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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 28 anos*

Um Mar de Pensamentos

21 | Na minha estante... A Bibliotecária de Auschwitz.

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 A Bibliotecária de Auschwitz inspirado na história de vida de Dita Kraus, sobrevivente de Auschwitz, remete-nos para o horror sofrido por milhares de judeus nos campos de concentração mas, acima de tudo, o poder e a força que os livros podem exercer naqueles que vivem rodeados do horror.

 

 Os livros conservam nas suas páginas a sabedoria de quem as escreveu. Os livros nunca perdem a memória.

 

Dita Adlerova não é mais do que uma jovem adolescente porém, é ela a portadora e testemunha de um segredo marcante, proibido no campo de Auschwitz-Birkenau. Dita, juntamente com Fredy Hirsch, que conseguiu erguer uma escola num campo de concentração, é a guardiã de oito poderosos livros. Cabe-lhe a ela, enquanto bibliotecária, a protecção e cuidado dos livros estritamente proibidos pelos nazis. Dita sabe que, cada livro que esconde, pode significar o seu fim e, no entanto, dona de uma coragem extraordinária, a jovem cuida aqueles oito preciosos livros como se de alimento se tratasse. No fundo é disso que se trata... 

 

Nos primeiros dias, não entendia o repentino interesse pelos livros até da parte dos menos aplicados mas, pouco a pouco, foi-se apercebendo de que os livros são uma ligação com os exames, o estudo e as tarefas menos agradáveis da escolaridade, mas também um símbolo da vida sem redes de arame farpado e sem medo. Até os que nunca antes abriram um livro sem ser de má vontade reconhecem agora nesse objecto de papel um aliado. Se os nazis proíbem os livros, é porque os livros estão do seu lado.

Manipular os livros aproxima-os mais um pouco da normalidade, e é esse o sonho de todos.

 

A Bibliotecária de Auschwitz recheado de personagens extraordinárias e diálogos marcantes, obriga-nos a reflectir sobre um dos períodos mais negros da História da Humanidade. É importante realçar que facilmente nutrimos afecto e simpatia pelas personagens, mesmo aquelas que assumem o papel de maus, como um dos guarda das S.S.; sendo igualmente dado a conhecer lado oculto de um homem diabólico, o Anjo da Morte, Josef Mengele. A temática é difícil mas, Iturbe soube escrever de forma sensível, cativante e cuidada. 

  

Jamais deveremos esquecer os horrores atrozes testemunhados, maioritariamente, por Judeus e Antonio G. Iturbe escreveu um romance inspirador e que todos nós deveríamos ler. Há livros que dolorosos, marcantes, inesquecíveis e A Bibliotecária de Auschwitz é um desses livros. 

 

Há dois professores que levantam a cabeça, angustiados. Têm nas mãos algo que é rigorosamente proibido em Auschwitz e pode condená-los à morte se forem descobertos. Esses objectos, tão perigosos que a sua posse é motivo para a pena máximo, não se disparam, não são cortantes, perfurantes ou contundentes. Aquilo que os implacáveis guardiães do Reich tanto temem são apenas livros: livros velhos, sem capas, desfolhados, quase desfeitos. Mas os nazis odeiam-nos, caçam-nos e proscrevem-nos com uma ferocidade obsessiva. Ao longo da História, todos os ditadores, tiranos e opressores, fossem arianos, negros, orientais, árabes ou eslavos, fosse qual fosse a cor da sua pele, quer defendessem a revolução popular, os privilégios dos ricos, o primado de Deus ou a disciplina sumária dos militares, fosse qual fosse a sua ideologia, tiveram uma coisa em comum: todos, sem excepção, perseguiram os livros com uma sanha feroz. Os livros são perigosos, fazem pensar. 

 

A Bibliotecária de Auschwitz tornou-se num dos meus livros preferidos. Como leitora curiosa sobre a temática da II Guerra Mundial, em particular, os campos de concentração, o livro de Antonio G. Iturbe é um excelente testemunho que, mais uma vez, sublinho deve ser lido por novos e velhos, homens e mulheres, ocidentais e orientais, ateus e religiosos... 

 

Antonio G. Iturbe

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Nasceu em Saragoça, Espanha, em 1967. Dedica-se há vinte anos ao jornalismo cultural. Foi coordenador do suplemento televisivo de El Periódico, redactor da revista de cinema Fantastic Magazine e trabalha há dezassete anos na revista Qué Leer, de que é actualmente director.
Colaborou nas secções de livros de «Protagonistas» Ona Catalana, ICat FM e a Cope, e em suplementos culturais de jornais como La Vanguardia ou Avui.
Publicou dois romances, e é autor de uma série de êxito de livros infantis.

Confissões de uma bibliófila.

