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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Livros,


M*

23.04.15

a cada novo livro, nas primeiras palavras, empreende-se uma nova viagem. Livros, são mais do que capa bonita, recheado de palavras e inúmeras folhas... são, na verdade, uma viagem, uma descoberta, um país, uma personagem, uma história, um sentimento. É tudo isto sem sair do conforto de um lar ou durante uma viagem de comboio, do barulho de um café ou do som solitário de um banco de jardim. Mergulhamos nas palavras, dançamos ao ritmo de cada nova página, descobrimos novas histórias, autores, personagens. 

 

Fui, sou, serei mil e uma personagens. Ontem rainha, hoje governador, amanhã uma filha. Sem sair do lugar, do conforto meu mundo, viajei até Barcelona do século dezanove, conheço Portugal de mil novecentos e seis e, amanhã, quem sabe, vá conhecer África. Ri-o, choro, amo, vivo, sonho, canto. Sou o eu em múltiplas personagens. 

 

E, neste dia mundial do livro, comemoro-o da melhor forma... a ler. Vesti o papel de governador e viajo até S. Tomé e Príncipe, na pele de Luís Bernardo... 

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... até já e, 

 

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"Perigosamente Humano"


M*

09.03.15

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote e Madamme Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram, meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.

 

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

 

Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?

 

Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem necessariamente ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas.

 

É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.

 

Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, podem levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, podem estimular um curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.

 

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos, em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

 

O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais, etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?

 

É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um. Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos. Para obedecer, não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submisso. Para executar ordens, a palavra é inútil.

 

Alem disso, a leitura promove a comunicação de dores, alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

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Guiomar de Grammont
in A Formação do Leitor: pontos de vista

(retirado de Lyani em Entre Aspas)

A ler,


M*

24.02.15

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- Não seríamos homens se não sentíssemos dor e raiva com o que aconteceu. Todos sofremos.

- Sim, nós também tivemos muitos feridos.

- Nós... vocês... Porque é que falamos assim, Mohamed? Quem são vocês? Quem somos nós? Por acaso não somos os mesmos que sempre fomos? Em que é que isso nos diferencia?

- Nós somos árabes, vocês judeus, outros são cristãos...

- E então? A quem é que importa o Deus a que reza cada um? E o que acontece com aqueles, como eu, que não rezam? - Samuel olhava para os olhos de Mohamed.

- Eu ouço-te falar e penso como tu, mas depois, quando vou lá para fora, vejo que as coisas são diferentes, que nós, homens, somos diferentes.

- Diferentes? Não me parece que sejamos diferentes. Todos temos duas mãos, dois pés, uma cabeça... Todos nascemos de uma mãe. Todos sentimos medo, amor, ódio, ingratidão, ciúmes... Quem é que te diz que somos diferentes? Ninguém é mais nem melhor do que os outros.

- Nisso estás enganado, alguns homens são melhores do que outros Samuel. O meu pai era um deles.

- Sim, tens razão, alguns homens são bons.

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Sinopse:

Um romance extraordinário sobre o conflito israelo-árabe retratando personagens inesquecíveis, cujas vidas se entrelaçam com os momentos-chave da história a partir do final do século XIX a meados do século XX, e recriando a vida em cidades emblemáticas como São Petersburgo, Paris e Jerusalém. Aqui Julia Navarro conduz o leitor através de relações duras de homens e mulheres que lutam por uma parcela de terra onde possam viver em paz.
 
* (mais informações sobre o livro em wook)

Sonhos até aos 27.


M*

08.06.14

Dizem que o dia do nosso aniversário deve, por um lado, ser de reflexão e, por outro, de celebração (como não tenho amigos na 'santa terra', foi pasado com a família e sozinha).

