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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Carta às pessoas que utilizam wc nos cafés.

Pessoas! Queridas pessoas...

 

É importante, antes de mais, referir que quase todos os meus verões, desde a minha adolescência, foram passados a trabalhar em cafés, pastelarias e similares. O presente não é distinto. Portanto sei, por experiência, que isto acontece, não vale a pena negar. Mas deixemos o blablabla e falemos do que realmente importante... e, deixem-me esclarecer, este post não pretende ser simpático.

 

Pessoas! Queridas pessoas que utilizam as casas de banho dos cafés, pastelarias, padarias e similares: por detrás do balcão dos mesmos, ou a servir às mesas, existem pessoas. Exactamente... P-E-S-S-O-A-S, pessoas que fazem daquilo o seu trabalho e fonte de rendimento. Portanto, queridas pessoas, não custa absolutamente nada dar a essas pessoas por detrás do balcão de um qualquer estabelecimento um bom dia!boa tarde! ou boa noite! e colocar a questão dolorosa e que tanto parece atormentar certas pessoas Posso Usar a Vossa Casa de Banho? ou Posso Usar a Casa de Banho?, o wc ou usarem uma qualquer expressão. Agradecer, no final e mesmo que não consumam coisa alguma, também não fica feio mas, nós, empregados, já ficamos felizes quando nos dirigem meia dúzia de palavras de permissão sobre a utilização da casa de banho.

 

Pessoas! Querida pessoas, compreendo que, em férias, a liberdade e os dias de paz se sobrepõem ao stress, que o que mais desejais é gozar o tempo e não se arreliarem mas, não custa nada, absolutamente nada, dirigir meia dúzia de palavras ao funcionário do café para usar o wc. Ele não vos irá comer, acreditem! Pode ter ar disso ou, simplesmente, ar de cansado de horas a fio a aturar pessoas em férias, mais de oito horas de pé e com uma valente dor de pernas...  E, não somos menos do que vós por trabalharmos enquanto gozais. 

 

Porém, confesso, queridas pessoas, o que mais me surpreende, choca e dá vontade de falar e refilar meia dúzia de palavras é àqueles pais, mães ou pessoas mais velhas que, trazendo pequenas crianças, entram café a dentro, usam a casa de banho e saem tão calados como entraram, sem dirigirem qualquer palavra a quem trabalha. É algo que, juro, não consigo compreender. Faz-me espécie, confusão e dá-me vontade de envergonhar as ditas pessoas à frente dos pequenos. Pessoas, os vossos filhos, sobrinhos, netos imitaram o que aprendem de vocês e se suas excelências não se digam a dar um mero boa tarde! antes de usarem uma casa de banho, não se ESPANTEM que as pequenas crianças se tornem mal-educadas. Para mim, um pai, mãe, tio, avó ou seja lá o que for que, trazendo uma criança ao arrasto para usar um wc seja incapaz de deixar escapar meia dúzia de palavras ao empregado do estabelecimento, não passa de um adulto mal-educado. Atrevo-me a declara que sóis maus exemplos para os jovens petizes... e, depois, daqui a um par de anos, vinde reclamar que os jovens são mal-educados que eu conto-vos uma história! Pessoas, deveria existir uma lei que VOS multasse por MÁ-EDUCAÇÃO e maus exemplos... da mesma forma que vocês podem usar o livro de reclamações para falarem mal do serviço ou do empregado.

 

Pessoas! Queridas pessoas, não basta entrar café dentro, ignorar quem lá está e usar o raio da casa de banho... pessoas, caso não tenham percebido, a casa de banho de um café NÃO é pública. Para quem não sabe, vou dar uma novidade: a utilização das casas de banho implica, para o estabelecimento, custos de água, papel e detergentes, e sem contar com o trabalho de limpeza. Sim, é verdade, pessoas! E, por outro lado, o facto de ser um wc de um café também não vos dá o direito de a deixarem imunda... ou em casa fazem o mesmo? Não se admirem porém, se algum dia as casas de banho destes estabelecimento começarem a ser pagas! 

 

E, dizem vocês: ah, fechem a porta da casa de banho às chaves, assim as pessoas falam convosco!. É, sem dúvida, uma boa hipótese porém, queridas pessoas que pressuponho nunca trabalharam num café ou similar, a teoria é boa mas, na prática, não funciona... vi o meu patrão arrombar a porta de um wc porque uma pessoa querida levou as chaves, tive de deixar de fazer o meu serviço para dar a uma mãe e criança chorona as chaves e outras histórias similares. Não funciona. Ponto. Simples. 

