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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Numa entrevista,


M*

16.04.15

para um estágio profissional, depois de respondidas às questões cliché sobre o percurso escolar e profissional, expectativas quanto ao estágio e o significado de trabalhar/estagiar na área a que me candidatava, eis que a técnica de recrutamento me questiona:

 

 A Maria é ainda jovem... têm namora?

 

Fui apanhada desprevenida. Na minha cabeça, tal questão soava-me a pessoal, dizia-me para lhe responder algo do género como Não é da sua conta mas, o que acabou por sair da minha boca foi um simples Não. Mas, a entrevistada, também ela mulher, não contente com a resposta, volta a questionar,

 

 E têm filhos ou tenciona vir a ter?

 

Novamente, apesar de ter vontade em lhe responder algo diferente, limitei-me a um,

 

Não tenho filhos e de momento não tenciono ter. 

 

Remata as questões de ordem pessoal com mais uma questão,

 

Portanto, está totalmente disponível para estágio, sem qualquer outras preocupações... correcto?

 

Limitei-me a afirmar que sim sem compreender exactamente o que entendia ela por outras preocupações. 

 

Na faculdade, enquanto estudante, as questões da desigualdade de acesso ao emprego são abordadas. Sabia, estava perfeitamente consciente da ilegalidade das questões que aquela mulher me colocava mas, a verdade é que, por mais que eu desejasse refilar, precisava do estágio. Acreditava que, no dia em que me colocassem este género de perguntas, refilaria perante a injustiça e a ilegalidade mas, quando corremos entrevistas atrás de entrevistas, muitas vezes sem obter qualquer respostas das entidades, num total desrespeito pelos candidatos, esses sentimentos calam-se. A necessidade de trabalhar sobrepõem-se à injustiça, numa zona onde o trabalho não abunda. 

 

É curioso como as questões partiram de uma mulher para outrem... e ficamos sem saber o que pensar. Será que aquela mulher também não tem namorado/marido a ponto de questionar as candidatas? Ou filhos... será que não os têm ou deseja vir a ter? Ou, pura e simplesmente, é uma mulher de tal modo dedicada ao trabalho e à empresa que considera que as potencias candidatas também o devem ser e que a vida se restringue ao trabalho? 

 

Foi a primeira vez que tais questões me foram colocadas (ou pelo menos, de forma tão directa e explicita) mas sei que não sou a única... sei de mais casos como este, tal como toda a gente sabe da exploração de uma pequena papelaria na vila aos seus funcionários, obrigando-os a trabalhar horas para lá do permitido por lei sem qualquer tipo de compensação. Sei de uma senhora que não fui aceite numa empresa porque tinha crianças pequenas a seu cargo embora, obviamente, a desculpa tenha sido outra. A verdade é que, por mais leis que se implementem, falta sempre qualquer coisa. Queremos incentivar a natalidade, precisamos de mais crianças mas, depois, para uma entrevista de estágio profissional perguntam a uma recém formada se tem ou quer vir a ter filhos... 

 

Estavamos em dois mil e catorze quando ocorreu esta entrevista, não foi em mil noventos e tais...

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