Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 28 anos*

Um Mar de Pensamentos

23 | Na minha estante... Jane Eyre.

capa-jane-eyre.jpg

 Jane Eyre, a protagonista deste intenso romance da literatura clássica inglesa, é uma viagem bibliográfica apaixonante.

 

Orfã de mãe e pai, Jane Eyre, recebe uma educação severa da tia Reed, onde os abusos físicos e psicológicos, tanto da tia como de primos, marcam a alma da jovem menina. Porém, aos 10 anos de idade é afastada de casa da família Reed e colocada num colégio interno de Lowood. Jane acredita num novo recomeço em Lowood, porém, as privações e educação rígida do colégio teimam em não a abandonar. A infância e adolescência solitária, severa e infeliz fortalecem-lhe o espírito de justiça, nascendo o desejo de independência. É, aos 18 anos, que a vida de Jane sofre a desejada reviravolta, levando-a à casa de Thornfield Hall, testemunho da paixão que unirá Jane, como preceptora da menina Adèle, a Mr. Edward Rochester, o proprietário. No entanto, um terrível segredo separa-os, obrigando Jane a tomar uma decisão difícil, revelando o carácter e personalidade marcante.

 

Jane Eyre é uma história de amor inesquecível. Publicado, pela primeira vez, em 1847, a paixão de Jane e Edward revelam os preconceitos da época, questionando questões sociais e morais, tais o papel da mulher na sociedade e o peso da Igreja. Os protagonistas do romance de Charlotte Brontë revelam personalidades distintas mas cativantes, numa Jane insubmissa, determinada, corajosa, mas desejosa de amar e ser amada e num Rochester misterioso, inteligente, temperamental, mas próximo dos seus criados. Relatado na primeira pessoa pela protagonista, Brontë mistura paixão com ingredientes da literatura gótica, mistério e suspense. Numa escrita acessível, sem uso excessivo recurso a expressões pomposas, Jane Eyre tornou-se um dos meus clássicos preferidos. Adorei o mistério em torno do segredo de Edward e da forma como a paixão nasce entre os protagonistas, embora considere que seja um livro de acção lenta. 

 

- Eu não sou nenhuma ave, nem estou presa em rede alguma. Sou um ser humano livre e com vontade independente, de que agora faço uso para me soltar de si.

(palavras de Jane a Mr. Rochester, p. 306)

 

Li, recentemente, O Monte dos Vendavais de Emily Brontë, do qual gostei. Porém, comparando-o a Jane Eyre, confesso-me verdadeiramente rendida. O primeiro romance que li das irmãs Brontë é uma história triste, onde senti dificuldades em entrar, no entanto, em Jane Eyre rapidamente mergulhei... e adorei! Atrevo-me a escrever que se trata de um dos meus livros favoritos, o meu clássico favorito!

 

- (...) Nunca se ri, Miss Eyre? Não se incomode a responder, eu bem vejo que ri pouco. Mas é capaz de se rir alegremente. Acredite-me, a sua natureza é tão pouco austera como a minha é corrompida.

(palavras de Mr. Rochester a Jane, p. 176)

 

Jane Eyre, de Charlotte Brontë, foi leitura realizada em conjunto com a Nathy (a publicar em breve), Sofia e Magda, do Clube das Pistogas Que Lêem.

 

Charlotte Brontë

1392842704_sharlotta-bronte-biografiya.png

A mais velha das três famosas irmãs Brontë, Charlotte nasceu em Abril de 1816, em Thornton, Inglaterra. Mudou-se, muito nova e juntamente com a família, para Yorkshire. Órfã de mãe aos cinco anos, Charlotte, as quatro irmãs e o único irmão Brontë ficaram aos cuidados de uma tia, desprovida de quaisquer qualidades e sentimentos de mãe. Charlotte, tal como as irmãs e irmão, não tiveram uma vida fácil. 

Jane Eyre é, para muitos, fruto da própria experiencia de vida de Charlotte Brontë, que tal como a personagem do seu romance mais conhecido, foi professora e preceptora, tendo igualmente vivido em condições de internamento, fatal para duas das suas irmãs. Escreveu, sob pseudónimo masculino de Currer Bell, O Professor, Shirley, Villette e Jane Eyre

Morreu, aos 38 anos de idade, em Março de 1855, juntamente com o filho que esperava. O seu corpo encontra-se sepultado na igreja de St. Michael and All Angels Cemetery, em Haworth, no oeste de Yorkshire, Inglaterra.

