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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Os livros do mês de Julho e Agosto.


M*

05.10.15

Era, a cada novo início de mês, meu hábito escrever sobre as leituras do mês finalizado. O mês de Junho foi o último que lhe dediquei. Julho e Agosto foram meses duros, complicados e de trabalho, contrariando a ideia tendencial de Verão, férias e descanso, complicando a minha escrita. Foram meses onde a escrita se afigurou escassa, tal como a minha vontade de escrever, consequentemente, o projecto leituras do mês ficou parado. Retomo-o em Outubro, auxiliando-me da minha conta goodreads. É hora de conhecerem as leituras que me fizeram viajar, sonhar, amar e chorar nos meses de Julho e Agosto. As leituras de Setembro publicarei em breve.

 

Diz-me Quem Sou

Julia Navarro

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Como terá sido possível que uma nação inteira tenha enlouquecido ao ponto de ter assassinado em massa milhões de pessoas, pela simples razão de serem de raça diferente ou de professarem outra religião? Por que motivo não se tinha o povo alemão rebelado? Recordei-me de Max von Schumann e dos seus amigos; eles não concordavam com Hitler (…) Quantos alemães terão realmente colocado a vida em risco ousando lutar contra Hitler?

 

 Julho. É um livro recheado de conteúdo histórico, um olhar sobre a História do século XX, nomeadamente a Guerra Civil Espanhola, as ideias comunistas, II Guerra Mundial e a queda do Muro de Berlim. Diz-me Quem Sou conta-nos a história de um jovem jornalista precário, Guillermo, contratado pela tia para investigar a vida da sua desaparecida bisavó Amelia. A autora opta por contar a história através de personagens distintas - o que me levou, a um dado momento, a saltar estas partes... como se se tratassem de uma espécie de introdução -, aos poucos e poucos, levando-nos a viajar por cidades como Madrid, Paris, Berlim, Buenos Aires, Moscovo ou Cairo. Uma leitura recomendada aos amantes da História do século XX.

 

Índice Médio de Felicidade

David Machado

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Só que não deveria ser assim, Almodôvar, não deveríamos precisar de dias maus para dar valor aos bons, essa alegria deveria existir sempre, não apenas nos momentos de alívio. Mas estamos condenados por esta obsessão em relativazar tudo. Aqui e agora nunca são suficientes, travamos uma luta contínua, impossível de resolver, porque não aceitamos menos, porque queremos sempre mais. 

 

 Julho. Opinião aqui. David Machado aborda a infelicidade e a felicidade, o optimismo e a frustração, a persistência e o desânimo de quem, um dia, vê os pilares da sua vida serem abalados. Usando de um tema sensível, a crise e as suas consequências, Índice Médio de Felicidade leva-nos a reflectir sobre o nosso papel e valor na sociedade, a importância da família e da carreira nos tempos presentes, o valor e significado de felicidade no dia-a-dia ou o que somos capaz de fazer para alcançar um objectivo. 

 

O Monte dos Vendavais

Emily Brontë

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Os orgulhosos arranjam desgostos às suas próprias mãos.

 

 Julho. Opinião aqui. A história começa quando o patriarca da família Earnshaw, após uma viagem a Londres, regressa com o pequeno Heathcliff. É ele o elo de amor e desgraças que se abaterá sobre as vidas que toca. Os filhos de Earnshaw, Catherine e Hindley, sentem-se colocados de parte pelo pai que, parece nutri mais carinho e atenção pelo novo filho. Porém, a morte de Earnshaw levará Hindley a assumir a posição de patriarca da família e, assim, a vingar-se de Heathcliff. A irmã Catherine, todavia, não compartilha do pensamento do irmão e encontra em Heathcliff um parceiro. Nasce, assim, entre ambos algo mais do que uma simples amizade ou carinho de irmãos. A história sofre uma reviravolta com a partida d' O Monte dos Vendavais de Heathcliff, levado a acreditar que Catherine não corresponde aos sentimentos e pela atracção da jovem Catherine aos luxos e riquezas que um casamento podem proporcionar. O regresso, anos mais tarde, de Heatchcliff marcará a vida de das famílias de ódio e vingança. 

 

Segue o Coração

Lesley Pearse

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Mas, acima de tudo, quero ter feito uma diferença na vida de outras pessoas.

