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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Postcrossing.


M*

28.06.15

Postcrossing,


M*

06.06.15

 Bielorrússia

Gallinago Media/Narceja-Real

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Canadá

por uma jovem estudante chinesa a tradicional Dança do Dragão.

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Estados Unidos da América

Flórida

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Rússia

São Petersburgo

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e um doce típico russo.

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Postcrossing dos últimos meses.


M*

24.05.15

Nos últimos meses tenho, admito, andado em falta relativamente às publicações dos postais no âmbito do postcrossing. Não porque me tenha aborrecido deles mas, porque entre o desafio literário, as minhas leituras e outros afazeres pessoais e, constante cabeça no ar, vou registando-os no site e guardando-os na caixa, sem me lembrar de os publicar. Porém, após muita insistência da Cris, eis os meus mais recentes membros da família postcrossing. Dos últimos postcrossing que publiquei, a 4 de Abril, já se lhe juntaram mais dezasseis novos postais, dos mais variados pontos do mundo...

 

Nova IorqueEUA

 Um amante de pontes e de Londres.

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Suíça

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ParisFrança

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Alemanha

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Braunschweig, Alemanha

E, com bonús de dois marcadores de página.

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GottingenAlemanha

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Inglaterra

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Koscierzyna, Polónia

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Austrália

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Roménia

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Bielorrússia

Palácio de Pávlovsk

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Alemanha

A praia australiana do estado de Queensland.

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Viena, Áustria

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Alemanha

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Yokohama, Japão

Monte Fuji

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Beijing, China

Grandes Muralhas da China

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Condenação, pena de morte e o perdão.


M*

28.04.15

Pena de morte. Recordo-me, dos tempos de faculdade, falarmos deste tema sensível. Na altura, assisti a uma conferência organizada pela Amnistia Internacional sobre a temática, onde um ex-condenado norte-americano relatava a sua experiência de anos a fio no corredor da morte. Não me lembro dos pormenores exactos do crime mas, o Homem foi julgado e condenado à pena capital pela morte violenta da Esposa (e, creio que de um outro homem encontrado na casa que, se supôs ser o amante). A base foi o testemunho de alguém que os ouviu a discutir na noite do crime; o casal discutia com frequência e esse foi o mote para a condenação. Recordo-me de ele referir que, de facto discutiram com mais frequência nos meses anteriores à morte da Esposa mas, contrariamente à acusação, nunca lhe tinha batido e na noite em que a ela foi assassinada não se encontrava em casa. Mas, baseados na cena do crime e nas discussões que alguém testemunhará, o Homem esteve anos e anos à espera do momento em que lhe seria aplicado o método que lhe retiraria a vida. Anos e anos em suspenso, reclamando inocência, duas ou três vezes às portas de cumprir a pena, travadas pela acção do advogado. A reviravolta acabaria por acontecer muitos e longos anos mais tarde - não me lembro exactamente de que modo - e, com ela, a ansiada inocência e liberdade. Esta história marcou-me profundamente. Os anos à espera da morte, os anos de prisão, os anos em que a liberdade lhe foi roubada. Por maior que tenha sido a indemnização quem, perguntava ele, lhe devolveria os sonhos e projectos que lhe foram roubados naquela noite... ninguém ou nada. 

 

Michel foi condenado por alegadamente ter assassinado um camionista durante um tiroteio. Não foi condenado à pena de morte mas esteve 36 anos - repito, 36 anos - preso. Michel reclamou, ao longo dos anos, inocência. Recentemente, provou-se que nada teve a ver com a morte do camionista. Os primeiros momentos de liberdade foram registados por várias câmaras de todo o país,

 

(daqui)

 

Quando leio casos como o de Michel, mesmo que não tenha sido condenado a ficar sem a vida numa qualquer sala, relembro-me daquela conferência que assisti à anos atrás. Relembro-me de debater com os meus colegas, de as opiniões se dividirem entre o a favor, o contra e o meio termo. Fiquei-me pelo contra. Não sou a favor embora, admita que vacilo bastante, que não seja uma opinião segura... sobretudo, em questões de violação ou de crimes contra a humanidade (como exemplos, crimes perpetuados por ditadores). Perguntaram ao Homem sobre a pena de morte para estes crimes, a resposta deixou-me a pensar e de que serve matar outrem se não devolvemos a vida daqueles que mais amamos?; sobre a solução/pena, para ele, a solitária, onde não contactasse com ninguém.

