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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Piropos.

A última semana do ano de dois mil e quinze é marcada pela polémica em torno do piropo. A minha opinião é simples: sou a favor da criminalização. Porém, o ponto essencial a reter é, por toda a polémica gerada em torno da criminalização do piropo, a sua aprovação já valeu a pena e demonstra a sua importância. Por outro lado, é um alerta para a questão do assédio na rua às mulheres - e que, contrariamente aos inúmeros comentários por esta internet fora, atingem miúdas e mulheres, de qualquer idade, feitio, gorda ou magra, nacionalidade, religião, bonita ou feia, etc. -, é uma forma de consciencializar opiniões, procurar a mudança. É de pequenos passos que a mudança começa e qualquer mudança gera a sua polémica. 

 

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Portugal, um país culturalmente caro.

Um livro, uma ida ao teatro, uma entrada de museu, um bilhete de cinema são, em Portugal, caros e inacessíveis à maioria das carteiras. Portugal é um país culturalmente caro. E, atrevo-me a acrescentar, um país pobre. Uma ida ao teatro, um bilhete de cinema ou um concerto de música clássica não é extensível a todo o país. Quem mora, como eu, numa pequena vila no Norte de Portugal dificilmente, para evitar escrever nunca, o consegue alcançar. A cultura ficasse pelas cidades grandes, Lisboa e Porto. É inacessível à minha carteira e a quem, como eu, mora a vários quilómetros de distancia do Porto. 

 

Portugal é um país culturalmente caro e pobre. Reflexo, provavelmente, do legado da era Salazarista, a cultura continua a ser tida e olhada pela maioria dos governos como uma espécie de parente pobre e afastado, desprezado em relação às restantes áreas, da vida social. Investe-se, incentiva-se, promove-se pouco, quase nada, da área cultural. Um assassinato público à cultura em Portugal. 

 

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Os jovens não lêem. Os jovens não vão ao teatro. Os jovens não visitam museus. Os jovens, cada vez menos, assistem a filmes nas grandes salas de cinema. Os jovens, diz-se por aí, são culturalmente pobres. E, pergunto, num país onde se implementam este género de medidas à venda de livros e onde grande parte da cultura se passa nas grandes cidades de Lisboa e Porto, e, ainda assim, a preços astronómicos, querem que sejamos jovens culturalmente ricos, como? Mantenhamos a cultura pobre e cara. Promovam os reality show, futebol e novelas. 

Não me enervem...

É curioso,

 

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As pessoas que justificam primeiro ajudem os nossos sem-abrigos, desempregados e pobres, mostrando-se contra o acolhimento de refugiados em Portugal são, precisamente, as mesmas que diversas vezes ouvi criticar os pobres desempregados que recebem apoio social da Câmara Municipal da minha terrinha, e duas vez por dia se dirigem a uma instituição social a fim de irem buscar as refeições do dia. É curioso que as mesmas pessoas que utilizam este argumento são, quase sempre, as mesmas que viram a cara para o lado e se refugiam no medo - sabe-se lá do quê - para não ajudarem o sem-abrigo da esquina. E é com espanto, confesso, que vejo tanta gente hoje preocupada com os nossos sem-abrigos, desempregados e pobres... e se todos, em vezes de assobiarem para o lado, passassem das palavras aos actos e ajudassem quem mais necessita, certamente que viveríamos num país melhor. 

 

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Não me enervem com este argumento! Aliás, nem com este nem com aquele velho preconceito de que todos os refugiados são muçulmanos terroristas... 

Um mar de livros... estou a ler,

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