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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Eu e os Filmes, 5/30.


M*

05.04.16

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Dia Cinco

Grande desilusão...

 

Vou ser sincera: não me recordo de nenhum filme, de momento, que me tenha desiludido marcadamente.

 

No entanto, há um filme espanhol, cujo nome não me recordo mas onde Javier Bardem (o primeiro e último que assisti do senhor) participava que abandonei a meio porque, resumidamente, não estava a perceber nada de nada. Lembro-me que Bardem contracenava com uma mulher de vícios diversos, num bairro problemático de Madrid (ou seria Barcelona?), onde os protagonistas mal falavam e não onde nada fazia sentido. Simplesmente, sei lá que raio de filme era aquele e, a meio do filme quase adormeci... foi ai que desisti.

 

---

 

O desafio Eu e os Filmes iniciou-se a dia 1 de Abril, pelas 15 horas e conta com as participações de AlexandraMulaSofiaAna SofiaDrama QueenMafaldaMagdaJustSmileFatia MorJPAndy BloigGirl About TownRuteNathyAna Rita GarciaCaracolJoana e Bruxinha.

Uma Praça em Antuérpia de Luize Valente.


M*

05.04.16

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 Uma Praça em Antuérpia de Luize Valente é, arrisco-me a escrever, um dos meus livros favoritos de dois mil e dezasseis. Uma leitura rica e empolgante, um dos poucos livros que já li com o dom de me roubar lágrimas pelo destino das suas personagens numa trama intensa e inesquecível. 

 

O que mais me surpreendeu nesta leitura foi a escrita de Luize Valente. É uma escrita capaz de nos transportar para a narrativa, cujos detalhes históricos são explicados surpreendentemente bem, contextualizados e no decorrer da história. A escritora não se limitou a bombardear aspectos históricos num ou em vários capítulos: soube agrega-los à narrativa das irmãs gémeas, envolvendo a realidade com as personagens. Uma escrita sem excessos e simples, cativante e fluida. 

 

Uma Praça em Antuérpia é, antes de mais, uma narrativa muito bem elaborada, sobre a Guerra, segredos e pequenos "e ses" que marcariam a diferença. É, no fundo, um livro que fala como pequenas coisas, detalhes que parecem insignificantes, podem marcar destinos. A história inicia-se na voz de Olívia que, contemplando uma velha e antiga fotografia de uma família, revela à neta Tita o terrível segredo que guarda na alma e no coração. Olívia é, no alto dos seus 80 anos, uma bem sucedida empresária portuguesas em terras brasileiras que, por fim, revela a história da sua irmã gémea, Clarice... e a sua própria história de vida. Clarice e Olívia, irmãs nascidas no Norte de Portugal, sempre foram inseparáveis. Porém, o início da II Guerra Mundial e a perseguição aos judeus, uma vez que Clarice é casada com um jovem judeu pianista, marcará o trágico destino da irmãs e respectivas famílias.

 

O futuro era o minuto seguinte, nem um instante a mais. Era assim que tinha de pensar. O futuro era senta-se numa bela doçaria, comer torta de chocolate e tomar um café com leite muito cremoso. O futuro era celebrar os três anos de Bernardo, o domingo sem enjoos, Theodor de folga e a vida que crescia dentro dela.

 

A história de Olívia e Clarice e famílias decorre em cenários e países distintos: Portugal, Alemanha, Brasil, Bélgica, França e Espanha. A caracterização das diferentes personagens é extraordinária e, quando o segredo da família é revelado e sucessivas revelações acontecem, é admirável a forma como a personagem reagirá... não quero entrar em detalhes e, apenas posso escrever que fiquei chocada e surpreendida quando a história que Olívia narra se cruza com o presente da mesma. 

 

Por outro lado, a história narrada neste livro mostra uma outra perspectiva sobre os judeus, Holocausto e II Guerra Mundial: a fuga aos nazis e o papel marcante do cônsul português de Bordéus, Aristides de Sousa Mendes. Aliás, este romance é inspirado no seu papel enquanto cônsul na atribuição de milhares de visto para judeus em fuga da Europa. 

 

É, admito, difícil escrever sobre um livro que me surpreendeu pela qualidade narrativa e criatividade histórica. A minha vontade é escrever, escrever e escrever tudo, detalhadamente, sobre este livro... ficou, conhecem, aquela sensação de vazio que só um bom, na verdade, excelente livro é capaz de deixar em nós?! Foi exactamente o que me aconteceu com este livro... dez estrelas! 

 

O amor é o sentimento mais nobre que um ser humano pode ter. No momento em que ele é entregue e recusado, transforma-se em tristeza, mas naquela tristeza que carrega a saude dos dias passados.

 

Uma Praça em Antuérpia é um livro inesquecível. Recomendo-o a qualquer amante a literatura, bem como a apaixonados pelo passado histórico, em particular a temática da II Guerra Mundial... ou, no fundo e resumidamente, para ficarem a conhecer um pouco mais da personalidade de uma figura portuguesa esquecida, Aristides de Sousa Mendes. 

 

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Título Original: Uma Praça em Antuérpia 

(colecção A História de Portugal em Romances)

Autor: Luize Valente, Brasil

ISBN: 9789896378448

Páginas: 352

Editora: Edições Saída de Emergência, 2015

Sinopse:

A história de duas irmãs que a guerra separou e o terrível segredo que deixaram para trás.

Há uma saga que ainda não foi contada sobre a Segunda Guerra Mundial: a história de duas irmãs portuguesas, Olívia e Clarice. Olívia casa-se com um português e vai para o Brasil. Clarice casa-se com um alemão judeu e vai morar em Antuérpia, na Bélgica. Ambas vivem felizes, com maridos e filhos, até que a guerra começa e a Bélgica é invadida.

Para escapar da sombra nazi que vai devorando a Europa, a família de Clarice conta com a ajuda de Aristides de Sousa Mendes, o cônsul que salvou milhares de vidas emitindo vistos para Portugal, em 1940, enquanto atuou em Bordéus, França.

A família recebe o visto mas, ao chegar à fronteira de Portugal,um destino trágico a espera... Destino que vai mudar e marcar a vida das irmãs para sempre, por causa de um segredo que só será revelado sessenta anos depois.

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