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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de M*

A estranha sensação de conduzir para a liberdade.

Nunca gostei de conduzir. Não sou, de todo, a melhor condutora do mundo. Não sei estacionar o carro na lateral. Não gosto de fazer ultrapassagens nem de rotundas. Porém, a verdade é que, apesar de não gostar de conduzir e não ser a condutora mais experiente ou confiante, existe uma estranha liberdade em conduzir. Quando me aborreço ou sinto que estou prestes a dar em louca, saio-o de casa e pego no carro para conduzir largos minutos. Vou até à cidade, contemplo a praia na noite escura ou, simplesmente, deixo-me passar algumas horas sentadas no café na companhia de um livro. Conduzo à noite quando, na zona onde moro, o volume parece ser menor... e, quando o meu dia-a-dia não exige mais de mim. Cantarolo, desafinadamente, as músicas que me acompanham na rádio. Imagino-me a viajar sem destino ou rumo. Sonho, enquanto conduzo e sem nunca abandonar os olhos da estrada, mil e um cenários distintos à minha realidade. Existe uma estranha e perversa sensação de liberdade em conduzir à noite... e é esta a sensação de liberdade que me faz conduzir. 

 

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18 | Na minha estante... O Monte dos Vendavais.

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  O Monte dos Vendavais, clássico da literatura inglesa e uma das minhas primeiras leituras dos apelidados clássicos antigos, é uma ode ao amor e ao ódio.

 

Os orgulhosos arranjam desgostos às suas próprias mãos.

 

1801. Mr. Lockwood é o novo e curioso inquilino do já velho, misterioso e rude Mr. Heathcliff. Uma noite de tempestade obriga o jovem Lockwood a passar a noite na casa d' O Monte dos Vendavais, onde conhece a misteriosa Catherine. A noite veste-se de imprevistos e estranhos acontecimentos que, levam o jovem inquilino de Mr. Heathcliff a viajar na história das famílias que outrora habitaram na casa d' O Monte dos Vendavais. É a criada da casa da Granja, Mrs. Dean, onde se encontra instalado, quem relatará a Mr. Lockwood toda a história de amor e ódio que dividiu e destrui famílias.  

 

A história começa quando o patriarca da família Earnshaw, após uma viagem a Londres, regressa com o pequeno Heathcliff. É ele o elo de amor e desgraças que se abaterá sobre as vidas que toca. Os filhos de Earnshaw, Catherine e Hindley, sentem-se colocados de parte pelo pai que, parece nutri mais carinho e atenção pelo novo filho. Porém, a morte de Earnshaw levará Hindley a assumir a posição de patriarca da família e, assim, a vingar-se de Heathcliff. A irmã Catherine, todavia, não compartilha do pensamento do irmão e encontra em Heathcliff um parceiro. Nasce, assim, entre ambos algo mais do que uma simples amizade ou carinho de irmãos. A história sofre uma reviravolta com a partida d' O Monte dos Vendavais de Heathcliff, levado a acreditar que Catherine não corresponde aos sentimentos e pela atracção da jovem Catherine aos luxos e riquezas que um casamento podem proporcionar. O regresso, anos mais tarde, de Heatchcliff marcará a vida de das famílias de ódio e vingança. 

Virou o livro de modo que a capa ficasse voltada para mim. O Monte dos Vendavais.

- Já lestes? - perguntou.

(...) 

- É uma história triste.

- As histórias tristes dão bons livros - respondeu ela.

O Menino de Cabul,

Khaled Hosseini 

O Monte dos Vendavais era daqueles clássicos a quem a curiosidade à muito me despertava o interesse... especialmente depois de ler esta referência num dos meus livros preferidos. Porém, confesso, o receio de uma linguagem complexa e inacessível fez-me recear e nunca me aventurar na sua leitura. A verdade é que, ainda bem que a coragem chegou e me aventurei na sua leitura porque, de facto, é uma obra excepcional. Inicialmente não me foi fácil entrar na obra. Não pela escrita em si, mas pelos nomes que, volta e meia, trocava. É, O Monte dos Vendavais, uma obra que exige uma leitura atenta e cuidada mas, todavia, uma obra imperdível.

 

Emily Brontë é uma mulher à frente da sua época. Numa escrita cuidada, Brontë leva-nos a reflectir sobre os nossos medos e angústias, sobre as escolhas que tomamos e as coisas que deixamos por dizer. Uma vez lida uma das obras-primas da literatura inglesa, estou curiosa para ler Jane Eyre de Charlotte Brontë que, como o apelido indica, é a irmã de Emily.

E se julgas que o não percebi, és uma doida; se pensas que posso ser consolado por falinhas mansas, és uma idiota, e se imaginas que sofrerei sem me vingar, convencer-te-ei do contrário em pouco tempo.

O Monte dos Vendavais foi uma leitura realizada em conjunto com a Nathy (clube das pistogas que lêem), do blogue Desabafos da Nathy, onde podem consultar a sua opinião e crítica sobre o livro de Emily Brontë.

 

Emily Jane Brontë

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 Nasceu em Yorkshire, Inglaterra, em Julho de 1818. Irmã de Charlotte e Anne, conhecidas como as irmãs Brontë que, igualmente se dedicarem à escrita, Emily é das três irmãs com menos informações. Conhecida pela sua personalidade introvertida e fechada, Emily escreveu poesia e o seu único romance, O Monte dos Vendavais, sob o pseudónimo masculino de Ellis Bell. Considerado um dos clássicos da literatura universal e obra-prima da literatura inglesa, O Monte dos Vendavais recebeu, em 1847, ano da sua publicação, fortes críticas literárias graças à componente pesada e tensa da história de amor. Porém, o certo é que a obra é uma das mais conhecidas, tendo sofrido diversas adaptações às telas de cinema. 

 

Emily Brontë morreu aos 30 anos, em Dezembro de 1848, vitima de tuberculose. O seu corpo encontra-se sepultado na igreja de St. Michael and All Angels Cemetery, em Haworth, no oeste de Yorkshire, Inglaterra. 

Eu tenho um sonho.

Um sonho simples. Eu tenho um sonho. Na verdade, eu não tenho um sonho, tenho vários sonhos. Sonho com o dia em que os rótulos sejam realmente para as coisas e não para as pessoas. Sonho com o dia em que a pessoa que lê não seja apelidada de nerd, croma, anti-social, retardada, chata, aborrecida, convencida, doutorazinha e demais rótulos de quem lê. Sonho com o dia em que ler seja algo tão banal como respirar ou comer. Sonho com o dia em que deixarei de ser avaliada pela capa e título pomposa, cor-de-rosa e lamechas de um livro. Porque, para mim, ler é como dormir (ambos bons demais para escolher), porque não quero esconder os meus livros em capas de pano e porque, simplesmente, adoro ler. 

 

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Confronto-me, com regularidade, com frases de outrem que revelam elevados graus de ignorância de quem não lê. Quando estava a ler Segue O Coração de Lesley Pearse somente pelo título, rotularam-no de romance feminista e, a mim, de uma sonhadora romântica tola. E, por mais que explicasse que nunca se deve julgar um livro pela capa ou título e de que, quanto ao livro em causa, ele era dirigido tanto a homens como a mulheres, de pouco ou nada serviu... oh gente limitada. 

Um mar de livros... estou a ler,

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