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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Piropos.


M*

30.12.15

A última semana do ano de dois mil e quinze é marcada pela polémica em torno do piropo. A minha opinião é simples: sou a favor da criminalização. Porém, o ponto essencial a reter é, por toda a polémica gerada em torno da criminalização do piropo, a sua aprovação já valeu a pena e demonstra a sua importância. Por outro lado, é um alerta para a questão do assédio na rua às mulheres - e que, contrariamente aos inúmeros comentários por esta internet fora, atingem miúdas e mulheres, de qualquer idade, feitio, gorda ou magra, nacionalidade, religião, bonita ou feia, etc. -, é uma forma de consciencializar opiniões, procurar a mudança. É de pequenos passos que a mudança começa e qualquer mudança gera a sua polémica. 

 

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Portugal, um país culturalmente caro.


M*

17.09.15

Um livro, uma ida ao teatro, uma entrada de museu, um bilhete de cinema são, em Portugal, caros e inacessíveis à maioria das carteiras. Portugal é um país culturalmente caro. E, atrevo-me a acrescentar, um país pobre. Uma ida ao teatro, um bilhete de cinema ou um concerto de música clássica não é extensível a todo o país. Quem mora, como eu, numa pequena vila no Norte de Portugal dificilmente, para evitar escrever nunca, o consegue alcançar. A cultura ficasse pelas cidades grandes, Lisboa e Porto. É inacessível à minha carteira e a quem, como eu, mora a vários quilómetros de distancia do Porto. 

 

Portugal é um país culturalmente caro e pobre. Reflexo, provavelmente, do legado da era Salazarista, a cultura continua a ser tida e olhada pela maioria dos governos como uma espécie de parente pobre e afastado, desprezado em relação às restantes áreas, da vida social. Investe-se, incentiva-se, promove-se pouco, quase nada, da área cultural. Um assassinato público à cultura em Portugal. 

 

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Os jovens não lêem. Os jovens não vão ao teatro. Os jovens não visitam museus. Os jovens, cada vez menos, assistem a filmes nas grandes salas de cinema. Os jovens, diz-se por aí, são culturalmente pobres. E, pergunto, num país onde se implementam este género de medidas à venda de livros e onde grande parte da cultura se passa nas grandes cidades de Lisboa e Porto, e, ainda assim, a preços astronómicos, querem que sejamos jovens culturalmente ricos, como? Mantenhamos a cultura pobre e cara. Promovam os reality show, futebol e novelas. 

Não me enervem...


M*

16.09.15

É curioso,

 

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As pessoas que justificam primeiro ajudem os nossos sem-abrigos, desempregados e pobres, mostrando-se contra o acolhimento de refugiados em Portugal são, precisamente, as mesmas que diversas vezes ouvi criticar os pobres desempregados que recebem apoio social da Câmara Municipal da minha terrinha, e duas vez por dia se dirigem a uma instituição social a fim de irem buscar as refeições do dia. É curioso que as mesmas pessoas que utilizam este argumento são, quase sempre, as mesmas que viram a cara para o lado e se refugiam no medo - sabe-se lá do quê - para não ajudarem o sem-abrigo da esquina. E é com espanto, confesso, que vejo tanta gente hoje preocupada com os nossos sem-abrigos, desempregados e pobres... e se todos, em vezes de assobiarem para o lado, passassem das palavras aos actos e ajudassem quem mais necessita, certamente que viveríamos num país melhor. 

 

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Não me enervem com este argumento! Aliás, nem com este nem com aquele velho preconceito de que todos os refugiados são muçulmanos terroristas... 

Do IEFP,


M*

02.04.15

sobre caricata e absurda situação de renovar um cartão de cidadão... ou, a data do mesmo.

