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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Semana quatro em fotografias.


M*

31.01.16

24 de 366

Organizar e limpar a estante dos livros e o cestinho dos filmes. 

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25 de 366

 Dias de inverno com sol e mar.

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 26 de 366

A gatinha mais meiga e fofa.

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27 de 366

Escrever ao som de uma música.

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28 de 366

Para o jantar... arepas!

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29 de 366

Descansar, ler e comer cereais.

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30 de 366

Pedi um pingo. Recebi um coração.

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O projecto 366 dias do meu ano em fotografias pode ser acompanhado no facebook e instagram do blogue e consiste, como o nome indica, em publicar uma fotografia do meu dia-a-dia. O resumo da semana será, salvo impossibilidade, publicado todos os domingos. 

Era da tecnologia... e da solidão.


M*

28.01.16

Recentemente, numa viagem de comboio, dei por mim a observar os passageiros da minha carruagem. Grande parte da viagem fiz-a mergulhada na leitura mas, a dado momento, necessitei de parar e reflectir o que lia. Os meus pensamentos literários, tal como as imagens que visualizava da janela do comboio, rapidamente se dissiparam ao contemplar a carruagem, particularmente, duas amigas que se sentaram à minha frente. 

 

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Contei, pelos dedos, o número de homens e mulheres que não estavam agarrados às tecnologias. Uns estudavam, outros - como eu - liam, uma jovem desenhava e outros nada faziam, contemplando a vista, ou conversando com a pessoa com quem viajavam. A esmagadora maioria das pessoas naquela carruagem perdia-se no tablet ou smartphone, nos sons de novas conversas virtuais. 

 

Duas raparigas sentaram-se nos bancos vazios à minha frente. Poucas palavras trocaram entre si. Constatei que eram conhecidas porque uma, ao ver os bancos vazios, apressou-se a chamar a outra. Sentaram-se, sem nunca largarem o telemóvel, substituindo o silêncio da amizade naquele comboio com poucas palavras. Abandonaram-o sempre agarradas a ele. 

 

Noto-o cada vez mais: as conversas de outro tempo substituídas pela tecnologia.

 

 

Não me esquece que, em tempos e quando trabalhei num café no verão, um jovem casal de namorados que todos os dias ali ia, passava largas horas agarrados aos tablets, ora a jogar ora no facebook ora sabe-se lá no quê, trocando poucas palavras e poucos beijos. Reparei, nesse trabalho, que as conversas familiares parecem ameaçadas de morte. Os pais rapidamente se aborrecem das birras dos filhos, acalmando-os com tablets. A refeição é distante, poucas palavras trocadas, mãe e pai agarrados aos telemóveis topo de gama e filhos acalmados por tablets. Vejo disto demasiadas vezes isto acontecer... Grupos de amigos incapazes de largar os telemóveis, permitindo que o silêncio se abata sobre a mesa de café.

 

A era da tecnologia, e é inevitável não o reconhecer, trouxe as suas vantagens. Porém, as desvantagens, a morte lenta das conversas familiares e de amizade valerá a pena? Os tempos mortos deixaram de ser dedicados à leitura de um livro, jornal ou revista, ou a conversar com um desconhecido. Parece que temos medo de viver o real, largar o virtual e perder qualquer nova actualização, aventurar-se no presente e desconhecido.

 

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Recordo-me, apesar dos meus vinte e sete anos, ainda sou desse tempo, em que os telemóveis ou o tablet não ofuscava as conversas de café. Admito-o, por vezes, tenho saudades desse tempo livres. Dizem que, a cada dia, caminhávamos para a solidão, refugiando-nos na era da tecnologia... não poderia estar mais de acordo - e contra mim falo.

4/52S | As minhas citações preferidas são...


M*

27.01.16

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Semana quatro: cinco citações - de livros, filmes, músicas ou a frase de um autor - que me marcaram e considero-as como as minhas preferidas.

 

   | Mario Benedetti, do poema No Te Rindas |

No te rindas que la vida es eso,
Continuar el viaje,
Perseguir tus sueños,
Destrabar el tiempo,
Correr los escombros,
Y destapar el cielo.

 

   | Carlos Ruiz Zafón, do livro A Sombra do Vento |

- Acho que nada acontece por acaso, sabes? Que, no fundo, as coisas têm o seu plano secreto, embora nós não o entendamos. (...) Tudo faz parte de qualquer coisa que não conseguimos perceber, mas que nos possui.

   | Simón Bolívar |

Para el logro del triunfo siempre ha sido indispensable pasar por la senda de los sacrificios. 