Eu, desde os 18, que deixei de ter interesse em festejar os aniversários. Em primeiro lugar, porque não vejo qual a lógica de celebrar o caminho para a velhice e responsabilidade. Em segundo, por uma questão pessoal. Por último, porque nunca me identifico com a idade real que o meu cartão de cidadão me dá. Hoje não me sinto com 26, sinto-me como uma menina de 20: algo imatura, cheia de sonhos, que não sabe como os alcançar. Imaginava-me a completar este aniversário com mais vitórias do que realmente tenho; imaginava uma vida diferente aos 26. Agora que os atingi e que vejo que a vida não me deu aquilo que sonhei, não consigo imaginar como será daqui para a frente. Dizem que a idade nos dá a calma necessária para encarar as situações da vida com outra visão; no meu caso, deu-me de presente a ansiedade e o medo de nunca realizar alguns sonhos antes de chegar aos 30. 

 

Dos meus pensamentos neste aniversário, fica a lista para cumprir (ou, tentar cumprir) antes de chegar aos 27 e sem qualquer ordem de importância:

1. Aprender a controlar os meus medos, a ansiedade e parar de culpar o mundo dos meus problemas (às vezes assumo-os, outras vezes responsabilizo meio universo dos meus males). Como é que isso se faz? Não sei, estou a tentar descobrir. Alguém sabe como é que isso se faz?

2. Arranjar um trabalho, um emprego ou seja o que for (isto de andar dependente dos pais dá comigo em louca).

3. Emagrecer uns 10 kg (ou uns 20, se conseguir). É uma tarefa complicada, sobretudo porque sou preguiçosa, mas aos poucos e poucos e se conseguir controlar o primeiro ponto desta lista, talvez consiga atingir.

4. Ver mais séries, filmes e ler mais livros.

5. Reaprender o inglês, treinar o espanhol.

6. Conhecer pessoas interessantes. À 26 anos que batalho sobre este desafio e à 26 anos que ainda não descobri como é que se faz.

7. Abraçar uma causa de voluntariado.

8. Rir às gargalhadas; abraçar alguém especial (faz algum tempo que não sei o que isto é).

9. Escrever. 

10. E, se não for pedir demais, conhecer alguém que seja amigo, companheiro, amante, namorado. 

Estes são os meus desejos a concretizar até aos 27. Excepto nos pontos 4, 5 7 e 9 que praticamente só dependem de mim, não existe um caminho ou uma estratégia a seguir; nem sequer sei por qual deles começar (embora já tenha começado a trabalhar na questão do peso). Talvez deixar-me ir ao sabor dos dias e das pequenas conquistas (que, no meu dia-a-dia, quase não existem). Talvez deixar-me levar.

Sempre acreditei que na vida, nada acontece por mero acaso. Tal como na frase na frase do escritor americano, Richard Bach

Nada acontece por acaso. Não existe a sorte. Há um significado por detrás de cada pequeno acto. Talvez não possa ser visto com clareza imediatamente, mas sê-lo-á antes que passe muito tempo.

Retrato de Família | Livros.


M*

02.05.14

Quão grave pode ser que, numa família de cinco elementos (composta por mãe, pai, duas filhas e um filho) apenas um elemento tenha o bichinho dos livros?

Sim, este é o retrato da minha família. Dos cinco elementos, apenas eu adoro e sinto necessidade em ler. 

Os restantes elementos restringisse aos jornais desportivos (no caso de pai e filho), a revistas sobre novelas e vida dos famosos (no caso da minha mãe - até me arriscaria a dizer livros religiosos mas, algo me diz que nem esses... no máximo, no limite dos máximos, livros sobre sonho) e a livros e manuais escolares (a minha irmã)

Portanto, volta e meia, lá oiço uma das frases que mais odeio:

 

Mas a quem é que tu foste buscar o gosto pelos livros, rapariga? 

Ninguém nesta casa gosta de ler e tu gasta tanto dinheiro em papel...

 

Pois. Portanto, sem exemplos familiares que me cativassem para a leitura, nem eu sei onde arranjei este adorável e inseparável bichinho que tanto prazer me dá. 

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