Os livros do mês de Julho e Agosto.

Era, a cada novo início de mês, meu hábito escrever sobre as leituras do mês finalizado. O mês de Junho foi o último que lhe dediquei. Julho e Agosto foram meses duros, complicados e de trabalho, contrariando a ideia tendencial de Verão, férias e descanso, complicando a minha escrita. Foram meses onde a escrita se afigurou escassa, tal como a minha vontade de escrever, consequentemente, o projecto leituras do mês ficou parado. Retomo-o em Outubro, auxiliando-me da minha conta goodreads. É hora de conhecerem as leituras que me fizeram viajar, sonhar, amar e chorar nos meses de Julho e Agosto. As leituras de Setembro publicarei em breve.

 

Diz-me Quem Sou

Julia Navarro

Diz-me quem sou.jpg 

Como terá sido possível que uma nação inteira tenha enlouquecido ao ponto de ter assassinado em massa milhões de pessoas, pela simples razão de serem de raça diferente ou de professarem outra religião? Por que motivo não se tinha o povo alemão rebelado? Recordei-me de Max von Schumann e dos seus amigos; eles não concordavam com Hitler (…) Quantos alemães terão realmente colocado a vida em risco ousando lutar contra Hitler?

 

 Julho. É um livro recheado de conteúdo histórico, um olhar sobre a História do século XX, nomeadamente a Guerra Civil Espanhola, as ideias comunistas, II Guerra Mundial e a queda do Muro de Berlim. Diz-me Quem Sou conta-nos a história de um jovem jornalista precário, Guillermo, contratado pela tia para investigar a vida da sua desaparecida bisavó Amelia. A autora opta por contar a história através de personagens distintas - o que me levou, a um dado momento, a saltar estas partes... como se se tratassem de uma espécie de introdução -, aos poucos e poucos, levando-nos a viajar por cidades como Madrid, Paris, Berlim, Buenos Aires, Moscovo ou Cairo. Uma leitura recomendada aos amantes da História do século XX.

 

Índice Médio de Felicidade

David Machado

indice-medio-de-felicidade.jpg 

Só que não deveria ser assim, Almodôvar, não deveríamos precisar de dias maus para dar valor aos bons, essa alegria deveria existir sempre, não apenas nos momentos de alívio. Mas estamos condenados por esta obsessão em relativazar tudo. Aqui e agora nunca são suficientes, travamos uma luta contínua, impossível de resolver, porque não aceitamos menos, porque queremos sempre mais. 

 

 Julho. Opinião aqui. David Machado aborda a infelicidade e a felicidade, o optimismo e a frustração, a persistência e o desânimo de quem, um dia, vê os pilares da sua vida serem abalados. Usando de um tema sensível, a crise e as suas consequências, Índice Médio de Felicidade leva-nos a reflectir sobre o nosso papel e valor na sociedade, a importância da família e da carreira nos tempos presentes, o valor e significado de felicidade no dia-a-dia ou o que somos capaz de fazer para alcançar um objectivo. 

 

O Monte dos Vendavais

Emily Brontë

Captura de ecrã 2015-07-29, às 09.49.17.png 

Os orgulhosos arranjam desgostos às suas próprias mãos.

 

 Julho. Opinião aqui. A história começa quando o patriarca da família Earnshaw, após uma viagem a Londres, regressa com o pequeno Heathcliff. É ele o elo de amor e desgraças que se abaterá sobre as vidas que toca. Os filhos de Earnshaw, Catherine e Hindley, sentem-se colocados de parte pelo pai que, parece nutri mais carinho e atenção pelo novo filho. Porém, a morte de Earnshaw levará Hindley a assumir a posição de patriarca da família e, assim, a vingar-se de Heathcliff. A irmã Catherine, todavia, não compartilha do pensamento do irmão e encontra em Heathcliff um parceiro. Nasce, assim, entre ambos algo mais do que uma simples amizade ou carinho de irmãos. A história sofre uma reviravolta com a partida d' O Monte dos Vendavais de Heathcliff, levado a acreditar que Catherine não corresponde aos sentimentos e pela atracção da jovem Catherine aos luxos e riquezas que um casamento podem proporcionar. O regresso, anos mais tarde, de Heatchcliff marcará a vida de das famílias de ódio e vingança. 

