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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

(devaneios) Sobre o caso da Figueira da Foz e das coisas que eu não entendo,


M*

15.05.15

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Nas redes sociais multiplicam-se as páginas de apoio ao jovem rapaz agredido na Figueira da Foz, bem como os comentários terríveis, agressivos e de incentivo à violência para com as jovens agressoras, assim como contra os jovens que assistem. Uns afirmam que se fosse o seu filho o agredido, os jovens iriam aprender o que era bom, outros dizem que se fossem os seus filhos os agressores, que levam porrada da grossa. A pergunta que se impõem é, com praticamente um pais inteiro a desejar espancar os miúdos agressores, será que isso vai resolver alguma coisa? E será que muitos destes pais, independentemente de serem agressores ou agredidos, fariam alguma coisa se o vídeo não fosse tornado público? Será que estas almas ainda não pararam para pensar que violência gratuita nas redes sociais só gera mais violência? E, já agora, alguma destas pessoas que dizem fazer e acontecer se fossem os seus filhos os agredidos ou, até mesmo contra os agressores, já pararam para pensar que as cachopas e os cachopos, provavelmente, já receberam a pior lição de todas? Mas, a pergunta que me assombra o ser é: se realmente fossem os filhos os agressores, será que aqueles homens e mulheres realmente espancariam ou matariam, como tanto se escreve nas páginas de apoio ao rapaz? 

 

Obviamente que não aprovo nem compactuo com actos de selvajaria como os do vídeo. Sei bem, infelizmente, os efeitos que o bullying provoca nas vítimas... e, não é por sempre terem existido e por hoje em dia receber um nome pomposo, que devemos ignorar. Mas, para escrever a verdade é que, sinceramente, eu não faço a menor ideia do que faria se, hipoteticamente, um dos meus filhos estivesse no vídeo... e, por isso, também não compreendo como é que tantos homens e mulheres dizem fazer e acontecer se fossem os seus filhos os agressores. Desconfio que nem saberia como lidar com um acto tão abominável se fosse o meu filho o agredido... Assusta-me imaginar que género de jovens que teremos no amanhã, reflexo do presente, produto da cultura do sim, dos direitos e dos traumas, do dar tudo e da ausência e/ou despreocupação dos pais.

 

E, para finalizar, não é uma forma de bullying e de violência gratuita a forma como se divulga informações das agressoras?

 

Não tinha intenções de escrever nada sobre um tema que tanto se fala mas, com tantos comentários nas redes sociais as dúvidas assolaram-me a alma. 

9 | Da minha estante... A Menina Que Fazia Nevar.


M*

20.01.15

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 A Menina Que Fazia Nevar é, provavelmente, um dos livros mais bonitos que li até hoje. Uma história tocante e sensível, curiosa e diferente. Uma agradável surpresa onde temas como a religião, solidão, fanatismo e o bullying se misturam com o amor, a fé, o perdão e a imaginação. 

 

Judith é uma menina de dez anos que vive com o pai numa pequena cidade. Não tem amigos e é constantemente agredida, física e psicologicamente, pelos colegas. O pai, um homem de grande fervor religioso, trabalha numa fábrica e rege os dias da família segundo os mandamentos religiosos. Todos os dias ao regressar a casa, Judith e o pai, rezam e analisam textos da Bíblia. Pai e filha, atrevo-me a dizer, são dois desconhecidos que apenas falam de Deus e dos seus ensinamentos. Por conseguinte, os dias de Judith são passados na solidão do seu pequeno quarto. Nele construiu um pequeno mundo em miniatura, através de restos de lixo, que apelidou de Terra de Leite e Mel. Judith acredita que faz milagres quando, pela primeira vez, fez nevar no seu mundo em miniatura e, na manhã seguinte, a pequena cidade se vestiu de branco em pleno mês de Outubro. Judith acredita, igualmente, que fala com Deus.  

 

A Menina Que Fazia Nevar despertou, em mim, um turbilhão de sentimentos: ora de revolta pela forma como Judith é tratada pelos demais, ora de querer entrar no livro e acordar o pai do mundo religioso, ora de reflexão sobre os perigos do fanatismo religioso... e, se de facto todos seguíssemos os mandamentos da religião, independentemente de qual seja a religião, o Mundo seria um lugar extremamente difícil de se viver. Aliás, quando entregamos e vivemos mediante o que interpretamos de um livro, corremos o risco de sermos meros fantoches e de arrastar os demais, sem conseguirmos viver e aproveitar os dias. 

 

O livro esta repleto de questões e momentos de reflexão. Os milagres e poderes que Judith fala - para mim, golpes de sorte ou traçados pelo destino - leva-nos a reflectir sobre eles, mostrando-nos quem têm a força para os concretizar: nós? Deus? ou ambos?. Outra questão que fica em aberto: será, de facto, que Judith falava com Deus ou seria algum transtorno psicológico da menina?

 

Grace McCleen escreve de forma cativante e ponderada, uma escrita que nos vicia e não nos permite abandonar a leitura... uma escrita que nos troca as voltas.

 

Comprei A Menina Que Fazia Nevar, como anteriormente referi aqui, por me recomendaram. Mas, não só... A capa é extremamente cativante, embora goste mais desta (a versão brasileira, mais próxima da realidade do livro), bem como pelo título e sinopse. Não sendo eu de modo algum crente ou ligada à religião - aliás, tenho uma visão um pouco radical das religiões que, acredito, serem o grande problema de quase todos os conflitos - estes temas, de cariz religioso, sempre me interessaram, especialmente aqueles com pitadas de polémica (como, A Filha do Papa de Luís Miguel Rocha). Ainda assim, este livro tornou-se inesquecível... especialmente, pela reviravolta que sofre.

 

A Menina Que Fazia Nevar de Grace McCleen é uma leitura que recomendo a judeus, cristãos, muçulmanos e qualquer religioso, a cépticos e não crentes.

 

(mais informações sobre o livro em Editorial Presença)

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