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Recentemente recebi uma convocatória por parte do centro de emprego onde constava a necessidade de actualizar os dados da minha ficha para, segundo eles, conseguirem satisfazer o meu pedido (ahahahahahahahaha, tão cómicos... em cinco anos, fui chamada uma vez para me falarem de um possível estágio na minha área - outra anedota para, um dia, contar - e zero vezes para formações, apesar de já ter várias vezes, manifestado o interesse). E, assim, numa manhã de Março, apanhei o autocarro com destino ao centro de emprego mais próximo. Pelo caminho e, embora, saiba que eles nunca o querem porque, é tudo informatizado - segundo eles -, parei numa papelaria para imprimir o currículo actualizado e o entregar - não fosse, alguma alma se lembrar. No centro de emprego entreguei a carta-convocatória ao recepcionista que, meia hora depois (era uma quinta-feira e, por norma, o centro de emprego onde estou inscrita é mais rápido do que às segundas-feiras, onde toda a gente, quer da cidade quer das aldeias e vilas, vai a correr), me mandou subir ao segundo piso, acompanhada de um outro senhor de muitos anos. Chegamos a uma pequena sala, onde fomos recebidos por uma senhora simpática mas quase sem vida (tão sem sal, tão cansada apesar de ainda nem ser meio-dia) e onde mal nos conseguíamos movimentar, pedindo-nos para nos sentarmos - o senhor ao meu lado, mais duas nas nossas costas. Vira-se para mim e diz-me,

 

   - Preciso do seu cartão de cidadão. 

 

Entrego-lhe e começa a debitar os meus dados pessoais: morada, telemóvel, email, nacionalidade e afins. Devolve-me o cartão de cidadão e diz,

 

   - Acabei. Chamei-a aqui porque o seu cartão de cidadão tinha caducado no ano anterior e precisávamos de saber a data do actual.

 

Como? Só podem estar a gozar! Viro-me para a senhora e digo-lhe,

 

   - E, já que estou aqui, não quer actualizar o resto da ficha ou vai-me chamar daqui a um mês para o fazer? 

 

Diz-me que sim e começo a disparar os pequenos trabalhos que fiz. Não mostra interesse em saber mais sobre eles, em desenvolver. Fica a saber o básico. Antes de abandonar a sala e o centro de emprego, pergunto-lhe o que devo fazer para me candidatar a estágios no âmbito do PEPAL e, no caso de conseguir algum, o que fazer a seguir.

 

   - Se a menina conseguir um estágio PEPAL basta enviar um email a dizer que está a fazer estágio.

 

Ahahahah! Desculpem? Eu ouvi bem? Para dizer que estou a fazer estágio, já posso enviar email mas, por uma data, tenho me deslocar ao centro de emprego quando, bastava um email ou uma mensagem a pedir uma fotocópia do cartão. Na era da informática, gastei cinco euros no autocarro - dinheiro dos meus pais porque, sendo recém-licenciada, não recebo qualquer apoio - e perdi uma manhã quando num minuto, poderia ter enviado uma fotocópia para email da senhora. E, para não comentar o facto de os meus dados ficarem expostos para quem quisesse ouvir... 

 

Malta do IEFP: há computadores e, nós, jovens, sabemos usar! Upa! Upa! Acordem! Modernizem-se! 

Domingo à noite...


M*

22.09.14

A minha noite de domingo resume-se a,

 

chá - para combater o frio;

final da novela - esperava um bocadinho mais, um final diferente... inesperado já ele foi, mas faltou qualquer coisa;

manicure;

Factor X - gosto imenso deste género de programas e do Manzarra; *

e computador.

 

Mudei uma vez para a Casa dos Segredos: bastou ver a Teresinha aos berros para mudar de canal. Não vi a estreia da Casa dos Segredos nem precisei: bastava actualizar o meu facebook para ler comentários de amigos, colegas e conhecidos sobre os meninos e meninas a concurso. Portanto, sei que entrou um gajo muita esquisito, um tipo que foi casado com aquela Gisela-qualquer-coisa, uma gaja que nunca fez nada na vida nem quer fazer e alguém que considera o dinheiro a coisa mais importante da vida. Mais do mesmo... e, muito material para a malta das Ciências Sociais e do Comportamento trabalhar. ** 

Ou seja, mantenho-me fiel aos meus queridos júris do Factor X... 

 

* (alguém viu o senhor de Vila Nova de Famalicão a cantar? lindo, lindo, lindo!) (e já referi que acho o Manzarra giro?! sim, é giro!)

** (coisa pouca... trabalho para uma tese de doutoramento, quiçá!)  

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