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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Dia Dezanove. Livro em cujo universo habitaria.


M*

19.05.15

Não li a saga mas, seguramente, seria o universo que mais gostaria de morar... e, não preciso de explicar os motivos, porque (ou quase todos) todos conhecemos o mundo famoso de Hogwarts,

 

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  O desafio literário foi-me sugerido pela Magda. A ideia é, durante quarenta e cinco dias, todos os dias, à mesma hora, falar-se sobre livros, respondendo às questões sobre o universo dos livros. O objectivo do desafio é simples: se por um lado, consiste numa de gostos e experiências sob o mundo dos livros, por outro, este desafio leva-nos-à a pensar e a reflectir sobre os livros que já lemos. Iniciado a 1 de Maio de 2015 e durante 45 dias, neste blog, falar-se-à maioritariamente de livro. Não se esqueçam de visitar a Magda e conhecer as suas escolhas literárias

Dia Dezoito. Livro para o qual escreveria uma sequela.


M*

18.05.15

Adoro os livros de Khaled Hosseini. Nascido no Afeganistão, Hosseini possui o dom da escrita é, para mim, um verdadeiro contador de histórias. A escrita é simples, fluida, cativante. Livros cuja histórias parecem tão reais e autênticas, cenários que facilmente visualizamos e, personagens com uma elevada carga emocional e potente mensagem de amor, esperança, luta e amizade. Khaled Hosseini é inigualável. Quem lê não consegue ficar indiferente. Porém, no seu terceiro e último livro, senti que faltava contar algo mais... e, admito, foi o primeiro livro em que senti tal necessidade de uma continuação.

 

E As Montanhas Ecoaram

Khaled Hosseini

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1952. Numa pequena aldeia no Afeganistão, Saboor é um pai abraços com uma das mais duras decisões da sua vida: vender a filha mais nova, com três anos, Pari, a um casal abastado de Cabul. Para continuar a sustentar a restante família, Saboor empreende a mais dura das viagens na companhia dos dois filhos, Pari e Abdullah, o irmão que sempre tomou conta da menina desde a morte da mãe de ambos. A viagem e consequente separação dará lugar a um permanente vazio na vida de Pari e Abdullah.

 

Somos, assim, convida-nos a viajar no tempo e a reflectir nas consequências das escolhas que, em algum momento, somos obrigados a fazer. Pari, toma para si o papel principal nesta viagem familiar, uma vez que, sendo tão nova, as lembranças das origens e de Abdullah são esquecidas e um constante vazio as substituirá. Todavia, o autor não se limitou a escrever sobre o destino dos irmãos Pari e Abdullah. Criando histórias paralelas de quem com eles, de alguma maneira privou, Hosseini pinta-nos um mosaico de sentimentos: dos afegãos que partiram, de afegãos que ficaram e de daqueles que, não tendo nascido afegãos, procura mudar a realidade e o destino de país tão fatalmente marcado. 

 

Porém, admito-o: falta algo nesta história familiar. A verdade é que, embora tenha ficado impressionada e seja um aspecto positivo do livro, as histórias secundárias nascidas da mente de Hosseini deixam perder um pouco da história dos irmãos, especialmente de Abdullah... demoramos vários capítulos até nos reencontramos com os irmãos porque, pelo meio, saltamos de histórias secundárias em histórias secundárias, da narrativa presente à narrativa passada. 

 

É, nas histórias das personagens secundárias que o sentimento de vazio reside, ora parecem escusadas, ora necessárias e interligadas à história dos filhos de Saboor. Se, por um lado, o final mostra-nos o destino que Hosseini reservou a Pari e Abdullah, mesmo sem conhecermos os caminhos percorridos pelo este e em oposição à irmã, por outro, as personagens secundárias parecem ficar suspensas, à espera de uma continuação... e, continuação essa à qual adoraria conhecer e ler. 

 

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  O desafio literário foi-me sugerido pela Magda. A ideia é, durante quarenta e cinco dias, todos os dias, à mesma hora, falar-se sobre livros, respondendo às questões sobre o universo dos livros. O objectivo do desafio é simples: se por um lado, consiste numa de gostos e experiências sob o mundo dos livros, por outro, este desafio leva-nos-à a pensar e a reflectir sobre os livros que já lemos. Iniciado a 1 de Maio de 2015 e durante 45 dias, neste blog, falar-se-à maioritariamente de livro. Não se esqueçam de visitar a Magda e conhecer as suas escolhas literárias

Dia Quinze. Livro hilariante.


