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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 28 anos*

Um Mar de Pensamentos

Crónica de Uma Empregada de Mesa: o gelado.

Ser empregada de mesa, num café, especialmente em época de calor e férias longas, é uma experiência... peculiar, cansativa, diferente e um tanto ou quanto divertida. Identificamos e definimos, facilmente, todo o tipo de clientes mediante conversas e comportamentos para connosco e, assim, temos o cliente simpático, o cliente compreensivo, o cliente brincalhão, o cliente chato, o cliente mal-encarado, o cliente antipático (obviamente, que isto também se aplica à cliente mulher) e por aí em diante... e, claro, jamais poderia faltar o cliente queque e a cliente tiazinha.

 

Uma destas tardes, depois de vender um gelado magnun sandwich, a cliente regressa, visivelmente chateada e com o gelado mal comido, dirige-se a mim e diz-me (uma vez que foi comigo que fez a compra):

 

- Oh menina, pode-me trocar o gelado? É que este têm um sabor estranho, sabe tão mal!

- Ah?! Como assim?
- Eu ainda ontem comi um igual a este noutro café e não me sabia mal... este sabe a peixe! É. Sabe a peixe. Vocês guardam peixe nesta arca?!
- Não. Esta é a arca dos gelados. O peixe fica noutro lado.

- Oh menina, mas este sabe a peixe. Olhe, feche-o novamente, guarde-o na arca e mostre-o ao vendedor de gelados. 

 

A política de boa educação para cafés e afins diz que o cliente têm sempre razão (política à qual, de todo, não concordo) e, portanto, a solução passou por trocar o gelado à dita senhora, que feliz devorou um cornetto de morango. 

 

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Quanto ao gelado, esse, estava longe de saber a peixe...

Leitura do momento...

No passado dia treze lancei o desafio, para quem me segue do outro lado do ecrã, de escolher a minha próxima leitura. Foi, a meu ver, uma experiência curiosa, certamente a repetir... gostei muito das repostas e das sugestões que indicaram, tendo começado a averiguar sobre alguns dos livros que indicaram. Um enorme obrigada a todos!

 

Comecei ontem a ler o livro vencedor (uma vez que teria de passar grande parte do dia no hospital e, o que me encontrava a ler, têm-me desiludido) e, admito, estava longe de imaginar que fosse a seleccionada:

 

Segue o Coração

Lesley Pearse

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 Aquele podia ter sido um dia como tantos outros na vida de Matilda, uma pobre vendedora de flores. Mas aquele é o dia em que Matilda salva a vida de uma criança e recebe a mais preciosa das dádivas: a oportunidade de fugir da miséria e construir uma nova vida. Em breve trocará os bairros degradados de Londres pelos recantos misteriosos de Nova Iorque, as planícies do Oeste Selvagem e a febre do ouro em São Francisco. Munida apenas da sua coragem, beleza e inteligência, a jovem está apostada em ditar o seu destino, nem que para tal tenha de lutar contra tudo e todos.  
A sua rebeldia condena-a à solidão. Mas um dia também ela viverá as emoções de um verdadeiro amor. Um amor que terá de suportar a separação, a guerra e os tormentos do nascimento de uma nova nação. Será no Novo Mundo que Matilda vai aprender o que a sua infância não lhe ensinou: que todos nascem iguais, que a coragem e a generosidade são o que de mais nobre pulsa no coração humano, e que, por mais doloroso que seja, a vida tem de continuar e nunca se deve olhar para trás…

 

Por fim e para os mais curiosos, os resultados finais...

 

Arroz de Palma, Francisco Azevedo 1
Pedaços de Ternura, Dorothy Koomson 1
Um Comércio Respeitável, Philippa Gregory 1
Os Pilares da Terra, Ken Follet (volume 1) 4
Catarina de Bragança, Isabel Stilwell 0
A Mulher do Viajante do Tempo, Audrey Niffenegger 4
O Complexo dos Assassinos, Lindsay Cummings 0
Segue o Coração, Lesley Pearse 6
A Montanha Entre Nós, Charles Martin 1
Filipa de Lencastre, Isabel Stilwell 1
O Anjo Caído, Daniel Silva 2
Aquele Instante de Felicidade, Frederico Moccia 1
Dezanove Minutos, Jodi Picoult 0
Irmã, Rosamund Lupton 1
No Jardim dos Monstros, Erik Larson 1
A Mentira Sagrada, Luís Miguel Rocha 2
O Pasteleiro Que Queria Ser Rei de Portugal, Ruth MacKay 0
Palmeras En La Nieve, Luz Gabás (livro em espanhol) 0
Em Troca de Um Coração, Jodi Picoutl 0

Eu, falsa mulher, me confesso.

Eu me confesso: sou uma falsa gaja. Diz-se que mulher que é mulher compreende de mil e umas coisas. Digo eu, que sou gaja, que tal não é verdade e não passa de uma ideia idiota e machista do que é ser mulher.

 

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Não sei andar de saltos altos. Na verdade, nem sequer sei distinguir os diversos nomes atribuídos aos formatos de sapatos. Não ando de saltos altos finos, gosto deles com grande suporte no calcanhar. Não sei andar de saltos altos sem parecer uma maluquinha e, para dizer a verdade, às vezes nem sei andar em saltos rasos... altos ou baixos, qualquer pode-me levar à queda.

