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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

É certo que, a mim, nada me diz mas ...

... confesso que faz-me calafrios e imagino um universo tão negro, frio e negativo sempre que escuto um pai ou mãe tratar um filho ou filha por você - V-O-C-Ê - e, obviamente, o contrário. Catarina, você já escolheu o seu bolo? O menino Gonçalo já pediu o seu gelado? O Pai não vai pedir nada? Dá-me vontade de sacudir pais e filhos e perguntar como conseguem usar o você como se de desconhecidos se tratassem... e quando os pais são casais novos com filhos pequenos a tratarem-se deste modo, menos consigo engolir e compreender. Não é nada comigo mas confesso, faz-me uma confusão tremenda... 

 

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Sobre o gravíssimo fanatismo... do meu irmão.

Domingo. Final de dia. Regresso a casa depois de visitar a família. Rádio ligado num jogo de futebol. Quando perguntei ao meu irmão porque raio estavamos a ouvir o relato do jogo de equipas que nada nos dizem, reproduz-se o seguinte diálogo,

 

- É que eu quero que o União da Madeira suba de divisão.
- Porquê?
- Ah é que joga lá um gajo emprestado pelo Sporting!
- Só podes estar a gozar comigo... é que só podes mesmo estar a gozar, meu! Tu bates mal... muito mal!
 
E, portanto, este é o meu irmão. É, nestes momentos, que acredito piamente que o rapaz foi trocado na maternidade, adoptado ou um extraterrestre. 
 
 

A mãe S.,

têm 28 anos - dois anos mais velha do que eu -, trabalha para o meu pai e, certa tarde, quis saber a minha opinião e, do qual procurei reproduzir nosso diálogo,

 

- O meu P. agora diz que quer usar brincos com a irmã.

- Hum... e?

- E? Achas bem? Ele diz que quer usar brincos como a irmã! - altera a voz e acentua as últimas palavras.

- Continuo a não perceber...

- Primeiro, porque ele é menino e os meninos não usam brinco.

- Ah! Mas... - preparava-me para argumentar quando, a mãe me interrompe.

- E, segundo, porque ele só têm oito anos.

- Oh S., desculpa lá, uma coisa é o rapaz só ter oito anos. Pronto. Aceito que por isso não lhe queiras furar as orelhas mas, agora, dizeres que por ser menino e menino não usa brinco, desculpa, mas é uma idiotice. 

- Só os maricas é que usam brincos e o meu filho não é nenhum maricas.

- Oh S. poupa-me. Se o teu filho tiver que ser alguma coisa, há-de ser quer queiras quer não queiras...

 

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Primeiro: a mãe S. é a mesma mãe que diz Deus me livre que os meus filhos sejam gays mas, se realmente o rapaz ou a rapariga o assumirem jamais rejeitarei os meus filhos por isso mas prefiro que não sejam.

 

Segundo: a mãe S. é a mesma mãe que diz praticar uma educação pela igualdade. Ou seja, segundo ela, rapaz e rapariga realizam tarefas domésticas em casa e educa-os de maneira a que o rapaz respeite uma mulher e vice-versa ou a que ela se defenda de quem a maltrata. Porém, aí do rapaz que se lembre de pintar as unhas ou de usar a mala Hello Kitty da irmã e, à miúda diz-lhe senta-te como uma mulher... seja lá o que isso for. É, igualmente a mesma que diz às crianças, não comas isso porque ficas feia e gorda ou os meninos não choram

 

Terceiro: a mãe S. é a mesma que me diz só dizes essas coisas porque não és mãe e que quando tiveres filhos e um homem, quero ver se vai ser igual. 

 

Quarto: a mãe S. é o reflexo de tantas mães que se dizem modernas e progressistas mas que, cuja realidade é distinta e, quando toca nos seus, um Deus me livre escapa-lhes da boca...

Um mar de livros... estou a ler,

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