 

   | José Saramago |

 (...) afinal há é que ter paciência, dar tempo ao tempo, já devíamos ter aprendido, e de uma vez para sempre, que o destino tem de fazer muitos rodeios para chegar a qualquer parte (...).

 

   | Fernando Pessoa |

A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida.

O Rouxinol de Kristin Hannah.


M*

26.01.16

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 O Rouxinol de Kristin Hannah é uma homenagem às mulheres e à sua capacidade de resistência e sobrevivência na II Guerra Mundial.

 

1939. Na pequena vila de Carriveau, como em toda a França, Vianne despede-se do amado marido, Antonie, que parte para a guerra. Não acredita que os nazis consigam entrar e dominar o país, acreditando no regresso rápido de Antonie. Sozinha com a filha menina, Sophie, Vianne vê os aviões inimigos sobrevoar os céus do seu país, largando bombas sobre inocentes e edifícios. Porém, quando os nazis marcham sobre a vila onde mãe e filha vivem, Vianne vê-se forçada a aceitar viver com um nazi em sua casa, alterando todas certezas e crenças. Abaladas as suas convicções e despedaça pelas perdas, Vianne descobrirá ser dona de uma força e resistência que julgava não possuir. 

 

A impulsiva e revoltada Isabelle, irmã de Vianne, conhece a dor da rejeição e a ânsia de ser amada. Recheada de sonhos e paixões, não conhece regras, Isabelle vive uma vida sem limites. A chegada dos nazis mostrará à jovem o propósito da sua existência: em vez de fugir de Paris, onde vive, Isabelle decide ficar e juntar-se à resistência francesa. Arriscando a vida, Isabelle lutará pelos seus ideais, ajudando a salvar vidas e a libertar a sua amada França do domínio nazi. 

 

- Eles não conseguiram atingir a minha alma. Não conseguiram mudar o meu ser. O meu corpo... despedaçaram-no nos primeiros dias, mas não a minha alma, V. Seja o que for que ele te fez, foi ao teu corpo, e teu corpo vai sarar.

 

Duas irmãs unidas pela dor e perda, separadas pela guerra e pela forma como a encaram. Vianne acredita que o mais correcto será aceitar os nazis, Isabelle acredita no oposto.

 

O Rouxinol não é a minha primeira aventura na escrita de Kristin Hannah. Estrada da Noite é um dos meus livros preferidos, uma história marcante e profunda sobre a morte, o perdão e o amor, um romance que jamais esquecerei. Foi excelente reencontra-me com a escrita brilhante e magnifíca de Kristin Hannah. Os seus romances transmitem verdadeiras lições. Não consigo apontar defeitos. Uma escrita despida de palavras e termos caros, acessível e cativante, Kristin Hannah cativa da primeira à última página. É impossível não reconhecer o significado e moral das suas histórias. 

 

- Espero que nunca saibas como és frágil, Isabelle.

- Eu não sou frágil - retorquiu ela.

(...)

- Todos somos frágeis, Isabelle. É isso que aprendemos na guerra.

 

Vencedor Goodreads Choice Awards 2015, na categoria de romance histórico, O Rouxinol mostra-nos a importância das mulheres na defesa e resistência francesa à ocupação nazi. Mulheres que, como Vianne e Isabelle, arriscaram a vida e procuraram lutar pelos outros e liberdade do seu país. Vianne é exemplo de sobrevivência e força, uma mãe capaz de tudo fazer, e arriscar, para proteger os filhos e aqueles que mais ama. Isabelle ensina-nos a não desistir dos sonhos e convicções, apesar das dificuldades e dos tempos difíceis. Personagens fortes, tocantes, inesquecíveis... um livro recheado de lições de vida. 

 

Recomendo a todos os amantes de livros a escrita de Kristin Hannah. Este livro seguramente, apesar de ainda ser cedo para o escrever, figurar no meu top dez de livros favoritos do ano de dois mil e dezasseis. Estrada da Noite e O Rouxinol são livros aos quais o leitor dificilmente ficará indiferente... e dificilmente esquecerá. 

 

Sorrio para eles (...) Graças a eles agora sei o que é importante, e não é aquilo que perdi. São as minhas memórias. As feridas saram. O amor perdura.

 

___

 

Título Original: The Nightingale, 2015
Autora: Kristin Hannah, EUA
Tradução: Marta Pinho/João Quina
ISBN: 9789724250601
Páginas: 480
Editora: Círculo de Leitores, 2015
Sinopse: Duas irmãs separadas pela guerra.
Vianne decide ficar. O marido partiu para a frente de guerra, mas ela não acredita que os alemães consigam invadir o país. Já Isabelle resiste ao medo, ao acatar, à presença dos nazis. Num emocionante regresso aos conturbados anos da Segunda Guerra Mundial em França, sob a ocupação nazi, Kristin Hannah constrói um envolvente romance histórico entre os diferentes caminhos escolhidos por duas irmãs, separadas pela guerra. Best-seller nos Estados Unidos, permaneceu durante seis meses consecutivos na lista dos livros mais vendidos do New York Times e os direitos de adaptação ao cinema foram já adquiridos pela TriStar Pictures.

