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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Os livros do mês de Julho e Agosto.


M*

05.10.15

Era, a cada novo início de mês, meu hábito escrever sobre as leituras do mês finalizado. O mês de Junho foi o último que lhe dediquei. Julho e Agosto foram meses duros, complicados e de trabalho, contrariando a ideia tendencial de Verão, férias e descanso, complicando a minha escrita. Foram meses onde a escrita se afigurou escassa, tal como a minha vontade de escrever, consequentemente, o projecto leituras do mês ficou parado. Retomo-o em Outubro, auxiliando-me da minha conta goodreads. É hora de conhecerem as leituras que me fizeram viajar, sonhar, amar e chorar nos meses de Julho e Agosto. As leituras de Setembro publicarei em breve.

 

Diz-me Quem Sou

Julia Navarro

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Como terá sido possível que uma nação inteira tenha enlouquecido ao ponto de ter assassinado em massa milhões de pessoas, pela simples razão de serem de raça diferente ou de professarem outra religião? Por que motivo não se tinha o povo alemão rebelado? Recordei-me de Max von Schumann e dos seus amigos; eles não concordavam com Hitler (…) Quantos alemães terão realmente colocado a vida em risco ousando lutar contra Hitler?

 

 Julho. É um livro recheado de conteúdo histórico, um olhar sobre a História do século XX, nomeadamente a Guerra Civil Espanhola, as ideias comunistas, II Guerra Mundial e a queda do Muro de Berlim. Diz-me Quem Sou conta-nos a história de um jovem jornalista precário, Guillermo, contratado pela tia para investigar a vida da sua desaparecida bisavó Amelia. A autora opta por contar a história através de personagens distintas - o que me levou, a um dado momento, a saltar estas partes... como se se tratassem de uma espécie de introdução -, aos poucos e poucos, levando-nos a viajar por cidades como Madrid, Paris, Berlim, Buenos Aires, Moscovo ou Cairo. Uma leitura recomendada aos amantes da História do século XX.

 

Índice Médio de Felicidade

David Machado

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Só que não deveria ser assim, Almodôvar, não deveríamos precisar de dias maus para dar valor aos bons, essa alegria deveria existir sempre, não apenas nos momentos de alívio. Mas estamos condenados por esta obsessão em relativazar tudo. Aqui e agora nunca são suficientes, travamos uma luta contínua, impossível de resolver, porque não aceitamos menos, porque queremos sempre mais. 

 

 Julho. Opinião aqui. David Machado aborda a infelicidade e a felicidade, o optimismo e a frustração, a persistência e o desânimo de quem, um dia, vê os pilares da sua vida serem abalados. Usando de um tema sensível, a crise e as suas consequências, Índice Médio de Felicidade leva-nos a reflectir sobre o nosso papel e valor na sociedade, a importância da família e da carreira nos tempos presentes, o valor e significado de felicidade no dia-a-dia ou o que somos capaz de fazer para alcançar um objectivo. 

 

O Monte dos Vendavais

Emily Brontë

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Os orgulhosos arranjam desgostos às suas próprias mãos.

 

 Julho. Opinião aqui. A história começa quando o patriarca da família Earnshaw, após uma viagem a Londres, regressa com o pequeno Heathcliff. É ele o elo de amor e desgraças que se abaterá sobre as vidas que toca. Os filhos de Earnshaw, Catherine e Hindley, sentem-se colocados de parte pelo pai que, parece nutri mais carinho e atenção pelo novo filho. Porém, a morte de Earnshaw levará Hindley a assumir a posição de patriarca da família e, assim, a vingar-se de Heathcliff. A irmã Catherine, todavia, não compartilha do pensamento do irmão e encontra em Heathcliff um parceiro. Nasce, assim, entre ambos algo mais do que uma simples amizade ou carinho de irmãos. A história sofre uma reviravolta com a partida d' O Monte dos Vendavais de Heathcliff, levado a acreditar que Catherine não corresponde aos sentimentos e pela atracção da jovem Catherine aos luxos e riquezas que um casamento podem proporcionar. O regresso, anos mais tarde, de Heatchcliff marcará a vida de das famílias de ódio e vingança. 

