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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Mulheres não se medem pelo tamanho do corpo...


M*

30.09.15

A minha professora de zumba é gordinha. A primeira vez que a vi perguntei-me como era possível. Cai no erro de assumir os preconceitos e estereótipos da sociedade. Uma barriguinha saliente, os braços descaídos e pernas gorduchas. Surpreendentemente, é a mulher mais energética que conheço. Desconfio que o dia daquela mulher é iniciado por uma dose forte de redbull. E, em abono da verdade, escrevesse que ela não se limita a ser professora de zumba... é de pilates, dá aulas de andebol a miúdos e adolescentes, pratica futebol de salão, fora, evidentemente, as aulas de educação física que lecciona. Adoro-a. É divertida, incentivadora e, no entanto, capaz de nos levar a testar os limites do nosso corpo. Longe do corpo atlético e ideal que a sociedade concebe de uma professora de desporto, a verdade é que a minha G. é uma mulher cheia de chenica e vivacidade. É, resumindo, a prova de que as mulheres não se medem pela forma exterior do corpo... 

 

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Não me enervem...


M*

16.09.15

É curioso,

 

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As pessoas que justificam primeiro ajudem os nossos sem-abrigos, desempregados e pobres, mostrando-se contra o acolhimento de refugiados em Portugal são, precisamente, as mesmas que diversas vezes ouvi criticar os pobres desempregados que recebem apoio social da Câmara Municipal da minha terrinha, e duas vez por dia se dirigem a uma instituição social a fim de irem buscar as refeições do dia. É curioso que as mesmas pessoas que utilizam este argumento são, quase sempre, as mesmas que viram a cara para o lado e se refugiam no medo - sabe-se lá do quê - para não ajudarem o sem-abrigo da esquina. E é com espanto, confesso, que vejo tanta gente hoje preocupada com os nossos sem-abrigos, desempregados e pobres... e se todos, em vezes de assobiarem para o lado, passassem das palavras aos actos e ajudassem quem mais necessita, certamente que viveríamos num país melhor. 

 

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Não me enervem com este argumento! Aliás, nem com este nem com aquele velho preconceito de que todos os refugiados são muçulmanos terroristas... 

A ousadia de lutar pela vida... é fácil falar quando não somos nós.


M*

04.09.15

É fácil falar quando, um dia atrás do outro, um tecto nos protege das intempéries da vida. Um tecto que protege os nossos dias recheados de pequenos nadas aos quais pouco valor lhe atribuímos, um tecto onde abrigamos os pequenos nadas que recheiam as nossas vidas, um tecto repleto de coisas singulares e rotineiras. 

 

É fácil falar quando o estômago não reclama as longas horas sem o sabor dos alimentos (a não ser, claro, quando por puro capricho, impingimos dietas loucas). Alimentos que facilmente encontramos ao simples virar de esquina, numa rua mais longínqua, numa avenida movimentada. Reconfortamos o estômago rapidamente com um qualquer alimento para nós insignificante e banal (e, ao qual, muitas vezes nos damos ao luxo de desperdiçar): uma peça de fruta, uma fatia de pão, um pedaço de chocolate.

 

É fácil falar quando todos os dias caminhamos com a certeza de um mais um dia igual ao anterior. Sabemos para onde vamos, de onde vimos, o que iremos fazer. Um emprego, por mais chato que seja, é algo que preenche os dias e atribui conforto à vida mas, e quando isto falha?

 

É fácil falar quando nascemos e vivemos num cantinho de mar, terras verdes e clima ameno. Um pais onde ser-se mulher (apesar de diversos nãos) é fácil, onde ser-se criança é significado de liberdade, onde o somos livres para escrever e dizer o que quisermos sobre nós, os outros, o mundo. Um pais que não conhece a morte pela guerra, a tortura pela guerra, o medo pela guerra, a fome pela guerra... o tudo que a guerra envolve um pais. 

 

É fácil falar e alcunharmos quem ousa lutar pela vida de terrorista. Homens e mulheres a quem a religião, para lá de toda a desgraça das suas vidas, os rótulas de terroristas por ambicionarem fugir das almas fanáticos que lhes roubaram o vida, o pais, a fé. 

 

É fácil falar quando por entre goles de café (ou de outra coisa qualquer), no conforto do lar ou numa troca de opiniões, disparamos contra aqueles que ousam lutar pela vida. É simples falar quando, sem lhe atribuirmos valor, temos uma vida recheada de tudo. É fácil opinar sobre a vida alheia sem nunca pensarmos, vestimos a farda de privilegiados, sem assumir as dores alheias. 

 

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Somos, todos os dias, bombardeados com imagens negras de homens, mulheres, crianças e idosos que, na ânsia de viver, aventuram-se por terra e mar a caminho de uma nova vida. Enfrentam, com valentia, os perigos, acreditando que se trata de uma fase difícil que em breve ultrapassaram. Arriscam a vida, engolem os medos, mergulham nos sonhos de uma vida para si e para os seus um pouco melhor daquela que abandonaram. 