1M/12L | Rainha Vermelha de Victoria Aveyard.


M*

25.01.16

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 Rainha Vermelha de Victoria Aveyard foi a primeira leitura no âmbito do desafio literário Doze Meses, Doze Livros. O objectivo deste desafio é ler um livro subordinado a uma temática particular. O mês de Janeiro, por se ter celebrado, a seis, o dia de Reis, foi dedicado a Reis e Rainhas. O livro escolhido deveria falar sobre um Rei ou Rainha ou conter, no seu título, alguma das palavras mencionadas. 

 

Rainha Vermelha trata-se de uma distopia, uma viagem a uma sociedade invulgar, dividida entre si por Vermelhos e Prateados. É através do olhar de Mare, a jovem protagonista, que descobrimos o universo penoso dos Vermelhos. Considerados seres inferiores, os Vermelhos não possuem qualquer poder ou privilegio relativamente aos Prateados, seres donos de poderes especiais. O destino de Mare parece condenado a servir numa guerra que não é sua até que, acidentalmente, a jovem se cruza com um Prateado de bom coração. Salva do seu trágico destino, Mare descobre que é dona de um poder especial acessível somente à elite Prateada, o que a obrigará a ficar noiva de um dos filhos do Rei e a assumir uma nova identidade: a de uma princesa Prateada perdida. Mare não se limita a assumir a falsa identidade, arriscando a própria vida para lutar pelos direitos do povo Vermelho. Porém, o jogo de poder e luta pela igualdade não é a única batalha que a jovem Mare travará... 

 

Quem teria eu escolhido? Se nada disto tivesse acontecido, se o mestre de Kilorn não tivesse morrido, se a mão de Gisa não se tivesse partido, se nada tivesse mudado. Se. É a pior palavra do mundo.

 

Não é o meu género favorito ou habitual, embora já tenha lido e adorado outras distopias (nomeadamente a saga A Seleção de Kiera Cass e da qual adorei e aguardo ansiosamente pelo último livro, sendo uma distopia mais leve do que a de Victoria Aveyard, e As Filhas de Eva de Louise O'Neill), modo geral nunca senti interesse nestes livros. Porém, o burburinho em torno desta história despertou a curiosidade e a capa, simples, cativou-me e é em tudo correspondente à história narrada. 

 

Victoria Aveyard é dona de uma mente extremamente criativa. Numa escrita trabalhada mas sem excesso de palavras ou termos particulares, fluida e cativante, este livro surpreendeu-me. Esperava, admito, um pouco mais, tendo em conta as inúmeras opiniões fantásticas sobre o livro, mas não desiludiu. É diferente. No entanto, considerei-a uma leitura mais pesada, sobretudo comparada com a distopia de Kiera Cass, A Seleção, uma vez que os universos retratos são recheados de crueldade e malvadez (e menos marcado na saga A Seleção). Não posso, contudo, comparar Rainha Vermelha a outras distopias do género, como já o li, como Os Jogos da Fome ou O Complexo dos Assassinos, uma vez que nunca os li... embora me tenha despertado a curiosidade para eles.

 

A verdade não importa. Apenas importa aquilo em que as pessoas acreditam. 

 

Aguardo, morta de curiosidade, pela continuação da saga e aventura de Mare...

 

Gostei imenso e não me arrependo da escolha que tomei. Rainha Vermelha é um livro que recomendo a apaixonados por este género literário ou àqueles que desejam aventurar-se e explorar novas leituras.

 

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O segundo volume intitula-se Glass Sword, será publicado este ano nos EUA, mas sem data prevista de publicação em Portugal.

 

___

 

Título Original: Red Queen, 2015 / série Rainha Vermelha I

Autora: Victoria Aveyard, EUA

Tradução: Teresa Martins de Carvalho

ISBN: 9789896378486

Editora: Saída de Emergência, 2015

Páginas: 352

Sinopse: O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados.
Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de uma princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a como noiva a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate - uma rebelião dos Vermelhos - mesmo que o seu coração dite um rumo diferente.
A sua morte está sempre ao virar da esquina, mas neste perigoso jogo, a única certeza é a traição num palácio cheio de intrigas. Será que o poder de Mare a salva... ou condena?

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