Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Testemunho de uma ex-estudante do ensino privado e público.

Estudei num colégio privado entre o quinto e o nono ano. Igualmente, o meu irmão e irmã estudaram no mesmo colégio que eu. Ele entre o quinto e o oitavo, tendo repetido o oitavo e, abandonado o colégio no nono para frequentar uma escola pública. Ela fez o primeiro e o segundo ano, correspondendo aos meus últimos anos de colégio. Os meus pais optaram por nos colocar num colégio privado porque, se por um lado consideraram ser a melhor escolha para o nosso futuro, por outro pela má experiência que tiveram comigo em escolas públicas.

 

A verdade é que os meus quatro primeiros anos numa escola pública portuguesa não foram as melhores. É certo que o percurso passou por duas escolas primárias distintas mas, também é verdade que em ambas encontrei maus professores. A professora que me calhou, nos dois primeiros anos de escola portuguesa, era das apelidadas "à-moda-antiga": usava régua de madeira de cada vez que proferia uma palavra em língua espanhola ou escrevia com erros - a minha língua materna até aos seis anos era o espanhol e devo a esta professora ter-me esquecido da mesma... e não é exagero. Posteriormente, numa nova escola e nova cidade, a professora primária era a dita baladas que nunca queria saber de trabalhos de casa ou de ensinar convenientemente. As aulas eram passadas a brincar no recreio, a desenhar e a ler contos infantis. Portanto, passei do dito "oito-ao-oitenta". O último ano de ensino primário serviu para, em grande parte, aprender a matéria do ano anterior. Não avancei para o quinto. Retiveram-me, por opção de pais e professores, para que aprendesse devidamente a matéria perdida do quarto ano. Compreende-se: se não o fizessem naquele ano, acabaria por acontecer o chumbo no ano seguinte.

  

O quinto ano foi o primeiro ano de colégio privado; o meu e o do meu irmão - uma vez que chumbei. Foi lá que entendi o significado de bullying e a diferença entre ser-se rico ou pobre aos olhos dos colegas e professores. Porém, não é sobre a experiência com os outros que me levou a escrever este post, mas sim a qualidade de ensino... embora tudo se interligue. Não posso negar que a qualidade do ensino onde estudei em muito contribuiu para aquilo que sou hoje. Um ensino onde os professores exigiam trabalho e empenho nas tarefas. Nunca me esqueci das palavras da minha directora de turma, no último ano de estudos no colégio, que não me considerava a aluna indicada para continuar a estudar ou optar por uma formação superior...

 

O colégio que frequentei era caro e recebia um qualquer apoio do Estado mas não tinha as ditas condições físicas adequadas. Aos olhos de uma estudante faltava de tudo: uma boa biblioteca, não chover dentro do pavilhão do ginásio, aquecimento, chuveiros com água quente... teria mais defeitos a apontar mas ficarei por aqui. Nem tudo era mau. Os professores, à excepção de um ou outro, realmente demonstravam o porquê de ser um colégio caro. 

 

O meu irmão ficou-se pelo oitavo ano. Por opção sua e em conjunto com os meus pais, optou por prosseguir os estudos numa escola pública. A minha irmã mais nova fez o primeiro e segundo ano, correspondendo aos meus últimos anos naquele colégio e, também ela prossegui numa escola pública. Fez-se a escolha de a trocar de escola porque eu, sendo a irmã mais velha, prosseguiria numa escola secundária pública afastada daquele colégio e não teria meios para a ir buscar e levar para casa. As más experiências em escolas públicas que os meus pais viveram comigo não se repetiu com eles. No caso da minha irmã, na verdade, foi chocante o facto de ela iniciar o terceiro ano sem saber ler correctamente, recém transferida de um colégio prestigiado da zona. 

 

balança.jpg

 

Eu que frequentei ambos os sistemas, privado e público, posso afirma que o ensino privado não é assim tão maravilhoso quanto se apregoa por aí. Sim, de facto, existem excelentes professores no ensino privado; mas também existem maus professores que em muito nos facilitam a vida... senti-o e vi-o com os meus irmãos. Mas, tal como privado existem bons e maus professores, também no público os há.

 

O meu ensino secundário foi feito numa escola pública que, para mim, foi fundamental. Eu já sabia o que era exigência mas, através desta escola, a palavra tomou outra dimensão. Digo-o e reafirmo que o nível de exigência elevou-se a patamares semelhantes a uma Universidade. Aliás, quando prosseguir os estudos a nível superior fui das poucas alunas que sabia como realmente se fazia um trabalho de pesquisa... 

