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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Livro, José e os cravos.


M*

25.04.15

Equador, Miguel Sousa Tavares.

 

Numa tarde, recentemente, em que me dedicava à leitura de algumas páginas de Equador, um senhor interrompe-me a leitura, pedindo desculpas por roubar a minha atenção daquelas páginas. Levantei os olhos, deparando-me com um senhor de idade, mais de 60, vim a descobrir posteriormente, rosto marcado do tempo e um sorriso aberto. Sorri e respondi-lhe, com aberta sinceridade que, do que já tinha lido, estava a gostar embora pecando pelo excesso de descrição e falta de diálogos tornando-se penoso. Novo sorriso. Partilhamos a mesma opinião.

 

Sabe de quem é filho o Miguel? - pergunta-me, com alguma hesitação. 

 

Procuro na memória aquele nome bonito, de uma mulher que gostava, respondo, satisfeita por me recordar dela - Sim, é filho de Sophie de Mello Breyner. 

 

- E sabe quem é que ela foi? - pergunta-me o idoso, como que a tentar descortinar a minha cultura literatura. - Óbvio que sei, li livros dela! - respondo-lhe após uma pequena gargalhada. - Escritora. Poetisa. Gostava imenso d' A Menina do Mar.

 

Ele sorri, um sorriso rasgado de quem já viu e ouvi tanto e, diz-me - Sabe, eu convivi muitos anos com ela e com o pai do Miguel. Sabe quem ele era?

 

- Não, o pai não sei quem era mas, sobre a mãe, digo-lhe que é um privilegiado. Adorava tê-lá conhecido. 

 

Um olhar nostálgico apodera-se dele. Perde-se nas memórias. Sorri-me como se tivesse acabado de descobrir alguma coisa, lá no fundo da alma das lembranças.

 

- Chamava-se Francisco. Era um dos melhores advogados daquele tempo. Sabia que ele teve um papel fundamental na revolução do 25 de Abril? 

 

- Não, não sabia... - e deixo o velho senhor continuar a divagar, nas lembranças de uma revolução.

 

Misturado nos sons típicos de um café, as memórias daquele senhor levaram-me a viajar ao antes e durante da revolução de Abril e a conhecer um pouco do pai de Miguel Sousa Tavares. Falamos das prisões políticas, das restrições do dia-a-dia, da forçada emigração a que se viu levado aquele idoso, das histórias contadas daquele tempo e que relembro de escutar do meu professor de História... e, sobre o presente. Um pouco de política, de juventude e do papel importante da História. No espaço de pouco mais de meia hora, fomos do passado, ao presente, ponderando o futuro. Nunca conheceu o Miguel mas, foi graças a ele, a Equador, que viajei à era da revolução de Abril. José, o nome do idoso que me dá a conhecer uma história que eu não vivi.

 

Porque ler também é isto... pausa de uma viagem para embarcar noutra de histórias reais.

 

25-abril-cravo.jpg

 

O 25 de Abril que não vivi, não senti, das transformações que não recordo. O 25 de Abril que conheço dos livros e manuais escolares, das palavras dos meus professores de História, dos jornais e revistas. O 25 de Abril dos cravos e das revoluções, da liberdade e mudanças. 

 

Liberdade, palavra tão cheia de sentimentos, significado, importância. Para quem, como eu, nasceu no pós-Abril de 1974, provavelmente, tal como outras datas recheadas de História, pouco lhe diga. Mas, a verdade é que, sem os Franciscos, Sophies e Josés de 1974, quiçá o significado de liberdade fosse outro... ou, talvez a História se pintasse noutros tons. 

Livros,


M*

23.04.15

a cada novo livro, nas primeiras palavras, empreende-se uma nova viagem. Livros, são mais do que capa bonita, recheado de palavras e inúmeras folhas... são, na verdade, uma viagem, uma descoberta, um país, uma personagem, uma história, um sentimento. É tudo isto sem sair do conforto de um lar ou durante uma viagem de comboio, do barulho de um café ou do som solitário de um banco de jardim. Mergulhamos nas palavras, dançamos ao ritmo de cada nova página, descobrimos novas histórias, autores, personagens. 

 

Fui, sou, serei mil e uma personagens. Ontem rainha, hoje governador, amanhã uma filha. Sem sair do lugar, do conforto meu mundo, viajei até Barcelona do século dezanove, conheço Portugal de mil novecentos e seis e, amanhã, quem sabe, vá conhecer África. Ri-o, choro, amo, vivo, sonho, canto. Sou o eu em múltiplas personagens. 

 

E, neste dia mundial do livro, comemoro-o da melhor forma... a ler. Vesti o papel de governador e viajo até S. Tomé e Príncipe, na pele de Luís Bernardo... 

IMG_20150423_090119.jpg

... até já e, 

 

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