Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Desilusões Literárias de 2015.


M*

14.12.15

O ano de dois mil e quinze está quase, quase, quase a terminar... pouco mais de meio mês para alterarmos a forma como escrevemos o último número das datas. Foi um ano recheado de leituras diversas e altos e baixos literários. O ano ainda não terminou mas o meu top seis de desilusões literárias de dois mil e quinze já está definido, e dificilmente sofrerá alterações...

 

Ler também é isto: descobrir que nem sempre nos identificamos com um livro. Cada livro possui vida própria, uma alma sentida através das personagens e, por vezes, por motivos distintos não nos identificamos com aquelas páginas, aquela escrita, aquelas histórias que outros leitores gostaram ou adoraram. Ler é isto mesmo: uma experiência de altos e baixos, com o qual nem sempre nos identificamos.

 

Untitled.jpg

 

 

 

Top Seis das Minhas Desilusões Literárias de Dois Mil e Quinze

 

   | Comecei a ler mas não consegui terminar... 

 

9789722634267.jpg

O Circo dos Sonhos de Erin Morgenstern foi um dos poucos livros da minha estante que me enfeitiçou pela capa extraordinariamente bela (e, se algum dia tiverem oportunidade de ter este livro na mão, vejam a beleza das páginas interiores). A sinopse cativou-me mas, na verdade, o que me levou a comprar este livro, numa promoção da note.It, foi a beleza e simplicidade da capa. Conquistou-me. É uma das capas mais bonitas da minha estante, uma das minhas preferidas. Porém, os livros não se fazem de capas e, para mim, este livro tornou-se a minha primeira desilusão do ano. Li metade do livro, persisti e insisti na sua leitura arrastando-o durante vários meses, mas a verdade é que não consegui entrar na história. A escrita não é complexa mas desenvolve-se numa acção lenta - na minha opinião, extremamente lenta -, envolvendo diversas personagens. Encontro opiniões muito positivas a este livro em blogues ou canais de youtube... infelizmente eu não gostei. Quem sabe, um dia, consiga ler este livro... eu não perdi a esperança de, no futuro, ler e - porque não - até gostar deste Circo dos Sonhos. 

 

41001598z.jpg

O Retrato da Mãe de Hitler de Domingos Amaral foi um livro penoso de ler... quando dei por mim, estava a fazer uma leitura vertical da história, saltando partes que não me interessavam. Eu já tinha lido Domingos Amaral em Quando Lisboa Tremeu e gostei muito da escrita, das personagens e da história. Mas, neste retrato literário não consegui afeiçoar-me a nenhuma das personagens. Abandonei o livro quando faltavam umas cem a cento e cinquenta páginas do seu fim. Queria mesmo muito gostar deste livro e tinha tudo para ser uma bom história: a posição de Salazar e de Portugal aquando do final da II Guerra Mundial, a fuga dos criminosos nazis, as relíquias materiais de Hitler. No entanto, as conversas entre avô e neto sobre as aventuras sexuais do primeiro - como é que o senhor, em idade tão avançada, consegue lembrar-se de pequenos detalhes sexuais? - tornaram-se tema principal do livro, remetendo a fuga do nazi que consigo transportava o retrato da mãe de Hitler e outras relíquias para segundo plano. 

 

bala santa.jpg

Bala Santa de Luís Miguel Rocha ou, se tivesse começado por este livro, nunca mais teria lido nada deste autor...  ou talvez não. A verdade é que, em dois mil e catorze, tinha lido A Filha do Papa e adorei. A escrita, apesar da temática religiosa, era simples mas cativante, facilmente nos deixávamos seduzir pelas personagens. Bala Santa, onde Rocha expõem a tese de atentado perpetrado pela CIA, e outras agências secretas, ao Papa João Paulo II, considerei-a com ritmo lento e escrita excessivamente cuidada. Se este tivesse sido o meu primeiro livro do falecido escritor portuense, certamente que seria o último... e, na minha estante, ainda conto ler O Último Papa e A Mentira Sagrada. 

 

500_9789724617909_a_rapariga_que_inventou_um_sonho

A Rapariga Que Inventou Um Sonho de Haruki Murakami, leitura que abandonei nas primeiras páginas. Oiço falar maravilhas deste senhor - a Magda adorou-o e aconselhou-me a ler este livro - mas, confesso, considero a escrita demasiado complexa e exigente. É um livro que exige tempo e reflexão por forma a descobrir o significado de cada conto. Sim, este é um livro de contos. Talvez por se tratar de um livro de contos, talvez porque simplesmente não era a altura indicada, talvez porque comecei a ler Murakami pelo livro errado, a verdade é que este é uma das minhas desilusões de dois mil e quinze. Diz-se que Haruki Murakami é um daqueles autores de oito ou oitenta, ou seja, ou se gosta ou não se gosta, sem meios termos... e eu, sinceramente, não gostei.

 

   | Li até à última folha mas não gostei...

 

47.jpg

A Profecia de Istambul de Alberto S. Santos. Li as mais de quatrocentas páginas deste livro na expectativa de me apaixonar pela história mas, por fim, nas últimas páginas descobri que tal não iria acontecer. É daqueles livros cuja história não recordo, apesar de o ter lido durante o mês passado. Alberto S. Santos não me era estranho. Li, em dois mil e três, O Segredo de Compostela e adorei... uma história que ainda hoje recordo. Conhecia a sua escrita cuidada e trabalhada. Mas, tal como o livro que encerra a lista, simplesmente não gostei da história. Um dia quero ler A Escrava de Córdova...

