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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Sobre mim.


M*

16.01.15

A verdade é que, não sou aquilo que demonstro. Não sou tão confiante como quero ou como tento demonstrar. Não tenho sempre resposta na ponta da língua. Nem sou tão comunicativa ou divertida como julgam. Nunca consegui meter conversa com a rapariga que lê os mesmos livros que eu ou, tão velozmente. Não gosto de interromper. Não sou tanta coisa. Nunca dei o primeiro passo em nada. Nunca sei exactamente do que gosto. Não sei como começar uma conversa. Também não sou tão desprovida de fé ou crença como quero fazer passar. Nem tão correcta nos pensamentos sobre o feminismo e mulheres. Não gosto de conduzir acompanhada. Não gosto de sangue nem de vacinas mas nunca desmaiei (nem, tão pouco, quando cai, cortei a palma da mão e levei uma anestesia na mesma). Não sei o que quero para mim nem para o meu futuro. Hoje quero uma coisa, amanhã apenas me apetece uma cama e chocolate e, um destes dias, quero viajar e esquecer o meu pequeno mundo. Não gosto da língua inglesa e não faço ideia quais são as cores da moda ou como arranjar as minhas próprias unhas. Nem sempre sou tão sincera como quero, às vezes prefiro calar a chatear. Outras vezes, tenho o armário a parecer um cenário de guerra e outras vezes pareço ter problemas com a organização. Não tenho o sonho de conhecer Nova Iorque ou Londres, não pela língua mas, simplesmente, porque não sou como quase todos e, ponto, não gosto - mas, ainda assim, acho que iria gostar de conhecer as cidades que ninguém quer conhecer nos EUA ou em Inglaterra. Continuo a negar que, no meu caso, o chocolate e o acne estão interligados. Não gosto de exercício físico e nunca sei o que vestir. Nunca me lembro das coisas. Sou esquecida e esquisita por natureza e pouco ou nada entendo de filmes e séries. Não compreendo os cortes de cabelo e quando algo fica melhor ou pior. Pinto o cabelo mas não sei ver se ficou bem nem se o tom vermelho vai assentar bem com o anterior castanho. Ah, e nunca sei o tamanho do meu soutien. 

 

A verdade é que, sou mais insegura do que julgam. Tenho medos que ninguém imagina. Gosto de músicas que ninguém gosta e de dançar pitbull (quem diz pitbull, diz qualquer género de música latina) em frente ao espelho (ou imaginar que sou uma estrela latina, qual Jennifer Lopez - a mais conhecida ou que julgo ser - e canto para milhares). Prefiro usar vestidos a calças porque sei que me servirão e não porque goste. Na verdade, quando uso um vestido sinto-me mais confiante e segura do que com calças, onde me sinto como um saco de batatas. Livros são uma paixão mas, também, um porto seguro em que ninguém me julga e onde encontro sempre um ponto em comum. Gosto de espanhol (na verdade, é língua materna) mas falo uma espécie de portuñol, ou seja, uma mistura estranha de português com espanhol; embora evite falar espanhol com um espanhol porque tenho vergonha de me atrapalhar. Opto por vestir cores escuras porque disfarçam o peso mas não consigo fugir ao azul e vermelho. Atropelo-me nas palavras quando fico nervosa e não consigo falar em público. Também não sei porque raio fui escolher o curso que tirei porque, na verdade, nem eu sei explicar para que serve. Tenho fé e acredito à minha maneira, embora não saiba exactamente como explicar, e acho que o mal do mundo esta nas religiões (desculpem os crentes). Quero conhecer o leste e sul da Europa, alguns países do Oriente e toda a América Latina (toda! sem deixar nenhum de lado!)... ah, mas antes, quero conhecer Barcelona. Já me imaginei enquanto mãe, já o desejai mais do que tudo e, agora, sinceramente não faço ideia se quero ter filhos. Digo que não tenho problemas com o peso quando, no fundo tenho um pouco e me afundo quando é tema de conversa. Na verdade, quero tudo para ontem e não sei esperar. Adormeço agarrada a uma almofada porque sinto falta de algo. Vou aprender inglês porque, sinceramente, parece que não tenho mais remédio mas preferia aprender italiano. Porém, nunca tive queda para línguas e nem o francês que tanto gostava, aprendi (dizem que, os nativos de espanhol têm dificuldades com as línguas e eis a minha desculpa). Tenho sempre uma desculpa qualquer para dar. A culpa nunca é minha. Sou rabugenta e refilona, em geral porque, nunca sabem como me levar. Gosto de homens de fato e daqueles que quase nenhuma mulher diz ser giro. E, muitas vezes, dou por mim a imaginar se aquele desconhecido que se cruzou comigo será o tal...

 

A verdade é que, quando me deito à noite, gosto de imaginar que não sou nada disto. Que sou mais perfeita do que isto. Outra coragem que não tenho, outra confiança, outro eu.

 

A verdade é que, tenho medo da solidão, do futuro e de mim mesma. Ou seja, que aquilo que sou, me conduzam no caminho de um futuro solitário. Já dei por mim a imaginar quem irá imaginar um futuro comigo, dizer palavras de carinho e paixão, tal como nos filmes e músicas românticas... e, no final, não encontrei ninguém.

 

A verdade é que, nunca fiz nada do que queria nem como queria. Já disse que a solidão é das coisas que mais me assusta? Sim? Porque também gosto dos momentos sozinha. E, quero conhecer Barcelona, mas não quero ir sozinha... 

 

A verdade é que sou um mistério para mim mesma, um misto de coisas e não me perguntem o porquê de escrever este texto. A verdade é que, queria escrever outra coisa. 

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