 

O ensino, seja privado ou público, é feito por pessoas. Professores e auxiliares que fazem a diferença. Senti na pele os efeitos de um mau sistema de ensino público (e privado, embora nos meus irmãos) mas, igualmente, o significado de um bom sistema público e privado. O que falta em muitas escolas públicas é professores motivados para ensinar, com instalações e instrumentos adequados. O ensino privado olha, de facto, a números mas se o ensino não tiver algum tipo de qualidade, dificilmente atrairá novos alunos. O colégio onde estudei tremeu quando a fama de não conseguir impor respeito e regras aos seus alunos começou a circular.

 

Não sou a favor de se financiar escolas privadas em prejuízo das escolas públicas. Um pai ou mãe que desejam ter um filho num colégio privado devem arcar com os custos, tal como os meus pais o fizeram e não eram ricos. Não me digam que a qualidade de ensino privado é melhor porque, na verdade, não o é. Investe-se no privado sem investir-mo no público. O ensino público é investir nas pessoas, porque nem todos temos dinheiro para os privados ou realmente desejamos um ensino privado, e quando esse investimento falha... O que concordo realmente é, embora isto seja tema para outro post, reduzir o número de alunos por turma.

 

Confesso que me custa compreender toda esta pública em torno da escola pública e privada... se me falassem do desemprego que poderá atingir alguns professores mas, aparentemente, esse ficou para segundo plano. 

A Livraria dos Finais Felizes de Katarina Bivald.

1507-1.jpg

 A Livraria dos Finais Felizes de Katarina Bivald é, tal como o título já induz, uma história sobre livros.

 

A jovem heroína é Sara, uma sueca recém desempregada de uma livraria, a quem os pais e irmã pouco ligam e sem namorado. É, no entanto, uma apaixonada por livros. Sara vive para ler. O seu mundo é feito de releituras e novas descobertas literárias, os amigos vivem mergulhados nas páginas de um livro, incapaz de estabelecer relações socias. A protagonista sueca revela uma personalidade insegura, desastrada, reservada e introvertida, numa vida sem sabor ou quais perspectivas. 

 

Amy é, porém, a única pessoa com quem Sara conversa. Na verdade, Amy vive numa pequena cidade no estado do Iowa, EUA, e trata-se de uma senhora de 65 anos com quem Sara troca cartas. A amizade nascida nas cartas, graças aos livros, levará Sara a visitar Amy, a cidade e gentes que tanto descreve e menciona, Broken Wheel. Todavia, uma vez em Broken Wheel (e isto não é nenhum spoiler), Sara descobre que Amy morreu... e o mundo de Sara mudará nesta pequena cidade, descobrindo o sentimento de pertença, o valor da amizade e o poder do amor. 

 

- Consegues senti-lo? O cheiro de livros novos. Aventuras por ler. Amigos que não conheceste, horas de escape mágico à tua espera.

 

A Livraria dos Finais Felizes era um livro que desejava mesmo muito ler. O título é chamativo e a sinopse fez-me encontrar em Sara um pouco de mim. O interesse cresceu quando a Magda, do blogue StoneArtBook, referiu que o iria reler mal terminasse a leitura... e a verdade é que o releu mal terminou de o ler. E, confesso, não pensei em aguardar: mal o descobri num hipermercado da minha zona de residência, trouxe-o comigo - e, bem sei que, aguardando, o teria a um preço mais amigável. Não lhe resisti... confesso que - e é mau, muito mau - deixei A Promessa de Lesley Pearse um bocadinho de lado para ler este livro. É um livro onde qualquer apaixonado por livros se pode rever, identificando-se com Sara ou nos peculiares e excêntricos habitantes de Broken Wheel. Um livro sobre livros. 

 

É preciso ser-se um pouco sonhador para gostar de livros...

 

Numa escrita encantadora, Katarina Bivald mostra-nos o poder dos livros e o significado dos mesmos. A fluidez das palavras leva-nos a não desejar largar o livro. Por outro lado, tratando-se de um livro sobre livros, Bivald mostra-nos conhecimentos sobre uma série de livros e de escritores, num bom trabalho de pesquisa, revelando detalhes e histórias sobre os mesmos. Fiquei, admito, extremamente bem surpreendida com este de estreia da sueca Katarina Bivald. Adorei a leitura.