 

Segue o Coração

Lesley Pearse

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Mas, acima de tudo, quero ter feito uma diferença na vida de outras pessoas.

 

 Julho. Opinião aqui. Lesley Pearse, pela vida de Matilda Jennings, dá-nos a conhecer partes interessantes da História dos Estados Unidos da América, dos finais do século XIX e dos inícios do século XX. Nas mais de setecentas páginas de Segue O Coração somos convidados a conhecer os primórdios da cidade de Nova Iorque, a conquista do Oeste Selvagem, a loucura da corrida ao ouro, o nascimento de São Francisco e a guerra pelo fim da escravatura nos estados do Sul. Os relatos são vivos e marcantes como se de facto os tivéssemos vividos. Aliás, ao longo do livro, Pearse relata-nos histórias baseadas em vidas reais trágicas  que constituem verdadeiros murros. Foi e é de vidas miseráveis e cruéis de ingleses, chineses, irlandeses, mexicanos, alemães e tantas outras nacionalidades, que se fez e vestiu a história dos EUA. Segue O Coração é a minha quarta leitura de Lesley Pearse. É, seguramente, uma das minhas escritoras favoritas no género romance histórico. Os livros de Pearse enganam. Refugiando-se num título e capas femininas e cor-de-rosa, traduzem a ideia de tratarem-se de romances lamechas, demasiados melosos. Porém, a verdade é que são livros que ficam aquém do romance, constituindo importantes lições históricas. 

 

A Mulher do Viajante no Tempo

Audrey Niffenegger

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- Clare? 

- Sim? - A minha voz está baixa e amedrontada.

- Sabes que te amo. Queres casar comigo?

- Quero... Henry. - Tenho uma sensação avassaladora de déjà vu. - Mas, sabes, na realidade... já casei.

 

 Agosto. Opinião aquiA Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem à descoberta do poder do amor de um amor intemporal. Henry e Clare, os protagonistas, vivem um amor instável e envolto nos caprichos de uma particularidade que faz deles um casal especial. Henry conhece Clare quando ele tem 28 anos e ela 20. Porém, Clare conhece Henry desde menina... o primeiro encontro de ambos acontece quando ela tem 6 anos e Henry é um homem adulto de 36 anos. Os encontros de Henry na infância e adolescência de Clare tornam-se frequentes, levando-a a conhecer desde menina aquele que será o homem da sua vida. Confusos? Poderia ser, contudo, à medida que viajamos na história de Henry e Clare, compreendemos a particularidade e inevitabilidade que une o casal. É que, tal como o título da obra o indica, Henry é um viajante no tempo. 

 

A Bibliotecária de Auschwitz

Antonio G. Iturbe

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 Ao longo da História, todos os ditadores, tiranos e opressores, fossem arianos, negros, orientais, árabes ou eslavos, fosse qual fosse a cor da sua pele, quer defendessem a revolução popular, os privilégios dos ricos, o primado de Deus ou a disciplina sumária dos militares, fosse qual fosse a sua ideologia, tiveram uma coisa em comum: todos, sem excepção, perseguiram os livros com uma sanha feroz. Os livros são perigosos, fazem pensar. 

 

 Agosto. Opinião aquiA Bibliotecária de Auschwitz inspirado na história de vida de Dita Kraus, sobrevivente de Auschwitz, remete-nos para o horror sofrido por milhares de judeus nos campos de concentração mas, acima de tudo, o poder e a força que os livros podem exercer naqueles que vivem rodeados do horror. Dita Adlerova não é mais do que uma jovem adolescente porém, é ela a portadora e testemunha de um segredo marcante, proibido no campo de Auschwitz-Birkenau. Dita, juntamente com Fredy Hirsch, que conseguiu erguer uma escola num campo de concentração, é a guardiã de oito poderosos livros. Cabe-lhe a ela, enquanto bibliotecária, a protecção e cuidado dos livros estritamente proibidos pelos nazis. Dita sabe que, cada livro que esconde, pode significar o seu fim e, no entanto, dona de uma coragem extraordinária, a jovem cuida aqueles oito preciosos livros como se de alimento se tratasse. No fundo é disso que se trata... 

