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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

É estranho, Vida.


M*

12.01.16

A vida é um caminho estranho. Dou comigo, sem o desejar, a imaginar como seria a minha vida presente se nas pequenas escolhas do dia-a-dia de um passado tivesse optado por outro caminho. Os tais E Se... da vida.

 

Lembro-me, em menina, de desejar nunca crescer. O mundo dos adultos era assustador, chato, aborrecido. Queria permanecer menina. Não me imaginava mulher carregada de responsabilidades. Não tinha presa em crescer. Não queria, nunca quis, ter dezoito anos para tirar a carta de condução e fazer as coisas de adolescentes. 

 

Pergunto-me... e se tivesse desejado crescer como ansiavam os meus amigos de infância? 

 

A vida é um caminho estranho. Imagino-me com dezoito anos. Não passava de uma menina grande, a fingir ser adulta, receando os novos caminhos da vida. Considerava-me decidida. Hoje sei-o... nunca consegui assumir verdadeiramente o controlo da minha vida. Na verdade, desconfio que não conseguimos controlar os estranhos caminhos que seguimos... por mil voltas que tomemos.

 

E se, naquele dia de menina-mulher, me tivesse negado a tirar a carta de condução? E se, naquela candidatura à Universidade tivesse optado por seguir o sonho que, tal como hoje, terminaria no desemprego? E se, em vez de um mestrado, tivesse optado por me aventurar no universo do trabalho? E se, em vez de ti, tivesse optado por me manter na solidão? E se... malditos. E, no entanto, talvez o maior E Se de mim, do meu eu, da minha vida seja aquele que se relaciona com as mudanças bruscas da infância... talvez o presente não fosse este. 

 

É estranho. Confio em que tudo acontece por um motivo forte que, cedo ou tarde, descobriremos as razões. Acredito que à vida e aos caminhos por ela traçados, é impossível fugir, por mais voltas que lhe tomemos, haverá sempre de tomar forma para acontecer. O que tiver de ser, será... dizem. E, no entanto, os malditos Se perseguem-me como se desejassem roubar-me algo.

 

No fundo, Vida, continuo sem entender porque decides fazer-me perder anos no mesmo patamar de nadas... sinto-me como um ser esquecido num qualquer caminho do mundo e era hora de me reencontrares. 

 

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Malditos Se...  

33 | Coisas de blogger... completa os favoritos.


M*

13.09.15

A Marta, do blogue A Rapariga Com Trançinhas, criou o seu próprio desafio e incentivou-me a responder às suas questões. A tag é bastante simples e consistem as regras em:

- Responder a todas as perguntas;

- Nomeia no minímo 3 blogs;

- Marca quem te indicou no post;

- Comenta com o link a tua resposta à TAG de quem te indicou.

 

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Uma vez conhecidas as regras, eis as respostas...

 

O melhor filme que já vi... filme em português: Um Funeral à Chuva (2010); filmes estrangeiros: Medianeras (Argentina, 2011) e Amigos Improváveis (França, 2012). No entanto, porque escolher apenas um filme é como pedir a uma mãe que escolha o seu rebento preferido, fica o registo do meu top quinze de filmes, ao qual acrescento O Menino de Cabul (não que a adaptação seja excelente, mas é um filme inesquecível, tal como o filme).

 

O meu prato favorito... bacalhau à brás, arepas venezuelanas e esparguete à bolonhesa. 

 

O meu livro favorito... um livro é especial e por mais que deseje escolher apenas e somente um livro, é-me totalmente impossível. Elaborei, graças a um desafio, este ano, o meu top seis de livros favoritos e a estes seis, acrescento: Travessuras da Menina MáA Bibliotecária de Auschwitz, O Menino de Cabul, Nunca Me Esqueças e O Monte dos Vendavais - sem qualquer ordem de preferência.

 

A canção que mais gosto... é, mais uma vez, uma questão que não permite escolher apenas uma única. Respondi, no passado, a um desafio sobre músicas, sendo fácil constatar que um dos meus géneros musicais favoritos é o latino. Confesso, no entanto, que nos últimos dias tenho andado completamente viciada e rendida às vozes de Diogo Piçarra e Ed Sheeran...