 

Segue o Coração

Lesley Pearse

7440046_KKds4.jpg 

Mas, acima de tudo, quero ter feito uma diferença na vida de outras pessoas.

 

 Julho. Opinião aqui. Lesley Pearse, pela vida de Matilda Jennings, dá-nos a conhecer partes interessantes da História dos Estados Unidos da América, dos finais do século XIX e dos inícios do século XX. Nas mais de setecentas páginas de Segue O Coração somos convidados a conhecer os primórdios da cidade de Nova Iorque, a conquista do Oeste Selvagem, a loucura da corrida ao ouro, o nascimento de São Francisco e a guerra pelo fim da escravatura nos estados do Sul. Os relatos são vivos e marcantes como se de facto os tivéssemos vividos. Aliás, ao longo do livro, Pearse relata-nos histórias baseadas em vidas reais trágicas  que constituem verdadeiros murros. Foi e é de vidas miseráveis e cruéis de ingleses, chineses, irlandeses, mexicanos, alemães e tantas outras nacionalidades, que se fez e vestiu a história dos EUA. Segue O Coração é a minha quarta leitura de Lesley Pearse. É, seguramente, uma das minhas escritoras favoritas no género romance histórico. Os livros de Pearse enganam. Refugiando-se num título e capas femininas e cor-de-rosa, traduzem a ideia de tratarem-se de romances lamechas, demasiados melosos. Porém, a verdade é que são livros que ficam aquém do romance, constituindo importantes lições históricas. 

 

A Mulher do Viajante no Tempo

Audrey Niffenegger

9722332740.jpg 

- Clare? 

- Sim? - A minha voz está baixa e amedrontada.

- Sabes que te amo. Queres casar comigo?

- Quero... Henry. - Tenho uma sensação avassaladora de déjà vu. - Mas, sabes, na realidade... já casei.

 

 Agosto. Opinião aquiA Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem à descoberta do poder do amor de um amor intemporal. Henry e Clare, os protagonistas, vivem um amor instável e envolto nos caprichos de uma particularidade que faz deles um casal especial. Henry conhece Clare quando ele tem 28 anos e ela 20. Porém, Clare conhece Henry desde menina... o primeiro encontro de ambos acontece quando ela tem 6 anos e Henry é um homem adulto de 36 anos. Os encontros de Henry na infância e adolescência de Clare tornam-se frequentes, levando-a a conhecer desde menina aquele que será o homem da sua vida. Confusos? Poderia ser, contudo, à medida que viajamos na história de Henry e Clare, compreendemos a particularidade e inevitabilidade que une o casal. É que, tal como o título da obra o indica, Henry é um viajante no tempo. 

 

A Bibliotecária de Auschwitz

Antonio G. Iturbe

1507-1.jpg

 Ao longo da História, todos os ditadores, tiranos e opressores, fossem arianos, negros, orientais, árabes ou eslavos, fosse qual fosse a cor da sua pele, quer defendessem a revolução popular, os privilégios dos ricos, o primado de Deus ou a disciplina sumária dos militares, fosse qual fosse a sua ideologia, tiveram uma coisa em comum: todos, sem excepção, perseguiram os livros com uma sanha feroz. Os livros são perigosos, fazem pensar. 

 

 Agosto. Opinião aquiA Bibliotecária de Auschwitz inspirado na história de vida de Dita Kraus, sobrevivente de Auschwitz, remete-nos para o horror sofrido por milhares de judeus nos campos de concentração mas, acima de tudo, o poder e a força que os livros podem exercer naqueles que vivem rodeados do horror. Dita Adlerova não é mais do que uma jovem adolescente porém, é ela a portadora e testemunha de um segredo marcante, proibido no campo de Auschwitz-Birkenau. Dita, juntamente com Fredy Hirsch, que conseguiu erguer uma escola num campo de concentração, é a guardiã de oito poderosos livros. Cabe-lhe a ela, enquanto bibliotecária, a protecção e cuidado dos livros estritamente proibidos pelos nazis. Dita sabe que, cada livro que esconde, pode significar o seu fim e, no entanto, dona de uma coragem extraordinária, a jovem cuida aqueles oito preciosos livros como se de alimento se tratasse. No fundo é disso que se trata... 