 

A Rapariga de Papel

Guillaume Musso

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A nossa liberdade constrói-se sobre aquilo que os outros ignoram da nossa existência.

 

 Agosto. Opinião aquiA Rapariga de Papel foi a minha primeira leitura de Guillaume Musso e, confesso, adorei... para dizer a verdade, nem sei como explicar os motivos que me levaram a gostar tanto deste livro! É simplesmente delicioso e faz-nos desejar entrar pelas páginas do livro. Uma agradável surpresa. No fundo, a história de Musso não é invulgar, pelo contrário mas, a forma como está estruturada e o pequeno toque de magia, conferem ao romance a diferença que me apaixonou. Confesso que fazia algum tempo que não lia uma história simples, enternecedora e que me deixa-se visivelmente apaixonada. 

 

O Tempo Entre Costuras

María Dueñas

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Uma máquina de escrever arruinou o meu destino. Foi uma Hispano-Olivetti, da qual me separou durante semanas o vidro de uma montra. Visto de hoje, a partir do parapeito dos anos passados, custa a crer que um simples objecto mecânico pudesse ter potencial suficiente para quebrar o ruma de uma vida e fazer explodir em quatro dias todos os planos traçados para a sustentar. Assim foi, no entanto, e nada pude fazer para o impedir. 

 

 Agosto. Sira é uma jovem e simples aprendiz de costureira, ingénua mas bonita, de quem a vida tornará uma determinada espiã. Numa Espanha em pré-guerra civil, a jovem Sira facilmente se deixa apaixonar por um galante homem, trocando o país natal por Marrocos, onde a sua vida sofrerá uma enorme reviravola. Traida e abandonada, Sira vê-se obrigada a contrariar o trágico destino, colocando os seus talentos como costureira em prática ao serviço da alta sociedade de Marrocos. O Tempo Entre Costuras, romance cativante e viciante, leva-nos a conhecer a Espanha da Guerra Civil, as acções alemãs em terras estrangeiras o papel do governo fascista de Franco na II Guerra Mundial, com um cheirinho de Lisboa de Salazar. Um livro recheado de traições, amores, desgostos e reviravoltas. 

Os livros do mês de Junho.


M*

03.07.15

Julho. Um novo mês, novas aventuras literárias e, como têm sido habitual, é hora de falar dos livros que li no mês de Junho. Viajar e escrever sobre aquele livro cuja história e personagens me cativou, não permitir cair no esquecimento e procurar relembrar. A memória não é aliada dos amantes de livros, atraiçoa-nos e, com o tempo, esquecemos o que outrora lemos mas, ao escrever, uma parte fica...

 

Ilusão Perfeita

Jodi Picoult

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Cassie, a protagonista, sofre um misterioso acidente e acorda num cemitério, sem recordar como ou o porquê de ali estar. Sofre de amnésia. É socorrida por Will, um polícia recem transferido para Los Angels; ambos descobrem que Cassie é uma importante antropóloga, casada com uma das mais importantes estrelas dos EUA, Alex Rivers. Um verdadeiro conto de fadas: um marido aparente perfeito e um dos homens mais desejados do país, dona de várias e enormes casas e um trabalho de sonho como antropóloga. Porém, quando Cassie retoma à vida que partilha com Alex, as memórias passadas mostram-lhe que, aquele conto de fadas é, na verdade, mais assustador... 

 

Jodi Picoult é, definitivamente, uma escritora excepcional. A sua escrita é cativante e tocante, envolvendo-nos em temas polémicos, reais e sensíveis. É impossível ler um livro de Picoult e ficar-se insensível à história... somos, inevitavelmente, obrigados a reflectir sobre os temas abordados.

 

Ilusão Perfeita é, dos vários livros que já li de Picoult (Para a Minha IrmãTudo Por Amor, No Seu Mundo Tempo de Partir), um dos que mais me tocou... aliás, qualquer livro que aborde este tema, o da violência contra as mulheres, é-me tocante. Alex Rivers é um homem misterioso mas, atencioso e aparentemente dedicado à esposa. Porém, o lado misterioso revela-se num homem controlador, ciumento, agressivo... se a um dado momento da minha vida, não tomasse as rédeas do meu destino, quiçá partilhasse com Cassie a mesma dor.  

