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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Do excesso de peso e da aceitação.


M*

20.09.14

Não é fácil aceitar aquilo que somos. Uma frase, um momento, uma pessoa ou tudo isto junto e deixamos que sejam os outros a controlar a nossa vida, o modo como nos vemos. Não é fácil aceitar que temos peso excesso de peso ou peso a menos, que temos acne ou outro problema de saúde que marcam o nosso aspecto exterior perante os demais. Nada disto é fácil.

Durante anos tentei lutar contra o excesso de peso e problemas de acne. Anos em que foram os outros quem dominaram a forma como me via ao espelho. Eu sabia que era gorda, com excesso de borbulhas e uns óculos terrivelmente feios. Eu sabia disso e diariamente lutava por ultrapassar. Fiz de tudo para melhorar os dois primeiros, já que sem óculos não podia andar. Dietas, tratamentos, exercícios, cremes. Começa, nunca terminava. Havia sempre um momento, entre o começo e a desistência mais forte que eu. Um comentário, um gesto, algo. Adormecia a chorar. Quis desistir de mim. Estava farta dos comentários alheios, do nunca vais ter um namorado ou és tão feia que custa a olhar. 

Porém, um dia, alguém me disse que antes de tentarmos mudar por alguém temos de mudar por nós... primeiro por mim e nunca pelos comentários destruidores dos demais. Deixei os óculos, passei a usar lentes. Perdi algum peso, não tanto quanto desejava, mas passei a controlar-me melhor e a evitar que a balança ultrapasse os três dígitos. Não resolvi o problema do acne, mas consultei um especialista e notei como o meu rosto se tornou mais limpo de borbulhas... 

No passado evitava a todo o custo ir até a uma praia. Inventava desculpas. Mil e umas. Tinha medo dos olhares, achava que todos me olhavam porque estava ali uma gordinha... olha a gordinha. Sabia que perdia excelente momentos na companhia dos amigos, mas como ultrapassar os complexos? Não é tarefa fácil. Não acontece do dia para a noite. É algo trabalho, dia a dia, semana a semana, ano a ano. A primeira vez, em anos, que voltei a ir à praia, achava que todos me olhavam. Escondia-me. Achava que todos comentavam. Aos poucos e poucos, ultrapassei este e outros receios... Já não sinto necessidade de me esconder num fato de banho terrivelmente feio. No ano anterior, consegui comprar e usar (a medo, confesso) um biquíni; este ano, via internet, comprei um lindíssimo... e não tive tanto medo de ir à praia.

Não é fácil aceitar aquilo que somos. Raramente alguém se apaixona por outra pessoa extremamente magra ou extremamente gorda. Raramente alguém se preocupa primeiro com a beleza interior e só depois a exterior. O primeiro interesse surge pelo lado exterior e, só com o tempo, pelo interior. Mantenho os meus medos. Tenho um medo terrível da solidão e medo que seja o meu peso a mais que me condene...

Não é fácil aceitar como somos. Não existem estratégias ou formas milagrosas de o conseguir. Depende de nós, somente de cada um de nós... lutar, persistir, batalhar e aceitar. Aprender a aceitar que não nascemos com o corpo das divas de Hollywood ou de uma Jennifer-qualquer-coisa e, até mesmo elas, lutaram e trabalharam por ele (é claro que, com tanto dinheiro, o caminho é mais fácil)... ninguém possui um corpo perfeito e ele depende de quem o olha... e, demore o tempo que demorar, aprender a aceitar...

 

A Joanna já se consegue divertir numa praia de biquíni. Eu, para lá caminho. Ando a tentar aprender...

Desabafo # 8


M*

16.09.14

Esta a trovejar... muito... eu não gosto nada, nadinha... e chove como se o mundo fosse acabar! Medo!

Dos medos, da saudade e da solidão.


M*

12.09.14

Perguntaram-me se tinha namorado e quando o arranjava, que uma jovem como eu à muito que deveria ter um. Perguntaram-me se alguma vez o tive, respondi que sim, um. Perguntaram-me porquê acabamos, respondi que não queria falar sobre o tema. Uma simples pergunta leva a outra e àquela que deveria ser proibida. É sempre assim. Como se chegar aos 26 solteira fosse um crime.

 

 

A verdade sobre mim é esta: nunca tive facilidade em estabelecer novas amizades, sobretudo quando as mesma envolvem o sexo oposto. Não me sinto uma pessoa interessante para se dar a conhecer ou se deixar descobrir. Não me sinto atraente nem bonita. Falta-me confiança, eu sei. Falta-me auto-estima. Falta-me tanta coisa que, aos 26, já não sei como alcançar ou melhorar.

O primeiro beijo chegou com os 21, aquando do primeiro namorado. Terminou poucos meses antes de completar os 23. Uma relação com altos e baixos, com bons e maus momentos, situações marcantes e que nada tinha para dar certo, desde o primeiro dia, mas que insisti em fazer durar. Dizem que o pior cego é aquele que não querer ver e eu deixei-me cegar pelo fascínio e brilho de um primeiro amor, mesmo percebendo que estava longe do que idealizei. A vida é assim, nunca é como a idealizamos. 

O outro lado inegável da verdade é que sinto saudades de uma companhia. Saudades dos abraços, dos beijos, dos passeios de mão dada. Saudades de dormir no peito, de sentir e saber que se preocupavam comigo, dos pequenos momentos. Por mais que o tente negar, sinto falta destes momentos, saudades que só vive com uma pessoa. 

Imaginava os meus 26 distintos da realidade. Uma casa, um trabalho, um namorado. Coisas que achava simples de concretizar. Não consigo imaginar para lá dos meus 26... não consigo imaginar uma casa, um trabalho, um namorado. 

E, como uma verdade leva sempre a mais verdades, a verdade é que tenho medo. No passado, o meu maior medo era o de ficar cega, de não voltar a olhar o arco-íris, o pôr-do-sol ou a chuva de Inverno. Medo de viver no que dizem ser escuridão e de não voltar a ver o rosto dos que mais amo. O medo da cegueira mantém-se, mas compreendia que é possível viver na escuridão das novas cores. Porém, cresceu em mim, um novo medo que, digam o que dizerem, não sei como se consegue viver: o da solidão. Tenho medo que a vida ou o destino (ou seja lá quem for) se tenham esquecido de mim ou me tenham abandonado, como se não tivesse outro remédio que a solidão. Receio de ver que aos demais, a vida ou o destino (ou seja lá quem for) apresenta o amor e me deixa de lado. Sim, porque até para se encontrar alguém é preciso sorte e eu nunca tive sorte nem ao jogo nem ao amor. Tenho um medo enorme à solidão... e acho que não sei viver com ela.

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