M*

15.05.15

Faltam-me livros hilariantes. Os livros que recheiam a minha estantes contam histórias e, confesso que, embora já tenha rido com algumas dessas histórias, não os defino como hilariantes. Para dizer a verdade, é um género literário que pouco interesse me desperta. Não tenho livros humorísticos ou verdadeiramente hilariantes mas, ainda assim,

 

Ele Está de Volta

Timur Vermes

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 fez-me rir tanto, tanto, mas tanto! 

 

Adolf Hitler, Berlim, Alemanha, 2011. Todos nós sabemos quem foi e o que fez de Hitler um dos homens mais famoso e marcante da História Mundial. Imaginem, portanto, o seu regresso...

 

Adolf Hitler acorda num terreno baldio. Sente uma grande dor de cabeça. O uniforme tresanda a querosene. Olha à sua volta e não encontra Eva Braun. Nem uma cidade em ruínas, nem bombardeiros a riscar os céus. Em vez disso, descobre ruas limpas e organizadas, povoadas de turcos, milhares de turcos. E gente com aparelhos estranhos colados ao ouvido.

 

Assim começa o romance de Timur Vermes. Numa Alemanha multirracial e onde uma mulher, Angela Merkel, governa o destino do país, na era do euro e da crise, dos reality shows e da internet, Adolf Hitler regressa... e ninguém vê nele uma ameaça. É recebido de braços abertos por uma televisão alemã, desejosa de aumentar as audiências. A sociedade vê nele um palhaço inofensivo, embora se trate de um homem impulsivo, mal-disposto e agressivo. Ninguém recorda os crimes odiosos e monstruosos do passado. Batem-lhe palmas. Ingénuo em relação às novas tecnologias e às mudanças da sociedade alemã, Hitler planeia o seu regresso através da televisão. E, através dos seus dotes de oratória e ar de palhaço inofensivo, o ex-líder alemão vai divulgando as suas ideias xenófobas e racistas... 

 

O regresso de Adolf Hiltler é, através do olhar de Vermes, perturbantemente cómico. Não consegui deixar de rir, apesar de reconhecer a delicadeza do tema. Trata-se uma sátira não só política mas, também social, nomeadamente, à sociedade alemã e às sociedades da tecnologia. 

 

Resumidamente, nunca me ri tanto, apesar de não ter graça nenhuma, com um livro do que com este regresso verdadeiramente surpreendente (será?) de Adolf Hitler.

 

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  O desafio literário foi-me sugerido pela Magda. A ideia é, durante quarenta e cinco dias, todos os dias, à mesma hora, falar-se sobre livros, respondendo às questões sobre o universo dos livros. O objectivo do desafio é simples: se por um lado, consiste numa de gostos e experiências sob o mundo dos livros, por outro, este desafio leva-nos-à a pensar e a reflectir sobre os livros que já lemos. Iniciado a 1 de Maio de 2015 e durante 45 dias, neste blog, falar-se-à maioritariamente de livro. Não se esqueçam de visitar a Magda e conhecer as suas escolhas literárias

15 | Na minha estante... Glória Mortal.


M*

29.04.15

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 Glória Mortal de J. D. Robb, pseudónimo de Nora Roberts, remete-nos para um cenário futurista, de crime e mistério. 

 

Eva Dallas é considera a melhor tenente da polícia de Nova Iorque. Uma mulher recheada de mistérios, ideias fixas e apaixonada. A primeira vítima, uma procuradora famosa e acarinhada, do ministério público da cidade, é encontrada num dos cantos mais estranhos da cidade, numa noite de chuva. A segunda, uma promissora actriz, no próprio apartamento. O que as ligas, para além de referências e caras conhecidas do público, é Roarke, o seu companheiro. Eva é obrigada a investigar uma longa lista de suspeitos, explorando todas as hipóteses, rumores e pistas, envolvendo homens de poder e perigo. Um livro recheado de mortes no meio televisivo, mostrando as disputas entre os diversos meios.