 

Jodi Picoult não se limita a mostrar a dor e os sentimentos de Cassie, mostra-nos a forma como a vítima é controlada e manipulada pelo agressor, bem como um pouco de como dos demais olham para a violência doméstica. 

 

É, sem dúvida, um livro que recomendo a qualquer pessoa, homem ou mulher, novo ou velho. Infelizmente, a violência sobre as mulher é, ainda, demasiado comum...

 

- Fui casada com um homem que me agrediu durante dez anos - disse ela -, por isso sou a última pessoa a julgar a sua decisão de ficar.
- Mas agora as coisas estão melhores? - perguntou, tentando levar o máximo de esperança que podia a Alex que chegasse a casa. 
 - Sim - suspirou a Dr.ª Pooley. Ficou a olhar para Cassie durante um longo tempo - Agora que nos divorciámos.

Maldito Karma

David Safier

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 Uma leitura pesada e marcante para, Maldito Karma, um livro divertido.

 

Kim é uma das mais famosas jornalistas da Alemanha. Mulher de sucesso, mãe e esposa pouco dedicada. A vida de Kim é inteiramente dedicada à televisão e, nem mesmo no aniversário da filha, a jornalista abdica da gala que lhe dará um dos mais importantes prémios do jornalismo. É o marido de Kim quem assume o papel de pai e de mãe. Porém, a noite dos prémios revelasse num autêntico desastre... apesar de ganhar o tão magnífico troféu, a jovem jornalista, esposa e mãe acaba por morrer. Como? Provavelmente da forma mais invulgar: é esmagada por um urinol de uma estação espacial russa. O castigo por ter acumulado mau karma é reencarnar na vida de uma formiga e, apenas acumulando bom karma, Kim poderá reencarnar em vida humana. Começa, assim, a longa aventura de Kim... 

 

Um romance divertido, original, hilariante, recheado de sabedoria. 

 

Ao chegar ao primeiro degrau do podium parei e dei-me conta de que notava algo de diferente. Algo arejado. E não tão apertado atrás. Levei discretamente a mão ao rabo. O vestido tinha-se rasgado! 
E isso não era tudo: para caber no vestido, não tinha vestido cuecas. 
Estava a mostrar o cú a mil e quinhentos famosos! E a trinta e três câmaras de televisão! E a seis milhões de espectadores que estavam em frente ao televisor! (O segundo momento mais miserável do dia.)

 

Dediquei-me, ainda no mês de Junho, à leitura das mais de mil páginas de Diz-me Quem Sou, de Julia Navarro... porém, por ser um livro recheado de conteúdos histórico e que exige tempo e dedicação, terminei-o apenas ontem. 

Os livros do mês de Maio.


M*

20.06.15

A verdade é que, resumidamente, me esqueci deste post. Procurei, ao longo dos últimos meses, falar sobre as leituras do mês anterior mas, graças ao desafio literário, este post acabou por me escapar. Por isso e, com vários dias de atraso, sem mais demoras, eis as minhas leituras do mês de Maio.

 

Tempo de Partir

Jodi Picoult

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 O mais recente romance de Jodi Picoult leva-nos à descoberta do amor mais puro e verdadeiro que podemos conhecer e sentir: o de uma mãe para com a sua filha. A pequena Jenna nunca desistiu de procurar a mãe, Alice. Um trágico acidente marcará, irremediavelmente, o destino de mãe e filha. Jenna recusa-se a acreditar que Alice a tenha simplesmente abandonado e, nos seus diários, procura pistas que a levam a descobrir o paradeiro da mãe. Desesperada por obter resposta que, a avó parece não querer indicar e o pai, doente mental, não consegue indicar, Jenna procura a ajuda de uma médium e um detective envolvido na investigação ao desaparecimento de Alice. Os três iniciam uma viagem à descoberta de si mesmos, dos seus medos e das vidas que escolheram. Paralelamente, Picoult mostra-nos o lado maravilhoso dos elefantes, através das notas de pesquisa e diários de trabalho de Alice.

 

Tempo de Partir foi nomeado para os Goodreads Choice Awards 2014 e é considerado um dos melhores livros do ano pela Amazon.com.

