Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 29 anos*

20 | Na minha estante... A Rapariga de Papel.


M*

20.08.15

A Rapariga de Papel.jpg

 A Rapariga de Papel é uma viagem à descoberta do poder da amizade e do renascer de um novo amor. Tom Boyd é um famoso escritor de Los Angels caído em desgraça. O fim da relação amorosa com a famosa e bela pianista Aurore, mergulha Tom numa espiral de excessos, trocando a escrita por álcool e drogas. Porém, o bloqueio criativo de Tom e o seu universo de auto-destruição termina quando, numa noite de tempestade, uma mulher linda e completamente nua lhe aparece na sala de sua casa. Billie diz ser uma das personagens literárias de Tom, caída no mundo real por um erro de impressão do seu último romance. A chegada desta misteriosa mulher obrigará Tom a entrar numa divertida aventura, cuja finalidade é bastante simples: Billie ajuda Tom a reconquistar Aurore e este, por sua vez, escreve o último romance da sua trilogia para que ela possa regressar às páginas dos livros. O desenrolar das páginas e viagens mostram-nos, por um lado, o valor e o poder de amizade e, por outro, o outro lado da vida de Tom e que fizeram dele um dos escritores mais famosos e queridos da América de Guillaume Musso.

 

A Rapariga de Papel foi a minha primeira leitura de Guillaume Musso e, confesso, adorei... para dizer a verdade, nem sei como explicar os motivos que me levaram a gostar tanto deste livro! É simplesmente delicioso e faz-nos desejar entrar pelas páginas do livro. Uma agradável surpresa. No fundo, a história de Musso não é invulgar, pelo contrário mas, a forma como está estruturada e o pequeno toque de magia, conferem ao romance a diferença que me apaixonou. Confesso que faz algum tempo que não lia uma história simples, enternecedora e que me deixa-se visivelmente apaixonada. 

 

A nossa liberdade constrói-se sobre aquilo que os outros ignoram da nossa existência.

 

Numa escrita simples e absorvente, Musso leva-nos numa viagem criativa, densa, recheada de pequenas reviravoltas que fazem sofrer os protagonistas e leitores e cujas personagens, ricamente estruturadas, desejamos um final feliz e facilmente nos identificamos. É um livro - e sei que me estou a repetir - delicioso, cativante, surpreendente. Fiquei rendida à escrita deste livro, às personagens e às pequenas frases que compõem cada capítulo. E, já mencionei que acho a capa fenomenal? Não? Fica a indicação! É uma capa mágica, tal como mágico é a história do livro. 

 

Guillaume Musso, através d' A Rapariga de Papel, ganhou uma nova leitora... certamente que, em breve, me reencontrarei com este escritor.

 

Para que servirão os livros, se não nos resgatarem para a vida, se não nos levarem a dela beber com maior avidez?

Henry Miller in Guillaume Musso, A Rapariga de Papel

 

665544-reve-guillaume-musso-ecrire-trilogie.jpg

Guillaume Musso

Escritor e professor de economia. Nasceu em 1974 e descobriu a literatura aos dez anos, idade em que decidiu que um dia haveria de escrever livros. Inspirado pela cidade de Nova Iorque, onde viveu aos dezanove anos e travou conhecimento com viajantes de todo o mundo, regressou à sua França natal para estudar Ciências Económicas. É hoje um dos autores franceses preferidos pelo grande público. Oito dos seus doze livros encontram-se traduzidos para língua portuguesa. 

Do livro do momento.


M*

18.08.15

Perguntaram-me, ontem, se já tinha lido o livro do momento. Não. Faz-me uma certa espécie e comichão, tenho aversão a livros de que todos falam, às leituras ditas do momento, rodeados de todo o tipo de críticas positivas e louvores e que levam quem raramente lê a tornar-se um magnífico avaliador de livros - não que eu condene, é sempre melhor ler do que não ler. Diz-se, confirmado por quem me questionou, que o livro é surpreendente, fantástico e realmente bom. E eu, tenho mim, que nunca vi um livro com tamanha campanha de marketing... desconfio que o primeiro volume da saga as Sombras de Grey, de E.L. James, ficou muito aquém da campanha publicitária d' A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins. 

 

capa_a-rapariga-no-comboio.jpg

 

Receio. A melhor palavra para designar a minha duvidosa vontade de ler o livro do momento. A verdade é que o título desperta-me a curiosidade ou não tivesse sido eu, durante anos, uma rapariga no comboio, onde desenvolvi a minha capacidade de observação daqueles que me rodeia, imaginando as vidas alheias e sonhando... uma eterna apaixonada por viagens de comboio. Estive, mais do que uma vez, para trazer A Rapariga no Comboio para minha casa mas, porque também me conheço, sei que elevarei o livro ao extremo, retirando-lhe a oportunidade para dar jus às críticas positivas, obrigando-o a surpreender-me sem nunca o conseguir. 

