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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 28 anos*

Um Mar de Pensamentos

Dia Trinta e Quatro. Personagem(ens) literária secundária que merecia um livro só dela.

Khaled Hosseini é, como mais do que uma vez o mencionei, é um dos meus escritores favoritos. Invejo-lhe a escrita e a capacidade de me prender da primeira à última palavra. Os três livros são verdadeiras lições de vida, onde algo de novo é ensinado e jamais esquecido. Certamente que, até ao final do desafio, voltarei a encontrá-lo... E, tal como ao dia dezoito, à questão livro para o qual escreveria uma sequela, ao dia trinta e três recordo-o e marco-o como minha resposta,

 

E As Montanhas Ecoaram

Khaled Hosseini

MarkosNila

 

1952. Numa pequena aldeia no Afeganistão, Saboor é um pai abraços com uma das mais duras decisões da sua vida: vender a filha mais nova, com três anos, Pari, a um casal abastado de Cabul. Para continuar a sustentar a restante família, Saboor empreende a mais dura das viagens na companhia dos dois filhos, Pari e Abdullah, o irmão que sempre tomou conta da menina desde a morte da mãe de ambos. A viagem e consequente separação dará lugar a um permanente vazio na vida de Pari e Abdullah.

 

Somos, assim, convida-nos a viajar no tempo e a reflectir nas consequências das escolhas que, em algum momento, somos obrigados a fazer. Pari, toma para si o papel principal nesta viagem familiar, uma vez que, sendo tão nova, as lembranças das origens e de Abdullah são esquecidas e um constante vazio as substituirá. Todavia, o autor não se limitou a escrever sobre o destino dos irmãos Pari e Abdullah. Criando histórias paralelas de quem com eles, de alguma maneira privou, Hosseini pinta-nos um mosaico de sentimentos: dos afegãos que partiram, de afegãos que ficaram e de daqueles que, não tendo nascido afegãos, procura mudar a realidade e o destino de país tão fatalmente marcado. 

 

Markos, o cirurgião plástico grego a trabalhar no Afeganistão, cujo caminho se cruza com o do tio dos irmãos Pari e Abdullah, é recheado de mistérios. Jovem, abandona a Grécia para empreender viagens de voluntariado, deixando a família. O caminho de Markos levará-o ao Afeganistão e a cruzar-se com a história de vida de Nabi e ao sentimento de culpa que este carrega. Assume um papel importante no desenrolar da história entrelaçando-a com a sua própria história de vida, alvo de várias lacunas que nos leva a imaginar para lá do escrito. Markos é, sem dúvida, uma personagem secundária que merecia um livro seu. 

 

Nila, a mãe de Pari, mulher de ideias pouco convencionais num país em mudança. Veste saias curtas, cabelo soltos e sempre de cigarro na mão, Nila é de ideias fixas e perseverante, que se vê presa num país em mudança, entre a evolução e o retrocesso. A chegada dos soldados russos e a doença grave do marido, levam Nila a abandonar Cabul e, com Pari, muda-se para um pequeno apartamento em Paris, França. Nila nunca regressará a Cabul, a vida termina-lhe em Paris, depois de alcançar fama como poetisa afegã e vencida pelo vício do álcool. Nos capítulos que lhe são dedicados, é-nos dado rasgos dos pensamentos de Nila e da forma como vê a vida, as regras socialmente impostas pela sociedade afegã, os traumas que carrega, as dificuldades de viver em Paris e as dificuldades na relação com a filha Pari. Porém, considero-a uma personagem de forte personalidade, marcante e misteriosa que, merecia mais do que alguns meros capítulos.

 

É, nas histórias das personagens secundárias que o sentimento de vazio reside, ora parecem escusadas, ora necessárias e interligadas à história dos filhos de Saboor. Se, por um lado, o final mostra-nos o destino que Hosseini reservou a Pari e Abdullah, mesmo sem conhecermos os caminhos percorridos por este - e, como tal, também ele merecedor de um livro apenas seu - em oposição à irmã, por outro, as personagens secundárias parecem ficar suspensas, à espera de uma continuação... e, continuação essa à qual adoraria conhecer e ler. 

 

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  O desafio literário foi-me sugerido pela Magda. A ideia é, durante quarenta e cinco dias, todos os dias, à mesma hora, falar-se sobre livros, respondendo às questões sobre o universo dos livros. O objectivo do desafio é simples: se por um lado, consiste numa de gostos e experiências sob o mundo dos livros, por outro, este desafio leva-nos-à a pensar e a reflectir sobre os livros que já lemos. Iniciado a 1 de Maio de 2015 e durante 45 dias, neste blog, falar-se-à maioritariamente de livro. Não se esqueçam de visitar a Magda e conhecer as suas escolhas literárias