 

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 (in Público)

 

Recordemos os atentados à maratona de Boston, em 2013, nos EUA. Tamerlan, na época, com 26 anos e Dzhokhar, de 19 anos, irmãos nascidos na Chechénia, a viver legalmente naquele país, mataram através de bombas construídas em casa, três pessoas, deixando vários feridos e instalaram o pânico em quem assistia. Martin, um menino de oito anos, foi uma das três vitimas dos irmãos. Os pais do menino, todavia, não querem que seja aplicada a pena de morte a Dzhokhar porque, consideram que tal condenação não lhes devolveria de Martin nem curaria as sequelas físicas e emocionais. Nada nem ninguém lhe devolverá o menino ou apagará o horror daqueles dias. É importante referir que, os pais e a irmã de Martin, ficaram com graves marcas físicas, que os acompanharam até o último dia das suas vidas. 

 

Por esta altura, por mero acaso, li um livro dos livros que mais me marcou. Estrada da Noite de Kristin Hannah leva-nos a reflectir sobre a morte, o amor e o perdão. Jude vive para os filhos, os gémeos Mia e Zach, e para o marido. Lexi é uma jovem que nunca conheceu o verdadeiro significado de família e entrará na vida de Jude e dos gémeos, transformando-a irreparavelmente. A tragédia marcará o destino de Jude e Lexi... Estrada da Noite é, provavelmente, um dos temas que, embora longe de estar relacionado com a pena de morte, nos leva a pensar no caso dos pais de Martin. Para Jude, a única forma de acalmar a dor que sente é condenar a culpada pela tragédia. Porém, os anos passam e a dor não diminui. Embora acha relações de proximidade e familiaridade em Estada da Noite, que não existem entre Dzhokhar e os pais de Martin, a verdade é que a linha de pensamento dos últimos se aproxima à do livro, deixando a questão a prisão apaga o crime?

 

A pena de morte, a condenação e o perdão são temas sensíveis. É difícil saber o que realmente sentiríamos se fossemos acusados de um crime que não cometemos, como o Homem e Michel e, consequentemente, passar anos à espera de cumprir uma pena irremediável, a morte. É, igualmente, complicado viver com a morte de um filho e as marcas que sempre, a um novo dia, lá estarão para recordar a tragédia. 

 

Quando leio sobre mortes violentas às mãos dos maridos, mães, avós ou qualquer outro familiar, sobre violações como esta notícia ou sobre os atentados cometidos contra milhares de vidas às mãos de uns quantos poderosos penso, imediatamente, que deveria ser condenados à morte. Mas, depois, recordo-me de casos como os que relatei acima e, enfim, a opinião altera-se e atirava-os para uma das celas mais degradante e solitárias. Quatro vidas marcadas pela justiça de outros homens - o Homem, Michel e os pais de Martin. Quatro vidas que me levaram a reflectir, ponderar e duvidar.

 

E, a que veio isto tudo, nesta salada russa? A propósito da história de Michel, dos seus 36 anos de prisão e da experiência de pedir algo tão simples para mim, como uma hambúrguer... repito, 36 anos a reclamar inocência, 36 anos a viver numa prisão.

Postcrossing: as histórias escondidas nas imagens.


M*

06.02.15

Três novos postcrossing, três histórias escondidas nas imagens.

 

Nos últimos dias, chegaram à minha caixa de correio, três novos postais. No total, desde que me iniciei na aventura de enviar e receber postais de qualquer parte do Mundo, conto com sete postais recebidos - da minha parte, são onze os enviados: dois ainda não chegaram ao destino (preocupa-me um que enviei para a Rússia no início do ano e, até agora, nada... ou se esqueceram de registar o postal no site ou nunca chegou; o segundo, para a Holanda, conta com quinze dias de envio), cinco já receberam e os restantes, foram enviados ao longo das últimas semanas.

 

Cada postal que recebo é diferente e especial, tal como diferentes são as suas origens e as mensagens por detrás das imagens. Umas mensagens são simples mas simpáticas, outros partilham gostos e bocadinhos de quem escreve, outros explicam as escolhas dos postais e as histórias que escondem. É o caso de dois dos três postais que recebi esta semana. E, como tal, não me limitei a partilhar os postais, mas a explorar as  palavras de quem me escreveu... ou seja, pegando no que me escreveram, fui investigar e partilhar o que descobri.

 

Igor,

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Estados Unidos da América.

O ouro, segundo o Igor, foi descoberto na Califórnia no decorrer do ano de 1848 e depois da guerra entre os EUA e o vizinho México. No postal, Igor, também menciona um nome totalmente desconhecido para mim e, quiçá para muitos de nós: o de João Rodrigues Cabrilho. Mas, o melhor é irmos por partes. Comecemos pela guerra e pelo ouro...