 

Deste Lado Da Luz

Colum McCann

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 Deste Lado da Luz leva-nos numa viagem pelo tempo, decorrendo entre 1916 e 1991, dando a conhecer principais acontecimentos que marcaram a cidade de Nova Iorque. A história é-nos contada por Walker e Treeforg, cujas épocas se distanciam mas as histórias se encontram interligadas. Walker é, nos primeiros anos do século XX, uma toupeira, designação atribuída aos trabalhadores da abertura de túneis no subsolo, um trabalho sujo, perigoso e sombrio mas necessário. Walker escava o túnel, sob o rio Hudson, que servirá o metro entre Brooklyn e Manhattan e onde, vários anos depois, encontramos Treeforg. Treeforg, juntamente com a gata Castor, é sem-abrigo que encontra no túnel um lar. 

 

McCann não se limita a narrar uma história, com tanto de falso como de verdadeiro, obriga-nos a reflectir no que somos e no que seriamos se as nossas vidas se assemelhassem às descritas no livro. Deste Lado da Luz é uma viagem no tempo e das transformações, onde a história da cidade de Nova Iorque se cruza com a história pessoal das personagens. Problemas sociais, raciais e económicos misturam-se com problemas mentais. Os anos avançam, as gerações também mas, nem por isso, o livro se torna mais leve. Sombrio, pesado, assustador. 

 

Duzentas e cinquenta e seis páginas de histórias intensas e dramáticas. Não é um livro fácil de ler. Exige tempo e uma segunda leitura aos detalhes que nos escapam. É um livro recheado de conteúdo histórico e social, um ensinamento. E, por tudo isto, uma leitura que recomendo

 

A Melodia do Amor

Lesley Pearse

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 Liverpool, Inglaterra, 1893. Beth, dos olhos azuis profundos e dos longos cabelos negros aos caracóis, é jovem, sonhadora e talentosa violinista. Os sonhos de Beth desfazem-se quando a jovem, juntamente com Sam e a pequena Molly, ficam órfãos. A morte dos pais abalará a vida dos três jovens e alterará para sempre o rumo das suas vidas. Privados da anterior vida, Beth e Sam, abraçam os trabalhos duros e desumanos da época. Incentivada por Sam, Beth abraça o sonho de começar uma nova vida do outro lado do Atlântico e, ambos decidem iniciar a viagem que alterará para sempre as suas existências. Porém, a pequena Molly é demasiado nova para acompanhar os irmãos e, Beth toma a decisão mais difícil da sua vida: entregar a irmã mais nova a uma família adoptiva. No navio com destino a Nova Iorque, não faltam pessoas de todos os géneros e classes sociais. Cigana será a alcunha pela qual Beth ficará conhecida no navio - bem como ao longo da história - graças à paixão e dedicação pelo violino. É aqui que encontramos Theo, um jovem jogador de carta, rico e bonito e o inteligente Jack, um jovem pobre, cuja a infância é marcada pela miséria, abandono e violência. Os quatro caminharam lado a lado, na aventura da Corrida ao Ouro.  

 

A Melodia do Amor longe de ser um dos melhores livros de Lesley Pearse, ganha pela aprendizagem sobre a Febre e Corrida ao Ouro de Klondike no Yukón, Canadá. Os cenários criados pela escritora são de tal modo excelentes que, efectivamente, imaginamos estar dentro da história, acompanhando Beth, Sam, Jack e Theo na longa e difícil travessia que empreendem para alcançar o tão precioso ouro. 

 

Filhas da Tempestade

Philippa Gregory

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 1453, Piccolo, Itália. Luca Vero é o jovem emissário papal, noviço da Ordem das Trevas, que juntamente com  o servo Freize e o irmão Peter, é recrutado para investigar o fim dos tempos. Os três empreendem buscas por acontecimentos naturais inexplicáveis que indiquem o fim do mundo. Com eles, viaja a bela Isolde, uma antiga freira fugida do convento por amor a Luca e a misteriosa Ishraq. O caminho dos cinco cruza-se na pequena vila italiana de Piccolo com a cruzada das crianças liderada pelo jovem João, que os conduz até à Terra Santa. Porém, o caminho da cruzada das crianças e dos cinco aventureiros é interrompida quando uma violenta onda destrói a pequena vila... 

