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Um Mar de Pensamentos

Um mar de leituras. Um mar de sonhos. Um mar de conquistas, lutas e fracassos. Um mar de mil pensamentos. O diário de Maria, 28 anos*

Um Mar de Pensamentos

13 | Na minha estante... A Bastarda de Istambul.

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 A Bastarda de Istambul é uma viagem à descoberta da história de dois países intimamente interligados entre si. Mais do que um romance, Elif Shafak convida-nos a mergulhar na memória de quem sobreviveu ao genocídio arménio comentido pelo Império Otomano, entre 1915 e 1917. Com sabedoria, usando e abusando, Shafak recorre à ironia e sarcasmo para relembrar os crimes do passado. A Bastarda de Istambul é, a meu ver, uma espécie de critica a turcos e arménios. De um lado, um povo que finge nunca ter cometido os crimes e, aqueles que admitem a sua existência, parecem descartar-se dos mesmo porque aconteceram sob domínio de um Império e não da actual Turquia; do outro lado, arménios que, de geração em geração, alimentam sentimentos sob o massacre arménio passando aos mais novos e cem anos depois, as memórias das atrocidades de quem sobreviveu. É, igualmente, uma critica a um país divido entre a modernidade e a tradição, entre o Ocidente e o Oriente, bem como ao papel das mulheres naquele país.

 

Elif Shafark dá-nos a conhecer duas jovens oriundas de famílias distintas, cujos sentimentos se assemelham e de vidas intimamente interligadas. Aysa, uma jovem determinada e irreverente, nasceu e sempre viveu em Istambul, numa casa rodeada de mulheres. Na família Kazanci os homens, em virtude de uma misteriosa maldição, vivem até perto dos quarenta anos de idade. Portanto, Aysa cresceu numa família de mulheres com personalidades distintas, encerrando em si, segredos e mistérios. Armanoush, é a prima arménia-americana de Aysa, a enteada de um tio que nunca conheceu, Mustafa, uma jovem introvertida e apaixonada por livros que, um dia, decidi conhecer a outrora cidade da família. A chegada da prima, levará Aysa numa viagem ao passado secreto da família e à história que interliga arménios e turcos.

 

A Bastarda de Istambul, nomeado para o Orange Prize For Fiction, é o primeiro romance traduzido e publicado, em Portugal, de Elif Shafak. Nascida em 1971, em França, é das escritoras mais lidas na Turquia e aclamada pela critica como uma das escritoras mais originais. Formada em Ciências Políticas, a leccionar em universidades dos EUA, Reino Unido e Turquia, Shafak dá voz, nos seus livros, às mulheres, minorias e subculturas. Uma última nota sobre este livro e a sua escritora: em 2006, foi levada a tribunal por "denegrir a identidade turca" em virtude de algumas palavras utilizadas pelas personagens arménias, mas as acusações acabaram por ser retiradas.

 

O meu interesse e curiosidade por A Bastarda de Istambul nasceu graças às diversas notícias a que tive acesso, além de envolver conteúdo da história internacional e visão actual das sociedades mencionadas - sobretudo da turca. Em si, a sinopse não me despertou especial atenção mas, de facto, o marketing é uma arma poderosa... e, neste caso, ainda bem. De facto, Shafak escreve de forma original, irónica e sarcásticas, prende-nos a cada palavra, a cada frase e, rapidamente, conseguimos nutrir sentimentos de empatia pelas personagens; embora, exija especial leitura, pela temática e por saltar entre o presente e o passado. A capa é, para mim, uma das mais bonitas que vi em livros e, quanto ao título, considero que se enquadra perfeitamente na história... até porque, o final é surpreendente.

 

Por tudo isto, espero, sinceramente, que outros livros de Elif Shafak sejam traduzidos para português. Recomendo, por conseguinte, a leitura deste livro.

Armanoush tinha a sensação de que sob as constantes objecções da tiazinha Varsenig às suas leituras se encontrava uma preocupação mais estrutural, se não primordial: um instinto de sobrevivência. Simplesmente não queriam que ela brilhasse demasiado, que se destacasse do rebanho. Escritores, poetas, artistas e intelectuais foram os primeiros dentro do millet arménio a serem exterminados pelo antigo governo otomano. Tinham-se livrado primeiro dos "cérebros" e só depois começado a extraditar os restantes - os leigos. Como muitas famílias arménias na diáspora, ali a são e salvo mas nunca totalmente à vontade, os Tchakhmakchian sentiam-se simultaneamente eufóricos e humilhados quando uma das suas crianças lia demasiado, pensava demasiado, desviava-se demasiado da normalidade.

 

* (mais sobre o livro em Editorial Presença

** (outras frases em Dos Meus Livros)

16 | Coisas de blogger... desafio musical.