Confissões de uma bibliófila ou uma diversas questões sobre livros... andava, à algumas semanas, desejosa de responder a algumas perguntas sobre livros. Culpa desta ansia, comecei a seguir alguns youtubers, portugueses e brasileiros, amantes de livros e, foi por lá que acabei a tropeçar nesta divertida tag. É, no fundo, uma outra forma distinta de dar conhecer mais um pouco de mim e da minha paixão pelos livros... ora, depois deste blablabla inicial, iniciemos as confissões.

 

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1. Qual o género literário de que te manténs longe?

Géneros literários de policiais, de terror (se nem em filmes me cativam), do fantástico ou futurista. Não sou apreciadora de nenhum destes géneros literários, não me atraem, não me cativam. Já li, porém, alguns romances do género policial e, embora na altura tenha gostado, não me incentivou a ler policiais, ou seja, o puro policial. 

   

2. Qual é o livro da tua estante que tens vergonha de ainda não teres lido?

Saga A Guerra dos Tronos. Li o primeiro volume mas não li os restantes livros, embora tenha quase todos os livros, tanto em tamanho normal como em tamanho de bolso - faltam-me uns dois ou três. Não é verdadeiramente vergonha. Sou fã da série e completamente viciada nela e apesar de eu saber que os livros são mil vezes superiores a qualquer série ou filme, a verdade é que não consigo deixar de associar as imagens da série a cada passagem do livro. Portanto, torna-se uma leitura estranha, em que não consigo desligar a série. Optei, por isso, por deixar que a série termine e, quem sabe, com o passar dos anos, me dedique a ler a saga de George R. R. Martin.

 

3. Qual é o teu pior hábito enquanto leitora?

O meu pior hábito enquanto leitora é, sem dúvida, a mania - que procuro alterar - de fazer pequenas dobras nos cantos das páginas para assinalar alguma frase importante. Por vezes não tenho um papel ou um lápis à mão e, quando isto falta, o livro é quem fica marcado. Não considero que escrever notas ou sublinhar frases seja um mau hábito de leitora... pelo contrário. Para mim, tais gestos demonstram dedicação e atenção ao livro e à leitura, umas vez que ao fazê-lo demonstramos vontade em não deixar cair no esquecimento algo, bem como amor a eles.

Outro hábito que pode ser considerado um péssimo tratamento aos livros é que eu, faça sol, vento ou chuva, ando sempre (sempre, sempre, sempre) com um livro... quando não cabe na mala, levo-o no braço, sem qualquer género de protecção. É para mim um péssimo hábito porque, mesmo na mala, o livro não tem capa e, portanto, sujeita-se às canetas e outras tralhas; no caso do braço, embora se mantenha mais seguro, a verdade é que se sujeita ao vento e à chuva. Nunca me aconteceu, felizmente, nenhuma desgraça aos livros mas precisamente para evitar surpressas, equaciono comprar uma capa de livros para os proteger.

 

4. Costumas ler a sinopse antes de ler o livro? 

Quase sempre. No geral, leio sempre a sinopse, exceptuando autores que eu já conheça e por quem tenha amor declarado, como Lesley Pearse, Jodi Picoult, Carlos Ruiz Zafón, José Saramago ou Isabel Stilwell. Porém, aos autores que desconheço ou de quem li dois livros e torci o nariz, opto sempre por ler. Neste último caso, é exemplo a espanhola Julia Navarro. Li dois livros dela (Dispara, eu já estou morto e Diz-me quem sou), não torci o nariz, adorei-os mas, considero-a uma escritora pesada em termos de narrativa, envolvendo diversos conteúdos históricos do século XX e, embora reconheça que dificilmente não virá morar em minha casa, procuro sempre ler a sinopse dos seus livros. 

 

5. Qual é o livro mais caro da tua estante?

Não me recordo, para dizer a verdade, qual o livro mais caro da minha estante. Julgo que será o de Isabel Stilwell, o D. Maria II, que na altura me custou aproximadamente vinte euros (os livros dela, no geral, são bastante caros), bem como O Jogo do Anjo, de Carlos Ruiz Zafón. Foram livros comprados na era antes de descobrir as vendas online de livros em segunda mão... uma era distante que dificilmente retomarei. 

 

6. Compras livros usados?

Não compro livros em segunda mão... eu, simplesmente, AMO livros em segunda mão. Grande parte dos meus livros foram adquiridos em segunda mão, através de compras em grupos no facebook. Adoro-os e tenho, inclusive, alguns compradores preferidos. A grande maioria dos livros chega às minhas mãos muito bem embalados e em excelente estado - tal como indicado pelos vendedores -, por vezes, em melhor estado do que comprados na wook ou numa livraria física. Recentemente comprei e apenas para dar o exemplo, por dez euros, o livro Travessuras da Menina Má de Mario Vargas Llosa, que custa na note.it uns dezoito euros, em excelentes condições (apenas um pouco machucado na capa do livro), enquanto que nesta loja, apesar do preço, o livro apresentava várias amolgadelas e dobras nos cantos. 