 

 Julho. Opinião aqui. Lesley Pearse, pela vida de Matilda Jennings, dá-nos a conhecer partes interessantes da História dos Estados Unidos da América, dos finais do século XIX e dos inícios do século XX. Nas mais de setecentas páginas de Segue O Coração somos convidados a conhecer os primórdios da cidade de Nova Iorque, a conquista do Oeste Selvagem, a loucura da corrida ao ouro, o nascimento de São Francisco e a guerra pelo fim da escravatura nos estados do Sul. Os relatos são vivos e marcantes como se de facto os tivéssemos vividos. Aliás, ao longo do livro, Pearse relata-nos histórias baseadas em vidas reais trágicas  que constituem verdadeiros murros. Foi e é de vidas miseráveis e cruéis de ingleses, chineses, irlandeses, mexicanos, alemães e tantas outras nacionalidades, que se fez e vestiu a história dos EUA. Segue O Coração é a minha quarta leitura de Lesley Pearse. É, seguramente, uma das minhas escritoras favoritas no género romance histórico. Os livros de Pearse enganam. Refugiando-se num título e capas femininas e cor-de-rosa, traduzem a ideia de tratarem-se de romances lamechas, demasiados melosos. Porém, a verdade é que são livros que ficam aquém do romance, constituindo importantes lições históricas. 

 

A Mulher do Viajante no Tempo

Audrey Niffenegger

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- Clare? 

- Sim? - A minha voz está baixa e amedrontada.

- Sabes que te amo. Queres casar comigo?

- Quero... Henry. - Tenho uma sensação avassaladora de déjà vu. - Mas, sabes, na realidade... já casei.

 

 Agosto. Opinião aquiA Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem à descoberta do poder do amor de um amor intemporal. Henry e Clare, os protagonistas, vivem um amor instável e envolto nos caprichos de uma particularidade que faz deles um casal especial. Henry conhece Clare quando ele tem 28 anos e ela 20. Porém, Clare conhece Henry desde menina... o primeiro encontro de ambos acontece quando ela tem 6 anos e Henry é um homem adulto de 36 anos. Os encontros de Henry na infância e adolescência de Clare tornam-se frequentes, levando-a a conhecer desde menina aquele que será o homem da sua vida. Confusos? Poderia ser, contudo, à medida que viajamos na história de Henry e Clare, compreendemos a particularidade e inevitabilidade que une o casal. É que, tal como o título da obra o indica, Henry é um viajante no tempo. 

 

A Bibliotecária de Auschwitz

Antonio G. Iturbe

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 Ao longo da História, todos os ditadores, tiranos e opressores, fossem arianos, negros, orientais, árabes ou eslavos, fosse qual fosse a cor da sua pele, quer defendessem a revolução popular, os privilégios dos ricos, o primado de Deus ou a disciplina sumária dos militares, fosse qual fosse a sua ideologia, tiveram uma coisa em comum: todos, sem excepção, perseguiram os livros com uma sanha feroz. Os livros são perigosos, fazem pensar. 

 

 Agosto. Opinião aquiA Bibliotecária de Auschwitz inspirado na história de vida de Dita Kraus, sobrevivente de Auschwitz, remete-nos para o horror sofrido por milhares de judeus nos campos de concentração mas, acima de tudo, o poder e a força que os livros podem exercer naqueles que vivem rodeados do horror. Dita Adlerova não é mais do que uma jovem adolescente porém, é ela a portadora e testemunha de um segredo marcante, proibido no campo de Auschwitz-Birkenau. Dita, juntamente com Fredy Hirsch, que conseguiu erguer uma escola num campo de concentração, é a guardiã de oito poderosos livros. Cabe-lhe a ela, enquanto bibliotecária, a protecção e cuidado dos livros estritamente proibidos pelos nazis. Dita sabe que, cada livro que esconde, pode significar o seu fim e, no entanto, dona de uma coragem extraordinária, a jovem cuida aqueles oito preciosos livros como se de alimento se tratasse. No fundo é disso que se trata... 

 

A Rapariga de Papel

Guillaume Musso

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A nossa liberdade constrói-se sobre aquilo que os outros ignoram da nossa existência.

 

 Agosto. Opinião aquiA Rapariga de Papel foi a minha primeira leitura de Guillaume Musso e, confesso, adorei... para dizer a verdade, nem sei como explicar os motivos que me levaram a gostar tanto deste livro! É simplesmente delicioso e faz-nos desejar entrar pelas páginas do livro. Uma agradável surpresa. No fundo, a história de Musso não é invulgar, pelo contrário mas, a forma como está estruturada e o pequeno toque de magia, conferem ao romance a diferença que me apaixonou. Confesso que fazia algum tempo que não lia uma história simples, enternecedora e que me deixa-se visivelmente apaixonada. 

 

O Tempo Entre Costuras

María Dueñas

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Uma máquina de escrever arruinou o meu destino. Foi uma Hispano-Olivetti, da qual me separou durante semanas o vidro de uma montra. Visto de hoje, a partir do parapeito dos anos passados, custa a crer que um simples objecto mecânico pudesse ter potencial suficiente para quebrar o ruma de uma vida e fazer explodir em quatro dias todos os planos traçados para a sustentar. Assim foi, no entanto, e nada pude fazer para o impedir. 