 

49.jpg

A Solidão dos Números Primos de Paolo Giordano. Não gostei, simplesmente, deste livro. Não existe um motivo... achei-o lento, triste, penoso. Li-o mas, sei lá, olhem, não encaixei com a história. 

26 | Na minha estante... A Contadora de Histórias.


M*

25.11.15

Contadora De Historias.jpg

  A Contadora de Histórias, da aclamada escritora Jodi Picoult, romance profundo e inesquecível, é uma viagem de encontro a um passado trágico e marcante de uma família judia nos campos de concentração da II Guerra Mundial. 

 

Sager Singer é jovem, inteligente, curiosa e, porém, extremamente marcada pelos traumas do passado e incertezas do futuro. A morte dita-lhe a profissão: padeira. Sager trabalha de noite, preparando o pão e os bolos para o dia seguinte numa pequena padaria, gerida por uma ex-freira católica e a sua única amiga, e de dia refugia-se no sono para fugir à solidão e à dor pela perda da mãe. A perda trágica da mãe, pela qual Sager se responsabiliza, torna-a membro de um grupo de apoio onde trava uma amizade improvável com o velho Josef Weber. 

 

Josef Weber, no alto dos seus noventa e muitos anos, não consegue ultrapassar a dor pela perda da esposa e, no entanto, não é a única morte que o marca. Elemento querido e reconhecido pelas suas actividades de apoio à da comunidade e aos jovens de Westerbrook, Josef esconde um terrível segredo... e um favor extraordinário a pedir a Sager.

 

Suponho que quando uma liberdade nos é retirada, reconhecemo-la como um privilégio e não como um direito.

 

Os protagonistas, deste livro, e de uma estranha e invulgar amizade, transformam-se no dia em que Josef revela o seu passado a Sager. A busca pela verdade e justiça, caminhará de mãos dadas com a traição, o amor e o perdão, um segredo que mudará a vida de Sager. No fundo, são histórias de vida dentro de outras histórias de vida que, rapidamente e surpreendentemente, se cruzam com a de uma judia sobrevivente do Holocausto e de um ex-alto dirigente de um campo de concentração nazi. 

 

A Contadora de Histórias é um romance magnifico, grandioso, realista, distinto. A história de Sager e Josef tocou-me pela escrita inconfundível e maravilhosa de Jodi Picoult mas, sobretudo, pelo outro lado... poucos foram os livros que li sobre os campos de concentração nazi que revelassem os sentimentos de quem os dirigia e vigiava.

 

Se os meteres todos no mesmo saco por serem alemães, como podes ser diferente quando eles nos metem a todos no mesmo saco por sermos judeus?

 

Surpreendente e soberbo, este romance publicado pela Bertrand Editora, revela o lado alemão e a forma como os seus jovens se deixaram contagiar pelas ideias nazis, os sentimentos possíveis de quem se uniu aos campos de concentração para assassinar idosos, homens, mulheres e crianças, acima de tudo, pela religião que seguem, mas igualmente pela etnia, sexualidade ou posição política. Não é, de todo, uma justificação ou desculpa para actos imperdoáveis é, no entanto, um alerta para a facilidade com que nos deixamos facilmente influenciar por preconceitos e discursos inflamados de ódio. 

 

Incrivelmente, não foi a coisa mais deprimente que alguma vez tínhamos visto: uma noiva, arrancada ao seu próprio casamento, separada do noivo e metida num transporte para Auschwitz.

Pelo contrário, deu-nos esperança.

Queria dizer que, independentemente do que acontecesse neste campo, por muitos judeus que eles continuassem arrebanhar e matar, continuava a haver mais judeus: a viverem vidas, a apaixonarem-se, a casarem, a partir do princípio de que o amanha chegaria. 

 

Invulgar e espantoso, A Contadora de Histórias é uma leitura de cortar a respiração, cativando-nos desde a primeira página à última. Adorei cada uma das personagens, cada particularidade, cada sentimento, cada história...

 

Dentro de cada um de nós existe um monstro; dentro de cada um de nós existe um santo. A verdadeira questão é qual deles alimentamos melhor, qual deles destruirá o outro.

 

Ler A Contadora de Histórias depois de Viver Depois de Ti, um livro extremamente marcante e que me deixou sob efeitos de uma ressaca literária, elevou a minha fasquia... mas não desiludiu, pelo contrário, surpreendeu, elevando as leituras seguintes a patamares difíceis de igualar. Na verdade, 2015 têm-se revelado um ano de leituras marcantes...

 

Jodi Picoult

Picoult1-dl_jpg_610x343_crop_upscale_q85.jpgNasceu em Nova Iorque, EUA, em 1966. Estudou Inglês e escrita criativa na Universidade de Princeton e publicou dois contos na revista Seventeen enquanto ainda era estudante. O seu espírito realista e a necessidade de pagar a renda levaram Jodi Picoult a ter uma série de empregos diferentes depois de se formar: trabalhou numa correctora, foi copywriter numa agência de publicidade, trabalhou numa editora e foi professora de inglês. Premiada com o New England Book Award, em 2003, pela totalidade da sua obra.

Dos cerca de vinte livros publicados por Picoult, apenas quinze se encontram traduzidos à língua portuguesa.

Mais sobre mim

foto do autor

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sigam-me

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D