 

Entre 1846 e 1848, os EUA e o México combateram entre si, desde a Califórnia até à Cidade do México -  na zona oeste da América do Norte -, provocando alterações drásticas no futuro dos países envolvidos. Nos anos de 1835 a 1845, os EUA procuraram comprar, por uma quantia avultada, os território mexicanos da Califórnia e do Novo México. Os mexicanos recusaram e as relações políticas entre os países entraram numa espécie de permanente conflito e ameaças mutuas. No final de 1845, os EUA anexa ao seu território, a zona do Texas, até então considerado estado mexicano rebelde, despoletando o inicio do conflito armado entre os vizinhos. A guerra mexicano-americana saldou-se na derrota amarga para o México que, na época, vivia abraços com problemas de conflito interno e não união entre os mexicanos, perdendo 40% do seu território, destacando-se a Califórnia e o Texas. A fronteira entre os dois países ficou definida alguns meses mais tarde e as relações políticas entre ambos comprometida durante décadas.

 

Numa manhã de Janeiro de 1848, uma semana antes do final da guerra entre os EUA e o México, o carpinteiro James Wilson Marshall, que trabalhava na construção de uma serraria num rancho no centro da Califórnia, descobriu no leito de um riacho, algo que lhe chamou a atenção quando reluzido à luz do sol: ouro. A descoberta do ouro na Califórnia atraiu, no período de 1848 a 1855 - ano em que o metal começou a escassear -, dezenas de milhares de pessoas provenientes dos mais diversos estados da América, América Latina, Europa, Austrália e Ásia. Todavia, apesar da riqueza do material, a maioria dos aventureiros não ficou rico: muitos, inclusive, passaram a viver na Califórnia por não terem dinheiro para regressarem a casa. A riqueza chegou a muito poucos, essencialmente àqueles que exploravam os trabalhadores, como os comerciantes. A Corrida do Ouro - como ficou conhecida - desenvolveu San Francisco e Califórnia, transformam-as em cidades prosperas, com igrejas, escolas e estradas. Mas, não só. O desenvolvimento das cidades desenvolveu sistemas de leis, da agricultura e de governos locais, bem como de novos métodos de transporte, tal como o navio a vapor e os caminhos de ferro. O impacto negativo do ouro levou ao ataque e consequente expulsão de nativos americanos, assim como impactos no ambiente. Um aspecto curioso: o responsável pela descoberta do ouro californiano, o carpinteiro Marshall morreu, em 1885, na miséria.

 

João Rodrigues Cabrilho, o navegador português esquecido, nasceu em Montalegre, a 13 de Março de 1499. Conhecido, também, por Juan Rodríguez Cabrilho, o navegador português realizou importantes explorações marítimas ao serviço da Coroa Real Espanhola. Em 1521, Cabrilho participou na conquista da Capital Azteca de Tenochtitlan, ao lado do espanhol Hernán Cortés. Entre 1523 e 1535, juntamente Pedro de Alvarado e outros europeus, conquistou os territórios que hoje compreendem às Honduras, Guatemala e San Salvador. A 28 de Setembro de 1542, ao serviço da coroa espanhola, João Rodrigues Cabrilho desembarcar no território onde hoje está localizado o estado da Califórnia. Aliás, Cabrilho é o primeiro português e europeu a navegar e explorar a costa californiana. João Rodrigues Cabrilho ou Juan Rodríguez Cabrilho morreu a 3 de Janeiro de 1543, no actual estado da Califórnia, desconhecendo-se o local onde foi sepultado. Na freguesia de Cabril - e, daqui a origem Cabrilho -, de onde era natural, existe a Casa do Galego, onde se diz ter nascido o navegador. 

 

 Marion,

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 Alemanha.

Na região do Ruhr - a maior região industrial da Europa -, diz Marion, existiam inúmeras minas de carvão. Presentemente desactivadas, o Complexo Industrial da Mina de Carvão de Zeche Zollverein é património da Humanidade Unesco, desde 2001. A primeira mina de carvão nasceu em 1847 e, consequente expansão, tornaram o complexo um dos maiores do género. O Poço 12, que ilustra o postal, foi aberto em 1982, sendo considerada uma obra mestre pela arquitectura e técnica, assim como uma das mais bonitas minas de carvão do Mundo.

 

Valérie,

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França

A Valérie foi a primeira menina a escrever-me em português e comigo partilhou o desejo de regressar a Portugal, onde um dia passou férias. Diz a Valérie, no seu português atrapalhado, que em França céu é cinza e está frio!

 

Não existe uma história para explicar sobre este último postal mas, considerei que a Valérie não merecia aparecer em branco, mas partilhar um bocadinho dela. 

 

O postcrossing é mais do que a alegria em encontrar um postal no meio das contas para pagar. É sonhar, partilhar, aprender e viajar. 

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