 

A melhor viagem que fiz... viagem de finalistas a Lloret del Mar, Espanha: pelas pequenas aventuras e peripécias, pelas histórias, pelos amigos... e desengane-se quem imagina álcool ou exageros à mistura. 

 

A minha série favorita... sem nenhuma dúvida: A Guerra dos Tronos.

 

A minha peça de roupa favorita... vestidos!

 

A minha disciplina favorita... era, no ensino secundário, História, Geografia, Espanhol e Sociologia.

 

Não vou nomear ninguém... deixo-o, em aberto, para quem quiser responder. Sintam-se à vontade para roubar e responder!

A caixa de ti.


M*

16.07.15

Mergulhei em ti, em nós, nas memórias de um ano em comum quando, sem relembrar o que continha naquela velha caixa, tropecei nela. E, no tão pouco tempo que fomos nós, recordei o significado de cada pequena coisa tua. Uma carta, um pedaço de papel, um peluche, um bilhete para um festival, momentos de outrora, provas de um passado que não deveria ter vivido. A caixa, recheada de mil e um sentimentos, relembrou-me o motivo porque te guardei. Guardamos pequenos nadas pelo significado de quem, um dia, tanto amamos. E, depois, quando as coisas não são para ser, quando o caminho de ambos não se faz lado a lado? Existem duas hipóteses: ou destruímos tudo ou guardamos. Resolvi guardar-te. Não por te amar mas, para jamais esquecer do que me obrigaste a viver, do que não quero novamente viver, do que não quero para mim. 

 

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Memórias de um Colégio.


M*

11.07.15

Era um colégio grande. A entrada principal do colégio, rodeado de enorme grades, dava para o campo de basquetebol e, subindo umas pequenas escadas de pedra, um terreno de terra, bancos de pedra e enormes árvores misturavam-se com o palco ao ar livre. Recordo-me de passar horas do meu intervalo naquele recinto aberto e, numa dessas horas, oferecer um estalo a um colega que embirrará comigo. 

 

Era um colégio bonito. A entrada para as salas de aula era formado em fila. Por vezes, quando me atrasava, via como naquele campo de basquetebol, se formavam filas de miúdos, de todas as idades, à espera de entrar na sala de aulas. Vestíamos fardas mediante a idade e o ano que frequentávamos. Um colégio para todas as idades e anos. Recordo-me de, enquanto esperava na fila, sentir um excesso de liberdade de movimentos e, quando alguém me perguntou pela minha lancheira, abandonar a fila sem qualquer autorização e correr, batendo com os joelhos nas grades, gritar pela minha mãe que, não muito longe, me veio devolver a lancheira.

 

Era feliz, naquele colégio enorme, onde os intervalos eram passados entre sonhos de princesas e cavaleiros, corridas e danças. Era um colégio onde, desde tenra idade, aprendíamos sobre o país, a História e Jesus... e, numa sala forrada de letras e números, símbolos nacionais e a cruz, aprendi a desenhar o meu nome, a escrever as primeiras palavras e a calcular as contas básicas da matemática. 

 

Era um colégio grande, bonito e onde fui feliz. Recordo-o como se amanhã pudesse voltar a entrar nele. Memórias belas que jamais esquecerei. Recordo-o como se tal me levasse a vislumbrar o futuro que nele não vivi... 

 

A vida faz-se de memórias e em saudades e nostalgia mergulhei quando, numa visita à casa da minha avó materna, a minha irmã mais nova descobriu este livro... o livro do meu primeiro ano básico de escolaridade,

 

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E, quando a vida se vestiu de mudanças, este livro atravessou o oceano. É curioso como algo tão simples representa tanto... 

 

*(o livro encontra-se dividido por quatro temas - língua e literatura castelhana, matemática, estudos sociais, estudos da natureza e higiene pessoal - separados por cores distintas... tudo num simples livro.)