 

Acredito, pessoas, que nas grandes cidades, este género de comportamentos funcione bem e passe despercebido à grande maioria, que o stress, a agitação e o tempos curtos não permita reparar que entraram num café e que, azar do caraças, até está ali outra pessoa por detrás do balcão... porém, pessoas, num café pacato na ponta norte do país, numa pequena vila, estás coisas não ficam bem. Ninguém gosta. Fica feio. É mau sinal. Pessoas. Queridas pessoas, nos cafés, pastelarias, padarias e similares, trabalham pessoas e não somos menos do que vocês, embora já o tenha ouvido, que trabalham noutra qualquer área... e, também não somos empregadas ao vosso dispor a cada dois segundos.  

 

Cumprimentos de uma (ex-) funcionária de café,

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31 | Coisas de blogger... L de Livros.

Livros são uma parte de mim e, portanto, nunca é demais, cansativo ou aborrecido falar sobre eles. A curiosidade partiu da querida Just Smile, desafiando-me a responder a mais uma e bem-vinda tag sobre livros.

 

Estou a ler...

Travessuras da Menina Má de Mario Vargas Llosa.

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O meu livro favorito quando era pequena... 

A Bela e o Monstro foi, desde menina, uma das minhas histórias infantis favoritas. Na adolescência, O Principezinho.

 

Estou ansiosa por ler...

Todos os que tenho na estante por ler (e à qual ainda lhe falta um livro que adquiri em segunda mão, Viver Depois de Ti de Jojo Moyes),

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Porém, um livro que quero muito ler e que ainda não tenho na estante é Toda a Luz Que Não Podemos Ver de Anthony Doerr.

 

Um livro que mudou a minha vida...

Um livro, independentemente da temática, ensina sempre qualquer coisa, acrescenta algo de novo, muda pequenas coisas do dia-a-dia, muda pequenas visões do Mundo. No fundo, não consigo identificar apenas um livro que tenha mudado a minha vida... qualquer livro do que li, mudaram a minha vida. 

 

O meu livro favorito para dar como presente...

Oferecer um livro dependeria, acima de tudo, da pessoa a quem se destina o presente. Li muitos livros e, dos diversos que li e conclui, qualquer um seria o ideal... dependeria, obviamente, dos gostos das pessoas.

 

O que está na minha mesa...

O Retrato da Mãe de Hitler de Domingos Amaral. (diz que lhe tomou o gosto pela mesa de cabeceira... eu ainda não desisti dele, eu ainda o irei terminar)

 

A minha livraria preferida...

Grupos de vendas em segunda mão no facebook, Bibliofeira, Wook ou note.it/Continente.

 

Adoro ler porque...

Simplesmente, faz parte de mim. Abrir um livro, tocar e folhear, leva-me a desligar do mundo real, a viajar e a assumir segundas vidas. Um livro é um refúgio, que me devolve a esperança, ensina-me algo e enche de sonhos. Não ler é como não viver...

 

Um livro do qual nunca me vou separar...

Mil Sóis Resplandecentes de Khaled Hosseini ou, na verdade e no fundo, os três livros.

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Os livros de Khaled Hosseini transmitem mensagens poderosas de esperança, amor e amizade. Para mim, os três livros são tocantes e inesquecíveis mas, admito que este, Mil Sóis Resplandecentes, por ter sido o primeiro a dar-me a conhecer o escritor, está recheado de um significado especial. O livro é duro, um murro no estômago sobre ser mulher numa sociedade intolerante porém, é um livro recheado de esperança e fé, a força do amor e da amizade. 

 

Se pudesses entrar num livro, que livro escolherias? Serias a personagem principal?

Não consigo escolher apenas um livro... escolheria vários. Gostaria de entrar no universo mágico da saga Harry Potter ou nos mistérios que encerra o Cemitério dos Livros Esquecidos (fazem parte desta saga A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo O Prisioneiro do Céu) de Carlos Ruiz Zafón. Gostava de ser uma personagem de D. Maria II (de Isabel Stilwell)  e entrar no Portugal dos reis e rainhas ou viajar para a ex-colónia de S. Tomé e Príncipe, na companhia do governador Luís Bernardo Valença do livro Equador (de Miguel Sousa Tavares). Queria ser uma espia como Sira, a costureira d' O Tempo Entre Costuras (de María Duenãs) ou uma viajante no tempo, como no livro A Mulher do Viajante no Tempo. Viajar a Istambul (livro A Bastarda de Istambul), conhecer elefantes em África (livro Tempo de Partir de Jodi Picoult) e embarcar até EUA com a cigana d' A Melodia do Amor, de Lesley Pearse. Seria mil e uma personagens, uma Rapariga de Papel (de Guillaume Musso), em mil e um locais, viagens, sonhos. 