 

Criticamos. Julgamos. Falamos. Solucionamos. É fácil tudo isto quando não somos nós. É fácil erguer muros e barreiras, travar entradas, devolver às terras e esquecermos que as vidas por detrás das nacionalidades ou religiões. É fácil fecharmos os olhos aos problemas, esquecermos a História, desresponsabilizarmos. Quero eu, que escrevo no conforto da minha casa, do meu sofá, através de um privilegiado computador, não critico, não julgo, não soluciono... porque escrevo e falo sobre vidas. É urgente uma solução humana, para lá das estatísticas, nacionalidades, religiões... porque é de homens, crianças e mulheres que falamos. 

 

É fácil falar quando não somos nós, um amigo, um familiar, um vizinho, um conhecido a quem vemos lutar pela vida. Impõem-se a questão... se fossemos nós? E se fossemos nós?

 

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*(publicado a 27.08.2015 e novamente publicado)

Estado contrata estagiários mas não lhes dá emprego...


M*

07.07.15

... ou, como o Estado é um excelente exemplo de aproveitamento e ai-e-tal-descemos-a-taxa-de-desemprego-entre-os-jovens

 

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Jornal de Notícias

 

Vou-me candidatar a estes estágios e, assim, antes mesmo de ser seleccionada, vejo furadas as minhas expectativas - não é que eu tivesse esperanças elevadas mas, porque existe sempre um mas, acreditamos sempre no nunca se sabe... até pode ser que gostem do meu trabalho. E, como eu, tantos outros... aliás, hoje em dia, qualquer estágio segue o exemplo do Estado. Queres estagiar? Okey, mas não contes com um emprego, mesmo que te dediques a mil e abdiques do teu tempo livro. O importante é, dizem eles, a experiência... ou, o saltar de estágio em estágios, digo-o eu. Viva o país dos estágios... e o Estado, com as suas medidas de tapa-buracos.  

 

Os eleitos vão receber 692 euros durante 12 meses (785 euros com subsídio de refeição), sem qualquer perspetiva de emprego. As estatísticas oficiais do desemprego ficarão sempre mais leves no caso dos licenciados desempregados que consigam aceder a estes estágios.

No país dos estágios...


M*

25.06.15

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Se, por um lado, um estágio pode ser algo realmente benéfico e de aprendizagem, por outro, estágios produzem sentimentos confusos de frustração e esperança. Eu, pessoalmente, ainda não consegui definir se realmente são úteis para o futuro profissional que ambiciono. A verdade é que, durante a Universidade, enquanto estudante de Sociologia, lamentava-me pela fraca vertente profissional do curso. Criticava e, inclusive demonstrei-o junto de alguns professores, a forte componente teórica do curso que, pouco útil seria para um futuro próximo. No percurso da minha formação académica, realizei dois estágios curriculares que, embora longe de serem verdadeiras fontes de aprendizagem, revelaram-se bastante úteis. É, sobretudo nesta fase, enquanto estudantes, que acredito na utilidade de um estágio. Não daqueles estágios-fantochada-vamos-meter-o-estagiário/a-a-fazer-o-que-não-queremos-como-servir-cafés-e-tirar-fotocópias... quando, num estágio, somos obrigados a colocar em prática as aulas.

 

Porém, finalizada a minha formação superior, procurei afastar-me de estágios, procurando um emprego. Rapidamente percebi que, sem qualquer experiência à excepção daqueles dois estágios que pouco valorizava o meu magro currículo profissional, dificilmente encontraria algo a que apelidar de emprego estável - ou trabalho, é-me igual. Assim, candidatei-me a mais um estágio onde, independentemente do meu empenho, não "fiquei" porque a empresa já tinha mais duas estagiaras e preferia-as a contratar efectivamente. Os três curtos meses, onde recebi uns meros cento e cinquenta euros - acreditei, apesar do valor, que seria uma mais valia profissional -, serviram para conhecer uma área distinta à minha e, como as chefes fizeram notar, realizando os trabalhos que elas não queriam.

 

Findo terceiro estágio, procuro novo estágio, desta feita ao abrigo dos estágios para as autarquias locais. Esta semana desloquei-me vários quilómetros para estar presente numa entrevista de estágio. Como eu, mais de vinte jovens, entraram e saíram daquela Câmara Municipal, para uma vaga que, anteriormente esteve preenchida por uma minha ex-colega de curso e, antes dela, por outra estagiaria. E, assim se vive em Portugal, de estágio em estágio... 

 

Infelizmente, este é o país dos estágios. Finaliza-se um, procura-se outro. No fundo, é disto que vivem as estatísticas, aqueles que nos governam, as empresas que contratam. Durante um ano, estamos ocupados, desaparecemos das estatísticas do desemprego... trata-se, no fundo, de uma medida que em nada promovem o emprego real. É benéfico para quem contrata porque, parte ou a totalidade, não lhes sai da contabilidade e, recebem regalias. E, afinal, para que raio servem os estágios? Supostamente, deveria servir para adquirir a tal experiência que, várias vezes escutei, ainda não tinha... sinceramente, não sei quantos estágios necessitarei para adquirir tal maturidade profissional. Uma colega, tal como eu, vai no quarto estágio: dois curriculares, um a nível de autarquia local e, presentemente, um profissional - para o IEFP. E, quando já não conseguir fazer mais estágios, será que finalmente conseguirá o tal ansiada estabilidade profissional? Já terá adquirido experiência e maturidade? Será que as empresas mostraram interesse neles ou, como já me disseram, serviu para passar o tempo porque, no fundo, não se faz nada num estágio? Pois, é o que veremos...

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