 

Nunca tinha lido nada de Nora Roberts/J.D. Robb. Provavelmente, nunca o teria feito se não fosse pelas meninas do clube das pistogas que lêem - composto pela Magda, Sofia e Nathy. Foram elas que deram o mote à leitura conjunta deste livro que, de outra forma, nunca teria lido. 

 

Nunca senti interesse em ler algo desta autora, embora reconheça que possui uma escrita interessante, envolvente, misteriosa. As críticas sobre a escritora norte-americana são excelentes e cativantes, sempre me falaram maravilhas sobre os livros dela mas, sempre senti desconfiança. Ler Glória Mortal serviu para confirmar as minhas suspeitas... acabei por não gostar e, bem sei que fui a única do clube a considerar penoso e de opinião negativa. A dada altura só queria desistir mas, lá consegui, rapidamente, chegar ao fim e esquecer a enorme desilusão que senti em ler J.D. Robb/Nora Roberts. Não sou apreciadora de policiais mas, apesar disso, optei por dar uma chance ao livro. O que me desiludiu foi o cenário futurista imaginado pela escritora. Glória Mortal passa-se em 2058, na era dos carros voadores, dos robôs como empregados de café e, segundo a escritora, das missas celebradas em latim. Não gostei dos cenários elaborados pela escritora embora, lhe admire e inveje a enorme criatividade para tais imaginações mas, para ler sobre um futuro tão distante e aparentemente tão pouco interessante, prefiro imaginar. O final, apesar das teias de interesses elaborada pela escritora, é um tanto ao quanto previsível.

 

Eu não gostei - desculpem meninas -, dificilmente voltarei a ler algo desta escritora mas, ainda assim, é uma leitura recomendável aos apreciadores de policiais, futurismo e suspense.

 

Glória Mortal é o segundo volume da Série Mortal de J.D. Robb/Nora Roberts; conta com mais de quarenta livros na série, cerca de quinze foram publicados em Portugal, tendo sempre como protagonistas a tenente Eva Dallas.

 

Os mortos eram a sua profissão. Vivia com eles, trabalhava com eles, estudava-os. Sonhava com eles. E porque isso não lhe parecia suficiente, num recanto profundo e secreto do seu coração, sofria por eles.

 

Hora de cuscar as opiniões dos restantes elementos do clube:

Magda, Sofia e Nathy.

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* (mais sobre o livro e a autora em Saída de Emergência)

Condenação, pena de morte e o perdão.


M*

28.04.15

Pena de morte. Recordo-me, dos tempos de faculdade, falarmos deste tema sensível. Na altura, assisti a uma conferência organizada pela Amnistia Internacional sobre a temática, onde um ex-condenado norte-americano relatava a sua experiência de anos a fio no corredor da morte. Não me lembro dos pormenores exactos do crime mas, o Homem foi julgado e condenado à pena capital pela morte violenta da Esposa (e, creio que de um outro homem encontrado na casa que, se supôs ser o amante). A base foi o testemunho de alguém que os ouviu a discutir na noite do crime; o casal discutia com frequência e esse foi o mote para a condenação. Recordo-me de ele referir que, de facto discutiram com mais frequência nos meses anteriores à morte da Esposa mas, contrariamente à acusação, nunca lhe tinha batido e na noite em que a ela foi assassinada não se encontrava em casa. Mas, baseados na cena do crime e nas discussões que alguém testemunhará, o Homem esteve anos e anos à espera do momento em que lhe seria aplicado o método que lhe retiraria a vida. Anos e anos em suspenso, reclamando inocência, duas ou três vezes às portas de cumprir a pena, travadas pela acção do advogado. A reviravolta acabaria por acontecer muitos e longos anos mais tarde - não me lembro exactamente de que modo - e, com ela, a ansiada inocência e liberdade. Esta história marcou-me profundamente. Os anos à espera da morte, os anos de prisão, os anos em que a liberdade lhe foi roubada. Por maior que tenha sido a indemnização quem, perguntava ele, lhe devolveria os sonhos e projectos que lhe foram roubados naquela noite... ninguém ou nada. 