 

 

Livros... é impossível resistir a livros. Livros são como drogas, viciantes e impossíveis de resistir, para alma. 

A ousadia de lutar pela vida... é fácil falar quando não somos nós.

É fácil falar quando, um dia atrás do outro, um tecto nos protege das intempéries da vida. Um tecto que protege os nossos dias recheados de pequenos nadas aos quais pouco valor lhe atribuímos, um tecto onde abrigamos os pequenos nadas que recheiam as nossas vidas, um tecto repleto de coisas singulares e rotineiras. 

 

É fácil falar quando o estômago não reclama as longas horas sem o sabor dos alimentos (a não ser, claro, quando por puro capricho, impingimos dietas loucas). Alimentos que facilmente encontramos ao simples virar de esquina, numa rua mais longínqua, numa avenida movimentada. Reconfortamos o estômago rapidamente com um qualquer alimento para nós insignificante e banal (e, ao qual, muitas vezes nos damos ao luxo de desperdiçar): uma peça de fruta, uma fatia de pão, um pedaço de chocolate.

 

É fácil falar quando todos os dias caminhamos com a certeza de um mais um dia igual ao anterior. Sabemos para onde vamos, de onde vimos, o que iremos fazer. Um emprego, por mais chato que seja, é algo que preenche os dias e atribui conforto à vida mas, e quando isto falha?

 

É fácil falar quando nascemos e vivemos num cantinho de mar, terras verdes e clima ameno. Um pais onde ser-se mulher (apesar de diversos nãos) é fácil, onde ser-se criança é significado de liberdade, onde o somos livres para escrever e dizer o que quisermos sobre nós, os outros, o mundo. Um pais que não conhece a morte pela guerra, a tortura pela guerra, o medo pela guerra, a fome pela guerra... o tudo que a guerra envolve um pais. 

 

É fácil falar e alcunharmos quem ousa lutar pela vida de terrorista. Homens e mulheres a quem a religião, para lá de toda a desgraça das suas vidas, os rótulas de terroristas por ambicionarem fugir das almas fanáticos que lhes roubaram o vida, o pais, a fé. 

 

É fácil falar quando por entre goles de café (ou de outra coisa qualquer), no conforto do lar ou numa troca de opiniões, disparamos contra aqueles que ousam lutar pela vida. É simples falar quando, sem lhe atribuirmos valor, temos uma vida recheada de tudo. É fácil opinar sobre a vida alheia sem nunca pensarmos, vestimos a farda de privilegiados, sem assumir as dores alheias. 

 

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Somos, todos os dias, bombardeados com imagens negras de homens, mulheres, crianças e idosos que, na ânsia de viver, aventuram-se por terra e mar a caminho de uma nova vida. Enfrentam, com valentia, os perigos, acreditando que se trata de uma fase difícil que em breve ultrapassaram. Arriscam a vida, engolem os medos, mergulham nos sonhos de uma vida para si e para os seus um pouco melhor daquela que abandonaram. 

 

Criticamos. Julgamos. Falamos. Solucionamos. É fácil tudo isto quando não somos nós. É fácil erguer muros e barreiras, travar entradas, devolver às terras e esquecermos que as vidas por detrás das nacionalidades ou religiões. É fácil fecharmos os olhos aos problemas, esquecermos a História, desresponsabilizarmos. Quero eu, que escrevo no conforto da minha casa, do meu sofá, através de um privilegiado computador, não critico, não julgo, não soluciono... porque escrevo e falo sobre vidas. É urgente uma solução humana, para lá das estatísticas, nacionalidades, religiões... porque é de homens, crianças e mulheres que falamos. 

 

É fácil falar quando não somos nós, um amigo, um familiar, um vizinho, um conhecido a quem vemos lutar pela vida. Impõem-se a questão... se fossemos nós? E se fossemos nós?

 

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*(publicado a 27.08.2015 e novamente publicado)

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