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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Cidades de Papel.

Um livro, mil emoções.

 

Tenho o coração nas mãos. Não gosto de emprestar livros. As experiências negativas do passado ditam a minha postura. Invento desculpas. Um livro do qual gostei raramente abandona a minha estante. Porém, a regra não se aplica à família. Não posso, por mais que queira, negar ceder um livro à minha irmã mais nova. E, assim, vivo com o coração nas mãos... Ela não conhece o significado de um livro. Ela não compreende a importância que os livros assumem no meu dia-a-dia. Para ela, dos seus dezoito anos, um livro é isso mesmo, nada mais do que pedaços de papel. 

 

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A minha irmã não sabe que um livro é mais do que um livro. É um amigo que me acompanha. Nele, com ele, através dos livros, vivi mil e uma histórias, vesti a pele de mil e uma personagens, experimentei mil e um sentimentos distintos. Cada livro que guardo, carinhosamente na estante, são pedaços de emoções que vivi. Livros são pedaços de mim que ela não compreende. Quis explicar-lhe tudo isto mas, todavia, trata-se de um febre cujos sintomas são difíceis de explicar... só quem vive com a doença compreende a febre dos livros. E, agora, vivo com o coração na mãos e o receio de ver o meu livro regressar amargamente tratado.

 

Cidades de Papel, de John Green, o livro pelo qual sofrerei...

Marias há muitas...

O problema, porém, é que eu Maria não me identifico com o segundo nome e, portanto, nunca compreenderei a necessidade de usar o meu segundo nome. A verdade é que eu não gosto, nunca gostei, do nome que acompanha o primeiro mas, inevitavelmente, é sempre o segundo o preferido. Quem me conhece já o sabe. Repito-me, em consultas de dentista, medicina ou noutra qualquer área, o pedido para me tratarem somente por Maria. Um nome simples, giro e comum. 

 

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Se as Anas e Joãos não são tratados pelos segundos nomes, apesar da vulgaridade, qual a necessidade de fazer o mesmo com as Marias? 

 

Isto tira-me do sério. Marias há muitas... e eu adoro ser Maria. 

24 | Na minha estante... De Amor e Sangue.

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 De Amor e Sangue, o mais recente livro traduzido para português de Lesley Pearse, transporta-nos para Inglaterra do século XIX e os mais diversos preconceitos da época. 

 

A recém-nascida Hope é a prova viva do adultério da mãe, uma aristocrata bela mas desprovida de sentimentos, egoísta, preocupada em manter a fachada de um casamento rico mas infeliz. A pequena Hope é entregue aos cuidados dos Renton, uma família pobre de camponês mas acolhedora, humilde e trabalhadora. Hope cresce sem conhecer as suas verdadeiras origens, recheada de amor, apesar das privações e obstáculos que a vida lhe coloca. Porém, tal como os restantes membros da família Renton, chega o dia em que Hope se vê forçada a trabalhar, contribuindo para o sustento da família e, com pouco mais de doze anos, começa a servir em casa da família onde nasceu. Longe do brilhos e dos pomposos jantares e bailes que a família oferece aos membros da aristocracia inglesa, Hope conhece a dureza do trabalho e os segredos mais negros da própria família, que desconhece. É, contudo, a morte dos progenitores Renton, com tifo, e de quem a jovem Hope cuidará, que abalará os alicerces da sua vida. Nell receber-la-à na casa que partilha com o cruel marido Alex, um homem que se viu obrigado a casar com a ingénua irmã mais velha de Hope para esconder a verdadeira natureza. A vida de Hope e Nell é marcada pela violência física e psicológica de Alex. No entanto, a descoberta de terríveis segredos  levará a jovem Hope a abandonar precipitadamente a casa de Nell, deixando uma breve nota. Os trilhos da vida de Hope, sem dinheiro ou trabalho, levam-na aos bairros mais degrados e pobres de Bristol, obrigando-a a crescer e lutar. É, no meio da miséria e da pagra da cólera, que Hope conhece o jovem dr. Bennett. A coragem, força e bondade de Hope levam-na, na companhia de Bennett, à guerra da Crimeia para tratar dos feridos, como enfermeira. Mas, os segredos do passado teimam em perseguir os passos de Hope, obrigando-a a percorrer um doloroso caminho pelas descobertas das suas origens. 

 

Por vezes, os animais demoravam três dias a morrer, a agonizar caídos no chão, porque ninguém ousava desafiar as ordens de Cardigan e arriscar o chicote. E no entanto as pessoas em Inglaterra pensavam que aquele cretino pomposo, cruel e egocêntrico era um herói.

Hope sabia que os verdadeiros heróis daquela guerra ainda ali estavam, infestados de piolhos, magros e exaustos, a combater nas trincheiras ou estendidos na vasta enfermaria do hospital Scutari com membros a menos.

