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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Memórias de um Colégio.


M*

11.07.15

Era um colégio grande. A entrada principal do colégio, rodeado de enorme grades, dava para o campo de basquetebol e, subindo umas pequenas escadas de pedra, um terreno de terra, bancos de pedra e enormes árvores misturavam-se com o palco ao ar livre. Recordo-me de passar horas do meu intervalo naquele recinto aberto e, numa dessas horas, oferecer um estalo a um colega que embirrará comigo. 

 

Era um colégio bonito. A entrada para as salas de aula era formado em fila. Por vezes, quando me atrasava, via como naquele campo de basquetebol, se formavam filas de miúdos, de todas as idades, à espera de entrar na sala de aulas. Vestíamos fardas mediante a idade e o ano que frequentávamos. Um colégio para todas as idades e anos. Recordo-me de, enquanto esperava na fila, sentir um excesso de liberdade de movimentos e, quando alguém me perguntou pela minha lancheira, abandonar a fila sem qualquer autorização e correr, batendo com os joelhos nas grades, gritar pela minha mãe que, não muito longe, me veio devolver a lancheira.

 

Era feliz, naquele colégio enorme, onde os intervalos eram passados entre sonhos de princesas e cavaleiros, corridas e danças. Era um colégio onde, desde tenra idade, aprendíamos sobre o país, a História e Jesus... e, numa sala forrada de letras e números, símbolos nacionais e a cruz, aprendi a desenhar o meu nome, a escrever as primeiras palavras e a calcular as contas básicas da matemática. 

 

Era um colégio grande, bonito e onde fui feliz. Recordo-o como se amanhã pudesse voltar a entrar nele. Memórias belas que jamais esquecerei. Recordo-o como se tal me levasse a vislumbrar o futuro que nele não vivi... 

 

A vida faz-se de memórias e em saudades e nostalgia mergulhei quando, numa visita à casa da minha avó materna, a minha irmã mais nova descobriu este livro... o livro do meu primeiro ano básico de escolaridade,

 

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E, quando a vida se vestiu de mudanças, este livro atravessou o oceano. É curioso como algo tão simples representa tanto... 

 

*(o livro encontra-se dividido por quatro temas - língua e literatura castelhana, matemática, estudos sociais, estudos da natureza e higiene pessoal - separados por cores distintas... tudo num simples livro.)

Recordações de uma infância.


M*

23.04.15

A Miss Ana, do blog De Repente Já Nos 40!!!, moça dotada de muita simpática, desafiou-me a relembrar um episódio memorável de infância. 

 

É-me difícil escolher apenas uma memória de infância. Sempre que relembro os meus tempos de meninice, surgem várias que ora envolvem o meu irmão, ora envolvem a minha irmã, ora envolvem os dois. Mas, existem dois episódios que, não envolvendo nenhum dos irmãos e longe de serem tão divertidos como o vivido pela Miss Ana, me levam a viajar até ao meus país de nascimento, Venezuela.

 

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Os episódios aconteceram quando teria uns quatro ou cinco anos. Ambos relembram-me o colégio que frequentava, bem como os passeios até ao jardim de infância do meu irmão na companhia da minha mãe. Ele era o primeiro a ser deixado no jardim. Cada um de nós levava uma pequena lancheira e, assim que o meu irmão ficou no jardim de infância, insisti com a minha mãe para que levasse a minha até ao colégio. Ela lá me fez a vontade e fomos o resto do caminho, sempre de mão dada, comigo aos saltinhos, a cantarolar e a conversar. Quando chegamos à porta do colégio, a minha mãe despediu-se de mim, recambiando-me para a fila correspondente ao meu ano. O colégio que frequentava, gerido por freiras, que ia desde o nível mais básico de ensino obrigatório ao último ano de escolaridade (neste caso, o 11.º ano), imponha farda (recordo-me perfeitamente da farda: saia de prega azul escura, camisa branca e detalhes azuis na gola, símbolo do colégio na camisa, meias brancas e sapatos escuros... cores que correspondiam ao meu ano) e ordem à entrada do mesmo: havia sempre funcionários ou freiras à entrada e professores a formarem as filas com os alunos correspondentes ao seu ano. Lá fui eu toda contente para a minha fila, metida nos meus pensamentos quando, começo a sentir extrema leveza, faltava-me algo. Olhei em volta, para os meus colegas de turma a pensar no que me faltaria quando, um colega atrás de mim me pergunta se eu naquele dia não ia comer. Fez-se luz! A lancheira! Não pedi autorização a ninguém para abandonar a fila, nem respondi ao colega, simplesmente desatei a correr recreio fora... só parei quando bati contra o gradeamento do recreio, berrando e chamando pela minha mãe. Foi, ao ver-me junto ao gradeamento e a berra qual criança louca que, também ela, se lembrou da lancheira. Mas, se julgam que ela fez o favor de dar a volta e entrar como qualquer pessoa normal para entregar a dita lancheira, desenganem-se: atirou-a por cima do gradeamento. Obviamente que levei um raspanete da freira pela figura ridícula de abandonar a fila, correr e grita loucamente mas, felizmente, tive sorte de a senhora minha mãe ter-se deixado ficar alguns minutos à conversa com outra mãe.