 

Filhas da Tempestade é o meu primeiro livro de Philippa Gregory. Nunca antes me tinha aventurado na sua leitura embora, as críticas fossem positivas. Gregory escreve romances históricos de forma simples, leve e clara, captando a minha atenção logo nas primeiras páginas. Filhas da Tempestade é, porém, o segundo volume da saga Ordem das Trevas, precedida por Predestinado - que ainda não tive oportunidade de ler.

Os livros do mês de Abril.


M*

06.05.15

E As Montanhas Ecoaram

Khaled Hosseini

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- É uma coisa engraçada, Markos, mas as pessoas geralmente interpretam isso ao contrário. Pensam que vivem de acordo com aquilo que querem. Mas, na realidade, o que as guia é aquilo de que têm medo.

 

E As Montanhas Ecoaram leva-nos a sentir o amor sincero entre um irmão, Abdullah e a irmã de quem sempre tomou conta após a morte da mãe de ambos, Pari. O pai de Abdullah e Pari é obrigado a separar os irmãos, vendendo Pari a um casal abastado de Cabul, Afeganistão e, desta forma, continuar a manter a restante família. A cruel escolha tomada pelo pai, deixa nas vidas de Abdullah e Pari, um enorme sentimento de vazio. Porém, a vida prossegue e é, deste modo, que descobrimos histórias paralelas e secundárias de quem, de alguma maneira, lidou com os irmãos. E As Montanhas Ecoaram fala do amor entre irmãos mas, de escolhas e decisões que, em algum momento alteram o rumo das nossas vidas e de sentimentos em relação a um país em constante guerra e destruição, Afeganistão.

 

Khaled Hosseini é, definitivamente, um mestre na arte de contar histórias, dono de uma enorme criatividade, sensibilidade e fluidez de palavras, capaz de nos levar a reflectir e a imaginar os seus cenários. A minha opinião sobre este livro, aqui.

 

Nunca Digas Adeus

Lesley Pearse

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- Penso que a maior parte de nós se apaixona sempre pelo mesmo género de pessoas - respondeu Steven. - Mesmo sabendo qual vai ser o resultado.

 

Nunca Digas Adeus é uma viagem ao coração puro da amizade. Susan e Beth são amigas desde infância, separadas pela força do destino para, vinte e nove anos depois, o caminho de ambas se cruzar pelos piores motivos. Beth é uma mulher lindíssima, uma advogada de sucesso, colocada a defender uma mulher que assassinou, a sangue-frio, duas pessoas numa clínica médica. Susan é essa mulher que, numa tarde chuvosa de Outono, matou a recepcionista e o médico. Beth e Susan mal se reconhecem mas, a força da amizade e as lembranças daquelas férias de verão é poderosa e ambas embarcam na aventura dos segredos que levaram Susan a cometer tal atrocidade.

 

Nunca Digas Adeus é muito mais do que um romance sobre a amizade. Aborda temas sensíveis, como a violência doméstica, o alcoolismo, a escravatura infantil, a perde de um filho ou a violação sexual. As personagens longe de serem perfeitas, mostram-nos o lado humano de quem encerra em si traumas e medos e, a forma como luta para os ultrapassar. Um romance sensível, humano, carregado de emoções e sentimentos. A escrita é simples, cativante, viciante. Prende-nos. A cada nova descoberta, mais segredos vamos descobrindo. O final é surpreendente. 

 

É fácil conseguir-me identificar com Susan. Baixa, roliça, bonita mas não atraente, Susan é uma mulher de fraca auto-estima com quem facilmente partilho os sentimentos sobre o corpo e o sexo oposto...

 

Lesley Pearse, com este segundo livro que leio, conquistou-me. Tornou-se, marcadamente, uma das minhas escritoras favoritas.

 

Glória Mortal

J. D. Robb

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Ele tinha o maxilar esmurrado, sangue no casaco e um brilho no olhar. Ela perguntava-se se perdera o juízo. - Estamos aqui, espancados de morte, a abandonar o local do crime onde um de nós ou ambos podíamos ter ido desta para melhor, e pedes-me em casamento?