(p.544)

 

Ler Lesley Pearse é descobrir uma nova e inesquecível história de coragem... a de mulheres dotadas de uma capacidade invejável para ultrapassar todos as adversidades e obstáculos da vida. Mais do que mulheres, ler Lesley Pearse é aventurar-se em pequenos pedaços de História, relatados de forma simples e acessíveis. Ler Lesley Pearse é deixar-se envolver pelas palavras e vestir a pele da heróica protagonista.

 

Li Nunca Me Esqueças, Nunca Digas Adeus, A Melodia do Amor e Nunca Olhes Para Trás e, embora adore os seus livros, todos eles se caracterizam por personagens principais heróicas e bondosas a quem, depois de diversas privações, reviravoltas e dificuldades, a vida compensa e, de personagens secundárias desprovidas de bondade ou valor moral, a quem a vida acaba sempre por castigar... os típicos clichés. Lesley Pearse encontrou a fórmula do sucesso literário: escrever simplesmente, sobre pedaços de História, assumindo a Mulher como protagonista principal, lutando contra preconceitos. E é, resumindo, está a fórmula que me faz adorar os seus livros!

 

O seu desejo era que um dia os hospitais fossem lugares melhores, que os soldados fossem tratados de uma forma humana, que a enfermagem se tornasse uma profissão respeitada. 

(p. 566)

 

De Amor e Sangue, para lá da história da dramática e sangrenta Guerra da Crimeia - envolvendo, de um lado, o Império Russo e, do outro, a Inglaterra, França, Reino da Sardanha e Império Otomano, pretendendo evitar a política expansionista dos primeiros - relata o pesadelo da cólera nos estratos mais pobres e desfavorecidos da sociedade inglesa, abordando os preconceitos morais de uma Inglaterra religiosa e da luta contra a homossexualidade daqueles que se sentiam diferentes. Hope é, por outro lado, o rosto da luta das mulheres pelo direito a exercer enfermagem, numa sociedade claramente masculina, e Bennett, por seu turno, assume um notável papel pelo reconhecimento e importância da medicina nos campos de batalha. 

 

Um romance histórico impressionante, marcante e inesquecível. Hope, personagem ficcional de Lesley Pearse, pode muito bem, num passado, ter sido uma mulher real...

 

- De um modo geral, só vemos aquilo que queremos ver.

(p. 652)

 

Lesley Pearse

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Nasceu em Rochester, Inglaterra, em 1945. É uma das escritoras de romances mais vendidas e de sucesso em Inglaterra, com obras traduzidas em mais de trinta países. Dos cerca de vinte livros publicados em Inglaterra, apenas dez se encontram traduzidos a português.

 

A vida da própria escritora é uma grande fonte de inspiração para os seus livros, onde os sentimentos e as suas experiências de vida transformam as personagens mais vivas e humanas: quer esteja a escrever sobre a dor do primeiro amor, crianças indesejadas e maltratadas, adopção, rejeição, pobreza ou vingança, uma vez que conheceu tudo isto em primeira mão. É uma lutadora, e a estabilidade e sucesso que atingiu na sua vida deve-os à escrita. As suas três filhas, os netos, os cães e a jardinagem trouxeram-lhe uma grande felicidade.

 

A morte da mãe, com apenas três anos, em circunstâncias trágicas, opera a primeira grande mudança na vida de Lesley: ela e o irmão mais velho são colocados separadamente em sombrios orfanatos, uma vez que o pai se encontrava em serviço militar. Três anos mais tarde, o pai regressa, casado com uma ex-enfermeira, reunindo os irmãos e, acrescentando-lhes mais dois novos irmãos adoptivos. A família torna-se família de acolhimento. Lesley abandona a casa da família aos dezasseis anos para se tornar ama e viver em estúdios cheios de humidade. Consequência da falta de afecto e necessidade constante de procura por amor, leva-a a escolhas e decisões erradas em relação ao sexo oposto: com apenas vinte anos casa-se, um casamento de curta duração. Conhece o segundo marido, um músico e escreve o primeiro romance, Georgia, inspirado na vida do segundo marido, nas discotecas e no estilo de vida da época. A primeira filha de Lesley nasce nesta altura mas, graças à vida de ambos, o segundo casamento termina quando a criança tinha quatro anos. Do terceiro casamento nascem mais duas meninas e uma vida feliz: Lesley toma conta das crianças, escreve contos e gere uma loja de presentes. Porém, a recessão dos anos 90, fecha-lhe a loja, deixando-a atolada em dívidas, o orgulho ferido e um casamento de dezoito anos terminado.

 

A escrita foi a minha salvação, afirma a Pearse. Tara, o meu segundo livro, foi finalista do Romantic Novel of the Year Award. Com o apoio da editora Penguin, criou o Women of Courage Award para distinguir mulheres comuns dotadas de uma coragem extraordinária. 

Um mar de livros... estou a ler,

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