realizar... e que são tantos.

Confesso, nem sempre é fácil. Às vezes acredito que seria mais fácil desistir do que persistir em sobreviver... e depois penso nisto e em tantas outras coisas que me fazem viver e que, certamente, iria perder se desistisse... e abraço a esperança, esperando que a vida ou o destino (ou Deus ou seja lá quem for que trilha os nossos caminhos) não tenha desistido de mim.

O que me faz viver é não ter coragem de desistir.

Tenho saudades de ti.


M*

03.06.14

Do teu toque, dos teus braços, dos teus lábios.

Saudades dos abraços e das noites passadas contigo. Saudades dos sorrisos espontâneos e das conversas sem hora para terminar. Saudades de sonhar contigo e de aquele formigueiro. Saudades de te sentir em mim.

Saudades de um alguém que nem sei se existe... que não sei se algum dia existirá.

Uma carta para mim mesma à 10 atrás.


M*

06.05.14

Olá Maria!

 

Sim, eu, aliás, nós mesmas. Como correm os dias? Tu ainda não sabes, mas vamos viver coisas tão boas no secundário. Acredita!

Sabes a D.? Aquela mesmo que fez uma grande fita à porta da sala de aula com o E.? Essa mesma! Vamos andar às bocas, quase à chapada mas, no final, ela vai ser fundamental quando decidires trocar de disciplina. E, ficas já a saber que, no próximo ano, vais conhecer uma nova professora de português. Vais odiá-la, não tentes negar, vamos odiá-la e achar que ela é a pior professora de português do mundo... e, no entanto, nos momentos mais difíceis, será nas palavras que ela ainda ter irá dizer, que vamos procurar refúgio e conforto. 

Escrevo-te do presente para o meu passado e, assim, reflectir sobre os erros que cometemos. Escrevo-te, hoje, com 25 (quase 26) portanto, serás a Maria dos 15 (quase 16) aquela quem lê esta carta que, mais não é uma forma de reflectir sobre os erros, medos e sonhos de nós mesmas. Parece estúpido, parvo, idiota, escrever a um passado que não podemos mudar, mas que nos ajudará a reflectir sobre um futuro (ou, pelo menos, assim o espero).

Maria, vou começar por falar de coisas simples que podem mudar um bocadinho daquilo que sentes. 

Sabemos que tens medo às lentes de contacto mas, acredita, elas vão fazer por ti aquilo que os óculos nunca poderão fazer: elevar-te um pouco mais a auto-estima... assim como se cortares o cabelo (nem precisas de o pintar!). Sabes, Maria, sei que no passado, outras palavras te machucaram todavia, aquelas que aos 15 te dizem são sinceras... sei que tens medo mas, com o tempo, vais entender que as palavras destas amigas são verdadeiras e autênticas, de quem só te quer ajudar a gostares um pouco mais de ti. 

Ainda assim, quando chegares aos 25, não vais ser uma top model, nem tão pouco a típica miúda cobiçada. Terás dias em que olharás o espelho e te sentirás bonita e outros em que desejarás ter forças suficientes para não teres ataques de fúria contra ti mesma (não, o teu problema com cortes e sangue há-de manter-se para todo o sempre). Mas vais aprender a gostar um pouco mais de ti e a aceitar-te do jeito que és. É um processo lento, do qual não sabermos se algum dia conseguiremos concluir mas, espero, o importante é dar esses pequenos e importantes passos.

Quando chegares aos 12.º ano vais ter de decidir como queres que seja o teu futuro profissional. Sei que não te sentes preparada, que já quisestes ser mil e uma coisas, que tens medo de errar mas, deixa-me que te diga, não deixes que esse medo te influencie na escolha, porque ambas sabemos qual é o nosso sonho e qual é o futuro profissional que gostaríamos. Não deixes que te digam que é um curso sem saída, sem futuro, sem nada. Não te leves pelos medos mas sim pelo teu sonho para que, no futuro, não me obrigues a chorar, no nosso ano de finalista, porque o nosso sonho vai uns metros mais à frente e não fomos capazes de lutar por ele. Mas, se ainda assim, te deixares levar por opiniões alheias, aproveita a escolha, porque compreendermos que não foi assim tão errada... aos 25, só lamentarás não ter aproveitar convenientemente. 

Querida Maria, deixa-me que te diga que não vale a pena criares demasiadas expectativas sobre os demais ou sonhares em exagero. Só vai gerar sentimentos de frustação e desgosto. Portanto, toca a aprender a controlar...