 

Um dia, quem sabe, eu leia o livro... quando a maré livro do momento terminar e antes de chegar às grandes telas do cinema. Um dia dou-lhe a oportunidade. 

Livros na mesa de cabeceira.


M*

17.08.15

Três. O verão é, para muitos, tempo de férias, descanso e calma. Para mim, que trabalho nesta altura num café, é tempo de confusão, cansaço e cabeça feita num oito. Isto reflecte-se e provoca moças na leitura... acabam por ficar um bocadinho arrumadas. A verdade é que vou lendo mas procuro evitar todo o género de livros grandes, com conteúdo histórico ou histórias pesadas. No fundo, aproveito para ler exactamente aquilo que o verão das mil confusões me pede: leituras leves. Porém, comigo não foi isso que acontece, simplesmente porque a ansia e a curiosidade sobre um determinado livro é elevada ou a desilução com outro nos obriga a parar, e neste momento tenho três livros na minha mesa de cabeceira...

 

20150817_111134.jpg

 

Três livros na minha mesa de cabeceira é, segundo dizem na minha terra, a conta que deus fez. Ou, no fundo, sejam apenas dois livros. O primeiro livro que se encontra à semanas a requerer a minha atenção é O Retrato da Mãe de Hitler do escritor português Domingos Amaral.

image.jpg

O livro foi-me emprestado pela Magda, do blogue StoneArt. Tenho como política ler o que não é meu e devolver assim que a leitura termine mas, porém, o certo é que o livro anda à dias, semanas, na mesa de cabeceira sem que lhe toque. O Retrato da Mãe de Hitler tinha tudo para ser um belo romance histórico, clarificando a posição de Portugal de Salazar face ao fim da II Grande Guerra e dos nazis alemães que usaram o país como rota de fuga. Todavia, o livro fica aquém das expectativas: diálogos pobres e improváveis entre neto e avô, abundância de relatos sobre sexo e abordagem fraca às aventuras e desventuras do nazi que guardava os tesouros de Hitler, incluindo o retrato de Klare, a mãe de Adolf. Li, de Domingos Amaral, Quando Lisboa Tremeu, romance histórico sobre o terramoto de 1755, e na época gostei da forma simples, clara e fluida como escrevia, bem como no que considerei tratar-se de um excelente trabalho de pesquisa. Porém, este segundo livro que leio dele revelou-se uma total desilusão... e, no entanto, poderia dar-se o caso de a desilusão se dar em virtude de não ter lido o primeiro volume Enquanto Salazar Dormia, mas o segundo livro claramente, pela prodigiosa capacidade de recordação do avô Jack, dispensa a leitura do primeiro. Não gosto de deixar livros inacabados mas, quando sinto necessidade de saltar frases ou páginas à frente, dificilmente conseguirei terminar o livro. Iniciei a leitura a dezasseis de julho e, todavia, até à presente data, não o voltei a folhear, lendo e vivendo outras aventuras literárias... sinceramente, nem sei se o voltarei a esta leitura nem sinto necessidade de o fazer. 

 

Na semana passada, a dia treze, comecei a ler O Tempo Entre Costuras da espanhola María Dueñas.

image.jpg

É, tal como o anterior mencionado, um romance histórico passado entre terras espanholas, marroquinas e portuguesas, costurado sob o pano da Guerra Civil Espanhola e de uma Madrid que apoia a Alemanha Nazi da II Grande Guerra, dos enclaves de Tânger e Tetuán, e uma Lisboa que ainda não conheci. O Tempo Entre Costuras era daqueles livros que queria ler à muito tempo... mais ou menos desde que o meu irmão me falou na série que ele gostava de acompanhar. O livro foi adaptado a série por um canal espanhol, em 2013, e o meu irmão foi-lhe fiel seguidor. Portanto, desde essa altura que desejava ler o livro... e o entusiasmo cresceu quando li criticas positivas noutros blogues, e de entre elas a da JustSmile, sobre o livro. Não se trata, todavia e na minha  opinião, de um livro carregado de aspectos históricos. O Tempo Entre Costuras conta com o seu qb de detalhes históricos, não se tornando maçudo, numa escrita cuidada mas clara e fluida. Acabei por abandona-lo um pouco, essencialmente, porque me sinto cansada e sem me conseguir entregar devidamente à sua leitura. É uma leitura que merece tempo e dedicação e enquanto os dias cansativos se mantiverem, dificilmente serei capaz de me lhe dedicar o tempo que realmente merece. A curiosidade sobre o livro levou a melhor, à muito que o ansiava ler e o inevitável aconteceu... não consegui deixar para uma altura mais calma, sendo obrigada a uma pequena pausa. O Tempo Entre Costuras é, sem dúvidas, um romance histórico que vale a pena ser lido.