 

Michel foi condenado por alegadamente ter assassinado um camionista durante um tiroteio. Não foi condenado à pena de morte mas esteve 36 anos - repito, 36 anos - preso. Michel reclamou, ao longo dos anos, inocência. Recentemente, provou-se que nada teve a ver com a morte do camionista. Os primeiros momentos de liberdade foram registados por várias câmaras de todo o país,

 

(daqui)

 

Quando leio casos como o de Michel, mesmo que não tenha sido condenado a ficar sem a vida numa qualquer sala, relembro-me daquela conferência que assisti à anos atrás. Relembro-me de debater com os meus colegas, de as opiniões se dividirem entre o a favor, o contra e o meio termo. Fiquei-me pelo contra. Não sou a favor embora, admita que vacilo bastante, que não seja uma opinião segura... sobretudo, em questões de violação ou de crimes contra a humanidade (como exemplos, crimes perpetuados por ditadores). Perguntaram ao Homem sobre a pena de morte para estes crimes, a resposta deixou-me a pensar e de que serve matar outrem se não devolvemos a vida daqueles que mais amamos?; sobre a solução/pena, para ele, a solitária, onde não contactasse com ninguém.

 

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 (in Público)

 

Recordemos os atentados à maratona de Boston, em 2013, nos EUA. Tamerlan, na época, com 26 anos e Dzhokhar, de 19 anos, irmãos nascidos na Chechénia, a viver legalmente naquele país, mataram através de bombas construídas em casa, três pessoas, deixando vários feridos e instalaram o pânico em quem assistia. Martin, um menino de oito anos, foi uma das três vitimas dos irmãos. Os pais do menino, todavia, não querem que seja aplicada a pena de morte a Dzhokhar porque, consideram que tal condenação não lhes devolveria de Martin nem curaria as sequelas físicas e emocionais. Nada nem ninguém lhe devolverá o menino ou apagará o horror daqueles dias. É importante referir que, os pais e a irmã de Martin, ficaram com graves marcas físicas, que os acompanharam até o último dia das suas vidas. 

 

Por esta altura, por mero acaso, li um livro dos livros que mais me marcou. Estrada da Noite de Kristin Hannah leva-nos a reflectir sobre a morte, o amor e o perdão. Jude vive para os filhos, os gémeos Mia e Zach, e para o marido. Lexi é uma jovem que nunca conheceu o verdadeiro significado de família e entrará na vida de Jude e dos gémeos, transformando-a irreparavelmente. A tragédia marcará o destino de Jude e Lexi... Estrada da Noite é, provavelmente, um dos temas que, embora longe de estar relacionado com a pena de morte, nos leva a pensar no caso dos pais de Martin. Para Jude, a única forma de acalmar a dor que sente é condenar a culpada pela tragédia. Porém, os anos passam e a dor não diminui. Embora acha relações de proximidade e familiaridade em Estada da Noite, que não existem entre Dzhokhar e os pais de Martin, a verdade é que a linha de pensamento dos últimos se aproxima à do livro, deixando a questão a prisão apaga o crime?

 

A pena de morte, a condenação e o perdão são temas sensíveis. É difícil saber o que realmente sentiríamos se fossemos acusados de um crime que não cometemos, como o Homem e Michel e, consequentemente, passar anos à espera de cumprir uma pena irremediável, a morte. É, igualmente, complicado viver com a morte de um filho e as marcas que sempre, a um novo dia, lá estarão para recordar a tragédia. 

 

Quando leio sobre mortes violentas às mãos dos maridos, mães, avós ou qualquer outro familiar, sobre violações como esta notícia ou sobre os atentados cometidos contra milhares de vidas às mãos de uns quantos poderosos penso, imediatamente, que deveria ser condenados à morte. Mas, depois, recordo-me de casos como os que relatei acima e, enfim, a opinião altera-se e atirava-os para uma das celas mais degradante e solitárias. Quatro vidas marcadas pela justiça de outros homens - o Homem, Michel e os pais de Martin. Quatro vidas que me levaram a reflectir, ponderar e duvidar.

 

E, a que veio isto tudo, nesta salada russa? A propósito da história de Michel, dos seus 36 anos de prisão e da experiência de pedir algo tão simples para mim, como uma hambúrguer... repito, 36 anos a reclamar inocência, 36 anos a viver numa prisão.

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