Diz que andamos numa onda de desafios e, para escrever verdade, confesso, são sempre bem-vindos. Uma vez que o amigo sapinho blogs nos levou o inspira-me, temos sempre os desafios para quem, como eu, às vezes não sabe exactamente sobre o que escrever ou simplesmente não lhe apetece numa qualquer fase - e eu, como talvez já devem ter percebido, sou de fases e vontades. Ora, depois deste blablabla passemos ao que realmente interessa: o desafio musical lançado pela minha querida e simpática Miss Ana, do blogue De Repente Já Nos 40!!! que, basicamente consiste em escolher cinco músicas em cinco categorias distintas... e, portanto, agora é que vocês ficaram a conhecer o meu péssimo - dizem - gosto musical.

 

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5 Músicas Que Me Deixem Tristes

 

Eu Sei, Papas da Língua 

Mentira, João Pedro Pais

A Quién Quiero Mentirle, Marc Anthony

Nada Quer Perder, Conchita

Another Love, Tom Odell 

 

Julguei que seria mais difícil realizar esta categoria mas, a verdade, é que se revelou uma das mais fácies. As escolhas devem-se a pessoas ou a momentos mais negativos na minha vida. A última de Tom Odell, por exemplo, foi a que estava a ouvir quando decidi atirar uma carta que escrevi para o meu ex-namorado e que atirei ao mar.

 

5 Músicas Que Me Alegram

 

Happy, Pharell Williams

You're Never Fully Dressed Without a Smile, Sia

Sing, Ed Sheeran

Cuando Me Enamoro, Enrique Iglesias y Juan Luis Guerra

Morena, Tiago Bettencourt & HMB

 

Confesso: foi uma das mais difíceis. As categorias que parecem ser as mais simples, quase sempre, se revelam as mais difíceis. Teria enumerado várias, novas e recentes, entre portuguesas, espanholas, italianas e latinas mas, pronto, ficam estas.

 

5 Músicas Que Me Dão Vontade de Dançar

 

Ai Se Eu te Pego, Michel Teló

Y Yo Sigo Aqui, Paulina Rubio

Livin'La Vida Loca, Ricky Martin

Ave María, David Bisbal

Bailando, Enrique Iglesias com Luan Santana

 

Cinco? Pronto... eis um top cinco de músicas para dançar. Definitivamente, para mim, a música latina é a melhor opção para dançar e dançar... e não foi propriamente fácil. 

 

5 Músicas Que Me Fazem Sonhar

 

Tu e Eu, Diogo Piçarra

Hero, Enrique Iglesias

Bad Day, Daniel Powter

Por Uma Noite, Klepht

Me Quiero Enamorar, Jesse & Joy 

 

Dificilmente escolheria outras... tinham de ser estas porque, todas elas, de algum modo transmitem sentimentos ou desejos que tenho. Recorro a elas, sempre que preciso de levantar voo para o universo dos sonhos e não os deixar fugir.

 

5 Músicas Que Me Marcaram

 

Beautiful, Christina Aguilera

I'm Like A Bird, Nelly Furtado

Não Há Estrelas No Céu, Rui Veloso

Maria Maria, Carlos Santana

Please Don't Stop The Rain, James Morrison

 

Não Há Estrelas No Céu porque foi das músicas mais importantes e marcantes da minha adolescência, assim, como as restantes e Please Don't Stop The Rain porque a cantei, no meu terrível inglês, quando assisti ao seu concerto em Portugal (ele é fantástico!).

 

(e, sim, podem dizer que tenho mau gosto musical, pior do que a minha irmã mais nova... mas, olhem, é música.)

15 | Coisas de blogger... as perguntas de,

a Mulher, Filha e Mãe desafiou-me a mostrar mais um bocadinho de mais de mim e, para tal, colocou-me uma série de questões... ora espreitem lá,

 

Se a tua vida desse um filme, qual seria?

Nunca pensei nesta questão. Na verdade, acho que nunca vi nenhum filme ou os suficientes para encontrar o tal e atribuir-lhe enorme designação. Porém, à memória vieram-me dois,

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Medianeras (2011): filme argentino, no qual facilmente visto o papel das personagens; Mariana e Martín, dois jovens desconhecidos cujas vidas se cruzaram, na busca de um amor. 

As Vantagens de Ser Invisível (2012): revejo-me neste filme porque sempre me senti como Charlie, um ser invisível em busca de amizades e de um amor.

 

Se tu pudesses passar a tarde com um famoso, qual seria?