 

Não percebo nada de maquilhagem. Não percebo o significado de mil e um pincéis e afins, nem tão pouco a utilidade de mil e um cremes. Ver um vídeo sobre maquilhagem é como ver um ver um jogo de futebol: não compreendo. É lápis para aqui, é pincel para ali, é creme para esconder a olheiras e mil e umas utilidades da maquilhagem... e eu só me consigo lembrar das minhas colegas de faculdade que, no Verão e carregadas de maquilhagem, deixavam as blusas brancas do traje académico marcadas de base e riscos de suor no rosto. Uso lápis e o rímel e, mesmo estes, apenas em ocasiões especiais, não vá fazer uma reacção alérgica... ah, e o habitual creme hidratante de rosto.

 

Não percebo nada de unhas, manicure e pedicure. A lima irrita-me e sozinha não a consigo usar. Não consigo tirar as peles em redor das unhas nem de as puxar para trás. Pinto as unhas conforme sei, quase sempre pintando a pele. E, quanto à pedicure, uma a duas vez por mês lá vou a quem compreende e faz de tal o seu trabalho... porque, o único que sei é pintar as unhas - e, mesmo assim, nunca ficam tão perfeitas e lindas como na pedicure.

 

Não percebo de cabelos. O meu cabelo é tão fino que mete nervos. Não sei fazer penteados... ou fica solto ou apanhado em rabo de cavalo. Corto-o e pinto-o. Mas, contrariamente às gajas normais, eu não consigo antever se me ficaram bem ou mal. Não consigo perceber se, pintando daquela cor, o cabelo vai ficar pior ou melhor do que antes ou, simplesmente, destruir. Tão pouco sei qual é a moda no corte de cabelo.

 

Nunca percebo se algo ficará bem ou mal aos demais. Pedem-me que dê a minha opinião sobre um vestido ou umas calças, se ficam bem ou se fazem mais gorda alguém e eu, que não percebo nada do tema, digo sempre que ficam bem e acho que não fazem mais gorda. Na verdade, apenas consigo perceber quando a peça de roupa é para mim... e encontro mil e um defeitos. Uso e abuso de vestidos, apesar da enorme variz que me atravessa a perna. Não sei o que fica bem no formato do meu corpo. Portanto, não percebo nada de moda...

 

Não percebo nada de homens. Nunca consigo entender quando alguém está interessado em mim (a menos que o diga directa e claramente)... logo, também não sei como demonstrar a um homem que estou interessada nele. Não compreendo os jogos de olhares e não sei como fazer conversa com alguém que me interessa. Não sei seduzir. Quase nunca sinto que olhem para mim na rua (excepto, na última visita ao hospital, em que o enfermeiro me olhou de alto abaixo)... e, se perceber que alguém se interessa por mim, procurarei afastar (porque não estou segura de mim e mergulho em mil medos).

 

Não sou delicada, frágil ou magra. Não percebo de bijutaria nem de dietas (não sei qual o alimento que mais engorda ou emagrece). Não sei usar chapéus e não me sinto confortável a usar calças de ganga. Não gosto do Verão, nem do calor e não sonho em passar horas ao sol à espera de transformar a minha cor de leite em bronzeado (e, acrescento, algumas mulheres ficam tão feias bronzeadas). No Verão, não gosto de andar com malas enormes, prefiro pequenas e levo o meu livro na mão. Gosto do Inverno e do frio. Sai-o do carro aos trambolhões e não vejo novelas. Não conheço os pedaços de mau caminho das estrelas de cinema e série (tirando, o Jon Snow e mais alguns). Nunca sei qual é o tamanho do meu soutien. Não gosto de ir às compras (excepto de livros). Não tenho fotografias belas, sensuais e sexy's no meu facebook ou instagram. Não sei cantar (como diz a minha mãe, acordo os mortos no cemitério). O meu armário de roupa e calçado parece o cenário de uma guerra. Não sei cozinhar (nem gosto). Não uso colares. Não sei dançar. Uso biquíni porque não sinto que, apesar de ser gordinha, necessite de me esconder num fato-de-banho. Não gosto de barrigas à mostra nem de decotes gigantes. Não tenho o desejo de ser mãe (já tive mas, por agora, parece que a desejo desapareceu). Não percebo de decorações para casa. Sou desajeitada e trapalhona. Ah! E contrariamente ao que se diz, digo palavrões... ou não fosse eu gaja do Norte!

 

Portanto, sou falsa gaja e gosto de assim ser (excepto, numa ou noutra situação)... porque, as mulheres não são todas iguais.

A caixa de ti.

Mergulhei em ti, em nós, nas memórias de um ano em comum quando, sem relembrar o que continha naquela velha caixa, tropecei nela. E, no tão pouco tempo que fomos nós, recordei o significado de cada pequena coisa tua. Uma carta, um pedaço de papel, um peluche, um bilhete para um festival, momentos de outrora, provas de um passado que não deveria ter vivido. A caixa, recheada de mil e um sentimentos, relembrou-me o motivo porque te guardei. Guardamos pequenos nadas pelo significado de quem, um dia, tanto amamos. E, depois, quando as coisas não são para ser, quando o caminho de ambos não se faz lado a lado? Existem duas hipóteses: ou destruímos tudo ou guardamos. Resolvi guardar-te. Não por te amar mas, para jamais esquecer do que me obrigaste a viver, do que não quero novamente viver, do que não quero para mim. 

 

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