Sei que estas ansiosa por saber como será com o R., se haverá algo de bom entre nós. Por deixarmos que os medos sejam maiores que nós mesmas, o R. será uma eterna paixão de secundário. Uma bonita recordação dos tempos descomplicados que insistíamos em complicar. Mas, posso-te adiantar que ele, hoje em dia, é feio e um dia riremos por nos termos apaixonado por ele. 

Quanto a paixões, deixa-me que te diga que, embora sempre procuramos lutar pela lógica e raciocínio, um dia deixaremos que seja o coração a levar a melhor. E, quando esse dia chegar, vais deixar-te apanhar nas teias de um amor... ou isso ou pela idiotice dos preconceitos sociais, de acharem que uma rapariga que, aos 22 não namora é um extraterrestre, uma "anormal"... ou, pelo menos, assim pensaremos e, com receio de sermos estranhas, deixamo-nos levar. Ele não vai aparecer do dia para a noite. Vão-se cruzar inúmeras vezes na mesma rua. No início nem vais reparar nele... até entenderes que, naquele grupo, alguém te olha e sorri sempre que passas... e, vais achar tão estranho que, sempre que se cruzarem, vais olhar para o chão. Até que tudo aconteça ainda vão passar uns meses... por isso, porque não eliminas o teu perfil no facebook? Talvez assim evites cometer um erro que tantas lágrimas te irá roubar... porque, por ele, vais deixar de acreditar no amor e em príncipes.

Mas, se ainda assim, insistires em mergulhar nesta relação, entende de uma vez por todas que não podes agradar a todos. És uma só, somos uma só, com vontade própria. Mostra-lhe que pensas por ti e não pelos outros. Que não és mesmos fraca que as outras só porque és mais gordinha que elas. Faz-lhe entender que não te pode mudar. Sobretudo, que não te podes dividir e agradar a todos, como tanto queremos fazer e ser. 

E, mesmo quase três anos, estas lembranças te roubam uma lágrima...

Sabes que, 10 anos depois, ainda vamos continuar a gostar de música espanhola? Provavelmente, vamos envelhecer a adorar música espanhola... Ah! Tu ainda não o conheces, ainda vai demorar até o ouvires pela primeira vez (e muito antes de ele se tornar famoso por terras portuguesas), mas o nosso-quase-príncipe-encantado chamar-se-á Pablo Alborán (creio que se o juntássemos ao Enrique Iglesias, seria uma mistura explosiva). Vais ouvi-lo tantas vezes sem nunca te cansares... 

Posso-te dar um conselho? Aprende inglês. É, Maria, mesmo não gostando da língua (vamos ser consideradas um aliene por não termos interesse em conhecer Londres ou Nova Iorque) ela vai-nos ser mais útil do que aquilo que imaginamos. Portanto, vamos lá fazer um esforço para retomar o estudo do inglês. 

Quando chegares aos 25, vamos aprender a amar uma cidade. Não, não é dos 15, aquela que amamos desde o primeiro dia em que a vimos, uma outra em que viveremos momentos que nos ensinaram a crescer. Nela aprenderemos a amar, sorrir, chorar, sonhar... uma cidade que vai saber a saudade e nostálgica.

Sei que, aos 15 como aos 25, não vivemos dias fáceis mas, podes agora não acreditar, vão passar. Demora, o tempo às vezes parece estar contra nós, mas esse dia há-de chegar... terá de chegar, para nosso próprio bem. Aos 25 como aos 15, ainda não encontramos o nosso príncipe nem tão pouco elevamos a nossa auto-estima mas, aos poucos e poucos, vamos construindo um caminho. Vais voltar para casa dos pais e para a "santa terra". Vais sentir que fracassamos em algum momento da nossa vida. Vais sentir-te sozinha, perdida e sem rumo, procurando conforto em testamentos de desabafos num mundo virtual bem como no mundo dos livros. Mas, acredita, daqui a 10 anos será diferente... pelo menos, assim o espero, porque ainda não perdi a esperança.

 

Com amor, 

Maria, aos 25 anos

 

p.s.. Desculpa o testamento... sempre tivemos esta necessidade de escrever sobre tudo e sobre nada, mesmo que não tenhamos talento algum... mesmo que muita coisa ainda tenha ficado por escrever e desabafar.

A ideia de escrever uma carta a mim mesma no passado partiu de um blog que descobri, por mero acaso, no facebook. As suas publicações são uma verdadeira inspiração e um sorriso no rosto. Hypeness: inovação e criatividade para todos.

Quem sabe, um destes dias, escreva a mim mesma no futuro...

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