 

O outro episódio comprova a teoria dos meus pais em como sempre fui meia levada das ideias, criança refilona e meia rebelde - apesar de todos os castigos e palmadas que apanhei. À porta da escola, enquanto esperava pela minha mãe, um rapaz do meu ano, também ele à espera dos pais, pediu-me um beijo na boca - o simples encostar de lábios. Disse-lhe que não. Ele insistiu e voltei a dizer não. Como tornou a insistir, eu não fui de modos e, sem me importar com o que os outros, espetei-lhe um estaladão. A minha mãe que, escondida assistiu à cena (felizmente, nenhuma freira viu o meu estalo), saiu do esconderijo e, obviamente que me passou um sermão mas, em vez de me calar, respondi-lhe que não tinha paciência para aturar rapazes tão chatos. Não me recordo do que aconteceu a seguir, provavelmente fiquei de castigo, mas ela conta que, volta e meia, recebia queixa da professora ou de uma freira porque me envolvia às turras com este rapaz. Infelizmente, não recordo o nome dele...

 

Obrigada Miss Ana!

7 Memórias Especiais da Minha Infância


M*

25.03.15

É, provavelmente, dos desafios mais nostálgicos e melancólicos, daqueles que nos obriga a puxar pelas memórias e a rever um tempo que parece tão distante... porém é, também, dos mais doces e belos desafios a que respondo, quiçá daqueles que jamais esquecerei. A Mon Sandra, do blog Just Mom e a Miss Ana, do blog De Repente Já Nos 40!!!,  convidou-me a recordar e partilhar sete memórias especiais da minha infância...

 

Um Filme

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Um dos primeiros filmes que vi na televisão portuguesa e que recordo com mais carinho por ser uma das minhas histórias infantis preferidas.

 

Um Desenho Animado

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Venezuela: Los Picapiedras ou Los Pitufos

Portugal: Inspector Gadget e, no canal espanhol, Doraemon y Nobita

 

Uma Música 

 

Venezuela: a verdade é que não recordo nenhuma música em particular, cantávamos várias, ora na fila de entrada para a sala de aulas (a escola era frequentada por crianças do ensino jardim-de-infância ao 11.º ano, o último ano da escolaridade obrigatória e, todos os alunos entravam na fila da turma que frequentavam, aguardando a vez de entrarem na sala... os primeiros eram sempre os mais pequenitos), ora no início das aulas ou a meio. E, admito que só me recordo de ouvir músicas em espanhol (nada de inglês).

A Serenata Guayanesa, grupo cantares e instrumentos tradicionais venezuelanos, nasceu em 1971, numa cidade do Estado Bolívar, e é das vozes mais nítidas da minha infância... presente em todas as festas, na voz da minha mãe A La Una ou nas festas de aniversários venezuelanos. A música infantil Este Niño Don Simón é uma homenagem do grupo a um dos principais heróis da História venezuelana, Simón Bolívar, El Libertador.

 

Alejandro Sanz, Juan Luis Guerra, Chayanne, Los del Rio, Las Ketchup, Britney Spears e tantos outros cantores e cantoras, principalmente em espanhol porque escutava diariamente rádios espanholas, poderiam ser enumerados mas, a verdade, é que Maria do Ricky Martín foi uma das que mais marcou a minha meninez em Portugal. 

 

Uma Brincadeira 

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Na verdade, são duas as brincadeiras da minha infância na Venezuela que recordo com enorme saudade,

 - andar às turras com o meu irmão que, tanto podia ser, os dois à batatada ou os dois a brincar às casinhas e a jogar à bola,

 - e as brincadeiras com as poucas bonecas que tive... sendo, a barbie Bela Adormecida a minha preferida das três que tive (ou seja, sem ser imitação).  

 

Um Amigo

Porque um irmão também é um amigo, o meu irmão... pelas brincadeira, quase sempre a terminar em lágrimas e por compartilharmos grande parte do nosso tempo. Ou, os amigos imaginários.

 

Um Momento Especial

E, das várias memórias que guardo no coração, as da Venezuela são as que mais nostalgia me trazem. Recordo-me do meu pai no seu Ford branco, de detalhes da escola, das filas e da farda, de uma festa escolar, da casa onde morávamos, das festas de aniversário com as pinhatas e um mar de guloseimas, de um jardim perto da escola, da escola do meu irmão... e, inclusive da revolução e do recolher obrigatório, em 1992

Mas, o momento mais especial foi em território português, com a chegada da minha irmã mais nova, em 1997.

 

Um Sonho 

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 Barbies e uma casa de bonecas. 

 

Nomeados para o desafio 7 Memórias Especiais da Minha Infância

Porque, são memórias que merecem a pena recordar e partilhar, lanço o desafio a qualquer blogger. Porém, pelo carinho e, porque acredito que será fantástico viajarem até ao passado, gostaria de conhecer as memórias especiais de infância de alguns bloggers, entre eles: NathyMagda PaisSofia MargaridaJust SmileBata & BatomMPMariaMulher, Filha e MãeCrism-MVanessa, EscorpiãoComDor, UmaMulherComSorte e Cabanas

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