Recordações de uma infância.


M*

23.04.15

A Miss Ana, do blog De Repente Já Nos 40!!!, moça dotada de muita simpática, desafiou-me a relembrar um episódio memorável de infância. 

 

É-me difícil escolher apenas uma memória de infância. Sempre que relembro os meus tempos de meninice, surgem várias que ora envolvem o meu irmão, ora envolvem a minha irmã, ora envolvem os dois. Mas, existem dois episódios que, não envolvendo nenhum dos irmãos e longe de serem tão divertidos como o vivido pela Miss Ana, me levam a viajar até ao meus país de nascimento, Venezuela.

 

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Os episódios aconteceram quando teria uns quatro ou cinco anos. Ambos relembram-me o colégio que frequentava, bem como os passeios até ao jardim de infância do meu irmão na companhia da minha mãe. Ele era o primeiro a ser deixado no jardim. Cada um de nós levava uma pequena lancheira e, assim que o meu irmão ficou no jardim de infância, insisti com a minha mãe para que levasse a minha até ao colégio. Ela lá me fez a vontade e fomos o resto do caminho, sempre de mão dada, comigo aos saltinhos, a cantarolar e a conversar. Quando chegamos à porta do colégio, a minha mãe despediu-se de mim, recambiando-me para a fila correspondente ao meu ano. O colégio que frequentava, gerido por freiras, que ia desde o nível mais básico de ensino obrigatório ao último ano de escolaridade (neste caso, o 11.º ano), imponha farda (recordo-me perfeitamente da farda: saia de prega azul escura, camisa branca e detalhes azuis na gola, símbolo do colégio na camisa, meias brancas e sapatos escuros... cores que correspondiam ao meu ano) e ordem à entrada do mesmo: havia sempre funcionários ou freiras à entrada e professores a formarem as filas com os alunos correspondentes ao seu ano. Lá fui eu toda contente para a minha fila, metida nos meus pensamentos quando, começo a sentir extrema leveza, faltava-me algo. Olhei em volta, para os meus colegas de turma a pensar no que me faltaria quando, um colega atrás de mim me pergunta se eu naquele dia não ia comer. Fez-se luz! A lancheira! Não pedi autorização a ninguém para abandonar a fila, nem respondi ao colega, simplesmente desatei a correr recreio fora... só parei quando bati contra o gradeamento do recreio, berrando e chamando pela minha mãe. Foi, ao ver-me junto ao gradeamento e a berra qual criança louca que, também ela, se lembrou da lancheira. Mas, se julgam que ela fez o favor de dar a volta e entrar como qualquer pessoa normal para entregar a dita lancheira, desenganem-se: atirou-a por cima do gradeamento. Obviamente que levei um raspanete da freira pela figura ridícula de abandonar a fila, correr e grita loucamente mas, felizmente, tive sorte de a senhora minha mãe ter-se deixado ficar alguns minutos à conversa com outra mãe.

 

O outro episódio comprova a teoria dos meus pais em como sempre fui meia levada das ideias, criança refilona e meia rebelde - apesar de todos os castigos e palmadas que apanhei. À porta da escola, enquanto esperava pela minha mãe, um rapaz do meu ano, também ele à espera dos pais, pediu-me um beijo na boca - o simples encostar de lábios. Disse-lhe que não. Ele insistiu e voltei a dizer não. Como tornou a insistir, eu não fui de modos e, sem me importar com o que os outros, espetei-lhe um estaladão. A minha mãe que, escondida assistiu à cena (felizmente, nenhuma freira viu o meu estalo), saiu do esconderijo e, obviamente que me passou um sermão mas, em vez de me calar, respondi-lhe que não tinha paciência para aturar rapazes tão chatos. Não me recordo do que aconteceu a seguir, provavelmente fiquei de castigo, mas ela conta que, volta e meia, recebia queixa da professora ou de uma freira porque me envolvia às turras com este rapaz. Infelizmente, não recordo o nome dele...

 

Obrigada Miss Ana!

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