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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

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7 | Da minha estante... Mil Sóis Resplandecentes.


M*

26.12.14

mil sóis resplandecentes, khaled hosseini.jpg

 Mil Sóis Resplandecentes é muito mais do que um livro, é uma viagem pelo Afeganistão das mudanças sociopolíticas das últimas três décadas. Mais do que um romance, Khaled Hosseini sob o olhar de Miriam e Laila, as protagonistas, explica os trágicos acontecimentos que marcaram irremediavelmente a cidade de Cabul, outrora verde, modernista e liberal - onde as crianças brincavam na rua e as mulheres trabalhavam -, numa Cabul retrógrada, violenta e sangrenta - todos os dias, se morre ou se fica órfão, onde as mulheres são proibidas de sair de casa sem companhia de um homem.

 

Miriam é a bastarda, uma harami, filha de um proprietário de cinema rico. Uma harami a quem, as mulheres do pai, desejam fazer desaparecer, casando-a, aos quinze anos, com um homem muito mais velho do que Miriam. Miriam não sabe o que é a felicidade nem o amor. Obrigada a casar-se com um homem velho, parte para Cabul onde, se torna refém do marido. Cedo aprende a obedecer e a aceitar o destino como forma de sobrevivência a um marido agressivo e violento.

 

Laila é filha mais nova de uma família, onde a mãe é quem praticamente dita as regras e o pai, um professor universitário, vive entre os livros, generoso e compreensivo. Laila nasce e cresce na mesma rua onde Miriam e o marido Rashid vivem, uma menina inteligente, curiosa, bonita e feliz, rodeada dos seus amigos - as amigas da escola que frequenta Giti e Hasina e o seu eterno amor, Tariq. Porém, a felicidade de Laila é abalada quando a guerra rebenta e um rocket atinge a rua onde mora. A morte encontrará o caminho de Laila cruzando-a com a de Miriam e Rashid. 

 

A partir deste momento, apenas a amizade e a coragem lhes permitem lutar pela felicidade, num cenário impiedoso onde o facto de se manter vivo é por si só uma dura batalha.

 

Mil Sóis Resplandecentes é, como já referido, mais do que uma viagem à História de um dos países mais violentos do mundo; é o relato marcante de milhares de meninas e mulheres, numa sociedade dominantemente machista, onde a crença religiosa é levada ao extremismo... em resumo, o drama de ser mulher num universo onde nada são ou possuem - nem acesso à educação ou direito a um hospital condigno para dar à luz. Através de Khaled Hosseini, conhecemos uma sociedade onde cantar, dançar, jogar xadrez ou lançar o papagaio é proibido e condenado com prisão.

 

Khaled Hosseini foi a minha companhia nesta quadra natalícia e uma das minhas melhores compras. Uma escrita simples, tocante e sensível. É, confesso, de uma carga emocional pesada: os relatos da violência de Rashid sob Miriam e Laila, assim como o da guerra, levaram-me a, por momentos, parar a leitura para afugentar os cenários da minha imaginação... ou de mergulhar nas folhas e resgatar aquelas vidas marcantes.

 

Mil Sóis Resplandecentes tornou-se um dos livros mais marcantes, inesquecível e revoltantes. É, igualmente, um hino à liberdade, à vida, à esperança, à felicidade, à amizade e ao amor. Khaled Hosseini um autor a reencontrar em O Menino de Cabul e E As Montanhas Ecoaram.

 

(mais informações sobre o livro em Editorial Presença)

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