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 A Malala seria uma das minhas escolhas porque, já aqui confessei a minha enorme admiração por ela e pela sua luta mas, admito que não a primeira que me surgiu. A primeira escolha recaiu sobre o escritor nascido no Afeganistão e neutralizado Americano, Khaled Hosseini... olhei para o livro que estava ao meu lado e pensei e porque não um dia conhecer este senhor e às suas histórias? E, por fim, Angelina Jolie. Confesso que nem sempre a admirei mas, pelo enorme coração que parece possuir, teria de figurar na lista.

 

Tens algum lema que guie a tua vida?

Tenho dois eternos clichés,

- Se nenhuma tempestade é eterna, também nenhuma tristeza o poderá ser.

- Na vida, tudo acontece por algum motivo e, mais tarde ou mais cedo compreendemos os porquê.

 

Recordação de infância favorita? 

De um modo geral, as recordações de infância passadas na Venezuela são as minhas favoritas, aquelas que recordo com e nostalgia (como expliquei aqui). Mas, quando tinha uns onze anos, a minha vida sofreu uma alteração enorme: a chegada da pestinha mais nova... a minha irmã.

 

Local marcante para onde tivesse ido de férias?

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Lloret del Mar, em Espanha. Numa altura em que aquela pequena localidade sofria uma inundação de portugueses, recordo a minha viagem de finalista não por temos cometido as loucuras que tanto se falava em qualquer canal português mas, precisamente por não termos feito nada daquelas loucuras... e, acreditem, divertimos-nos imenso! 

 

Se pudesses mudar alguma coisa em ti e/ou na tua vida, o que seria?

Em mim: provavelmente, perder um pouco de pernas e ancas porque, de facto, tenho vários complexos associados às pernas (embora, tal não me impeça de usar e abusar de vestidos).

Na minha vida: praticamente tudo... sinto-me bastante longe de alcançar os sonhos que tinha para mim.

 

Um filme que mais te tivesse marcado?

Praticamente todos os que vi, de um modo geral, marcam-me por uma lição, momento ou sentimento que transmitem. Porém, são as histórias baseadas em factos reais aquelas que mais me marcam.

 

Coisa que levas sempre comigo quando sais?

Uma não, são várias: as chaves, a carteira (nem que seja só com os cartões principais e o dinheiro), o telemóvel e, um livro (obviamente que, se for para uma saída à noite, este fica em casa).

 

Tinhas alguma loucura (saudável), e se sim, qual?

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Livros que, para mim, não é nenhuma loucura mas, em meu redor, o é.

 

Pudesses dar um conselho a mim mesma quando tinha 18 anos, qual seria?

Segue sempre, sempre, mesmo quando o mundo se oponha, os teus sonhos... e não deixes que ninguém te diga, mais do que uma vez, que não vales nada.

 

Têm ou já tiveram alguma alcunha?

Sim, já e, ainda hoje, algumas pessoas me tratam por essa alcunha e ligada ao segundo nome que tanto detesto.

 

Qual o cheiro que mais gostam?

O cheiro do mar... e das arepas!

 

Para vocês onde fica o início e o fim do mundo?

O início é onde eu estiver e o fim do mundo é onde eu decidir que é... por exemplo, o Algarve fica no fim do mundo, ... e, de facto, quase 600km é muito. Devo confessar que, o fim do mundo é uma expressão que utilizo com frequência, do género oh, não vou agora para o fim do mundo, né?.

 

Qual o jogo que mais gostam?

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Se pudesses passar o dia com alguém, com quem seria?

Com dois familiares já falecidos: o meu avó materno e o meu padrinho de baptismo.

 

O que é que vos tira do sério?

Desarrumação - a minha irmã é perita - mentiras, racismo e hipocrisia.

 

Porquê o nome do vosso blog?

Foi junta ao mar que o nome me surgiu enquanto mergulhava nos meus pensamentos.

 

Qual o dia da semana que mais gostam?

Presentemente, não tenho nenhum dia da semana que mais goste.

 

Algum livro vos marcou? Qual?

Xiiii... vários! É-me difícil escolher um, apenas um... dos vários que li, todos eles, mesmo aqueles que não gostei, de alguma forma, me marcaram. É simplesmente impossível escolher o livro que mais me marcou sem criar uma lista de, no mínimo, uns dez.

 

Qual a palavra com que se identificam mais?

Chocolate, livros e música 

 

Onde é que se sentem em paz?

 Encontro a minha paz, de duas formas:

- junto ao mar... numa praia solitária, só eu, o som da rebentação e as gaivotas,

- e num livro com a companhia de músicas alegre e mexida - geralmente latina ou espanhola - de fundo.

Até breve, Luís Miguel Rocha.

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Conheci a sua escrita em A Filha do Papa e, fiquei fascinada, pelo jogo de palavras num tema tão delicada, como o é a religião. Voltarei a reencontrar-te no meio das palavras que escreveste. Obrigado e um até já. 

 

(Enviado de Samsung Mobile)