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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Podemos saltar para Setembro?


M*

03.08.15

Podem odiar-me por isto, eu deixo, mas...

 

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Não gosto do Verão. Nunca gostei do Verão. No meu mundo perfeito, o Verão era estação que não existiria. Não odeio, simplesmente, não aprecio. E, podemos, se possível, saltar o mês de Agosto... preciso urgentemente do meu querido mês de Setembro. 

 

   Calor. Não suporto o calor. Não me dou bem com ele. Faz-me, com alguma frequência, doer a cabeça. Deixa-me mole. E, qualquer coisa que use, mesmo o vestido de tecido mais leve, parece inadequado ao calor. Por isso, quando o tempo muda e lhe dá para dias mais frescos ou até chuvosos, sinto-os como uma bênção...

 

   Suor. Não gosto de sentir o suor escorrer-me pelas costas ou pernas. Provavelmente, ninguém acha graça. Mas, para mim, o pior é acabar de tomar banho e sentir que preciso de um novo banho. E, quando somos obrigados a entrar num autocarro apinhado de gente em que uma ou várias almas transpiram e emanam cheiros estranhos?

 

   Praia. Com a chegada do calor, sou obrigada a abandonar a minha querida praia. Não gosto de frequentar praias precisamente porque não suporto o calor e o suor, porque me amolece e não gosto do barulho de crianças e adultos em jogos e embirrações, nem de miúdos a correr sem qualquer cuidado com quem está deitado. Abandono a minha praia para regressar em Setembro ou Outubro, ao abrigo do frio e do silêncio, para reencontrar paz e tranquilidade. Não frequento praias porque, a única coisa que lhe acho piada é estar dentro de água ou ler um livro. 

 

   Turistas. A vila onde moro é a parvalandia o ano todo. Não se passa nada mas, no fundo, eu prefiro a parvalandia do ano todo do que a confusão de turistas... sejam eles turistas portugueses fugidos de Lisboa, sejam eles i(e)migrantes franceses, sejam eles ingleses e alemães a conhecer o Norte português - os espanhóis, esses, ficam de fora do pacote porque é como se fizessem parte da vila, andam por cá o ano todo. E, sim, eu tenho família no estrangeiro, à qual gosto sempre de rever mas, mesmo assim, gosto do sossego e da calma.  

 

   Festas. A terriola vive de festas apenas dois meses por ano. É curioso porque, no resto do ano, as festas são raras... é como se, o pessoal que mora na vila não precisasse de uma festarola para desanuviar e descomprimir. E, se por um lado, é bem verdade que nestes dois meses as festas são quase todas de cariz religioso, também não é menos verdade que, no Inverno, as festas que se realizam não fogem à componente religiosa. Compreendo que, quiçá, o retorno económico destas festas em época de turistas e imigrantes seja vantajoso mas, a vila não vive apenas dois meses...

 

Cinco motivos que, para mim, fazem com que a estação do Verão e mais especificamente os meses de Julho e Agosto sejam meses chatos. E, sim, contrariamente à grande maioria do país, eu trabalho nestes meses. Podem dizer que tal se deve, o meu não gostar, a esse facto mas, a verdade é que eu também já fiz férias. No ano passado, passei a segunda quinzena de Agosto no Algarve e, sabem que mais? Não gostei. Não achei o Algarve nada de extraordinário embora, tenha ficado maravilhada com as águas quentes em oposição às geladas do Norte. Imaginei como seria viver no Algarve o ano todo... e, imaginei um cenário triste e desolador, aquelas casas habitadas e movimentadas no Verão, fechadas e abandonadas no Inverno. Na minha pequena vila também existe disto mas ao contrário: são casas de primeira habitação, de quem vive o ano todo e as abandona apenas em férias; a dificuldade maior é para quem aqui deseja passar férias e cujas poucas casas alugáveis são caras. 

 

Outra coisa que, confesso, não compreendo do Verão é a necessidade de peles bronzeadas. Algumas mulheres e homens ficam tão estupidamente feios bronzeados... dizem que é saudável mas, no fundo, não vejo nada disso em pessoas que parecem passar vinte e quatro sob vinte e quatro horas na praia. Gosto tanto de ser uma copinho de leite - embora, não ache piada alguma quando me perguntam se estou doente por estar tão branca e pálida no Verão.

 

Reconheço que, para muitos, sobretudo famílias, estes meses sejam a altura ideal para estarem em conjunto. Provavelmente, no meu futuro, algo semelhante me irá acontecer e, inclusive, altere a minha maneira de ver. Mas, no fundo, sou mulher que prefere o silêncio, a paz e a calma à confusão e agitação do Verão... e ao calor. Já disse que odeio o calor? Não? Pois odeio verdadeiramente o calor! 

 

Nem tudo é, ainda assim, necessariamente mau. Gosto de uma coisa que só os meses quentes podem fazer por mim... vestidos. Gosto de usar vestidos leves e coloridos e, ah não podia esquecer, de sandálias e pés cuidados à mostra. É, resumidamente, a única vantagem que vejo na estação do Verão. 

 

Podemos saltar para Setembro? 

 

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*(pode argumentar que tal se deve ao mês em que nasci. nasci em Junho, aqui... precisamente na estação das chuvas.)

Praia... o meu lugar especial.


M*

21.03.14

Aquela praia onde me perco a contemplar o mar é especial. É diferente. Nela tento enterrar medos e receios, pedindo ao mar que transforma os meus sonhos e desejos em realidade.

 

 

Não, as parais não são todas iguais. Elas são diferentes. Não falo daquelas praias de Verão, mas sim daquelas parais de mar tempestuoso e revoltado, daquelas praias de Inverno.

O mar que as banhas é o mesmo, mas as praias, essas, são diferentes. São diferentes quem nelas procura o refugio. Diferentes nos pensamentos e segredos que escondem. Diferentes nos desejos e sonhos que nelas enterramos.

As praias não são todas iguais: são diferentes no Verão e no Inverno e os sonhadores, tais como eu, são todos distintos.

Qual a última fotografia que tirei com o telemóvel?


M*

04.03.14

A propósito desta reportagem, foi-me inevitável procurar qual a última fotografia que tirei com o meu telemóvel. É sempre fatal pensarmos em nós, mesmo que inconscientemente e questionar sobre o assunto.

 

 

Ora, assim sendo, a última fotografia foi na praia onde, durante horas, observei o mar. Algures nela, enterrei os meus sonhos e desejos... nela depositei todas a minhas esperanças.

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