 

A Livraria dos Finais Felizes é, resumidamente, um livro para os apaixonados por livros... ficaram apaixonadamente encantados!

 

Há sempre um livro para cada pessoa e uma pessoa para cada livro.

___

 

Título Original: (é sueco e não o consegui encontrar)

Autora: Katarina Bivald, Suécia

ISBN: 9789896650704

Páginas: 528

Editora: Suma de Letras, 2016

Sinopse:

Se a vida fosse um romance, o da Sara certamente não seria um livro de aventuras. Em vinte e oito anos nunca saiu da Suécia e nenhum encontro do destino desarrumou a sua existência. Tímida e insegura, só se sente à vontade na companhia de um bom livro e os seus melhores amigos são as personagens criadas pela imaginação dos escritores, que a fazem viver sonhos, viagens e paixões. Mas tudo muda no dia em que recebe uma carta de uma pequena cidade perdida no meio do Iowa e com um nome estranho: Broken Wheel. A remetente é uma tal Amy, uma americana de 65 anos que lhe envia um livro. E assim começa entre as duas uma correspondência afetuosa e sincera. Depois de uma intensa troca de cartas e livros, Sara consegue juntar o dinheiro para atravessar o oceano e encontrar a sua querida amiga. No entanto, Amy não está à sua espera, o seu final, infelizmente, veio mais cedo do que o esperado. E enquanto os excêntricos habitantes, de quem Amy tanto lhe tinha falado, tomam conta da assustada turista (a primeira na história de Broken Wheel), Sara decide retribuir a bondade iniciando-os no prazer da leitura. Porque rapidamente percebe que Broken Wheel precisa de um pouco de aventura, uma dose de auto-ajuda e, talvez, um pouco de romance. Em suma, esta é uma cidade que precisa de uma livraria. E Sara, que sempre preferiu os livros às pessoas, naquela aldeia de poucas gente, mas de grande coração, encontrará amizade, amor e emoções para viver. E finalmente será a verdadeira protagonista da sua vida.

Oikos: a nova forma de comer fruta.

Estou, presentemente e como já o mencionei aqui, a trabalhar em part-time como operadora de loja de uma grande cadeia de hipermercados. É, para lá daquilo que imaginava, um trabalho que estou a gostar muito embora, seja duro e desgastante - sim, mesmo a quatro horas diárias - fisicamente.

 

Quiçá pela hora a que início o trabalho ou talvez porque a secção onde habitualmente me encontro não exija contacto directo com o cliente - na prática, na hora de fazer comprar, todos nós sabemos quais os iogurtes que mais gostamos - a verdade é que ainda não me deparei com as ditas situações típicas, chatas e marcantes do trabalho em contacto com o cliente. Por outro lado, embora integrado num grupo de renome e importância nacional, a verdade é que o supermercado onde trabalho é pequeno e localizado numa vila pacata onde quase todos se conhecem.

 

No entanto, o que me levou a escrever este post não é sobre o trabalho em si mas sobre uma opinião, no mínimo, caricata com que fui confrontada um destes dias.

oiko3.jpg

Portanto, numa manhã, reponha eu aqueles iogurtes gregos da iokos, entretida nos meus pensamentos de reposição, quando uma senhora me questiona...

 

- Menina, bom dia! Olhe não há daqueles iogurtes gregos da marca X? (a marca X é, neste caso, a marca branca do hipermercado)

- Bom dia! Lamento, mas não chegou nada desses iogurtes que a senhora queria. Quiçá esta semana cheguem mais. 

- Oh que chatice e eu queria tanto desses e vocês nunca os têm.

- Pois. Mas, embora não seja a mesma coisa, pode levar destes, da oikos, que até estão em promoção...

- Hum! Menina, olhe, vou mesmo levar uns destes de morango e outro de amora. Sabe, é que se não levar iogurtes assim destes, de fruta, os meus filhos não comem fruta nenhuma... é a única forma de comerem fruta!

- Ah, compreendo!

 

Desconfio que, por vezes, o meu cérebro paralisa com os frios dos expositores de iogurtes e câmaras frigorificas dos ditos... aquilo não fazia qualquer sentido e, no entanto, limitei-me a concordar e a pensar em forma original de comer fruta. Enfim... as coisas que se aprenderem como repositora!

Um mar de livros... estou a ler,

Mensagens

Mais sobre mim

imagem de perfil

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.