 

7. Qual é a tua livraria, loja física, preferida?

Note.it, definitivamente. Regularmente encontro excelentes promoções, os livros em estado bom e quase nunca abandono a loja sem trazer um ou dois novos livros, portanto, adoro-a. Uma ou outra vez, visito a bertrand e faço lá as minhas compras, embora muito esporadicamente, quando não encontro o livro na note.it ou porque decorre uma campanha que considere fabulosa ou, por fim, porque quero oferecer um livro. A bertrand é uma excelente livraria porém, se tivermos em conta que os livros em Portugal são, já por si, caros e que na bertrand os mesmos são, em média, dois euros mais caros do que na note.it... ou seja, para uma apaixonada por livros, torna-se insustentável a compra na bertrand. 

 

8. Qual é a tua livraria online preferida?

Wook e bibliofeira excluindo, naturalmente e evidentemente, o facebook e os seus grupos de venda. O primeiro porque, volta e meia, lança campanhas fabulosas e irresistíveis. O funcionamento da wook, embora estranho, visto que tudo se processa através da internet, sem outra forma de contacto, realiza-se maravilhosamente bem. Não encontro, até à data, defeitos a apontar à wook: e, quando no passado reclamei por atraso de um livro e respectiva encomenda, rapidamente resolveram a questão.

A bibliofeira é uma livraria, espécie de feira do livro, onde qualquer pessoa pode vender ou comprar livros, seja como novos ou em segunda mão. É recente a minha experiência com a bibliofeira mas, até hoje, das compras que realizei por lá, não tive qualquer queixa.

Outra livraria cuja experiência é bastante recente, realizei apenas uma encomenda por lá, é a fnac. Nunca gostei muito da organização e estética do site, não me entendia com o funcionamento do mesmo. Porém, alguns meses atrás, optei por aventurar-me e adquiri dois livros clássicos, numa campanha promocional e, a verdade é que achei fabuloso: os livros chegaram rápidos, muito bem embalados e acondicionados (neste aspecto, a wook precisa de aprender qualquer coisa com a fnac)... certamente uma experiência a repetir. 

 

9. Tens um orçamento (mensal) para comprar livros?

Não tenho um orçamento mensal para livros. O meu orçamento é simples: se tenho dinheiro, compro e se não tiver dinheiro, não compro. Como costumo dizer quem não tem dinheiro, não tem vícios. Como não tenho muito dinheiro, visto estar desempregada, procuro equilibrar, embora nem sempre o consiga, confesso, a balança entre o vício dos livros e as minhas necessidades do dia-a-dia.

 

Deveria, uma vez chegada à última questão, nomear outros bloggers para responder à tag. Porém, optei por alterar a última questão deixando, a quem quiser, a liberdade de roubar a tag e colocando a seguinte questão,

10. Dos livros que já leste em 2015, qual o teu top cinco de melhores leituras:

Os cinco melhores livros que li em 2015 foram e sem qualquer ordem de preferência, foram:

O Menino de Cabul de Khaled Hosseini (opinião aqui)

Nunca Me Esqueças de Lesley Pearse (opinião aqui)

A Menina Que Fazia Nevar de Grace McCleen (opinião aqui)

O Monte dos Vendavais de Emily Brontë (opinião aqui)

E, por fim, uma das minhas leituras mais recentes e cuja opinião prometo, em breve, escrever... A Bibliotecária de Auschwitz de Antonio Iturbe.

 

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13 | Dos outros... e do amor falhado.

O amor é um universo simples. Porém, nós, enamorados e não enamorados, complicamos o simples... porque viver descomplicadamente parece aborrecido. O mais triste do amor é quando ele termina assim,

 

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O mais triste do amor é quando ele termina e mil e umas palavras ficam por dizer... O mais triste do amor é quando queremos que alguém fique e não somos capazes de o dizer. O mais triste do amor é viver com este e se eu lhe tivesse dito para ficar, para não desistir e lutar por nós, o que seriamos hoje? O amor é feito de palavras e quando as palavras nos falham, é triste viver com os sentimentos de um amor falhado.  

É certo que, a mim, nada me diz mas ...

... confesso que faz-me calafrios e imagino um universo tão negro, frio e negativo sempre que escuto um pai ou mãe tratar um filho ou filha por você - V-O-C-Ê - e, obviamente, o contrário. Catarina, você já escolheu o seu bolo? O menino Gonçalo já pediu o seu gelado? O Pai não vai pedir nada? Dá-me vontade de sacudir pais e filhos e perguntar como conseguem usar o você como se de desconhecidos se tratassem... e quando os pais são casais novos com filhos pequenos a tratarem-se deste modo, menos consigo engolir e compreender. Não é nada comigo mas confesso, faz-me uma confusão tremenda... 

 

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