Ele voltou a passar o braço à volta da cintura dela e puxou-a. - É a altura perfeita.

 

Glória Mortal é um policial futurista com romance à mistura. Eva Dallas é a famosa tenente da polícia de Nova Iorque, encarregue de investigar a estranha e horrível  morte de uma famosa procuradora do ministério pública daquela cidade. Porém, a esta morte, outras mortes se sucedem e, a tenente Dallas vê-se envolvida numa teia de conspirações, segredos e poder. A minha opinião sobre esta leitura pode ser lida aqui

 

Equador

Miguel Sousa Tavares

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- É difícil de responder... a vida ensinou-me que a nossa capacidade de resistência e de sofrimento é sempre maior do que supomos.

 

Equador é uma viagem às ilhas de S. Tomé e Príncipe, da escravatura, das roças e da produção de cacau do início do século XX.

 

Luís Bernardo Valença é um jovem empresário lisboeta, solteiro e dotado de humanidade e inteligência. Sob a ideia de um falso humanismo, rapidamente compreende o jogo adoptado pelas potências estrangeiras, nomeadamente a Inglaterra, que procuram eliminar a concorrência portuguesa de cacau, alegando trabalho escravo nas ilhas. Porém, a realidade nas colónias portuguesas não é distinta de outras colónias europeias e, o jovem denuncia-o. É a denúncia de Luís Bernardo que leva o rei D. Carlos a convidar o jovem Valença a assumir o cargo de governador das ilhas de S. Tomé e Príncipe com o objectivo de conhecer a realidade sobre a escravatura na ilha e convencer o cônsul enviado por Inglaterra, igualmente para verificar o mesmo facto, de que a escravatura naquela colónia portuguesa é algo do passado. 

 

Luís Bernardo não existiu mas, a escravatura e exploração negra sim. Equador é um romance sensível e inesquecível, recheado de detalhes históricos sobre a vida naquela colónia portuguesa, numa escrita absorvente e cativante.

 

E As Montanhas EcoaramNunca Digas Adeus Equador são os meus destaques para o mês de Abril (ou seja, quase todos).

Os livros do mês de Março.


M*

10.04.15

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  O amor é assustador: altera-se, pode desaparecer. Faz parte do risco. Quero deixar de ter medo. Quero ser corajosa...

 

 A Todos Os Rapazes Que Amei é um livro doce, leve e encantador. Lara Jean, a personagem principal, é sonhadora, ingénua e inocente. A todos os rapazes por quem, um dia, se apaixonou, escreveu uma carta, no total de cinco. Filha e irmã do meio de três raparigas, Lara vê-se envolvida numa enorme confusão quando, as cartas que escreveu e guardou numa caixa verde-azulada terminam nas mãos dos rapazes. A aventura de Lara Jean remete-nos para a adolescência e para os primeiros amores, fazendo-nos desejar reviver um amor ingénuo e inocente. 

 

O primeiro livro de Jenny Han está longe de ser uma história inesquecível. Tal como a personagem principal, também eu, em tempos, escrevia cartas de amor como forma de lidar com o fim de uma relação e, foi precisamente a sinopse, mencionando as cartas que Lara vai escrevendo e guardando, quem me despertou a curiosidade. Não tinha grandes expectativas para o livro, apenas curiosidade. A verdade é que, sendo um romance juvenil, é bem-disposto e alegre mas, sem nada de especial a acrescentar. O final é previsível, a família de Lara Jean é absolutamente normal e as personagens encantadoras (até a suposta vilã), ou seja, o livro peca por ausência de surpresa, de algo que o apimente. 

 

Todavia, A Todos Os Rapazes Que Amei é uma leitura que recomendo para intervalos de livros mais pesados ou para quem gosta do género. O livro encontra-se em vias de ser adaptado para cinema e, a sua continuação, P.S. Ainda Te Amo, previsto para o próximo ano.

 

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- Que disparate, não é? - questionou. - Desistir de luxos. Faz-nos sentir sagrados sem o sermos.

Cressie levantou-se e arrastou outro caixote.

- Às vezes fazemos isso, amor. Às vezes escolhemos os nossos sacrifícios.

