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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Dos medos, da saudade e da solidão.


M*

12.09.14

Perguntaram-me se tinha namorado e quando o arranjava, que uma jovem como eu à muito que deveria ter um. Perguntaram-me se alguma vez o tive, respondi que sim, um. Perguntaram-me porquê acabamos, respondi que não queria falar sobre o tema. Uma simples pergunta leva a outra e àquela que deveria ser proibida. É sempre assim. Como se chegar aos 26 solteira fosse um crime.

 

 

A verdade sobre mim é esta: nunca tive facilidade em estabelecer novas amizades, sobretudo quando as mesma envolvem o sexo oposto. Não me sinto uma pessoa interessante para se dar a conhecer ou se deixar descobrir. Não me sinto atraente nem bonita. Falta-me confiança, eu sei. Falta-me auto-estima. Falta-me tanta coisa que, aos 26, já não sei como alcançar ou melhorar.

O primeiro beijo chegou com os 21, aquando do primeiro namorado. Terminou poucos meses antes de completar os 23. Uma relação com altos e baixos, com bons e maus momentos, situações marcantes e que nada tinha para dar certo, desde o primeiro dia, mas que insisti em fazer durar. Dizem que o pior cego é aquele que não querer ver e eu deixei-me cegar pelo fascínio e brilho de um primeiro amor, mesmo percebendo que estava longe do que idealizei. A vida é assim, nunca é como a idealizamos. 

O outro lado inegável da verdade é que sinto saudades de uma companhia. Saudades dos abraços, dos beijos, dos passeios de mão dada. Saudades de dormir no peito, de sentir e saber que se preocupavam comigo, dos pequenos momentos. Por mais que o tente negar, sinto falta destes momentos, saudades que só vive com uma pessoa. 

Imaginava os meus 26 distintos da realidade. Uma casa, um trabalho, um namorado. Coisas que achava simples de concretizar. Não consigo imaginar para lá dos meus 26... não consigo imaginar uma casa, um trabalho, um namorado. 

E, como uma verdade leva sempre a mais verdades, a verdade é que tenho medo. No passado, o meu maior medo era o de ficar cega, de não voltar a olhar o arco-íris, o pôr-do-sol ou a chuva de Inverno. Medo de viver no que dizem ser escuridão e de não voltar a ver o rosto dos que mais amo. O medo da cegueira mantém-se, mas compreendia que é possível viver na escuridão das novas cores. Porém, cresceu em mim, um novo medo que, digam o que dizerem, não sei como se consegue viver: o da solidão. Tenho medo que a vida ou o destino (ou seja lá quem for) se tenham esquecido de mim ou me tenham abandonado, como se não tivesse outro remédio que a solidão. Receio de ver que aos demais, a vida ou o destino (ou seja lá quem for) apresenta o amor e me deixa de lado. Sim, porque até para se encontrar alguém é preciso sorte e eu nunca tive sorte nem ao jogo nem ao amor. Tenho um medo enorme à solidão... e acho que não sei viver com ela.

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