 

 Agosto. Sira é uma jovem e simples aprendiz de costureira, ingénua mas bonita, de quem a vida tornará uma determinada espiã. Numa Espanha em pré-guerra civil, a jovem Sira facilmente se deixa apaixonar por um galante homem, trocando o país natal por Marrocos, onde a sua vida sofrerá uma enorme reviravola. Traida e abandonada, Sira vê-se obrigada a contrariar o trágico destino, colocando os seus talentos como costureira em prática ao serviço da alta sociedade de Marrocos. O Tempo Entre Costuras, romance cativante e viciante, leva-nos a conhecer a Espanha da Guerra Civil, as acções alemãs em terras estrangeiras o papel do governo fascista de Franco na II Guerra Mundial, com um cheirinho de Lisboa de Salazar. Um livro recheado de traições, amores, desgostos e reviravoltas. 

19 | Na minha estante... A Mulher do Viajante no Tempo.


M*

16.08.15

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 A Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem à descoberta do poder do amor de um amor intemporal. Henry e Clare, os protagonistas, vivem um amor instável e envolto nos caprichos de uma particularidade que faz deles um casal especial. Henry conhece Clare quando ele tem 28 anos e ela 20. Porém, Clare conhece Henry desde menina... o primeiro encontro de ambos acontece quando ela tem 6 anos e Henry é um homem adulto de 36 anos. Os encontros de Henry na infância e adolescência de Clare tornam-se frequentes, levando-a a conhecer desde menina aquele que será o homem da sua vida. Confusos? Poderia ser, contudo, à medida que viajamos na história de Henry e Clare, compreendemos a particularidade e inevitabilidade que une o casal. É que, tal como o título da obra o indica, Henry é um viajante no tempo. 

 

A obra relata, por um lado, o amor de Clare por Henry mas, igualmente, os problemas que Henry sente enquanto viajante no tempo... trata-se de uma doença que se revelou vantajosa a um dado momento da sua vida porém, revelou-se perigosa e para a qual ele gostaria de encontrar a cura.

 

Numa obra descrita de forma leva e não maçuda, Audrey Niffenegger explica-nos, numa narrativa bem conseguida - quase que acreditamos que, de facto, existiu alguém com esta doença -, o porquê de Henry viajar no tempo. A escrita é fluida e cativante. Niffenegger inicia cada nova viajem de Henry contextualizando-a, no tempo e na idade. Porém, as viagens no tempo de Henry obrigaram-me a, por vezes, confusas e obrigando-me a folhear algumas páginas atrás para reavivar as idades de Henry e Clare. 

 

- Clare? 

- Sim? - A minha voz está baixa e amedrontada.

- Sabes que te amo. Queres casar comigo?

- Quero... Henry. - Tenho uma sensação avassaladora de déjà vu. - Mas, sabes, na realidade... já casei.

 

A história de amor de Henry e Clare cativou-me, por um lado, pelo título apelativo, por outro, pela própria sinopse e pelo trailler de adaptação à grande tela do livro. Adquiri a obra aquando de uma campanha da editorial Presença e é, sem dúvida, uma história de amor fascinante. As histórias que inicialmente parecem pequenos nadas sem sentido na vida de Henry, revelam-se essenciais na evolução do livro, justificando os caminhos estranhos da obra. 

 

A Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem inesquecível e brilhante, uma narrativa mágica, um amor belo e improvável.  

 

- Não quero mais ninguém.

- Óptimo.

- Henry, dá-me apenas uma pista. Onde moras? Onde nos conhecemos? Em que dia?

- Uma pista: Chicago.

- Mais.

- Tem fé. Está tudo ali, à tua frente. 

- Somos felizes?

- Somos, com frequência, loucamente felizes. E também somos muito infelizes por razões que nenhum de nós pode evitar. Como estarmos separados.

- Isso significa que todo o tempo que estás aqui, agora, não estás comigo, então?

- Bem, não é exactamente assim. Posso acabar por perder apenas dez minutos. Ou dez dias. Não existe nenhuma regra a esse respeito. É isso que torna as coisas difíceis, para ti. E às vezes também me encontro em situações perigosas e volto para ti maltratado e confuso, e tu preocupas-te por minha causa quando parto. É como seres casada com um polícia. 

 

Diálogos de Henry e Clare.

Falta-me ver o filme. Quero muito ver o filme. Preciso muito de ver como ficou a adaptação e de reencontrar as personagens deste romance que tanto gostei. Infelizmente, ainda não consegui assistir à adaptação do romance de Henry e Clare.

 

 

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Audrey Niffenegger

Nasceu nos EUA, em 1963. É artista plástica e escritora. Professora no Columbia College Chicago Center for Book and Paper Arts, onde ensina escrita criativa e técnicas de impressão e de encardenação de luxo. A Mulher do Viajante no Tempo é o seu primeiro romance, publicado em 2003 e vencedor dos prémios British Book Award e Exclusive Books Boeke Prize. Para além desta obra publicou, em 2009, Her Fearful Symmetry / Uma Inquietante Simetria - publicado pela Editorial Presença - e, em 2013, Raven Girl ainda sem tradução e publicação em Portugal.

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