 

 Nas Asas do Amor, primeiro livro da trilogia Asas de Guerra, de Sarah Sundin, foi um dos livros, até à data, mais difíceis de ler... não pela história ou escrita mas, já lá irei. O livro foi resultado de uma troca que realizei através do um grupo de venda/compra/troca de livros no facebook, tendo considerado a sinopse e o cenário suficientes para me convencerem - o título é piroso e lamechas. 

 

Nas Asas do Amor remete-nos para a Segunda Guerra Mundial, para os preconceitos e deveres femininos da época. Allie é uma jovem tímida, não sabe o que é amar nem sentir-se bonita ou atraente apesar de estar noiva do namorado de à cinco anos. O namoro/noivado é tão triste que, Allie consegue contar o número de beijos trocados nos cinco anos. Allie sabe que nunca será feliz ao lado do futuro marido, embora sonhe com os filhos e o dia em que tal irá mudar mas, sente que é sua obrigação casar-se com ele. Um namoro por conveniência, arranjado. Porém, os sentimentos de Allie alteram-se quando conhece Walt, o filho do meio de três irmãos de um pastor e piloto de guerra. É, com Walt que Allie sonha e deseja viver mas, as obrigações típicas de uma jovem rica obrigam-na a seguir outro destino. Quando Walt regressa ao campo de batalha, os dois começam a trocar cartas de amizade, esperança e fé que, rapidamente se transforma em algo mais.

 

Mas, porque neste livro existe um mas, apesar de bonita história de amor que os unirá, o livro está repleto de frases religiosas, justificando cada atitude com uma intervenção divina. Sendo agnóstica, o cariz religioso do livro tornou o chato e dramático. Sarah Sundin criou uma história lindíssima de dois jovens ingénuos em busca de um amor verdadeiro mas que, para mim, peca pelo excesso religioso. Admito que, dificilmente irei ler os restantes livros da trilogia. 

 

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 O que quer que caia do céu, não o deveis amaldiçoar. Isso inclui a chuva.

 

A Bastarda de Istambul é um livro revelação, uma enorme surpresa e uma viagem pela história de dois países interligados, Turquia e Arménia. Elif Shafak escreve com humor, leva-nos a pensar e a reflectir sobre as acções do passado e como as encaramos no presente: de um lado, arménios que não esquecem o genocídio cometido pelo Império Otomano, embora quase cem anos se tenham passado; do outro, turcos que fingem que tal nunca aconteceu ou, os que o admitem, consideram que nada lhes é devido porque, tal aconteceu antes do nascimento da actual Turquia. Foi, para mim, o melhor livro do mês de Março. Sobre ele, falei aqui.

 

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Sou uma grande sonhadora, sempre fui, os sonhos visitam-me naturalmente. Adoro sonhar.

 

Vidas Entrelaçadas leva-nos a conhecer a condição dos refugiados judeus húngaros em Inglaterra, na Europa de Hitler. Vivien, a protagonista, é uma apaixonado por livros, sonhadora e ingénua que decide empreender uma viagem à descoberta do passado da família. Os pais, um casal de refugiados oriundos da Hungria, vivem uma vida invisível, sem conhecer quem os rodeia, uma vida monótona e pacata. Um dia, quando Vivien é ainda menina, a vida aborrecida é interrompida com a inesperada visita de um homem bem-vestido e parecido. Diz ser irmão do seu pai, seu tio, mas o pai nega-se a reconhecer, insultando-o e fechando-lhe a porta na cara. Aquele dia nunca será esquecido e, em idade adulta, Vivien decide ir à procura daquele tio desconhecido e compreender os motivos que separam os irmãos. 

 

Linda Grant, finalista do Booker Prize 2008, escreveu uma história surpreendente, cuja escrita prende e cativa, uma enorme surpresa. Comprei-o pelo preço acessível (cinco euros na wook), pela sinopse e porque, na altura, ainda tinha poucos livros para ler. Considerei, igualmente, que seria interessante ler e conhecer mais sobre a Segunda Guerra Mundial de uma outra perspectiva: a dos refugiados. É, assim, uma leitura que recomendo. 

 

A Bastarda de IstambulVidas Entrelaçadas são os meus destaques para o mês de Março.

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