 

Por fim, recentemente, a catorze, optei por dar inicio à leitura de Arroz de Palma do brasileiro Francisco Azevedo.

arroz.jpg

É, um livro pequeno, com cerca de trezentas páginas, capítulos pequenos e fáceis de ler, duas a três páginas, escritas numa mistura entre o português de Portugal e o português do Brasil. Arroz de Palma fala sobre família, a complexidade de um século na vida de uma família brasileira com sangue português, um prato de elaboração complexa... sim, Arroz de Palma é daqueles livros com sabores e cheiros, misturando culinária com sentimentos diversos. Não posso dizer que estou a adorar, uma vez que ainda estou muito no início, não ultrapassei as primeiras cinquenta páginas mas, posso afirmar que já me ri com as personagens e desentendimentos... 

19 | Na minha estante... A Mulher do Viajante no Tempo.


M*

16.08.15

9722332740.jpg

 A Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem à descoberta do poder do amor de um amor intemporal. Henry e Clare, os protagonistas, vivem um amor instável e envolto nos caprichos de uma particularidade que faz deles um casal especial. Henry conhece Clare quando ele tem 28 anos e ela 20. Porém, Clare conhece Henry desde menina... o primeiro encontro de ambos acontece quando ela tem 6 anos e Henry é um homem adulto de 36 anos. Os encontros de Henry na infância e adolescência de Clare tornam-se frequentes, levando-a a conhecer desde menina aquele que será o homem da sua vida. Confusos? Poderia ser, contudo, à medida que viajamos na história de Henry e Clare, compreendemos a particularidade e inevitabilidade que une o casal. É que, tal como o título da obra o indica, Henry é um viajante no tempo. 

 

A obra relata, por um lado, o amor de Clare por Henry mas, igualmente, os problemas que Henry sente enquanto viajante no tempo... trata-se de uma doença que se revelou vantajosa a um dado momento da sua vida porém, revelou-se perigosa e para a qual ele gostaria de encontrar a cura.

 

Numa obra descrita de forma leva e não maçuda, Audrey Niffenegger explica-nos, numa narrativa bem conseguida - quase que acreditamos que, de facto, existiu alguém com esta doença -, o porquê de Henry viajar no tempo. A escrita é fluida e cativante. Niffenegger inicia cada nova viajem de Henry contextualizando-a, no tempo e na idade. Porém, as viagens no tempo de Henry obrigaram-me a, por vezes, confusas e obrigando-me a folhear algumas páginas atrás para reavivar as idades de Henry e Clare. 

 

- Clare? 

- Sim? - A minha voz está baixa e amedrontada.

- Sabes que te amo. Queres casar comigo?

- Quero... Henry. - Tenho uma sensação avassaladora de déjà vu. - Mas, sabes, na realidade... já casei.

 

A história de amor de Henry e Clare cativou-me, por um lado, pelo título apelativo, por outro, pela própria sinopse e pelo trailler de adaptação à grande tela do livro. Adquiri a obra aquando de uma campanha da editorial Presença e é, sem dúvida, uma história de amor fascinante. As histórias que inicialmente parecem pequenos nadas sem sentido na vida de Henry, revelam-se essenciais na evolução do livro, justificando os caminhos estranhos da obra. 

 

A Mulher do Viajante no Tempo é uma viagem inesquecível e brilhante, uma narrativa mágica, um amor belo e improvável.  

 

- Não quero mais ninguém.

- Óptimo.

- Henry, dá-me apenas uma pista. Onde moras? Onde nos conhecemos? Em que dia?

- Uma pista: Chicago.

- Mais.

- Tem fé. Está tudo ali, à tua frente. 

- Somos felizes?

- Somos, com frequência, loucamente felizes. E também somos muito infelizes por razões que nenhum de nós pode evitar. Como estarmos separados.

- Isso significa que todo o tempo que estás aqui, agora, não estás comigo, então?

- Bem, não é exactamente assim. Posso acabar por perder apenas dez minutos. Ou dez dias. Não existe nenhuma regra a esse respeito. É isso que torna as coisas difíceis, para ti. E às vezes também me encontro em situações perigosas e volto para ti maltratado e confuso, e tu preocupas-te por minha causa quando parto. É como seres casada com um polícia. 

 

Diálogos de Henry e Clare.

Falta-me ver o filme. Quero muito ver o filme. Preciso muito de ver como ficou a adaptação e de reencontrar as personagens deste romance que tanto gostei. Infelizmente, ainda não consegui assistir à adaptação do romance de Henry e Clare.

 

 

audrey.jpg

 

Audrey Niffenegger

Nasceu nos EUA, em 1963. É artista plástica e escritora. Professora no Columbia College Chicago Center for Book and Paper Arts, onde ensina escrita criativa e técnicas de impressão e de encardenação de luxo. A Mulher do Viajante no Tempo é o seu primeiro romance, publicado em 2003 e vencedor dos prémios British Book Award e Exclusive Books Boeke Prize. Para além desta obra publicou, em 2009, Her Fearful Symmetry / Uma Inquietante Simetria - publicado pela Editorial Presença - e, em 2013, Raven Girl ainda sem tradução e publicação em Portugal.

Mais sobre mim

foto do autor

Mensagens

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Sigam-me

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2015
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D