 

A Rapariga de Papel

Guillaume Musso

A Rapariga de Papel.jpg 

A nossa liberdade constrói-se sobre aquilo que os outros ignoram da nossa existência.

 

 Agosto. Opinião aquiA Rapariga de Papel foi a minha primeira leitura de Guillaume Musso e, confesso, adorei... para dizer a verdade, nem sei como explicar os motivos que me levaram a gostar tanto deste livro! É simplesmente delicioso e faz-nos desejar entrar pelas páginas do livro. Uma agradável surpresa. No fundo, a história de Musso não é invulgar, pelo contrário mas, a forma como está estruturada e o pequeno toque de magia, conferem ao romance a diferença que me apaixonou. Confesso que fazia algum tempo que não lia uma história simples, enternecedora e que me deixa-se visivelmente apaixonada. 

 

O Tempo Entre Costuras

María Dueñas

image.jpg 

Uma máquina de escrever arruinou o meu destino. Foi uma Hispano-Olivetti, da qual me separou durante semanas o vidro de uma montra. Visto de hoje, a partir do parapeito dos anos passados, custa a crer que um simples objecto mecânico pudesse ter potencial suficiente para quebrar o ruma de uma vida e fazer explodir em quatro dias todos os planos traçados para a sustentar. Assim foi, no entanto, e nada pude fazer para o impedir. 

 

 Agosto. Sira é uma jovem e simples aprendiz de costureira, ingénua mas bonita, de quem a vida tornará uma determinada espiã. Numa Espanha em pré-guerra civil, a jovem Sira facilmente se deixa apaixonar por um galante homem, trocando o país natal por Marrocos, onde a sua vida sofrerá uma enorme reviravola. Traida e abandonada, Sira vê-se obrigada a contrariar o trágico destino, colocando os seus talentos como costureira em prática ao serviço da alta sociedade de Marrocos. O Tempo Entre Costuras, romance cativante e viciante, leva-nos a conhecer a Espanha da Guerra Civil, as acções alemãs em terras estrangeiras o papel do governo fascista de Franco na II Guerra Mundial, com um cheirinho de Lisboa de Salazar. Um livro recheado de traições, amores, desgostos e reviravoltas. 

Das palavras mais tristes que já escrevi...

 Sinto que, aos vinte e sete anos, perdi a capacidade de sonhar. Fecho os olhos. Contemplo o mar. Inspiro o perfume dos campos. Porém, os sonhos que outrora sonhará nestes recantos de mim, que me acompanhavam em viagens e me visitavam sem pedir qualquer licença, à muito que me deixaram. Fui sonhadora... não sei mais o que sou hoje. Limito-me a viver o presente; sem a promessas de mil e um sonhos. Preciso que algo de bom aconteça na minha vida e me devolva a capacidade de sonhar. Uma vida sem sonhos é triste. Quero sonhar novamente. 

 

tumblr_m4ji77UCPy1ro7jdfo1_500.jpg

 

 

Hoje não sonhei...

Crónicas de Uma Empregada de Mesa: o tabaco.

- Oh menina, diga-me lá, qual é o tabaco mais fraquinho que vocês vendem? - apontando-me para a máquina do tabaco, justamente no momento em que recolhia os pratos da refeição de duas senhoras. 

- Querer que lhe seja sincera? Não faço ideia. Não fumo.

- Não me diga! Que chatice... Mas devia saber... Devia... Ora pois!

  

step-azkoyen-maquina-tabaco.jpg

 

No café onde trabalho como empregada de mesa vendemos um pouco de tudo. Sopas, refeições, cafés, sumos, pães, bolos, gelados. Usando a expressão recorrente do patrão só não vendemos dinheiro. Vendemos, como a grande maioria dos estabelecimentos do género, tabaco disponibilizado em máquinas próprias para esse efeito. O facto de existir uma máquina de venda de tabaco num estabelecimento comercial como cafés, restaurantes ou padarias, não implica obrigatoriedade de os empregados saberem qual a marca mais fraca de tabaco. Para isso existem as tabacarias. Ou talvez não... 

Pág. 4/4